O gaúcho que laçou o avião

avilaco 1Por Antonio Goulart, jornalista - Numa tarde de janeiro de 1952, o jornalista Cláudio Candiota, então diretor do jornal ´A Razão´, de Santa Maria (RS) encontrava-se em sua sala quando foi procurado pelo comandante do aeroclube da cidade, Fernando Pereiron. O visitante trazia uma notícia de impacto, mas não para ser divulgada. Pelo contrário, queria escondê-la. Temia causar prejuízo à imagem do estabelecimento sob sua responsabilidade. Quando soube do que se tratava, ...

a reação de Candiota foi em sentido oposto: “Deixa comigo. Vou tornar este aeroclube famoso em todo o mundo. É a primeira vez que acontece uma coisa como essa” - disse de imediato. Como também era correspondente no RS da revista O Cruzeiro, o jornalista telefonou para a direção da revista, no Rio, que mandou, já no dia seguinte, para Santa Maria, o seu melhor fotógrafo, o gaúcho Ed Keffel. Uma semana depois aparecia, com exclusividade, a reportagem em cinco páginas, amplamente ilustrada. Um peão de estância tinha simplesmente laçado um avião em pleno vôo. E como houve dano na hélice do aparelho, o piloto estava ameaçado de demissão, por ter agido de forma imprudente e provocativa, e por não ter comunicado o fato às autoridades aeronáuticas.

O autor da façanha de “laçar um avião pelo focinho” foi o peão Euclides Guterres, 24 anos, solteiro, descrito na época como vivaz , fazedor e contador de proezas. Tudo começou quando o jovem piloto Irineu Noal, 20 anos, pegou um avião "paulistinha" e decolou rumo à fazenda de Cacildo Pena Xavier, em Tronqueiras, nas proximidades da base aérea de Camobi, e passou a tirar repetidos rasantes sobre as coxilhas.

No alto de uma delas, Euclides cuidava de uma novilha com bicheira e não gostou do que viu. Achando que aquilo era alguma provocação, não teve dúvidas: armou o laço de 13 braças e quatro tentos e atirou em direção ao bico do teco-teco, acertando o alvo.Por estar preso na cincha do arreio sobre o cavalo, o laço, com o impacto, arrebentou na presilha e seguiu pendurado no avião. O piloto, assustado, tratou de pousar. Ainda na cabeceira da pista, longe do hangar, retirou o laço e o escondeu no meio das macegas.

"Eu não fiz por maldade. Foi pura brincadeira. Para falar a verdade, não acreditava que pudesse pegar o aviãozinho pelas guampas num tiro de laço." disse o peão Euclides Guterres

"Nada nos pode parecer mais estranho do que a notícia de que um homem tenha laçado um avião. A vontade que a gente sente é mesmo de duvidar. Mas, a verdade é que a extraordinária façanha aconteceu no pampa gaúcho, em Tronqueiras, na rica fazenda de Arroio do Só, no município de Santa Maria."

Um Verdadeiro Rei do Laço

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O sensacional acontecimento, fato único na história da aviação, aconteceu no penúltimo domingo de janeiro. À tarde, o piloto Irineu Noal, do Aeroclube de Santa Maria, resolveu realizar um vôo de recreio no interior do município. Aprontou, para isso, um paulistinha, o "Manuel Ribas" de prefixo PP-HFE e, tudo o.k., rumou para Leste, em direção da fazenda do Sr. Cacildo Pena Xavier, em Tronqueiras. Anteriormente, já havia sobrevoado o local. Perito e confiante, sentia-se à vontade, lindamente à vontade, no seu valente teco-teco.

Logo avistou a bela propriedade, a Casa Grande e todo o seu conjunto, os largos currais, a figueira velha, o mangueirão. E iniciou uma série de vôos rasantes nos arredores. O dascampado era um vivo convite à brincadeira. É possível que, em dias passados, tivesse até perseguido lebre no pequeno avião, duma mobilidade admirável. Porque, então, hoje, que a tarde está assim tão clara e tudo tão limpo na frente, não voar rasteirinho à grama fôfa?
Euclides Guterres, cá debaixo, olhava com olho alegre a brincadeira do jovem piloto. Foi quando lhe nasceu a idéia incrível. Seria possível? Sim, claro, era possível. Tudo dependia de ter os pulsos no lugar. Então esperou. Fazia mais de meia hora que estava ali na coxilha tratando da novilha gorda, atacada de bicheira. E aquilo era monótono. Apanhou o laço, e sentiu que a hora estava para chegar.

O "Paulistinha" roncou em cima de sua cabeça. Foi a conta. "Tiro dado, bugio deitado", como se diz no sul. O avião fora lançado. Acertara o alvo!
Euclides Guterres, para não ser carregado pelo avião, largou o laço. O seu temor fôra em vão: a hélice, de golpe, já havia partido em duas as 13 braças de couro cru e trançado.

No interior do avião, o drama era bem outro. O jovem piloto tinha na frente dos olhos um pedaço de laço e concluiu que acontecera com ele uma coisa incrível. Virou o nariz do aparelho e voou em direção da Base Aérea de Camobi, fazendo uma aterrisagem feliz. Vistoriando o aparelho no solo, verificou que a hélice estava partida! Tudo poderia, afinal de contas, ter lhe custado a sua vida.


