Camu-camu: fruto amazônico com mais vitamina C que o limão

camucamuOscar Smiderle,Pesquisador da Embrapa Roraima (2009) - Nem acerola, nem limão. O fruto com maior concentração de vitamina C ainda é um ilustre desconhecido. O título fica com o camu-camu, também chamado de caçari, araçá d'água e azedinho, um fruto típico da região amazônica. Sua concentração de ácido ascórbico (vitamina C) é 20 vezes maior que a da acerola e 60 vezes a do limão. Cada 100 gramas de sua polpa tem entre 2,3 e 3 gramas de vitamina C. E a casca apresenta concentração ainda maior: até 5 gramas.

É a maior fonte natural de ácido ascórbico que se conhece. Mais do que isso só em formato de comprimido, nas farmácias. Por conter um alto teor de ácido ascórbico e ácido cítrico, o camu-camu é um poderoso anti-oxidante. E pode funcionar como coadjuvante na eliminação de radicais livres, retardando o envelhecimento, além de fortalecer os sistemas imunológico e nervoso e estimular o sistema cardíaco. Com estas propriedades, o camu-camu impõe-se no topo da lista das matérias-primas das indústrias de medicamentos, cosméticos, alimentos e bebidas. Mesmo após o cozimento, ele não perde a vitamina C, como ocorre com outros frutos.

Não é à toa, portanto, que as propriedades e benefícios do camu-camu têm despertado o interesse de outros países na importação da polpa e do fruto. Por outro lado, infelizmente, o camu-camu ainda não é popular na mesa do brasileiro, mesmo de quem mora na Amazônia. O fruto praticamente só é encontrado em seu estado natural, à beira dos igarapés e rios ou em regiões permanentemente alagadas. Plantações comerciais ainda não são comuns. Mas a Embrapa Roraima vem realizando pesquisas que podem, num futuro bem próximo, transformar o camu-camu no fruto da vez.

Estamos trabalhando para conhecer mais e promover a propagação da planta. Nas pesquisas preliminares, verificamos que os teores médios de vitamina C em análises de amostras de frutos maduros e de vez (imaturos) correspondem a 2,59 e 2,52g/ 100g, respectivamente. Estes teores muito próximos indicam que, mesmo em frutos imaturos, o teor de ácido ascórbico é bastante superior a maioria das plantas cultivadas e que não é diferente em relação aos frutos maduros, nas amostras analisadas. Isso revela que a colheita da fruta, em Roraima, pode ser feita ainda no estado imaturo, permitindo maior período para consumo.

A árvore do camu-camu, pertencente à família Myrtaceae, chega a alcançar até 8 metros de altura e pode ser encontrada do Estado do Pará até a Amazônia Peruana. É formada por várias hastes secundárias, que se apresentam em forma de vasos abertos. O talo e os ramos são lisos, sem espinhos, de cor marrom claro. Suas raízes são profundas e com pêlos absorventes, sendo as folhas desde ovalado-elípticas até lanceoladas. A propagação do camu-camu se dá pelas sementes, que não toleram perda de umidade, o que pode eliminar a germinação. Normalmente recomenda-se que, logo após a colheita, que as sementes despolpadas sejam lavadas e semeadas imediatamente, para que não percam a viabilidade.

Agora, estamos concluindo uma pesquisa relacionada ao tempo de armazenamento das sementes do camu-camu, obtidas em condições climáticas do Estado de Roraima. Os frutos foram coletados manualmente de plantas, da margem de rio, no município de Boa Vista. O estudo foi realizado no laboratório de sementes da Embrapa-RR e em casa de vegetação. Coletou-se frutos independentes, em seguida retirou-se as sementes que foram lavadas e, então, armazenadas a 20ºC por 90 dias. Posteriormente, no momento do primeiro plantio fez-se uma seleção de acordo com o tamanho dessas sementes, para então semear em três épocas distintas e fazer a observação quantitativa e qualitativa da muda.

Durante a pesquisa, as sementes foram armazenadas e conservadas de modo a manter essa umidade. Esse tipo de conservação pode permitir a produção de mudas por um período maior, pois as sementes do camu-camu têm uma durabilidade muito curta, não permitindo a secagem o que facilitaria a conservação a semelhança do que se faz para sementes de cultivos anuais.

Os estudos e observações tem também como finalidade a possibilidade de propagação vegetativa com enxertia sobre plantas da mesma família botânica e da produção em escala desse fruto fora das áreas próximas de rios, especificamente em regiões de terra firme, com o cultivo sendo instalado em pomares produtivos e facilitando a comercialização dos frutos. São necessários ainda mais estudos para adaptação do cultivo em terra firme. Mas, quando isso acontecer, vamos ter uma boa notícia para a saúde e a economia do brasileiro.


Originário da amazônia

camucamu2Por Gustavo Xavier e Rogério Fero - Originário da Amazônia, rico em aminoácidos, flavonóides e, principalmente, vitamina C, o camu-camu não podia começar com uma letra mais adequada.

