Operação Northwoods

nort2A Operação Northwoods ou Northwoods foi o codinome dado a um conjunto de planos secretos elaborados, em meados de 1960, pelas mais altas patentes militares dos Estados Unidos, e que visava assassinar pessoas inocentes e praticar atos de terrorismo em cidades americanas com o objetivo de enganar a opinião pública americana, conduzindo-a a apoiar uma guerra contra Cuba. Sob o codinome de operação Northwoods, esses planos incluiam o possível assassinato de refugiados cubanos, o afundamento de barcos de refugiados cubanos em alto mar, o sequestro de aviões comerciais, a explosão de um navio americano e até a orquestração de terrorismo violento em cidades norte-americanas.

Revelação da Operação

Esses planos foram detalhados no livro Body of Secrets (Doubleday), escrito pelo repórter investigativo James Bamford sobre a história da maior agência de espionagem americana, a National Security Agency. Entretanto, o autor nota que esses planos não estavam diretamente subordinados àquela agência. Foram elaborados com a aprovação unânime do estado maior das forças armadas norte-americanas, e apresentados ao secretário de defesa Robert McNamara, em março de 1962. Os planos acabaram sendo rejeitados pela administração do presidente John F. Kennedy e ficaram desconhecidos do público por quase 40 anos.

Táticas

A operação Northwoods previa a encenação de uma série de falsos ataques terroristas, alguns dos quais sobre solo americano e envolvendo a morte de civis, que seriam então atribuídos a Fidel Castro. A idéia era conseguir apoio popular para uma invasão a Cuba. Um dos cenários propostos envolveria a simulação do seqüestro e explosão de um avião comercial norte-americano:

"Uma aeronave seria pintada e numerada na base aérea americana de Englin, como uma duplicata exata de uma aeronave civil (…) Em uma hora designada, a duplicata seria substituída pela aeronave civil de verdade e seria carregada com passageiros seletos, todos abrigados sob pseudônimos cuidadosamente preparados. A aeronave registrada de verdade seria convertida em um drone [teleguiado]. (…) A aeronave carregando os passageiros seria baixada a uma altitude mínima e iria diretamente a um campo auxiliar na base aérea de Eglin onde preparativos teriam sido feitos para evacuar os passageiros e retornar a aeronave a seu status original.

A aeronave teleguiada enquanto isso continuará a voar com o plano de vôo original. Quando estiver sobre Cuba o avião teleguiado começará a transmitir a freqüência internacional de perigo MAYDAY afirmando estar sob ataque de aeronaves MIGs cubanas. A transmissão será interrompida pela destruição da aeronave que será detonada por um sinal de rádio".

O alto comando militar norte-americano fez planos para desenvolver uma campanha de terror em Miami, em outras regiões da Flórida e até mesmo em Washington, a qual seria atribuída, pela imprensa norte-americana, a "comunistas cubanos". "Essa campanha de terror seria dirigida contra refugiados cubanos asilados nos EUA. Nós afundaríamoss um barco carregado de refugiados cubanos a caminho da Flórida (real ou simulado). Poderíamos promover atentados às vidas de cubanos que vivem nos Estados Unidos, até mesmo a ponto de ferí-los, em ocasiões que serão amplamente divulgadas. Explodir algumas bombas plásticas em locais estratégicos, prender alguns agentes cubanos e divulgar documentos, previamente preparados, para comprovar a participação de Cuba seria útil para divulgar a imagem de um governo cubano irresponsável"


Conspiração

nort3


Idealizado em 1962, pelo Chefe da American Joint Staff (Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, ndt), a operação “Northwoods” previa uma série de ataques que matariam civis e militares americanos com o fim de mobilizar a opinião pública contra Fidel Castro. Um ataque contra um navio de guerra e um sequestro foram notavelmente planeados. Entre os conspiradores, responsáveis ??do exército dos Estados Unidos da época. A realização deste plano de doentes mentais foi impedida no último minuto, pelo presidente John F. Kennedy.

Operação Mongoose

Em 1958, rebeldes cubanos liderados pelos revolucionários Fidel e Raul Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos derrubaram o regime de Fulgencio Batista. Batista deixou a ilha e procurou refúgio nos EUA. O novo governo revolucionário, que na altura não era comunista, acabou com a exploração sistemática da ilha, levada a cabo por um número de empresas multinacionais norte-americanas (Standard Oil, a General Motors, ITT, aGeneral Eléctrica, Sheraton, Hilton, United Fruit, East Indian Co) e pela família Bacardi. Na altura, essas empresas que perderam a oportunidade de se tornarem milionárias convenceram o presidente Eisenhower a derrubar os revolucionários cubanos liderados por Fidel Castro.

en-North_Bird-0cdcaA 17 de Março de 1960, o Presidente Eisenhower aprovou o “Programa de Operações Secretas contra o regime de Castro”. Sua finalidade era “substituir o regime de Fidel Castro e impor outro mais fiel ao real interesse do povo cubano e dos Estados Unidos através de meios secretos que não revelariam uma intervenção militar norte-americana”. [1].

