Rosemary Brown - Parte 1

rosiRosemary Brown (Stockwell, sudeste de Londres, 27 de julho de 1916 – Londres, 16 de novembro de 2001) foi uma médium espírita inglesa. Embora sua mediunidade se manifestasse de diversas formas, tornou-se mais conhecida pela comunicação que afirmava ter com os espíritos de compositores célebres de música erudita, havendo “recebido” deles, em processo ...

similar à psicografia, mais de 400 partituras. Entre esses espíritos, estariam Liszt (com o qual tinha contato mais frequente, sendo este também o seu mentor espiritual), Chopin, Schubert, Beethoven, Bach, Brahms, Schumann, Debussy, Grieg, Berlioz, Rachmaninoff, Mozart, dentre outros. Alguns deles faziam contato frequentemente, outros lhe apareceram poucas vezes.

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Rosemary Brown obteve destaque na mídia nos anos 70. Apareceu em programas de TV, dentre eles um documentário para a emissora britânica BBC, em abril de 1969. Nesta ocasião, chegou a "psicografar" diante das câmeras uma partitura inédita de Liszt. A peça produzida chamava-se Grübelei e era de elevada dificuldade técnica: possuía seis sustenidos na clave e compassos distintos para as mãos: 5/4 na direita e 3/2 na esquerda. Ao fim da psicografia, Brown afirmou que a peça era difícil demais para ela própria executar. Um pianista profissional então se ocupou de tocá-la. Posteriormente, a peça Grübelei foi analisada por Humphrey Searle, compositor britânico e grande estudioso de Liszt, que ressaltou, em seu artígo, as harmonias avançadas e a tonalidade típica das últimas composições de Liszt.

Rosemary Brown escreveu três livros sobre sua vida e sua mediunidade. O primeiro deles, publicado em 1971, recebeu o título original de Unfinished Simphonies – Voices From The Beyond. No Brasil, recebeu em português o título de Contatos Musicais – Grandes Mestres Compõem do Além, e foi publicado em 1991. Os outros dois livros, sem versão brasileira, foram: Immortals at my Elbow (de 1974) e Look Beyond Today (de 1986). Após o lançamento de seu primeiro livro, fez aparições públicas na Europa e Estados Unidos. Tocou algumas de suas músicas na Prefeitura de Nova York e apareceu no programa The Johnny Carson Show.
Três LPs contendo algumas das músicas recebidas por Rosemary Brown foram lançados. O primeiro foi gravado em 1970, pelo pianista Peter Katin. O segundo saiu em 1977, por Howard Shelley, e o último em 1988, por Leslie Howard.


Vida


Rosemary Brown nasceu em uma família pobre. Suas manifestações mediúnicas começaram na tenra infância, com fatos banais. Além de ver diversos espíritos anônimos com espantosa clareza, também intuía fatos e acontecimentos diversos. Descrevia como era a própria casa muitos anos antes de ela nascer, e até mesmo a rua em que moravam, antes de o velho casarão ter sido construído. Sua mãe e sua avó também haviam tido algumas manifestações mediúnicas ao longo de suas vidas, como a vidência, embora de maneira mais rara e esporádica. Brown cita, em seu livro, algumas dessas manifestações de suas ascendentes. Também seu casal de filhos (Thomas e Georgina) possuíam mediunidade. Mas nenhum deles tão intenso e frequente como Rosemary.

Seus estudos de música foram muito elementares, devido à falta de tempo e principalmente de dinheiro. Pelo mesmo motivo, também nunca pôde frequentar concertos, conviver com músicos ou frequentar qualquer tipo de meio musical. Tais fatos teriam sido propositalmente planejados pela espiritualidade antes que ela nascesse, para que não houvesse dúvida de que as composições não poderiam provir dela própria.

Trabalhava como merendeira de uma escola pública na época em que começou a receber as primeiras partituras.


A Mediunidade e suas manifestações

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Tanto as composições como a médium foram submetidas a inúmeras análises e testes: musicais, de inteligência, psicológicos, psiquicos. Foi declarada perfeitamente normal, após minuciosos estudos, pelo prof. Tenhaeff da Universidade de Utrecht (Holanda).

Entre os espíritos com quem Brown afirmava se comunicar, também estava Sir Donald Tovey, musicista, compositor e ilustre escritor, falecido em 1940. É atribuída a este espírito a autoria do texto que consta na capa do LP lançado em 1970, explicando o propósito das comunicações espirituais. Segundo a mensagem, a finalidade dos compositores desencarnados transmitirem novas peças musicais à Terra, depois de desencarnados, não seria vaidade, nem mera intenção de proporcionar prazer a quem venha a escutar as músicas.

A finalidade maior seria servir como uma demonstração a mais da imortalidade da alma, alertando os homens para a existência da vida espiritual, e demonstrando que eles não são meros corpos carnais fadados à velhice e à morte, e sim almas imortais abrigadas em corpos mortais, dotados de uma mente que independe do corpo físico.

Brown relata também, em seu primeiro livro, que algumas vezes sua mediunidade apresentou a faceta da cura. Tal fenômeno se dava, segundo seus relatos, por meio da comunicação com o espírito de Sir George Scott-Robertson, um primo distante da própria Rosemary pelo lado materno, e que faleceu muito antes de ela nascer. Ele havia sido cirurgião em vida, e continuou o sendo no mundo espiritual. Brown relata os episódios de cura, e afirma que esta provém de uma única fonte: "a Força Vital a que chamamos Deus".