São como bolinhas de gude vermelho-escuras. Mas, ao invés do brilho de vidro, elas são recobertas por uma casca opaca, dura e grossa, com uma fina camada que parece uma penugem. Por cima, uma coroinha de minúsculas folhas cobrindo a careca do rei. O rei da vitamina C. Essa fruta amazônica é bastante cultivada no Peru, tem chamado cada vez mais atenção no Estado de São Paulo e anda fazendo muitas viagens ao Japão. Poliglota desse jeito, mas ainda pouco conhecida, a fruta do camu-camu escorre sua polpa cor de púrpura em sucos, geléias, refrescos. Se a cor é atrativa, o gosto da fruta in natura não agrada qualquer paladar. Muito ácida e amarga, especialmente quando comida com casca, motiva seu aproveitamento em formas de preparo nas quais o beneficiamento da fruta transforma a bolinha de gude amarga em receitas para o café da tarde ou aperitivos. Uma de suas metamorfoses resulta em tabletes e cápsulas de vitamina C. Afinal, estamos falando da fruta com o maior teor dessa vitamina em todo o mundo.

A mais vitaminada

Tradicionalmente indicada como importante fornecedora de vitamina C, a laranja passou bastante tempo sendo a prescrição mais popular para aumentar a resistência do organismo. Depois, com o crescimento do consumo da acerola, essa fruta perdeu seu posto. Afinal, com um teor de vitamina C entre 1 g e 1,3 g para cada 100 g de polpa, a acerola passa voando sobre os cerca de 0,52 g para cada 100 g de laranja.
Mas as pesquisas feitas com o camucamu encontraram teores ainda mais impressionantes dessa vitamina, pois, em média, cada 100 g da polpa de camu-camu contém 2,5 g de vitamina C. Já foram encontradas concentrações superiores a 6 g nessa mesma quantidade. Com um teor de vitamina C que geralmente é o dobro da acerola e seis vezes mais do que a laranja, essa bolinha de gude tem a força de um canhão. "Não existe outra fruta, conhecida até o momento no mundo, com maior teor de vitamina C do que o camu-camu", confirma a engenheira de alimentos Rosalinda Arévalo Pinedo, que realizou seu doutorado sobre a fruta na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp.

E Rosalinda chama atenção para uma parte da fruta que merece os devidos méritos além da polpa. "O teor de ácido ascórbico (vitamina C) presente na casca é surpreendentemente alto. Em análises realizadas, encontramos um teor de 3,979 g na casca para cada 100 g da fruta. E essa constatação ainda não recebeu a devida consideração dos pesquisadores", revela.

VOCÊ SABIA?

* O camu-camu (Myrciaria dubia) é da mesma família da goiaba e da jabuticaba.
 
* O ácido ascórbico (vitamina C) atua na síntese de colágeno. Por isso, o camu-camu tem sido aproveitado na indústria de cosméticos. Mas não se anime. A pesquisadora Rosalinda Pinedo alerta para a procedência ainda duvidosa desses produtos.

* Os flavonóides têm propriedades antimutagênicas e, por isso, atuam na prevenção do câncer. Existe a possibilidade de que o camu-camu seja um dos alimentos que, por possuir tais componentes, ajude a exercer esse efeito.

* O camu-camu também é conhecido como caçari e araçá-d'água.

12 frutas por dia

camucamu3A recomendação nutricional diária para consumo de vitamina C, segundo informação da Food and Nutrition Board, é de 0,09 g para homens e 0,075 g para mulheres, no caso de adultos. Cada fruto do camu-camu pesa em torno de 8 g, podendo chegar até 15 g em alguns casos. Levando-se em conta a quantidade média de vitamina C do camu-camu e seu peso, míseras 12 frutinhas (cerca de 100 g), jogadas no liquidificador e batidas, fazem um suco que ultrapassa largamente o consumo mínimo desejável para um adulto diariamente. Mesmo que o processamento da fruta cause alguma perda, ainda assim o suco continua altamente rico em vitamina C. Como não é sintetizada pelo organismo, a vitamina C precisa ser ingerida. Suas inúmeras funções vão desde o fortalecimento da imunidade até a síntese dos ácidos biliares (veja quadro Por que você precisa da vitamina C?). Além disso, exerce um papel antioxidante, atenuando a ação dos radicais livres e contribuindo, assim, para evitar doenças crônicas.

Os dois alimentos com maior concentração de vitamina C são a acerola e o camu-camu. Enquanto a acerola tem entre 1 g e 1,3 g de vitamina C para cada 100 g de polpa, o camu-camu varia numa faixa de 2,5 g, podendo chegar a 6 g a cada 100 g.


Parecida com a Jabuticaba

Quem vê de longe confunde o camu-camu com a jabuticaba, sua prima distante. Usada para sucos, sorvetes e geléias, é uma fruta cobiçada pelas indústrias farmacêuticas e de cosméticos, que a querem para produzir desde xampu até remédio. Camu-camu, ou caçari, como é chamada na Região Norte, tem nome estranho e sabor exótico.

"A necessidade de vitamina C para o homem é de 60 miligramas por dia. Então, um frutinho desse já ultrapassa muito. Um fruto por dia é suficiente", diz o agrônomo Kaoru Yuyama.