A 17 de Abril de 1961, uma unidade de exilados e mercenários cubanos, discretamente liderados pela CIA, tentaram desembarcar na Baía dos Porcos. Foi um enorme fracasso. Presidente John F. Kennedy, recentemente eleito à Casa Branca, recusou-se a emitir a ordem para que a Força Aérea dos Estados Unidos apoiassem os mercenários.

1500 homens foram capturados pelas autoridades cubanas. Kennedy opôs-se a esta acção e despediu o director e vice-director da CIA, Allen Dulles e Charles Cabell bem como Richard Bissell, director do projecto Stay-Behind. O conselheiro militar de Kennedy, general Maxwell Taylor foi incumbido de realizar uma investigação interna que acabou por ser inútil. Kennedy questionou a acção do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos por ter validado uma operação que estava destinada ao fracasso. [2] Parecia que os generais queriam atirar os EUA para uma guerra aberta contra Cuba. Mas, apesar de se opor aos métodos da CIA, o presidente Kennedy não alterou a hostilidade de Washington contra o regime de Havana. Um “Grupo de trabalho Especial” foi encarregue de projectar e dirigir a luta contra Castro.

Este grupo era composto pelo seu irmão, Robert Kennedy (procurador-geral), seu conselheiro militar (General Maxwell Taylor), seu Conselheiro de Segurança Nacional (Mc Gorge Bundy), secretário de Estado (Dean Rusk) assistido pelo consultor (Alexis Johnson), secretário de Defesa (Robert McNamara) assistido pelo consultor (Roswell Gilpatric), o novo director da CIA (John McCone) e pelo Chefe de Gabinete (General Lyman L. Lemnitzer).

nort4

Este grupo elaborou uma série de acções secretas conhecidas pelo código secreto de Operação Mongoose. Para a executar, a coordenação operacional entre o Departamento de Estado, Departamento de Defesa e CIA foi confiada ao general Edward Lansdale (Secretário Adjunto da Defesa encarregado pelas operações especiais e, portanto, director da Agência de Segurança Nacional). Ao mesmo tempo, uma unidade ad hoc (“Grupo W”), dirigido por William Harvey foi formado dentro da CIA.

Em Abril de 1961, o exército americano sofreu uma grave crise: o major-general Edwin A. Walker, o homem que iniciou os confrontos raciais em Little Rock antes de ser nomeado Chefe da Infantaria dos EUA na Alemanha, foi demitido pelo presidente Kennedy. [3] Walker foi acusado de desenvolver uma ala extrema direita dentro do exército. Ele próprio era membro da sociedade John Birch Society e da Ku Klux Klan.

A Comissão de Relações Exteriores do Senado levou a cabo uma investigação sobre a ramificação dos grupos da extrema-direita dentro do exército. A audiência foi presidida pelo senador Albert Gore (D-Tennessee), pai do futuro vice-presidente norte-americano. Os Senadores suspeitavam que o Chefe do Estado Maior, general Lyman L. Lemnitzer, estava envolvido em movimentos radicais de direita de Walker.

Gore sabia que Lemnitzer era especialista em operações secretas: em 1943, tinha estado encarregue das negociações para causar uma fissura entre a Itália e o Terceiro Reich de Adolf Hitler; e em 1944, juntamente com Allan Dulles, liderou as negociações secretas com os nazis em Ascona na Suíça, para preparar a capitulação da Alemanha (Operação Sunrise). [4]

Lemnitzer também esteve envolvido na criação da rede Allies «fiquem atrás» recrutamento agentes nazistas para lutar contra a USRR e ajudou criminosos de guerra e pessoas acusadas de crimes contra a humanidade a fugir para a América Latina. No entanto, Gore não foi capaz de provar o envolvimento de Lemnitzer em tais factos. A correspondência secreta recentemente publicada, do General Lemnitzer mostrou que ele, o comandante das forças americanas na Europa (General Lauris Norstad), e outros oficiais de altas patentes conspiraram contra a política do democrata presidente John F. Kennedy.

