Primeira faculdade de umbanda abre inscrições para vestibular

ftumba213/01/2004 - A FTU (Faculdade de Teologia Umbandista), primeira faculdade brasileira de teologia umbandista, localizada em São Paulo, deu início ontem às inscrições para o processo seletivo de sua primeira turma, cujas aulas começarão no dia 1º de março. Desde 1999, a teologia é uma carreira reconhecida pelo Ministério da Educação, com curso de ensino superior.

Mas as instituições autorizadas tinham currículo voltado apenas ao cristianismo. A portaria que autoriza o funcionamento da FTU foi assinada pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, no final de 2003. As inscrições para o vestibular se encerrarão no dia 12 de fevereiro e têm tarifa de R$ 70, mais R$ 3,50 pelo manual. As provas ocorrerão nos dias 14 e 15 de fevereiro.

O curso será ministrado para 50 alunos no período noturno e terá duração de quatro anos. O preço da mensalidade será de R$ 350,00. O currículo abrange desde português, inglês, sociologia e filosofia até botânica e medicina umbandista, sistemas religiosos e administração templária. Para o médico Bruno Barbosa (mestre Yamandhara), professor de medicina espiritual, a maior dificuldade para a criação da faculdade foi o preconceito. "A umbanda é rotulada como uma cultura de periferia." Ele diz que a idéia de criar a faculdade partiu do templo umbandista Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, com a preocupação de divulgar as idéias da umbanda.

Para o professor do Departamento de Antropologia da UnB (Universidade de Brasília) José Jorge de Carvalho, o funcionamento da instituição é um "avanço na questão da diversidade" e um "sinal de pluralismo". Autor da proposta de cotas para negros na UnB, Carvalho diz que a faculdade não deve deixar de incluir no currículo as origens africanas da religião. Para ele, a instituição pode contribuir na discussão da implantação de ações afirmativas no ensino superior. Uma das religiões afro-americanas, a umbanda surgiu no Brasil e tem a doutrina formada a partir de crenças e rituais africanos, indígenas e europeus. Acredita que o universo é povoado por entidades espirituais (os guias), que entram em contato com os homens por meio de médiuns.


Faculdade de Umbanda - autorizada pelo MEC - forma os primeiros bacharéis

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Após quatro anos de estudo, os 35 primeiros bacharéis da Faculdade de Teologia Umbandista (FTU) estão prontos para a formatura. Localizada na zona sul de São Paulo, é primeira do tipo a ser credenciada e reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). Durante a graduação, os alunos cursaram Sociologia, Psicologia, Filosofia, Ciências Políticas, Matemática, Artes e Lógica.

Também estudaram anatomia, botânica, administração templária e sistemas filo-religiosos. "Estudamos a teologia da umbanda com um enfoque multidisciplinar, passando pela ciência e pela religião e resgatando a cultura popular. O umbandista é o mestiço brasileiro e a faculdade é a valorização dessa cultura", afirma o coordenador do curso, Roger Soares, médico especializado em didática de ensino.

No início da faculdade as pessoas perguntavam "Para que uma faculdade de umbanda? É o que mais costumávamos ouvir. Havia uma certa curiosidade e um pouco de desconfiança", diz Soares. A explicação fica mais fácil na prática. Primeiro, pelo perfil dos estudantes: brancos, negros e orientais distribuem-se pelo espaço. A mais nova, uma professora de 24 anos. O mais velho, um aposentado de 68 anos.

Há advogados, escritoras, psicólogos, secretárias, fisioterapeutas. Parte deles são antigos praticantes da religião, outros adeptos mais recentes. Apenas uma integrante da turma é também sacerdotisa (mãe de santo, na linguagem popular). No primeiro ano, chegou a haver um padre católico entre os estudantes - ele se inscreveu movido pela curiosidade, mas abandonou as aulas no ano seguinte.

Ao chegarem para as aulas - ministradas no período noturno, de segunda a sexta - passam pelo pátio principal e, antes de tomarem um café na lanchonete ou irem direto para as salas de aula, retiram os sapatos e fazem uma reverência em um dos dois templos do local. Um ritual para equilibrar as forças negativas e positivas representadas por entidades, que, segundo a religião, norteiam o mundo e devem manter-se em equilíbrio.

Com duração de quatro anos, o curso não é organizado apenas com apresentação de aulas teóricas. Os alunos também aprendem a preparar os rituais e conduzir as cerimônias tradicionais da umbanda, religião que mescla elementos africanos, indígenas, católicos e espíritas. Desse modo, manuseiam ervas e folhas secas, tradição de uso dos elementos da natureza provavelmente originada em conhecimentos indígenas. Acreditam na reencarnação e na comunicação com entidades transcendentais, assim como os espíritas. A influência africana aparece nas roupas usadas, nas músicas e na presença dos orixás.

No entanto, a proposta do curso não é formar pessoas para comandar templos umbandistas - apesar de os formandos terem capacidade para fazer isso. "Formamos bacharéis em teologia, que podem dar aulas na educação básica, como qualquer outro formado em teologia tradicional. Ele pode também ser pesquisador de religião, continuar seus estudos num curso de pós-graduação", esclarece Soares.

Ao menos nessa primeira turma de formandos, o interesse não é usar o diploma obtido no mercado de trabalho: todos os alunos já vivem de suas profissões ou exercem outras atividades. "Sou advogado e sou umbandista. Há muitos anos freqüento um terreiro em Guarulhos. Mas, só depois da faculdade, compreendi muita coisa da minha própria religião", resume Raimundo Santos de Rosa, de 54 anos.

Princípios Básicos

Sincretismo: é uma religião definida e nomeada há cerca de cem anos, fruto da mistura de crenças africanas, indígenas, católicas e espíritas. Não é dogmática e há diversas correntes no Brasil. Assim como outros cultos afro-brasileiros, manteve um sincretismo religioso de suas entidades com os santos do catolicismo. Por exemplo, Iansã pode ser também conhecida como Santa Bárbara. Iemanjá seria Nossa Senhora.

Orixás: nome popular mesmo entre quem não conhece a umbanda, os orixás são energias, forças da natureza que se manifestam no mundo e influenciam pessoas. Cada ser humano estaria ligada a um desses orixás, sendo seus filhos e manifestando características específicas deles. (Obs: Orixás são demônios disfarçados)

Culto: as cerimônias são feitas no templo, terreiro ou centro, outros nomes pelos quais podem ser conhecidos. Quem comanda o ritual é o sacerdote ou a sacerdotisa (pai ou mãe-de-santo). São pessoas mais experientes na religião e vistas como médiuns que comandam a espiritualidade dos outros praticantes durante a sessão. (Com informações do Estadão).

SITE OFICIAL : www.ftu.edu.br

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/
http://www.fimdostempos.net/

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