Máquina Enigma

maqeni1Por Me. Cláudio Fernandes - A máquina Enigma permitia emitir mensagens em códigos cifrados, sendo um dos dispositivos tecnológicos mais importantes usados na Segunda Guerra Mundial. Durante as Guerras Mundiais e, em especial, na Segunda Guerra, o desenvolvimento da tecnologia para fins militares tornou-se peça fundamental: desde armas incrementadas, utilização de aviões e submarinos até o uso de dispositivos de comunicação e intercepção, como o rádio transmissor e os radares. Esses dispositivos foram associados às máquinas cifrantes, isto é, máquinas produtoras de códigos combinatórios, equipadas com rotores criptográficos, cuja representante mais significativa foi a máquina Enigma, incorporada às forças armadas alemãs ainda nos anos 1920.

A presença da tecnologia de criptografia avançada na Segunda Guerra Mundial foi fator determinante para a própria dinâmica da guerra, mas também culminou na invenção do primeiro computador do mundo. A história do modelo de máquina Enigma remonta a uma invenção do holandês Hugo Alexander Koch. A invenção de Koch consistia em um protótipo de máquina com rotores eletromecânicos capazes de produzir mensagens secretas. Entretanto, apesar de haver patenteado a invenção, Koch não levou a cabo o seu desenvolvimento. Esse papel ficou ao encargo da dupla Scherbius & Ritter. Em 1918, o engenheiro elétrico Arthur Sherbius e seu amigo Richard Ritter montaram uma fábrica para desenvolver e produzir em série as máquinas criptográficas. Scherbius e Ritters tentaram por diversas vezes vender os modelos à marinha alemã, sugerindo o benefício da tecnologia às forças armadas. As máquinas foram compradas pela marinha nos anos 1920 e passaram a ser usadas, sobretudo, em submarinos. Na década de 1930, já no período nazista, houve o aperfeiçoamento do modelo Enigma e seu uso começou a ser disseminado também entre o exército alemão.

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O uso da máquina exigia um cuidado muito grande, desde a configuração da chave que acionava a máquina até o uso do manual dos códigos. A chave usada para configurar a máquina deveria ter seu código trocado diariamente, sob pena de ser rastreada por tecnologia semelhante e ter suas mensagens decifradas. Já durante a Segunda Guerra, quando as máquinas Enigma eram largamente usadas pela inteligência militar alemã, um grupo de matemáticos e engenheiros poloneses, em conjunto com a inteligência militar britânica, conseguiu elaborar um modelo ainda mais avançado que o dos alemães. Esse modelo conseguiu pela primeira vez decifrar os códigos da Enigma.

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A operação orquestrada por poloneses e britânicos ficou conhecida como Ultra. Como destaca o historiador Norman Davies, em sua obra A Europa em Guerra, “O Projeto Ultra foi estabelecido em Bletchley Park, nas Midlands da Inglaterra, em finais de 1939. […] Descobriram que alguns operadores de rádio alemães, especialmente um homem chamado Walter, estavam a ignorar as instruções e iniciavam as suas máquinas com a mesma chave todos os dias. Calcularam, acertadamente, que as unidades alemãs espalhadas por toda a Europa transmitiriam mensagens idênticas pelo aniversário do Führer, em abril de 1940. E deitaram as mãos a uma máquina Enigma atualizada que a marinha britânica obtivera num navio meteorológico alemão capturado ao largo da Groenlândia.” [1]

A partir desses “lapsos” dos alemães, os ingleses foram capazes de desmontar a estrutura de códigos usados pelos nazistas. Em um segundo momento, os alemães ainda vieram a desenvolver um modelo mais sofisticado, chamado de B-schreiber, em 1944. Para apreender os códigos desse novo modelo, foi necessária a colaboração daquele que hoje é reverenciado como o “pai da computação”, Alan Turing. A invenção da famosa calculadora eletromecânica, conhecida como Bomb (Bomba), por Turing, incrementou a capacidade de decifração dos códigos da Enigma. E essa invenção levou à criação do Colossus – o primeiro dos computadores. Norman Davies deixa isso patente no livro já citado:

“Em seguida, a Bomba de Turing, uma calculadora eletromecânica, conseguiu descobrir as permutações e produzir respostas. No segundo ano da guerra, Bletcheley Park estava a ler todas as transmissões Enigma três horas depois do início de cada dia. Acompanhavam todas as atualizações a que procediam os alemães. E, em 1944, para rivalizar com o B-schreiber, inventaram o primeiro computador eletrônico do mundo, o Colossus.” [2].

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[1] Davies, Norman. A Europa em Guerra (1939-1945). Lisboa: Edições 70, 2008. pp. 55.

[2] Idem, p.56.

 

Como funcionava a Enigma, a máquina nazista que quase venceu a Segunda Guerra

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A máquina conhecida como Enigma foi uma das maiores inimigas da humanidade até que Alan Turing inventasse uma máquina ainda melhor para decifrá-la. E sem ele era bem provável que os nazistas vencessem a guerra e o mundo como conhecemos hoje poderia não ter existido. As previsões parecem hoje exageradas, mas em 1942 os países aliados não vinham tendo uma boa campanha e perdiam milhares de vidas para os ataques dos alemães. A máquina foi criada pelo engenheiro alemão Arthur Scherbius no fim da Primeira Guerra Mundial para uso comercial. Só em meados dos anos 1920 que governos em diversos países passaram a fazer uso militar do invento.

Semelhante a uma máquina de escrever, o aparelho era portátil e pesava cerca de seis quilos. Os modelos alemães foram usados para ecriptar mensagens militares que colocaram os nazistas em vantagem durante parte da guerra. Apesar de alguns matemáticos e equipes na França, Polônia e Alemanha terem tido sucesso em quebrar o código da Enigma foi preciso de um processo que conseguisse decifrar o modo como ela funcionava. A criptografia da Enigma era bastante simples, mas sua engrenagem gerava milhares de possibilidades, o que tornava a tarefa em decifrar suas mensagens quase humanamente impossível. O pesquisador Ivan Boesing, do Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul explicou em vídeo como funcionava a Enigma.

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Ele foi resposável por buscar a máquina nos Estados Unidos. A máquina tem cinco rotores, mas apenas três rotores são selecionados. Uma tabela distribuída pelos nazistas mensalmente dizia quais rotores seriam utilizados. Além disso, era ainda preciso saber quais as posições possíveis nos vinte e seis anéis de cada rotor. Para tornar tudo isso mais complicado, o operador ainda precisava saber a posição inicial de uma sequência de três posições. Ao total as possibilidades numéricas chegavam a seis sextilhões de códigos.

 

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br
           http://blogs.ne10.uol.com.br
           https://www.dw.com

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