Oficiais da extrema-direita opuseram-se à recusa de Kennedy em envolver o Exército americano numa intervenção militar em Cuba. Eles culparam civis da CIA pelo mau planeamento do desembarque na Baía dos Porcos e acusaram o presidente Kennedy de ser um covarde ao opor-se ao apoio da Força Aérea dos EUA aos contra-revolucionários cubanos. Mas, para continuarem com os seus planos, estes militares americanos inventaram um pretexto político para que Kennedy tivesse que intervir em Cuba. Este plano foi chamado de: Operação Northwood. Vários estudos específicos foram feitos pelo general William H. Craig, com o objectivo de apresentar este projecto secreto.

A reunião realizou-se no Pentágono, no escritório do Secretário de Defesa, das 14:30 (14:30) às 17:30. Não teve um final feliz. Robert McNamara rejeitou todo o plano e o General Lemnitzer tornou-se mais ameaçador. Tal facto originou seis meses de hostilidade permanente entre a Administração de Kennedy e o Chefe do Estado-Maior Conjunto, e Lemnitzer acabou por ser enviado para a Europa como chefe das forças americanas. No entanto, antes de sair, o general ordenou que todos os documentos secretos da Operação Northwood fossem destruídos, mas Robert McNamara, secretário da Defesa de Kennedy na altura, manteve uma cópia do projecto secreto. [5].

Da esquerda para a direita: Almirant George W. Anderson Jr. (Chefe de Operações da Marinha), general George H. Decker (Chefe da Seção de Exército), general Leyyman L. Leymnintzer ( Chefe do Estado-Maior Conjunto), General Curtis E. LeMay (Chefe da Seção da Aeronáutica), General David M. Shoup (Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais)

Os ataques terroristas

A Operação Northwood destinava-se a convencer a opinião pública internacional de que Fidel Castro era um homem irresponsável e uma ameaça para o mundo e para a paz ocidental. Assim, os projectistas da Operação planearam lançar ataques terroristas nos EUA para depois culparem Cuba pelos danos sofridos. Algumas das acções planeadas foram as seguintes:

– Ataque à base militar americana em Guantánamo. A operação seria realizada por mercenários cubanos vestindos com uniformes das forças de Fidel Castro. Várias sabotagens seriam feitas e o depósito de munições seria explodido. Estas acções, obviamente, provocariam danos materiais e muitas mortes entre as tropas norte-americanas.

– Explodir um navio de guerra dos EUA em águas territoriais cubanas para fazer reviver a destruição do US Main em 1898 (266 en-Watika-509b9mortos), e que causou a intervenção norte-americana contra a Espanha. [6].

Na verdade, o navio estaria vazio e seria comandado à distancia e sua explosão teria de ser vista a partir de Havana ou Santiago de Cuba, para que potenciais testemunhas oculares pudessem dizer o que aconteceu. A operação de resgate, seria então, organizada para tornar a cena ainda mais real; a lista de passageiros seria publicada e realizados falsos funerais para indignarem a opinião pública americana e mundial. Toda a operação seria realizada quando aviões e navios cubanos estivessem na área para que pudessem ser culpados pelo ataque.

nort5

– Aterrorizar exilados cubanos que viviam nos EUA, explodindo instalações deles em Miami, Florida e mesmo em Washington. De seguida, falsos agentes cubanos seriam presos para que pudessem confessar. Documentos falsos comprometedores seriam então confiscado e entregues à imprensa para provar o envolvimento dos terroristas cubanos de Fidel Castro nos ataques.

– Provar uma ameaça de invasão. Um falso avião cubano iria bombardear a República Dominicana ou qualquer outro estado da região durante a noite. Por razões óbvias, as bombas usadas seriam soviéticas.

– Mobilizar a opinião pública internacional. Para o conseguirem, foi planeada a destruição de um voo espacial. Com o objectivo de realmente tocarem nos sentimentos das pessoas, a vítima escolhida seria o famoso astronauta John Glenn, o primeiro americano a realizar um voo completo em torno da órbita da Terra (o voo Mercury).

Se tudo isto não fosse suficiente para mobilizar a opinião pública internacional a apoiar a invasão militar contra Cuba, a última provocação foi adicionado à lista:

– “Seria possível fabricar um incidente que demonstrasse de forma convincente que um avião de combate cubano teria atacado um voo civil que tinha partida dos EUA com destino à Jamaica, Guatemala, Panamá ou Venezuela”.

Um grupo de passageiros, que poderiam ser estudantes, estariam a bordo do voo fantasma, sob o controle da CIA. Quando estivessem a sobrevoar a Flórida, um outro avião vazio e tele comandado à distância iria seguir a mesma rota. Então, os passageiros da conspiração seriam levados para uma base secreta da CIA. O avião vazio iria pedir ajuda, dizendo que tinha sido atacado por um avião de combate cubano. Em seguida, o avião iria explodir.

