Iniciativa 2045

iniro611/06/2013 - É difícil imaginar um dia em que as ideias propostas por Dmitry Itskov, 32, multimilionário russo e ex-magnata da mídia on-line, não parecerão implausíveis e inviáveis. Chamada de Iniciativa 2045, em alusão ao ano em que Istkov espera que o projeto esteja finalizado, sua ideia prevê a produção em massa de avatares de baixo custo e aparência humana nos quais seja possível carregar o conteúdo de um cérebro humano, incluindo todos os detalhes específicos de consciência e de personalidade. Seria uma cópia digital da mente de uma pessoa em um portador não biológico -uma versão de uma pessoa integralmente senciente, que poderia viver por centenas ou milhares de anos.

No entanto, Istkov conseguiu a atenção e, em alguns casos, o apoio entusiasmado de figuras altamente respeitadas da Universidade Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), além de líderes em campos como a genética molecular e as neuropróteses. Cerca de 30 palestrantes dessas e de outras disciplinas vão participar da segunda edição anual do Congresso sobre o Futuro Global 2045, marcado para 15 e 16 de junho no Lincoln Center, em Manhattan.

Os participantes ouvirão pessoas como Roger Penrose, professor emérito de física matemática na Universidade Oxford que pode ser visto no site 2045.com com uma videochamada sobre a "natureza quântica da consciência", e George M. Church, professor de genética na Escola Médica de Harvard, cujo vídeo no site é sobre "a extensão da gama de saúde cerebral". Como esses vídeos sugerem, cientistas dão passos pequenos e constantes em direção à fusão humano-máquina. O futurista Ray Kurzweil, hoje diretor de engenharia do Google, argumentou no livro "The Singularity is Near", de 2005, que a tecnologia avança exponencialmente e que "a vida humana será transformada irreversivelmente", a tal ponto que não haverá diferença entre "o humano e a máquina ou entre a realidade física e a realidade virtual".

Os avanços tecnológicos não pararam desde que Kurzweil escreveu o livro --como a criação de computadores capazes de derrotar humanos em partidas (como Watson, da IBM, vencedor do programa "Jeopardy"), até uma tecnologia que monitora as batidas do coração de jogadores de games e possivelmente seu grau de excitação (é o caso do novo Kinect), passando por ferramentas digitais para portadores de deficiências (como implantes cerebrais que podem ajudar tetraplégicos a movimentar braços robóticos).

Acadêmicos parecem enxergar Istkov como alguém sincero e bem-intencionado. Eles consideram que, se ele quer liderar a torcida global em favor de áreas em que cientistas geralmente trabalham na obscuridade, ótimo. Pergunte a participantes na conferência 2045 se os sonhos de Istkov poderão virar realidade algum dia. Você ouvirá desde um "pode ser" até frases de grande entusiasmo.

"Sou contra dizer que alguma coisa é impossível, a não ser que ela viole as leis da física", responde o professor Church, acrescentando, a respeito de Istkov: "Só acho que seus planos contêm muitos pontos sem linhas que os interliguem. Não constituem um mapa do caminho real."

"Isso não é mais improvável do que o que se viu no início dos anos 1960 com a chegada dos transplantes de fígado e rins", opinou Martine A. Rothblatt, fundadora da United Therapeutics, empresas de biotecnologia que fabrica produtos cardiovasculares. "Na época, as pessoas acharam que era uma maluquice total. Hoje cerca de 400 pessoas fazem esses transplantes por dia."

Istkov diz que vai investir pelo menos parte de sua fortuna em qualquer start-up que promova sua visão -ele afirma que, até agora, já gastou US$ 3 milhões de seu próprio dinheiro-, mas seu objetivo principal com o projeto 2045 não é enriquecer. Ele acha que seus avatares não apenas podem acabar com a fome mundial -porque uma máquina precisa de manutenção, não de comida-, mas também inaugurar uma era mais pacífica e espiritualizada.

"Precisamos mostrar que estamos aqui para salvar vidas", explicou. "Para ajudar os deficientes, curar doenças e criar a tecnologia que nos permita, no futuro, responder a algumas questões existenciais. Como, por exemplo, o que é o cérebro, o que é a vida, o que é a consciência e, finalmente, o que é o Universo."