Euclides Guterres

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O monoplano CAP-4 Paulistinha com cabine para dois lugares e motor Franklin 65 HP


Euclides Guterres foi um peão gaúcho, nascido em Santa Maria, que se tornou celebridade instantânea no dia 20 de janeiro de 1952, quando tinha 24 anos de idade, ao laçar o avião CAP4/Paulistinha (prefixo PP-HFP), que estava dando rasantes na fazenda de seu patrão.

O avião, pilotado por Irineu Noal, com histórico de apenas 20 horas de vôo, decolou do aeródromo de Santa Maria com destino à fazenda de Cacildo Pena Xavier (pai da ex-namorada do piloto) em Tronqueiras, onde ele terminaria seu relacionamento amoroso e devolveria as cartas à ex-namorada, que já estava noiva de outro. O piloto levou menos de dez minutos para chegar à localidade de Tronqueiras, que é uma Unidade Residencial do bairro Arroio do Só, no distrito de Arroio do Só - distrito de Santa Maria desde 1886. Ao sobrevoar a fazenda, começou a fazer uma série de manobras rasantes próximas à cerca, onde Guterres, depois de três ou quatro tentativas, conseguiu laçar a aeronave.

O avião não caiu porque a hélice do motor cortou o laço. Mesmo assim foi danificado, e o piloto Irineu recebeu uma multa e teve seu brevê cassado. Até hoje ele guarda a hélice da aeronave com o pedaço do laço, segundo matéria do jornal Correio do Povo de 29 de janeiro de 2007.

Na ocasião, houve registro do fato na Time Magazine, em 11 de fevereiro de 1952 e em jornais da época, como A Razão, Diário de Notícias e no caderno Almanaque do Correio do Povo. A Base Aérea de Santa Maria também mantém em seu acervo vários jornais e revistas da época, relatando a façanha do peão Euclides Guterres. Euclides Guterres morreu de leucemia em 1981. Não existem registros de casos semelhantes.


A incrível história do gaúcho que laçou o avião

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O leitor deve pensar que é coisa de gaúcho. E realmente é, mas a história é única na aviação e deve ser contada. O fato é que um gaúcho lá de Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, fez um feito inédito na história da aviação. Conseguiu laçar um avião (Paulistinha) em pleno voo. Não é anedota não. O fato, ocorrido em 1952, foi publicado em vários jornais, inclusive na revista Cruzeiro e na Time Magazine, edição de 11 de fevereiro de 1952. O jornalista que revelou a façanha ao mundo foi Claudio Candiota, na época, diretor do jornal de Santa Maria, e correspondente da revista O Cruzeiro.

O feito aconteceu no último domingo de janeiro de 52, em Tronqueiras, numa rica fazenda de Arroio do Só, município de Santa Maria. O peão Euclides Guterres, de 24 anos, estava no alto de uma coxilha tratando de novilha atacada de bicheira. Foi então que viu um aviãozinho (prefixo PP-HFP), pilotado por Irineu Noal, de 20 anos, dar voos rasantes sobre a fazenda do patrão. Euclides olhava alegre a brincadeira do jovem piloto de subir e descer nos céus. Mas, os voos foram ficando cada vez mais ousados e Guterres achou que o piloto o estava provocando. Não teve dúvidas, armou o laço trançado de couro cru de 13 braças e atirou em direção ao bico do teco-teco. Errou algumas vezes até que acertou o “focinho” do aviãozinho.

Por estar preso no arreio sobre o cavalo, o laço, com o impacto, arrebentou na presilha e seguiu pendurado no avião, cujo motor chegou a ratear. A situação só não ficou pior para o piloto porque a hélice cortou o laço e o motor retomou a rotação. O piloto, assustado, tratou de pousar. Ainda na cabeceira da pista, retirou o laço e o escondeu no meio das macegas. Também viu que a hélice estava partida.

Quando a diretoria do aeroclube viu o estrago na hélice, obrigou o piloto a contar a verdade. Diante do fato, os diretores do aeroclube decidiram cassar a licença do piloto Noal, conquistado há pouco tempo (tinha apenas 20 horas de voo). O piloto teve ainda que pagar uma multa pelo ato, considerado uma transgressão. Em 1999, quando com 68 anos, foi perguntado sobre o fato, que ficou conhecido em todo Rio Grande do Sul, mas não se sentiu muito à vontade para falar:

— Foi uma brincadeira de guri, disse.

Mesmo arredio, o piloto admitiu o perigo da manobra e desdenhou a habilidade do peão. “Aquele não laçava nem vaca. Foi uma sorte muito grande”, disse.

Quanto ao habilidoso laçador Guterres, temendo ser preso, achando que tinha cometido um crime ao laçar o avião, ficou três dias escondido no meio do mato da fazenda.

— Eu não fiz por maldade. Foi pura brincadeira. Para falar a verdade, não acreditava que pudesse pegar o aviãozinho pelas guampas num tiro de laço, disse. Seu feito admirável é contado até hoje nas estâncias gaúchas. Euclides Guterres morreu de leucemia em 1981.

Para quem não acredita na história, a hélice do Paulistinha está exposta na Ferragem da família Noal, em Santa Maria. Irineu Noal morreu em 2010, aos 79 anos. A Base Aérea de Santa Maria mantém em seu acervo vários jornais e revistas da época relatando a façanha de Euclides Guterres.

Fonte: www.espacovital.com.br
           https://pt.wikipedia.org
           http://vindodospampas.blogspot.com.br
           http://www.novomilenio.inf.br
           Jornal Correio Popular, dia 14/07/2012

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