O herói japonês que viveu na selva por 28 anos para nunca se render

japoso1A Segunda Guerra já havia acabado nos campos de batalha, mas não ainda para o soldado japonês Shoichi Yokoi. Sem pensar em se render, ele viveu em uma selva na Ilha de Guam, no Oceano Pacífico, por 28 anos, até ser encontrado em 1972.Ao ser descoberto, ele se tornou imediatamente um herói nacional japonês ao relatar sua dramática história de sobrevivência e adesão ao código de nunca se render do ex-Exército Imperial.

Suas primeiras palavras, transmitidas ao vivo, foram: "É com muito constrangimento que eu retorno". A frase virou um ditado popular.

Façanhas

As façanhas de Yokoi na selva fascinaram o país. Os japoneses, no auge do “boom” industrial pós-guerra, ficaram intrigados como ele conseguiu sobreviver tanto tempo a base de nozes, vagens, sapos, caracóis e ratos e como ele teceu cascas de árvore por quase três décadas para fazer roupas e outros utensílios. Quando foi encontrado, o soldado usava um par de calças de estopa e uma camisa que ele disse ter feito da casca de uma árvore. Ele foi repatriado para o Japão um mês depois, onde começou a vida em um país e um mundo que mal conhecia. No mesmo ano em que retornou, deixou seu buraco solitário para se casar e morar em uma casa, na província de Aichi, com sua nova esposa Mihoko.

Solidão completa

Nascido em Saori, em 31 de março de 1915, Yokoi foi convocado para o exército em 1941 e enviado para o nordeste da China e, mais tarde, para Guam. O Japão ocupou a ilha durante a guerra e a maioria dos seus 22 mil soldados foram mortos quando tropas americanas recapturaram Guam, em 1944. Depois que a Guerra acabou, Yokoi temia os caçadores locais que poderiam matá-lo. Por conta disso, foi cada vez mais para as profundezas da floresta, onde fez um esconderijo subterrâneo. Enquanto esteve escondido, Yokoi sabia da existência de outros dois sobreviventes. Eles se encontravam na floresta, mas ambos morreram em 1964 em uma enchente, deixando Yokoi na mais completa solidão em seus últimos oito anos na floresta.

De acordo com sua biografia, este último período foi o mais difícil. Seu sobrinho, Omi Hatashin, que levou anos para juntar detalhes da história do tio, diz que ele nunca conseguiu se adaptar completamente à sociedade moderna japonesa e visitou Guam várias vezes depois. Em 1977 foi tema do documentário de sucesso “Yokoi and His Twenty-Eight Years of Secret Life on Guam” (Yakoi e Seus Vinte e Oito Anos de Vida Secreta em Guam).

Sua biografia e best-seller, “Private Yokoi's War and Life on Guam, 1944-1972”, foi publicada em inglês em 2009. Ele ainda concorreu a uma vaga no parlamento japonês, mas não foi eleito. Em sua vida pós floresta, o ex-soldado virou uma figura da televisão e realizava palestras pelo país. Yokoi morreu de ataque cardíaco aos 82 anos, em Nagoia, no dia 22 de setembro de 1997.

Envergonhado

"Estou envergonhado, mas penso que ainda serei de alguma utilidade ao povo. Perdemos a guerra porque não tínhamos armamentos suficientes. Tínhamos somente a vontade de vencer" Shoichi Yokoi

Yokoi foi combatente na Segunda Guerra Mundial. Recrutou-se no Exército Imperial do Japão em 1941, e seguiu com sua tropa naquele mesmo ano para uma missão militar nessa ilha logo após a sua ocupação pelo Japão. Em 1944, com a retomada da região pelas forças norte-americanas, cumpriu as severas ordens militares nipônicas: recusou-se a se render. Fugiu, então, para a selva com mais nove soldados japoneses que, diante da luta pela subsistência, morreram no isolamento.

Anêmico, com pouco mais de 40kg, o veterano demonstrou lucidez, embora tenha se surpreendido ao saber do fim do combate. Leal servidor do Imperador, Yokoi foi recebido como herói por mais de cinco mil pessoas no aeroporto de Tóquio, onde chorou e pediu desculpas pela derrota japonesa no conflito.

O choque cultural da readaptação

Shoichi retornou à vida social, casando-se, ainda em 1972, com Michiko Hatashin, 44 anos. Mas o ar poluído, a TV em cores, a ida do homem à lua, os ideias de liberdade, os entre outros aspectos da modernidade, mantiveram-no em um permanente estado de conflito cultural e emocional.Nas quase três décadas em que Yokoi viveu sua solitária exclusão da civilização, o nação japonesa passou por um intenso processo de industrialização e transformou-se, a partir das cinzas, numa superpotência mundial. Yokoi morreu em 1997.


Fonte: http://seuhistory.com/
          http://www.jblog.com.br/

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