Istkov passou sua infância em Bryansk, cidade situada a 370 km a sudoeste de Moscou. Seu pai era diretor de teatro musical e sua mãe professora primária. Ele estudou na Academia Russa Plekhanov de Economia, onde conheceu seu futuro sócio comercial, Konstantin Rykov. Em 1998, Rykov fundou uma e-zine cujo título era um palavrão em inglês. Istkov começou a trabalhar na e-zine no ano seguinte. Eles criaram o tarakan.ru, blog sobre a internet russa, e um jornal on-line, o Dni.ru. Seguiram-se sites de games e outros jornais on-line, além de uma revista impressa, uma editora de livros e um canal de televisão na internet.

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Aos 25 anos de idade, Istkov começou a apresentar os sintomas de uma crise de meia-idade. Ele previu as coisas que poderia lamentar quando chegasse à velhice: os instrumentos musicais que não teria aprendido a tocar e os livros que não teria lido. De repente, o tempo de vida médio de cerca de 80 anos lhe pareceu muito pouco. Quanto mais contemplava o mundo, mais lhe parecia que tudo estava errado.

"Olhe para isto", explicou, abrindo seu laptop e começando a exibir slides com uma estatística dolorosa após outra: quase 1 bilhão de pessoas no mundo estão passando fome. Quarenta e nove países estão envolvidos em conflitos militares. Dez por cento das pessoas no mundo têm deficiências físicas. E assim por diante.

Istkov calcula que precisamos mudar nosso modo de pensar ou dar às nossas mentes a chance de "evoluír". Para que isso possa acontecer, porém, precisamos de um novo paradigma do que significa ser humano. Isso requer uma transição para um mundo em que a maioria das pessoas não seja obrigada a se dedicar às questões básicas da sobrevivência. Assim surgiu a ideia dos avatares. As leis da oferta e da demanda continuam presentes na utopia de Istkov. Ele presume que, a partir do momento em que a produção de avatares crescer, o custo deles cairá. Também prevê que as organizações humanitárias, que hoje se dedicam a alimentar, vestir e curar os pobres, passarão a se dedicar à meta de fabricar e distribuir corpos saudáveis, ou seja, máquinas.

Por enquanto, a simples aquisição de uma cabeça robótica com aparência natural já custa muito. Algo que Istkov descreve como a cabeça mecânica mais sofisticada da história -uma réplica do próprio Istkov do pescoço para cima- está sendo construído em Plano, no Texas, sede da Hanson Robotics. A empresa foi fundada por David Hanson, doutor em artes e engenharia interativas.

"A maioria das cabeças robóticas tem 20 motores", comentou Hansen. "As minhas possuem 32. Esta terá 36. Assim, mais expressões faciais, simulando todos os principais grupos de músculos."

A expectativa ainda mais surpreendente é que, enquanto Istkov estiver em outra sala, sentado diante de uma tela com sensores para captar cada movimento seu, a cabeça será capaz de reproduzir suas expressões e sua voz. "Ele está controlando o robô e controlando seus gestos, sua expressão e sua fala com sua voz, em tempo real", diz Hanson. Istkov vê sua iniciativa futurista como uma finalidade em si mesma para hoje. "Nossos líderes buscam a estabilidade", declarou. "Não temos algo que una a humanidade inteira. Essa iniciativa vai inspirar as pessoas."

Será que as pessoas querem realmente viver para sempre? Se sim, gostariam de passar essa eternidade num "portador não biológico"? O que acontecerá com o cérebro de uma pessoa depois que ele for descarregado no robô? E com seu corpo? Se você pudesse escolher quando adquirir um corpo avatar, qual seria a idade ideal para fazê-lo? Avatares podem transar? Essas são apenas algumas das dezenas de perguntas levantadas pela Iniciativa 2045. Por sinal, Istkov diz que avatares podem fazer sexo, sim, porque "um corpo artificial pode ser projetado para receber qualquer tipo de sensação".

Se ele atingir seu objetivo, ficará na história como o visionário arrojado cujo dinheiro e garra redefiniram a vida e encontraram soluções para alguns dos problemas mais renitentes do mundo. Se fracassar, a palavra "tresloucado" com certeza figurará em seu obituário.


IMORTALIDADE EM 2045?