A produção de músicas mediúnicas cessou nos anos 80, mas Brown continuou, até o fim de sua vida, dedicada a suas crenças, e indiferente a assuntos materiais e mundanos.


Um caso notável


Um dos mais notáveis casos de mediunidade fenomênica de nosso século é, sem dúvida, a inglesa Rosemary Brown, que desencarnou em 16 de outubro de 2001, em Londres, aos 85 anos de idade, uma espécie de "Chico Xavier" da música. Ficou conhecida por receber mais de 400 peças musicais de numerosos compositores clássicos — Liszt, Chopin, Schubert, Schumman, etc. — sem possuir cultura musical, fato confirmado por seus pesquisadores.

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Autora de três livros: "Unfinished Symphonies", "Immortals By My Side", and "Look Beyond Today", dois LPs e três livros de peças musicais recebidas mediunicamente, toda essa sua obra encontra-se atualmente esgotada.

A vida dessa senhora foi sofrida e, muitas vezes, de penúria, desde a infância. Em 1961, ao perder seu marido, foi obrigada a trabalhar para sustentar e educar seus dois filhos. Como não tinha profissão definida, ocupou-se servindo lanches para escolares. Sua faculdade mediúnica, no entanto, desenvolveu-se no silêncio da resignação e das dificuldades, revelando a grandeza de seu caráter e de sua missão.

 
Intrigando os estudiosos


Ao ter reconhecida sua faculdade, Rosemary Brown foi exaustivamente pesquisada. Psiquiatras, parapsicólogos, médicos, religiosos, músicos, jornalistas, foram alguns dos que logo se ocuparam em investigar sua vida e sua percepção.

Técnicos e orquestradores da BBC, por exemplo, examinaram muitos de seus manuscritos e notaram que a caligrafia e a forma pela qual as notas eram escritas variavam nas peças dos diferentes compositores. O renomado maestro e compositor inglês, Humphrey Searle, após tomar conhecimento das características do trabalho da médium, declarou: "O estilo de muitas de suas 'composições celestiais' parece perfeito e algumas obras demonstram características que são exclusivas dos mestres com quem ela diz 'conversar'".

O professor dr. W. H. C. Tenhaeff, diretor do Instituto de Parapsicologia da State University of Utrecht, na Holanda, único em sua natureza no mundo, declarou, após exaustivas pesquisas: "...basta salientar que um cuidadoso exame de todos os dados disponíveis no assunto relacionado a Rosemary Brown levam forçosamente à conclusão de que a hipótese de criptomnésia (plágio inconsciente) não explica convincentemente a origem de suas composições, que, atualmente, somam mais de quatrocentas."

O crítico musical escocês David Hogarth chegou a dizer: "Não posso pensar, por um momento sequer, que ela tenha composto isso ela mesma".


Liszt aparece-lhe aos sete anos de idade


 
Dotada de vidência e clariaudiência (características mediúnicas que possibilitam ao médium "ver" e "ouvir" os Espíritos), de forma espontânea, não provocada, desde a mais tenra idade mantinha contatos psíquicos com seres espirituais. Aos sete anos viu a figura de um homem de idade que lhe disse: "Quando você crescer, eu voltarei e lhe transmitirei música". Foi o seu primeiro contato com quem mais tarde reconheceria como Franz Liszt, líder do grupo de compositores clássicos que iria transmitir, por seu intermédio, uma das mais belas mensagens provindas dos planos espirituais à Terra, visando o despertamento espiritual do homem.

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Efetivamente, essas peças musicais chamariam a atenção de muitos, inclusive do pessoal da gravadora Phillips, que lançou, em 1970, o primeiro disco contendo algumas dessas composições.

De acordo com o professor Ian Parrot, do Departamento de Música da University College of Wales, em Aberystwyth, no País de Gales, sua cultura artística é mediana e sua forma de tocar o piano é amadora, mas o estilo das peças identificam o estilo dos compositores que as assinam. E, o que mais impressiona: ela escreve partituras até para concertos.
 


 
A metodologia dos grandes mestres

 
Devido às limitações de sua cultura musical, Rosemary não é um bom instrumento para os grandes mestres, exigindo deles paciência e engenhosidade. Contudo, de acordo com Liszt, o mérito está justamente nessa sua limitação, pois, se ela fosse uma virtuose, ninguém acreditaria no que eles, os compositores, estariam transmitindo aos homens.

Assim, Liszt, por exemplo, envolve suas mãos e braços e toca a peça para permitir que Rosemary a ouça inteira. Chopin transmite as composições diretamente ao piano. Em cerca de meia hora a música fixa-se em sua memória. Bach, usa outro meio: dita as frases nota por nota e essas são transcritas pela médium na pauta. Beethoven usa métodos mais avançados, imprimindo em sua mente, durante vinte minutos, uma peça que pode levar mais de meia hora para ser executada. Brahms, cujas composições exigem mais técnica, deu-lhe exercícios para aumentar o alcance dos dedos e, segundo musicólogos, esses exercícios são moderníssimos!

PARTE 2

 

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