A fruta é originária do Peru, mas existe em toda a Amazônia. Brota em áreas alagadas, ao longo das margens de rios e lagos. No Brasil, o camu-camu só foi descoberto no fim da década de 70. Dá fruta praticamente o ano todo, mas a produção ainda é pequena. O agrônomo Kaoru Yuyama, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), quer mudar esta história. Ele vem tentando domesticar a planta silvestre, selecionando amostras para plantar em terra firme e aumentar a produção. A meta é exportar.

"Tem muita gente que se interessa – dos Estados Unidos, Japão e de outras regiões. Mas eles chegam aqui e não encontram em quantidade grande para utilizarem no país deles. Para abrir um mercado, é preciso pelo menos 500 quilos em uma só colheita. Quer dizer, falta produtor de camu-camu", comenta o agrônomo.
"Recebi um pedido de mil toneladas de uma firma japonesa. Impossível!", diz o produtor de camu-camu Jean Dupui.

Uma prova de que a oferta é menor do que a procura. O francês Jean Dupui, que vive em Manaus há 30 anos, começou a plantar em 1996. Ele acredita que o mercado externo é a saída. Aposta na produção do camu-camu orgânico e faz planos para o futuro.

"Eu vou devagar. Vou plantar uns 12 mil pés este ano. No ano que vem, conforme a demanda, vou plantar três vezes mais. E assim por diante, até chegar a 200 mil pés, daqui a cinco anos", planeja o produtor.


Arbusto de pequeno porte

Nome popular: caçari cauari
Nome científico: (Myrciaria dubia H. B. K. (McVough)
Família botânica: Myrtaceae (Mirtáceas)
Origem: Região Amazônica.

O camu-camu é um arbusto de pequeno porte, que pode atingir até 3 m de altura. Apresenta caule com casca lisa, folhas lisas e brilhantes que são avermelhadas quando jovens, mas se tornam verdes mais tarde. As flores, brancas e aromáticas, aglomeram-se em grupos de 3 a 4. Produz frutos arredondados, de coloração avermelhada que vão escurecendo à medida que amadurecem, até ficarem roxo-escuro quando totalmente maduros. A polpa do fruto é aquosa, envolvendo a semente esverdeada. O camu-camu frutifica de novembro a março.

Trata-se de uma espécie silvestre que ocorre predominantemente ao longo das margens de rios e lagos, com a parte inferior do caule freqüentemente submersa. De acordo com resultados obtidos em experimentos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o camu-camu, apresenta altos valores nutritivos e, em especial, possui uma concentração de vitamina C em sua polpa superior à da acerola. Técnicos do INPA também estão fazendo experimentos que procuram viabilizar comercialmente o seu cultivo, tornando a planta mais produtiva. Quem conhece os teores de ácido ascórbico - ou vitamina C - contidos na acerola e a dimensão dos valores e ganhos obtidos em sua exploração econômica, sabe o quanto esses estudos são importantes.

Os frutos do camu-camu são pequenas esferas do tamanho de cerejas, de casca mais resistente do que a acerola, lembrando a jabuticaba: sua casca, ao se romper na boca, deixa escapar o caldo da polpa, que fica envolto em uma semente única.

Muitas vezes, as frutinhas são encontradas em tamanha quantidade, que o colorido que dão à margem das águas amazônicas chama a atenção de qualquer pessoa. Em Roraima onde ela pode ser encontrada em profusão, há até mesmo um bairro da cidade de Boa Vista que foi batizado em homenagem à fruta, com o nome de "caçari" (como a frutinha é mais conhecida na região).

O camu-camu é utilizado como tira-gosto pelos pescadores, durante longas horas em que permanecem à beira d'água, próximos aos arbustos repletos de frutos. Na pescaria, a fruta é também utilizada como isca para o tambaqui, um dos melhores e mais comuns peixes amazônicos.
Na Amazônia peruana o camu- camu é pouco consumido in natura. Por ser bastante ácido, apesar de doce, é fruta preferida para o preparo de refrescos, sorvetes, picolés, geléias, doces ou licores, além de acrescentar sabor e cor a diferentes tipos de tortas e sobremesas feitas à base de outras frutas. Em todas as situações, a casca deve ser acrescentada juntamente com a polpa suculenta da fruta, pois é nela que se concentra a maior parte dos teores nutritivos.

O camu-camu é uma espécie tipicamente silvestre, que apresenta um grande potencial econômico capaz de colocá-lo no mesmo nível de importância de outras frutíferas tradicionais da região amazônica, tais como o açaí e o cupuaçu.

Mas não é apenas ali que o camu-camu tem futuro: em São Paulo, no Vale do Ribeira, região de mangues e de clima quente e úmido, semelhante ao da Amazônia, a planta já começou a ser cultivada com sucesso.

 

 


Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=33246
       ISOLDA PRADO MADURO, MÉDICA NUTRÓLOGA E PROFESSORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS.
       http://revistavivasaude.uol.com.br/Edicoes/64/artigo96942-1.asp
       Globo Repórter
       http://www.jardimdeflores.com.br/floresefolhas/A01camu.htm

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