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26/07/2015 - Cientistas da Rússia acham plenamente possível a imortalidade e querem tornar os seres humanos imortais. O suposto humano já está sendo construído e seu prazo de término será em 2045.

empresário Dmitry Itskov e uma equipe de cientistas da Rússia querem que os seres humanos cheguem a imortalidade. Eles apelidaram a ‘missão’ de Iniciativa 2045 e planejam criar um humano completamente funcional como um Avatar holográfico que possua cérebro artificial com pensamentos, opiniões, memórias e sentimentos como amor, paixão e medo. O suposto humano artificial já está sendo construído e seu prazo de término será 2045.

Itskov afirma ser um projeto absolutamente sério e está em busca de dinheiro, muito dinheiro.

“Os empresários membros da lista dos mais ricos da revista Forbes, a vida humana é única e de valor inestimável”, escreve Itskov em uma carta on-line aberta para os 1.226 cidadãos mais ricos do planeta.É só quando perdemos a vida que percebemos o quanto nós não fizemos, que não tivemos tempo suficiente para fazer o que realmente queríamos ou tratar de algo que fizemos errado”, continua a declaração de Itskov."

A nota continua, “Exorto-vos a tomar nota da importância vital do financiamento do desenvolvimento científico no campo da imortalidade cibernética e do corpo artificial. Essa pesquisa tem o potencial de libertá-los, assim como a maioria de todas as pessoas no nosso planeta, da idade e das doenças, até mesmo da morte”.

“Contribuir para inovações de ponta nas áreas de neurociência, nanotecnologia e robótica androide é mais do que construir um futuro brilhante para a civilização humana, mas também uma estratégia de negócios inteligente e rentável que irá criar uma nova indústria vibrante da imortalidade sem limites em sua importância e escala. Este tipo de investimento vai mudar cada aspecto do negócio tal como a conhecemos: as indústrias farmacêuticas, transportes, medicina, geração de energia, técnicas de construção, só para citar algumas”, analisa Itskov.

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Parece loucura para você? Literalmente talvez seja. A Iniciativa 2045 necessita de uma longa estrada pela frente e uma grande soma em dinheiro para continuar com os projetos. Por trás da imortalidade existem questões vitais que Itskov não levanta ou comenta, como por exemplo, seria realmente bom viver para sempre? Apesar de muita especulação, as pesquisas nas áreas científicas que pregam a imortalidade são apenas hipóteses e teorias sem nenhum tipo de comprovação ou evidência real. Será que a humanidade quer, de fato, ser eterna?


Em busca do cérebro imortal

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25/04/2014 - Um m bisturi com um diamante na ponta fatia o cérebro de um rato. Com 15 nanômetros, os pedaços precisariam ser mil vezes mais grossos para chegar à espessura de um fio de cabelo. Coloridos com emulsões químicas e colocados num ambiente a vácuo dentro de um microscópio eletrônico, são fotografados em altíssima resolução. O resultado do trabalho do Instituto Paul Allen, em Seattle, são imagens que podem representar os primeiros passos de uma revolução. O mapeamento cerebral, com nível inédito de detalhes, pode conduzir a um futuro em que sejamos capazes de transformar as conexões mentais em dados, com implicações quase inacreditáveis. No momento em que for possível fazer o upload de todo o conteúdo do nosso cérebro, poderíamos transmitir esses dados para outros corpos, não necessariamente biológicos.

É natural que a ideia soe como ficção científica. Tornar a nossa mente imortal é tema caro a grandes autores do gênero, como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Frederik Pohl. A obra mais recente sobre o assunto é Trancendence, filme a ser lançado no início de maio no qual Johnny Depp interpreta um pesquisador capaz de transferir a mente para outros suportes. A diferença, agora, é que nunca a ciência esteve tão voltada a decifrar o cérebro e transformá-lo em dados.

Em 2013, o presidente americano Barack Obama anunciou a disposição de investir US$ 3 bilhões na iniciativa BRAIN, que pretende mapear todos os nossos neurônios em dez anos. A Comissão Europeia, na mesma época, destinou 1,19 bilhão de euros para criar uma simulação computadorizada do cérebro. Paul Allen, cofundador da Microsoft, já colocou meio bilhão de dólares em seu instituto voltado a mapear a mente humana. Isso sem falar no magnata russo Dmitry Itskov, que anunciou seu projeto de transferir a consciência humana para uma interface robótica até 2045.