A aplicação das referidas acções custariam a vida de muitos cidadãos americanos, civis e militares, sendo isso o elemento chave para as suas funções de manipulação.

O regresso de Layman L. Lemnitzer:

Para John F. Kennedy, Lemnitzer era um anticomunista histérico e extremista apoiado por empresas multinacionais sem escrúpulos. Foi então que entendeu o verdadeiro significado do aviso do seu antecessor, o presidente Eisenhower, no ano anterior a quando do seu discurso de despedida: «O responsável do governo deve estar ciente de influências ilegítimas quer venham ou não do complexo militar-industrial. O risco de desenvolver ou utilizar um poder usurpador existe e continuará presente. Não podemos permitir que esta ameaça possa impedir as nossas liberdades e processos democráticos. Nada deve ser considerado completamente alcançado. Somente a vigilância e conscientização adequada podem garantir o equilíbrio entre o lobby da grande maquinaria industrial e militar que desenvolvemos e os nossos métodos pacíficos e objectivos, de modo que a segurança e a liberdade possam trabalhar em conjunto». [7].

John F. Kennedy opôs-se aos Generais Walker e Lemnitzer e seus amigos, e recusou-se a envolver os EUA numa guerra aberta contra o comunismo em Cuba, Laos, Vietname ou qualquer outro país. John Kennedy foi assassinado em 22 de Novembro de 1963 [8].

O General Lemnitzer aposentou-se em 1969, mas em 1975, enquanto o Senado investigava o papel desempenhado pela CIA na administração de Nixon, Gerald Ford, que assumiu a presidência após o escândalo de Watergate, pediu-lhe para participar no referido inquérito.

Posteriormente, Ford solicitou novamente os seus serviços para assistir na Comissão de Pressão sobre o Present Danger (CPD). Este grupo foi criado pela CIA, e dirigido por George Bush pai. Fez campanha contra o comunismo e promoveu ameaças. Entre seus líderes, vários agentes da CIA e Paul D. Wolfowitz (actual subsecretário de Defesa e responsável pelas operações no Afeganistão). Ao mesmo tempo, Gerald Ford promoveu General William H. Craig a General Major. Craig dirigiu a análise preliminar da Operação Northwoods como director da Agência de Segurança Nacional (NSA).

Geral Layman L. Lemnitzer morreu a 12 de Novembro de 1988.

Em 1992, a opinião pública americana questionou o assassinato do presidente Kennedy depois da transmissão do filme de Oliver Stone, onde este mostrou inconsistências na versão oficial. O presidente Clinton ordenou que os arquivos sobre a presidência de Kennedy fossem desclassificado e, entre eles, os arquivos do secretário de Defesa do Kennedy, Robert McNamara. Foi quando o projecto secreto «Northwoods» foi encontrado.

[1] A Program of Covert Operations against the Castro Regime, a CIA April 16, 1961 declassified document

[2] The Chairmen of the Joint Chiefs of Staff, Willard J. Webb et Ronald H. Cole, DoD, 1989. Swords and Plowshares, Maxwell D. Taylor, 1972.

[3] See our research: «Les Forces spéciales clandestines», in Les Notes d’information du Réseau Voltaire n° 235. For more details, see Chris Cravens: Edwin A. Walker and the Right Wing in Dallas, South Texas State University, 1993

[4] Les Secrets d’une reddition, Allen Dulles, Calmann-Lévy, 1967

[5] Operation Northwood documents have been published in Australia by Jon Elliston (Psy War on Cuba, The Declassified History of US Anti-Castro Propaganda, Ocean Press Ed., 1999) without provoking reactions within the U.S. They have been also used by ABC News journalist James Bamford in his NSA story (Body of Secrets, Anatomy of the Ultra-Secret National Security Agency from the Cold War to the Dawn of a New Century, Doubleday Ed., 2001) which was welcomed by historians

[6] By then, Cuba was a Spanish colony. The United States intervene militarily to put an end to the colonization of Cuba and impose a protectorate

[7] Dwight Eisenhower, Farewell Address, January 17, 1961

[8] William Reymond: JFK, Autopsie d’un crime d’État, Flammarion, 1998.


Fonte: https://pt.wikipedia.org
           https://artedeomissao.wordpress.com

Compartilhe

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Translate

Portuguese English French German Italian Russian Spanish

Curta nossa página

Mundo

Publicidade