O que é o DDT?

insepro topo2006 - É um composto químico organoclorado, constituído de átomos carbono, hidrogénio e cloro. A sigla vem da designação técnica dicloro-difenil-tricloroetano. Não existe na natureza, tendo sido sintetizado em laboratório pela primeira vez em 1874. Mais de meio século depois, em 1939, o cientista suíço Paul Hermann Müller descobriu que era um potente insecticida. Müller ganhou o Prémio Nobel em 1948. Por que é tão eficiente?Quando foi descoberto como insecticida, o DDT chamou a atenção pela sua capacidade de matar levas sucessivas de insectos, com uma só aplicação. O produto é muito pouco solúvel em água, e por isso permanece durante muito tempo no solo e nas plantas, depois de pulverizado. Além disso, é barato.

Quando começou a ser utilizado?Durante a II Guerra Mundial, na década de 1940. Inicialmente, o DDT foi empregue para controlar doenças transmitidas por insectos, como a malária e o tifo, entre as tropas aliadas e também em populações civis. Depois do fim da guerra, em 1945, começou a ser aplicado também na agricultura. O DDT teve efeitos benéficos?Sim. O DDT foi essencial no controlo da malária no mundo, inclusive nos países desenvolvidos. Foi muito utilizado para acabar com a doença no Sul dos Estados Unidos, até ao princípio dos anos 1950. Também contribuiu para o mesmo na Europa. Além disso, o DDT foi um ingrediente adicional da "Revolução Verde", que fez disparar a produção de alimentos entre as décadas 1940 e 1960, sobretudo graças à investigação agronómica e à utilização de fertilizantes.

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E tem efeitos negativos?Muitos. Ao mesmo tempo em que mata insectos, o DDT afecta negativamente o ambiente, agindo como tóxico sobre toda a cadeia alimentar, desde microorganismos até mamíferos. É capaz de matar peixes e afecta a reprodução das aves, por exemplo, reduzindo a espessura das cascas dos ovos. A partir da década de 1950, começaram a surgir relatos mais consistentes dos males do DDT sobre o ambiente. Em 1962, a ecóloga norte-americana descreveu-os no livro Primavera Silenciosa, que teve enorme repercussão mundial.

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É proibido usar DDT?O uso indiscriminado do DDT está interdito há muito tempo na generalidade do mundo desenvolvido. Os primeiros países a banirem a sua utilização foram a Noruega e a Suécia, em 1970. Os Estados Unidos fizeram-no em 1972. Em 1995, 34 países tinham já proibido totalmente o DDT e outros 34 tinham adoptado severas restrições ao seu uso. A Convenção de Estocolmo sobre os Poluentes Orgânicos Persistentes, que entrou em vigor em 2004, apenas admite o uso do DDT para o controlo da malária.

Que riscos apresenta para o ser humano?As maiores evidências de efeitos na saúde humana vêm de casos de pessoas que ingeriram grandes quantidades de DDT e tiveram tremores, convulsões, náuseas, tonturas e outras perturbações do sistema nervoso. Nas mulheres, o DDT pode possivelmente levar a uma redução do tempo de amamentação ou ao aumento do risco de parto prematuro. O DDT é cancerígeno?Não há evidências epidemiológicas para atestar que o DDT decididamente cause cancro no ser humano. Mas, como provocou a doença em experiências com ratinhos de laboratório, a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro classifica o DDT como um "possível cancerígeno humano".

Como pode uma pessoa ser contaminada com DDT?

O DDT pode entrar no corpo humano pela ingestão de alimentos, sobretudo carnes e verduras. Isto é mais provável em países onde o DDT ainda é utilizado na agricultura. Naqueles em que o DDT está banido há anos, as concentrações nos alimentos têm vindo a cair. A exposição também pode ser por via da respiração ou pela pele, no acto da aplicação do produto. A Organização Mundial de Saúde avalia que o DDT não apresenta riscos, quanto aplicado dentro de casa em doses residuais, desde que utilizado correctamente.

 

Saiba por que a utilização do inseticida DDT foi proibida

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2014 - O dicloro-difenil-tricloetano, mais conhecido como DDT, foi usado pela primeira vez em 1942, para proteger os soldados nas regiões tropicais e subtropicais da África e da Ásia contra o mosquito transmissor da malária, febre amarela e para impedir a transmissão do tifo por piolhos durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada a guerra, a indústria procurou novas utilizações para o DDT e, assim, ele foi empregado na proteção das plantações contra insetos e para exterminar a malária, entretanto seu uso desenfreado teria tido efeito contrário, pois o mosquito transmissor da doença teria ficado resistente ao inseticida.