A escolha do ano não é aleatória. É quando, segundo uma previsão do pioneiro da inteligência artificial e diretor de engenharia do Google, Ray Kurzweill, a humanidade vai alcançar a imortalidade fazendo o upload da mente. Itskov abraçou a polêmica meta e criou a Iniciativa 2045, que faz reuniões periódicas com especialistas em busca desse objetivo. O projeto criou um cronograma (ao lado), visando a atingir os principais passos necessários a uma transferência da mente: a) mapear o cérebro em detalhes; b) transmitir e dar sentido às informações; e c) construir um suporte que possa receber os dados, o que pode ser um avatar robótico ou um software. Há pesquisadores trabalhando, neste instante, em todas essas frentes.

STREET VIEW DA MENTE

A ideia de que um detalhado mapa cerebral pode conter dados sobre a nossa personalidade parte da teoria, bem aceita entre neurocientistas, de que ela está impressa no cérebro. “Nossa consciência, nossa memória, nossas concepções são muito dependentes de nossas conexões”, afirma o Ph.D em neurologia Arthur Toga, um dos principais pesquisadores do mundo na área. Há muitas evidências sustentando essa visão. Uma série de pesquisas têm observado que, quando passamos por alguma experiência, nossa massa cinzenta reage fortalecendo ou enfraquecendo ligações entre os neurônios. São nessas conexões, fruto da interação do meio ambiente com nosso genoma, que estariam as informações sobre quem somos. Na verdade, para eles, nós somos as nossas conexões.

O interesse por esses dados levou a comunidade científica a se inspirar no Projeto Genoma para mapear em alta resolução toda a coleção de conexões entre os neurônios e caminhos cerebrais, que passou a ser chamada de connectome. O Humam Connectome Project foi lançado em 2009 pela NIH, a agência de pesquisa de saúde do governo dos EUA. Ele tem como meta entender como os 100 bilhões de neurônios humanos fazem todas as 100 trilhões de conexões possíveis entre eles, em que momentos, de que forma e com quais objetivos. Para isso, está recorrendo às melhores técnicas de imagem para mapear cérebros de 1.200 adultos. Os dados são colocados on-line para serem analisados por neurocientistas em laboratórios do mundo todo.

“Estamos criando um mapa de região, com a geografia local, as estradas. Conhecemos as pistas principais, mas não as vias secundárias”, afirma Toga, líder do projeto e chefe do principal laboratório de imagem envolvido na empreitada, o da Universidade do Sul da Califórnia. Uma nova geração de equipamentos de ressonância cerebral consegue chegar a um detalhamento de um milímetro cúbico de cérebro. Parece muito, mas dentro desse milímetro cúbico podem caber dezenas de milhares de neurônios com todas as suas conexões. Chegar mais perto, por enquanto, só com técnicas invasivas, o que não dá para fazer com pessoas (ao menos não com as vivas).

É por isso que o instituto de Paul Allen fatia com precisão uma região de cérebros de ratos. Se para gerarmos agora imagens com nível de detalhamento de neurônios para um cérebro humano, seriam necessários 1,1 bilhão de terabytes para guardá-las, estima o cientista do MIT Sebastian Seung. Pra se ter uma ideia, isso é mais ou menos o tráfego total de dados da internet em um ano, de acordo com a companhia Cisco.

Mapear o cérebro de ratos, portanto, é uma forma de driblar esses obstáculos. “Existem grandes diferenças entre os cérebros de ratos e de humanos, mas os processos que fazem um rato se esconder ao ver a foto de um gato podem nos ensinar muito sobre como nosso cérebro reage a estímulos”, diz a bióloga Hongkui Zeng, líder do programa de pesquisa e desenvolvimento da entidade.

Antes do estudo com ratos, pesquisadores do instituto fizeram um mapeamento dos mecanismos bioquímicos por trás do funcionamento da mente usando ressonância magnética em cérebros de seis pessoas mortas. Descobriram que 84% de nossos genes de todo o nosso DNA se tornam ativos em alguma parte do cérebro, o que gerou montanhas de dados ainda sendo analisadas.

Há uma série de outras iniciativas complementares dentro do escopo do financiamento do programa BRAIN. De técnicas para melhor preservação do cérebro, como o da Brain Preservation Foundation, a análises sobre o formato retilíneo de caminhos neurais descoberto no Centro Martinos de Imageamento Biomédio, em Boston.

