Herbert Richers

herbert2Herbert Richers (Araraquara, 11 de março de 1923 — Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2009) foi um produtor de cinema e empresário brasileiro. Radicado no Rio de Janeiro desde 1942, fundou oito anos mais tarde a empresa homônima Herbert Richers S.A., que começou no ramo de distribuição de filmes e depois se tornou o principal estúdio de dublagem da América Latina. Herbert Richers foi um produtor de cinema das antigas produções da Atlântida Cinematográfica, ...

por volta da década de 1950. No início desta década, fundou a Herbert Richers S.A., no bairro da Usina, zona Norte do Rio de Janeiro, onde passou, além de produzir, fazer distribuições de filmes para serem exibidos nos cinemas.

Conhecedor dos estúdios de Hollywood, ele transitava nos estúdios Walt Disney, de quem era amigo, e sua amizade com ele o levou a conhecer o sistema de dublagens, já muito difundida em Hollywood. Trazendo de lá o conhecimento adquirido da dublagem como hoje se conhece, que passou a ser aplicado nos filmes exibidos na TV, resolvendo o grande problema das legendas, quase ilegíveis para a tecnologia da época.

Morreu no Rio de Janeiro, na Clínica São Vicente, na Gávea, em 20 de novembro de 2009, em consequência de um problema renal.

O super-homem da dublagem

Conversando com o próprio Walt Disney (Herbert era bem relacionado), ele teve a ideia de dublar filmes estrangeiros, já que naquela época os brasileiros tinham o estranho hábito de só dublarem a própria voz. Em seus 60 anos de funcionamento, o estúdio foi responsável pela produção de quase 80 filmes. E ainda lançou Renato Aragão no cinema. As versões brasileiras de novelas mexicanas como A Usurpadora, apesar de terem o anúncio (VERSÃO BRASILEIRA HERBERT RICHERS) proibido por Sílvio Santos, também foram obra do magnata, responsável pela tradução de aproximadamente 4.000 produtos – filmes, novelas, minisséries e desenhos.

O super-homem da dublagem chegou a deter, nos tempos áureos, entre 90% e 100% de tudo o que ia para os cinemas no país. Mas o bordão está em extinção. Isso porque após a morte do dono em 2009 e a falência da empresa em 2012, o prédio foi – pasme – atingido por um incêndio que destruiu todos os originais. Ainda bem que antes do final derradeiro o senhor das dublagens ainda teve tempo de confiar ao jornalista Gonçalo Junior a sua biografia: Versão Brasileira Herbert Richers, lançada em maio deste ano. E quem faz o anúncio de “versão brasileira Herbert Richers” antes de cada episódio do seu desenho favorito? Segundo Gonçalo, não é a mesma pessoa toda vez. Cada época teve o seu dublador, geralmente um diretor que assumia a função depois de uma longa carreira na empresa.

Curiosidade

Na virada de ano de 1959, quando saiu para pescar na Baía de Guanabara, Herbert viu um avião caindo. Como era medalista do Campeonato Sulamericano de nado e treinava frequentemente com Roberto Marinho – sim, o dono da Rede Globo – se atirou na água e conseguiu resgatar oito pessoas, inclusive duas irmãs gêmeas.


O segundo adeus de Herbert Richers

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Por Caio Barretto Briso, 05/06/2017 - Faz tempo que ninguém apara a vegetação sobre o muro do número 1331 da Rua Conde de Bonfim, na Tijuca. A folhagem verde-escura cresceu muito nos últimos anos e encobriu as letras garrafais cravadas no concreto. Hoje oculta, a inscrição de apenas duas palavras bastava para saber o que havia do lado de dentro: Herbert Richers. Sede do maior estúdio de dublagem que o Brasil já teve, cujos filmes vertidos para o português começavam com a famosa vinheta “Versão brasileira, Herbert Richers”, o local perdeu sua alma depois da morte do fundador e presidente, que dá nome à empresa, no fim de 2009. Mas o adeus definitivo só veio agora. Com 28 ações trabalhistas movidas por ex-funcionários, totalizando um valor estimado de 8 milhões de reais, o estúdio teve o imóvel penhorado e levado a leilão. Recentemente, um grupo de empresários o arrematou por 1,7 milhão de reais. Com a transação, encerra-se de forma melancólica uma era grandiosa da TV brasileira, que já havia perdido, no ano passado, o também tradicional Estúdio Álamo, de São Paulo.

Parece clichê de filme ruim, mas pode-se dizer que o fim da empresa foi uma tragédia anunciada. As dez salas de dublagem fazia muito não viviam a bonança das décadas passadas, quando a companhia chegou a dominar mais de 80% do mercado nacional. Ironicamente, foi a própria relação com os atores que contribuiu para tal desfecho. Antes, por determinação do seu sindicato e devido ao vínculo com a Herbert Richers, eles eram obrigados a esperar dois meses se quisessem trabalhar sem vínculo empregatício para outro estúdio. A flexibilização de regras, costurada num acordo com a classe em 2003, baixou esse prazo para apenas sete dias. Começaram então a surgir dezenas de concorrentes no Rio e principalmente em São Paulo, que passaram a oferecer o serviço por valores (e qualidade) muito inferiores. Enquanto esses pequenos proliferavam, a receita do líder despencou e o altíssimo custo fixo mensal de 300 profissionais contratados estrangulou suas finanças ? nos anos 70, a Herbert Richers tinha mais artistas na folha de pagamento que a TV Globo. “Não havia recursos para bancar tantas rescisões”, conta o empresário Gil Monteaux, braço direito de Richers durante oito anos, que saiu de lá para criar o próprio negócio, o Audiocorp, um dos poucos de alto padrão na cidade, ao lado de Delart e Wan Macher.

