Drones já substituem trabalhadores dentro de empresas no Brasil e outros paises. Regulamentação.

dotra614/03/2017 - Eles não têm carteira assinada, mas pegam no batente em grandes empresas no Brasil. Fazem barulho. Não por melhores condições de trabalho, mas com suas hélices. Podem se locomover a 110 km/h, fazendo o trabalho de dois ou mais homens. Os veículos aéreos não tripulados, ou drones, começam a ser recrutados para executar funções antes realizadas por pessoas. Da mineradora Vale à companhia de energia AES Tietê, empresas ouvidas pelo G1 afirmam que os empregados substituídos não são demitidos, mas realocados para tarefas “mais nobres”. Gastam até R$ 500 mil com os robozinhos, mas economizam outros milhares com mão de obra.

Ganham ainda em eficiência e precisão. E isso antes de o governo finalizar a regulamentação das maquininhas voadoras. Lá do alto, elas já vigiam plantas industriais, entram em minas e encontram falhas em telhados. A tendência é que o avanço de robôs, não só dos drones, e de outras tecnologias mude a dinâmica no mercado de trabalho. Tanto é que o estudo “A Revolução das Competências” do ManpowerGourp, apresentado no Fórum Econômico de Davos, aponta que 45% das atividades feitas por humanos no ambiente de trabalho podem ser automatizadas dentro de dois ou três anos.

Saem funcionários, entram drones

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Todas as vezes que tinha de monitorar suas 12 usinas hidrelétricas, a AES Tietê montava uma operação de guerra. Levando equipamentos, um carro conduzia uma equipe que checaria as áreas verdes do entorno da represa e suas margens. Barcos iriam para a água medir a vasão e o acúmulo de material. O fundo do reservatório era averiguado por um mergulhador. Hoje, essas três atividades são executadas por drones aéreos, aquáticos e subaquáticos.

“Gerenciar borda de reservatório é algo bem difícil. São quase 4 mil km de borda”, diz Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê. O uso de drones não só permite cobrir grandes espaços, mas coletar dados com precisão cirúrgica. Drones registram imagens de alta resolução enquanto voam por uma rota predeterminada. “Se você não tiver uma tecnologia que inove nessas inspeções, pode até inspecionar, mas não com essa qualidade”, diz Freitas.

Na Vale, os drones são os responsáveis pelo levantamento topográfico das minas a serem exploradas e das rochas que foram rejeitadas. Ao processar as fotos aéreas em um software, a empresa consegue determinar o relevo de uma região e a quantidade de material rejeitado. Os drones gastam um terço do tempo de um scanner, o equipamento mais moderno, e custam metade do preço.

“Há mais segurança, porque não expõe pessoas ao risco”, diz Eunírio Zanetti, pesquisador do Instituto Tecnológico da Vale (ITV). Um drone no ar significa que um ser humano não terá de ficar com um olho na rocha e outro em equipamentos gigantes, como caminhões com a altura de prédios de quatro andares – só o pneu tem 4 metros de altura – e capazes de transportar 400 toneladas.

Antes dos drones, os funcionários da Manserv, empresa de manutenção e limpeza, tinham de percorrer o telhado antes de iniciar os reparos. Após as máquinas decolarem e passarem a averiguar do ar possíveis danos nas estruturas, eles só entram em ação para colocar a mão na massa. “O aumento de produtividade é de 70%”, afirma Ricardo Moreira, diretor-geral da área de facility da empresa. Na Flex, fábrica de eletrônicos, os drones agem como seguranças: fazem rondas. Mas com a vantagem de olhar tudo de cima e captar qualquer objeto suspeito automaticamente. O projeto foi criado pelo instituto de pesquisa FIT.

“Quando o drone observa alguma coisa diferente no perímetro do campus, ele manda essa informação para a central, que é o bunker, que avisa a portaria ou área de segurança que começa a pilotar o drone. Entende se é uma pessoa ou um animal. Identificando ser uma pessoa, faz um acesso da polícia local”, explica Marcos Bregantin, diretor de novos negócios da FIT. Localizada de um lado da Rodovia José Ermírio de Moraes enquanto, do outro, está a Penitenciária 2 de Sorocaba, a fábrica já teve em seus arredores um sujeito identificado pelos drones. O homem foi prontamente preso pela polícia.

E os trabalhadores?

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Após a Vale empregar drones para mapeamento topográfico, caiu “em torno de 70% do efetivo antes utilizado”, estima o pesquisador Eunírio Zanetti, do ITV. “Um levantamento convencional envolve três pessoas”, diz. “Só que as pessoas que operam o drone têm grau de especialização maior, porque também têm que operar o software”. Os funcionários que não trabalham mais com topografia foram transferidos para outras áreas.