Apesar do aumento exponencial do banco de dados sobre nossa mente, especialistas estimam que um connectome completo ainda deve demorar pelo menos uma década. “A tecnologia ainda precisa avançar muito. Não veremos nenhum mapeamento definitivo em menos de 15 anos”, afirma o neurocientista Randal Koene. Depois começa a etapa difícil de verdade: entender como essas informações se relacionam e como usá-las.

DO CÉREBRO PARA O MUNDO

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São 10 mil laboratórios de neurociências no mundo trabalhando, neste momento, em pesquisas relacionadas ao mapeamento cerebral e às conexões entre mente e máquina. A estimativa é do neurofisiologista russo Mikhail Lebedev, especialista em interfaces cérebro-máquina e pesquisador da Universidade Duke.

Não é só por conta de magnatas preocupados com a imortalidade que o dinheiro corre para esses centros de pesquisa. Entender melhor o cérebro deve ajudar no combate de doenças degeneratias como Alzheimer e Parkinson.

Pesquisas dedicadas a solucionar limitações físicas também ajudam a avançar a tecnologia que poderá ser na transferência da mente a avatares com a capacidade de alojar a mente. É o caso de toda a linha de trabalho do brasileiro Miguel Nicolelis. Seu exoesqueleto, que responde a impulsos cerebrais, está na linha de frente da comunicação entre máquinas e cérebro. Os estudos já permitiram, entre outras façanhas, que o cérebro de um macaco movimentasse dois braços mecânicos simultaneamente e devem fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial na Copa do Mundo no Brasil.

Outro dos pioneiros na área, John Donoghue, da Universidade Brow, desenvolveu uma interface de leitura de impulsos cerebrais que permitiu ao tetraplégico Matthew Nagle mover um cursor de computador, mudar os canais da TV e movimentar os dados de uma mão artificial apenas com a força do pensamento. Próteses eletrônicas de mãos, braços, pernas e pés cada vez mais sofisticadas também têm colaborado para decifrar os caminhos de comunicação do cérebro.

Este, aliás, é outro dos pontos cruciais. Para que a interação com as máquinas seja viável, precisaremos de processadores que entendam a linguagem da mente. Isso significa simular nossos neurônios em forma de inteligência artificial. O Projeto Synapse, da IBM, deu um belo passo neste sentido: em 2011, lançou dois chips neurossinápticos, cujo funcionamento imita o do cérebro.

Compostos por 256 “neurônios eletrônicos”, eles não se limitam a processar dados da maneira como foram previamente programados, mas aprendem com os resultados. O objetivo é criar um sistema completo e ligá-lo a sensores capazes de interagir com o ambiente em volta. Com base nas informações dos sensores e nas experiências aprendidas do passado, o sistema passará a adaptar seu comportamento.

Para chegar a isso, a estrutura precisará de 10 bilhões de “neurônios eletrônicos”, consumir menos de um quilowatt de energia e ocupar um volume menor do que dois litros. O segundo estágio do projeto conta com apoio do governo americano e parcerias com quatro grandes universidades: Columbia, Cornell, UCLA e Wisconsin.

A chamada “reengenharia do cérebro” também é buscada ainda por um grupo de bioengenheiros da Universidade de Stanford, que já criou protótipos de chips não digitais que simulam o funcionamento dos neurônios pelo projeto Blue Brain do Instituto de Tecnologia de Lausanne. Este conseguiu conectar 10 mil neurônios virtuais por meio de cabos em um formato que imita a rede de neurônios.

Nesse caminho, o projeto mais avançado de estruturas físicas é do neurocientista Theodore Berger, da Universidade do Sul da Califórnia. Ele criou uma prótese do hipocampo, área do cérebro ligada à memória. Testada em ratos e macacos, no último ano, o chip conseguiu substituir neurônios na função de guardar memórias.

Os testes com os humanos devem começar no ano que vem. Se o chip der resultado, num primeiro momento deve substituir neurônios de pessoas com Alzheimer. Num segundo, pode ser o pontapé inicial da substituição de partes do cérebro com componentes eletrônicos, a caminho de uma integração mais próxima entre a parte orgânica e eletrônica.