O que se viu a partir daí foi uma trajetória decadente. Com a empresa operando no vermelho, os salários começaram a atrasar e os funcionários descobriram que várias parcelas do FGTS não estavam sendo pagas. A maior parte das ações trabalhistas é dessa época. Acumulou-se também uma dívida com o município pelo não pagamento de tributos de 2007 em diante, hoje em torno de 400?000 reais. Para cobrir um pedaço do rombo, uma parte do maquinário foi a leilão no fim do ano passado. Entraram no martelo, por exemplo, 120 aparelhos de videoteipe e outras engenhocas de tecnologia ultrapassada. Nada que pudesse alterar o inequívoco cenário de falência. “É lamentável que tenha chegado a esse ponto. A última coisa que meu pai queria era demitir os funcionários. Ele era mais ligado a eles e à empresa do que a nós”, relata Herbert Richers Junior, 57 anos, o filho caçula, que ainda tentou, ao lado do irmão, Ronaldo Richers, manter a casa em funcionamento.

Embora o Rio de Janeiro concentre os estúdios mais bem equipados do país, São Paulo detém hoje a maior fatia do mercado. Existem quinze empresas por aqui contra trinta na capital paulista. Juntas, elas movimentam cerca de 50 milhões de reais por ano e, graças à classe C, que prefere assistir aos filmes em português, e à demanda por desenhos infantis, continuam com espaço de atuação garantido. Quando a Herbert Richers surgiu, em 1960, o panorama era outro: a dublagem estava engatinhando no Brasil e a maioria dos filmes estrangeiros era exibida com legendas, em uma tecnologia de difícil leitura. Por sugestão do amigo Walt Disney, Richers fez sua primeira incursão na área, produzindo a versão brasileira do seriado Zorro, atração da extinta TV Tupi. Ele já era um produtor de cinema consagrado, fazia de cinco a oito longas por ano, entre eles Assalto ao Trem Pagador (1962) e Vidas Secas (1963), e percebeu ali o potencial do novo filão.

Nascido em 1923 no interior de São Paulo, Herbert Richers chegou ao Rio na década de 40 para cursar a faculdade de engenharia. Sem muito dinheiro, começou a trabalhar como fotógrafo em um estúdio de cinema. Em 1946, um lance de sorte mudaria seu destino: foi contratado como cinegrafista de um documentário que Walt Disney veio gravar no Rio. O inglês perfeito e seu carisma pessoal o aproximaram do criador do Pato Donald e lhe abriram as portas de Hollywood. Nos anos 50, Richers viajou com frequência para Los Angeles, onde era recebido pelos cabeças dos principais estúdios. Passou a distribuir filmes, depois a produzi-los, até que, finalmente, criou a empresa que deixou seu nome para sempre na história da TV e do cinema brasileiros. “Acho que foi melhor ele não ter assistido ao fim de tudo. Nada poderia deixá-lo mais triste”, diz Cookie Richers, sua mulher durante quarenta anos. Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer agora com os 3?000 metros quadrados do terreno. O certo é que Herbert Richers continuará sendo lembrado, merecidamente, como o pai da dublagem no Brasil.

Um final nada feliz

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Criador de um império, Herbert Richers reinou durante quase meio século no mercado das versões em português

1956

Richers dá seu primeiro grande salto ao se tornar produtor de cinema com o filme Sai de Baixo, de J.B. Tanko. Mais de setenta fitas foram feitas com dinheiro do seu bolso, entre elas Assalto ao Trem Pagador e Meu Pé de Laranja Lima.

1959

Após a morte de Carmem Santos, um ícone do cinema brasileiro, seus herdeiros decidiram vender o estúdio construído por ela nos anos 30. Richers não perdeu a oportunidade e arrematou o imóvel.

1960

A TV Tupi exibe o seriado americano Zorro, produzido pela Disney, cuja dublagem coube a Herbert Richers por sugestão do criador do Mickey e do Pato Donald.

1978

Após uma greve que durou três meses, a profissão de dublador foi regulamentada. Nos meses seguintes, Richers já tinha assinado a carteira de aproximadamente 300 atores.

1990

Apesar do crescimento da concorrência, formada em boa parte por ex-funcionários, a companhia ainda dominava 80% do mercado nacional de dublagem.

2003

Um acordo entre empresários do setor e o sindicato da classe flexibiliza a forma de contratação dos dubladores, permitindo contratos temporários. Com uma folha de pagamento altíssima, o estúdio decide manter os funcionários e acumula prejuízos.

2009

Pai da dublagem no Brasil, Herbert Richers morre de insuficiência renal aguda aos 86 anos, na madrugada de 20 de novembro.

2012

Abandonada há três anos, a sede da empresa vai a leilão judicial para pagar dívidas trabalhistas e tributárias. É vendida por 1,7 milhão de reais.


Fonte: https://pt.wikipedia.org
           https://super.abril.com.br

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