“É muito mais barato ter drones do que ter toda uma operação de barco e carro, equipamento e pessoas”, diz Ítalo Freita, presidente da AES Tietê. Todo o programa, diz ele, não passou de R$ 500 mil. “Só de salário de pessoal, já comia isso aí”, conta, acrescentando que funcionários substituídos foram deslocados para exercer outras funções.

Na Manserv, não houve substituição. “O maior impacto é na mão de obra. Eles foram capacitados para deixar de serem inspetores e serem operadores de drone”, diz o diretor Ricardo Moreira. Mesmo após gastar R$ 30 mil em cada um dos sete drones utilizados, a empresa economiza até 40% nos processos de manutenção. Na Flex, as rondas, antes feitas por dois seguranças, agora precisam de apenas de um.

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Futuro

As companhias ouvidas pelo G1 estão em diferentes etapas. “Estamos na fase da melhoria do uso”, diz Freitas, da AES Tietê. Quando começou a usar drones, entre 2011 e 2012, a geradora de energia adotou um modelo simples, que ficava meia hora no ar. Hoje, usa um tipo mais robusto, que voa por 2 horas e 40 minutos e é colocado no ar com um estilingue.
A Vale começou a usar em 2015 na mina de Burucutu, perto de Itabira (MG). Até o fim de 2017, levará a tecnologia ao recém-inaugurado Projeto Ferro Carajás S11D, na Serra dos Carajás (PA). Em uma área de 400 mil hectares (ou 40 campos de futebol), os drones terão a tarefa de monitorar as áreas de preservação ambiental, além da região de lavra. “Há uma tendência forte de usar o drone em todas as minas que a Vale atua, principalmente em grandes levantamentos”, afirma Zanetti.
A Manserv aderiu à onda das máquinas voadoras há dois anos e estuda ampliar seu uso para inspeções de áreas de risco.

Regulamentação no Brasil

Apesar de já haver normas brasileiras que permitam o uso corporativo de drones, ainda há lacunas que deixam empresas interessadas receosas.

A regulamentação brasileira ainda restringe algumas aplicações vistas no exterior, como a entrega de produtos feita pela Amazon no Reino Unido – drones não podem sobrevoar sobre pessoas – e o monitoramento de túneis de obras do metrô no Japão – não podem voar em ambientes fechados.

Essas regras de voo foram publicadas no fim de 2015 pela Força Aérea Brasileira. Falta ainda a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) criar um sistema de registro de drones, o que só deve sair quando a Casa Civil propuser uma emenda constitucional que trará, entre outras deliberações, uma forma simplificada de registro de pilotos. Hoje, os interessados em se cadastrar têm de passar pelo mesmo processo de quem for pilotar um Boeing.

Ainda assim, já há companhias que modificaram suas estruturas para oferecer serviços com drones. É o caso da firma de segurança Impacto, que passou a oferecer a seus clientes monitoramento aéreos. Já há multinacionais interessadas, que apenas aguardam que todas as regras brasileiras estejam em vigor, explica Alexandre Silva, diretor comercial.


Anac vota regra sobre drones e pode exigir habilitação para modelos de grande porte

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02/05/2017 - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) prepara a regulamentação do uso de aeronaves remotamente pilotadas, conhecidos como drones. A regulamentação está na pauta da reunião da diretoria da agência desta terça-feira (2). O voto do diretor Ricardo Fenelon chegou a ser lido na reunião do dia 4 de abril, mas um pedido de vista adiou a decisão.

A regulamentação é muito esperada por fabricantes e usuários e deve alavancar o uso desses aparelhos em áreas como agricultura, segurança e mineração. A Polícia Rodoviária Federal, por exemplo, começou a testar drones como auxiliares da fiscalização das estradas.

Uma das medidas previstas na regulamentação é a exigência de habilitação para quem for controlar aeronaves com mais de 25 quilos. A licença e habilitação do piloto também deve ser exigida quando drones com menos de 25 quilos forem voar acima de 400 pés – cerca de 121 metros.

A proposta apresentada divide as aeronaves em três categorias:

veículos com mais de 150 kg;
veículos entre 25 e 150 kg;
drones com peso abaixo de 25 kg.

Para as aeronaves com mais de 250 gramas e até 25 quilos, deve ser exigido um cadastrado no site da agência. Os drones com peso inferior a 250 gramas não devem ter qualquer exigência de cadastro. A expectativa é que a norma permita uma grande expansão do mercado de aeronaves remotamente pilotadas em uso como pulverização de lavoura, segurança privada e pública e até mesmo serviço de entrega.