Esse tipo de estrutura física seria essencial para que uma eventual mente transformada em dados pudesse “habitar” a nova casa. Mas tão essencial quanto os chips neuronais seriam as simulações de inteligência artificial para tentar reproduzir a atuação da mente dentro de um suporte eletrônico.

Nesse sentido, há projetos ambiciosos usando supercomputadores. Um deles é o Human Brain Project, agora bancado pela União Europeia. O coordenador do projeto, Henry Markram, apresentou, em 2011, a versão simulada do funcionamento de 1 milhão de neurônios de ratos. Seu objetivo é fazer uma simulação parecida do funcionamento completo do cérebro de um ser humano.

Markram tem um ponto de partida promissor: entre 1995 e 2005, ele mapeou o que ele chama de “coluna neocortical”, um módulo de dois milímetros de altura e meio milímetro de diâmetro, que contém 60 mil neurônios. Essa estrutura se repete por todo o sistema nervoso — entendê-la melhor vai permitir desenvolver equipamentos que a imitem, facilitando a criação de cérebros eletrônicos capazes de receber a mente humana transformada em dados.

No limite, a união entre as interfaces físicas e as simulações digitais poderá dar em um novo cérebro, feito de silício. “O caminho passa pela nanotecnologia. Nanorrobôs e chips, formando um sistema, poderão substituir o cérebro biológico”, diz Ioan Opris, pesquisador que está desenvolvendo microcircuitos para substituir o córtex cerebral.

SUA MENTE VIRA LUZ

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Quando for possível mapear e traduzir todo o cérebro e existirem formas de fazê-lo conversar na mesma língua das máquinas, o upload da mente vai estar muito próximo. Interessado em acelerar as condições para fazer dele uma realidade, Randal Koene lançou em 2010 a entidade Carbon Copies.

Seu objetivo é criar mentes que se mantenham ativas independentemente do meio — seja um corpo biológico, um avatar físico, um HD de computador ou um avatar holográfico. “Estamos pesquisando formas de fazer a transferência dos dados. Nosso objetivo é desenvolver formatos diferentes, que garantam cópias rápidas e sem erros”, afirma Koene.

Neste momento, a Carbon Copies avalia as vantagens e desvantagens de seis formatos diferentes de arquivo.

“O próprio fato de a questão da imortalidade estar agora na mão de engenheiros, e não mais apenas de filósofos ou teólogos, já representa que este agora é um problema muito mais palpável”, afirma o neurofisiologista Mikhail Lebedev. “O mais importante é acelerar o desenvolvimento de todas as frentes de pesquisa necessárias para darmos este salto evolutivo”, diz o filósofo Anders Sandberg, professor do Future of Humanity Institute e um dos pesquisadores participantes da Iniciativa 2045. “É um bom momento para se estudar neurologia. Este é o campo de onde vão surgir as pesquisas e as invenções mais impactantes para nossa espécie”.

Mas, para que a imortalidade cerebral se torne viável, ainda existem muitos obstáculos a superar. Nosso cérebro pode realizar 36,8 quatrilhões de operações por segundo, mais do que o dobro do que o supercomputador mais potente hoje. Além disso, não basta alcançar a mesma capacidade de processamento, é preciso reproduzir exatamente o funcionamento do cérebro humano, uma tarefa que depende de avanços grandiosos em várias áreas: neurologia, ciência da computação, fotografia em alta resolução, nanotecnologia, genética, biotecnologia, engenharia, filosofia, psicologia... São tarefas para muitas décadas, possivelmente além de 2045.

As limitações não incomodam os pesquisadores. “Devemos demorar mais uns bons anos para decifrar o cérebro, mas estou certo de que conseguiremos. Quanto a transferir a mente, os desafios de engenharia ainda são muito grandes. Deve demorar mais que 2045”, diz Arthur Toga. Assim como os arquitetos medievais, que projetavam catedrais que nunca veriam prontas, eles sabem que estão dando os primeiros passos rumo a um futuro viável apenas dentro de algumas gerações. “Não seremos capazes de usar os avatares carregados com nossas mentes”, afirma Lebedev. “Mas estamos abrindo a trilha para que a próxima geração pavimente o caminho e a seguinte viva num mundo totalmente novo”.


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/
           http://revistagalileu.globo.com/
           http://www.s1noticias.com/

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