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De baixo custo, o pesticida foi amplamente usado até que especialistas alegaram que se tratava de um composto organoclorado, ou seja, que possui alta capacidade de se acumular em seres vivos e demora muito para se degradar no meio ambiente, levando cerca de 30 anos para desaparecer completamente da natureza. Altamente tóxico, o inseticida DDT é sintetizado pela reação entre o cloral e o cloro benzeno. Já o ácido sulfúrico funciona como catalisador.

O uso do DDT foi banido em muitos países na década de 1970, e em outros possui rigoroso controle de utilização desde que seja obedecida a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, em que seu uso é permitido no combate à malária. Entre seus principais sintomas para a saúde estão: excitação neural direta, resultando em danos no sistema nervoso central, periférico e autônomo; estimulação muscular involuntária; alterações de comportamento; problemas respiratórios; vertigens; confusão; dor de cabeça; arritmias cardíacas e lesões hepáticas ou renais.

Aqui no Brasil, o inseticida foi retirado de circulação em duas etapas. Em 1985 seu uso na agricultura foi cancelado e em 1998 foi proibido em campanhas de saúde pública. Já em 2009, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei de nº 11.936, proibindo a fabricação, importação, manutenção em estoque, comercialização e o uso do DDT em todo território brasileiro. A contaminação por DDT pode estar diretamente relaciona à morte de 114 funcionários da Funasa – Fundação Nacional de Saúde – no Acre. Os trabalhadores foram expostos ao inseticida sem nenhum equipamento de proteção ao se embrenharem durante meses na floresta para combater a malária até os anos 1990. Hoje, os sobreviventes lutam na Justiça para provar que foram envenenados pelo pesticida por cerca de 10 anos de trabalhos prestados.

 

Estudo relacionada pesticida DDT a maior risco de câncer de mama

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2015 - Um estudo de cinco décadas feito com mulheres norte-americanas mostrou que aquelas que foram expostas a níveis mais altos do pesticida DDT no útero tinham quatro vezes mais chances de desenvolver câncer de mama. É o primeiro estudo que liga diretamente o câncer de mama em humanos com o DDT, proibido em muitos países há décadas mas ainda amplamente utilizado na África e na Ásia.

"Há muito tempo se suspeitava que os produtos químicos ambientais podem causar câncer de mama, mas até agora poucos estudos em humanos tinham sido feitos para apoiar esta hipótese", afirmou Barbara Cohn, do Instituto de Saúde Pública em Berkeley, Califórnia (oeste dos Estados Unidos) e coautora do estudo divulgado na revista científica "Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism".

Efeitos da década de 1960

Os pesquisadores examinaram um grupo de mulheres que foram expostas ao DDT no útero na década de 1960, quando o pesticida era popular nos Estados Unidos. Os dados provêm de um programa na Califórnia chamado Estudos de Saúde Infantil e Desenvolvimento (CHDS, na sigla em inglês), que analisou 20.754 gestações entre 1959 e 1967. Os pesquisadores colocaram o foco em 118 mães que tiveram filhas que foram diagnosticadas com câncer de mama aos 52 anos. Amostras de sangue armazenadas de 118 mulheres deram aos cientistas uma ideia do nível de exposição ao DDT que tinham quando estavam grávidas ou logo após o parto.

"Independentemente da história de câncer de mama na mãe, os altos níveis de DDT no sangue materno foram associados a um aumento de quatro vezes no risco de a criança sofrer de câncer de mama", disse o estudo. Sabe-se que os produtos químicos presentes do DDT são desreguladores endócrinos, que podem imitar ou interferir na função do hormônio estrogênio. Pesquisas anteriores ligaram a exposição ao DDT a condições de saúde congênitas, redução da fertilidade e aumento do risco de diabetes tipo 2.

No Brasil

 

O DDT começou a ser usado no Brasil logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, homens, sobretudo da região amazônica, conhecidos por 'guardas mata-mosquitos' ou apenas 'soldados da malária', foram recrutados para combater uma verdadeira guerra contra o mosquito vetor da malária e outras endemias. Sem conhecimento e acreditando que o veneno era inofensivo ao ser humano, os agentes se embrenhavam na mata e tinham contato direto com o produto, usando apenas um chapéu de alumínio e uma farda.

Fonte: https://www.publico.pt
           https://www.pensamentoverde.com.br
           http://g1.globo.com

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