Drones substituem empregados de mesa

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2015 - Os restaurantes de Singapura debatem-se com uma enorme falta de mão-de-obra e têm falta de empregados que levem a comida da cozinha para as mesas. A Infinium Robotics parece ter encontrado a solução para o problema, ao propor a utilização de drones que entregam os pedidos diretamente nas mesas. A reportagem da BBC explica que os drones são geridos por um programa de computador e utilizam um sistema de raios infra-vermelhos para navegar no restaurante.


E os drones chegaram... no trabalho

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02/12/2014, por José Pastore - Em 28 de janeiro deste ano, publiquei nesta coluna um artigo que previa a entrada dos drones nos ambientes de trabalho em dois ou três anos. Errei redondamente. A imprensa noticia que empresas chinesas e americanas estão produzindo e vendendo drones em massa. Os drones são aparelhos voadores não tripulados que até pouco tempo atrás eram usados apenas em operações de guerra. Hoje, os americanos vêm utilizando esses aparelhos para fiscalizar e patrulhar a fronteira com o México e, assim, identificar em tempo real quem tenta entrar ilegalmente nos EUA. Em vários países, os drones fazem fotografias de alta definição e mapas tridimensionais de regiões inóspitas e de difícil acesso. Eles têm sido usados também para detectar problemas de trânsito nas grandes cidades, mudanças climáticas, incêndios em florestas fechadas e riscos de manadas de animais a serem protegidos.

De igual utilidade é o seu uso para monitorar as atividades agrícolas - desde a preparação da terra até a colheita -, assim como para fazer sondagens de solo, água e florestas em áreas remotas a serem usadas em estudos do meio ambiente. Os drones são utilizados igualmente na produção de filmes e programas de televisão e também na construção civil, onde funcionam como inspetores de qualidade e de segurança de obras e, sobretudo, de trabalhadores. Com a possibilidade de fazer previsões mais acuradas de desastres ambientais (furacões, tsunamis, enchentes, etc.), os drones estão facilitando a implementação de operações de evacuação de comunidades atingidas, sem pôr em risco a vida humana.

Em suma, sem tripulantes, esses aparelhos são capazes de captar, fotografar e monitorar uma imensidão de atividades realizadas ao ar livre. Algumas empresas já começam a dar passos mais arrojados, como, por exemplo, a Amazon.com, que se prepara para fazer entregas de livros, CDs, DVDs e outros produtos leves por meio dos drones. Empresas de outros ramos estudam seguir o mesmo caminho.

Os produtores de drones sabem que têm pela frente um mercado promissor. Avançam nas inovações e reduzem os preços. Os aparelhos de 1 m2 estão sendo vendidos por US$ 1 mil cada um - equipados com câmeras fotográficas e filmadoras avançadas. É um preço muito baixo quando se considera o que tais aparelhos podem fazer. Os negócios das empresas chinesas explodiram. A DJI Technology Co., por exemplo, começou a fabricar drones em 2011 com 90 funcionários e uma receita de US$ 4,2 milhões. Em 2013, operou com 1.240 funcionários e faturou US$ 130 milhões! Neste ano, está com 2.800 e não para de crescer (Empresa chinesa é líder mundial num novo segmento de consumo: drones, jornal Valor, 12/11/2014).

Tudo isso impacta o mundo do trabalho. Os drones que fiscalizam fronteiras e monitoram o trânsito substituem milhares de policiais. Os que observam incêndios substituem centenas de bombeiros. Os que monitoram a agricultura e a construção civil dispensam chefes e supervisores. Os que entregam mercadorias entram no lugar de motoristas e ajudantes.

Além de poderem trabalhar em áreas a que o ser humano não tem acesso, o uso de drones é uma resposta à falta de mão de obra e ao encarecimento do fator trabalho que se observa em toda parte, inclusive no Brasil.

Se, de um lado, esses artefatos substituem os trabalhadores, de outro, eles aumentam a produtividade do trabalho, a capacidade de investir das empresas e de gerar oportunidades de trabalho em outras áreas, em especial no setor de serviços. Num primeiro momento, são atividades que demandam trabalho pouco qualificado, mas, com o passar do tempo, exigirão um bom nível de capacitação. Novamente, a educação será fundamental para manter as pessoas trabalhando. Está aí mais um desafio para o nosso precário sistema de ensino.

*José Pastore é professor da Universidade de São Paulo, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomércio-SP e membro da Academia Paulista de Letras

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt
           http://g1.globo.com
           http://economia.estadao.com.br

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