Avalon - Parte 2

rei_arturDesenterrando a Corte de Arthur - Com a história de Arthur tão divulgada e tão persistente, era inevitável que os cientistas acabassem por procurar despistá-la dos adornos literários e chegar à verdade por detrás da lenda. Em 1965, foi constituída a Comissão de Investigação Camelot, e após cinco anos de escavações em Somerset, os arqueólogos da comissão identificaram as ruínas do Castelo de Cadbury, perto de Glastonbuy, como sendo Camelot. O lugar, no topo de uma colina, fortificado nos tempos pré-romanos, fora escolhido indubitavelmente pela sua posição, que permitia dominar a planície que se estende até o canal de Bristol.

O entulho incrustado numa muralha acima do forte original indica que o Castelo de Cadbury continuo a ser utilizado durante os séculos de ocupação romana. Mas a descoberta mais excitante para os investigadores da Comissão Camelot foram objetos de cerâmica que sugeriam que o local fora usado por um chefe bretão por volta do ano 500 - depois da retirada dos romanos e antes da conquista saxônica.

 

O seu quartel-general seria uma sala de 18 x 9m, construída em madeira e, provavelmente, com telhado de colmo. Se o chefe não foi o heróico Arthur da lenda e da literatura, era pelo menos um bretão que lutou pela preservação da civilização romana contra a investida dos invasores bárbaros. As descobertas da Comissão de Investigação Camelot não foram aceitas pela investigadora americana Norma Lorre Goodrich, que sugeriu que o rei Arthur não governara na Inglaterra, mas mais para o norte, na Escócia. Suas investigação exaustivas apontam para Stiriling, a noroeste de Edinburgh, e não para o Castelo de Cadbury, como local de Camelot.

Quanto ao tão falado cavalheirismo de Arthur, este reinou numa época de lutas selvagens em defesa da integridade territorial e da independência política. O Código de Honra da Cavalaria ainda pertencia ao futuro, à épocas mais pacíficas em que historiadores como Godofredo de Monmouth e Sir Thomas Malory puderam avaliar os tempo calmos em que viveram e impor os seus padrões e os seus valores a um passado que inventaram. Apesar disso, quem vive é o Arthur que eles criaram, não o guerreiro obscuro de uma era tumultuada. O seu reinado glorioso e inesquecível, nas palavras de um comentarista, foi "um breve período luminoso colocado como uma estrela na Idade das Trevas".
À Procura do Santo Graal

No centro da lenda do rei Arthur, situa-se a história da procura do Santo Graal, o cálice em que Jesus bebeu na Última Ceia e que se supunha possuir poderes milagrosos de cura e regeneração. O cálice, juntamente com a lança com que o soldado romano trespassou o lado do corpo de Jesus crucificado, foi entregue a José de Arimatéia, cujos descendentes o levaram para a Inglaterra. Segundo a lenda, um dos guardiões das santas relíquias esqueceu-se de tal forma da sua sagrada missão que olhou com luxúria para uma peregrina - o que fez com que a lança lhe caísse em cima, provocando uma ferida que não sarou. O Santo Graal desapareceu nesta época.

Merlin enviou uma mensagem a Camelot, dizendo ao rei Arthur que iniciasse a busca do cálice perdido. O cavaleiro destinado a encontrá-lo, sugeria o mago, apareceria em breve. Arthur e seus cavaleiros encontravam-se reunidos à volta da Távola Redonda, na vigília de Pentecostes, quando um trovão e um relâmpago precederam uma visão do Santo Graal, que surgiu coberto com um rico pano branco, flutuando através da sala. Pouco depois, um velho propôs um candidato para o último lugar vago na Távola Redonda. Esse jovem cavaleiro era Sir Galahad, filho de Sir Lancelot.

Durante a sua procura do Santo Graal, os cavaleiros da Távola Redonda tiveram inúmeras aventuras e foram freqüentemente desafiados a fazer sacrifícios que excediam as suas capacidades. Lancelot, contudo, viria a ser excluído da busca por não poder afastar a sua paixão proibida pela rainha Guinevere. A Sir Galahad, como Merlin previra, coube a recompensa de descobrir o Santo Graal e ministrar com ele o santíssimo sacramento. Ajoelhando diante dele, o jovem cavaleiro compreendeu que a missão de sua vida fora cumprida. Enquanto a sua alma era levada ao "outro mundo", o seu corpo morto jazia perante o altar. Exatamente dois anos depois, os cavaleiros regressavam a Camelot para contar ao rei a história da sua aventuresca procura.

Em outra versão da história é Sir Percival que termina a busca. Encontra o vaso sagrado no Castelo de Monsalvat, nos Pirineus Espanhóis, à guarda de Amfortas com a lança da crucificação, e o rei jaz moribundo, recusando-se a receber a sagrada comunhão devido aos seus pecados imperdoáveis. Só quando Percival cura a ferida com um toque da lança, o Santo Graal é revelado sobre o altar.

excaliburExcalibur - A lendária Excalibur, a espada do Rei Artur, dita que poderia cortar aço e dotada de poderes místicos. Em galês, é conhecida como "Caledfwlch". Segundo o poema Merlin, de Robert de Boron, a Excalibur é a espada da lenda da Espada na Pedra, na qual uma misteriosa espada apareceu transpassada em uma pedra e apenas o rei de toda "Britannia" por direito, poderia retirá-la. Já no épico "Suite du Merlin", Excalibur foi entregue ao Rei Artur pela Dama do Lago, quando sua espada original foi destruída em uma batalha contra o Rei Pellinore. A Espada do Rei - Quinze anos depois do nascimento de Arthur (que era filho da união ilegítima entre Pendragón e Igraine, então esposa do Duque de Tintagel), o rei Uther morreu sem ter dado ao reino um herdeiro, e os feudais começaram uma disputa entre si para a obtenção do Trono. Merlin, então, solicitou ao bispo que interviesse junto aos feudais para uma trégua e para a convocação de um torneio nas proximidades do Templo. Todos concordaram e, ao chegar ao local, depararam-se com uma pedra branca que continha uma placa de metal, da qual sobressaía uma fascinante Espada. Ao pé, uma inscrição dizia que aquele que pudesse retirar a Espada seria o próximo rei da Grã-Bretanha. Todos os nobres tentaram, mas sem êxito, e assim foram preparar-se para o torneio.

Arthur, que era um adolescente, havia concorrido com Kay e Sir Hector. Kay esqueceu sua espada na tenda. Arthur foi buscar a espada para Kay e não a encontrou. No regresso, viu a Espada encravada na pedra e sem ler a inscrição, retirou-a e a levou para Kay.
Sir Hector, conhecendo a procedência de Arthur, ordenou que a Espada fosse colocada de novo na pedra e pediu a Kay que a retirasse. Ele não conseguiu. Em seguida, fez o mesmo pedido a Arthur, que voltou a retirá-la sem nenhum esforço. Assim, Sir Hector comunicou que Arthur era o filho legítimo do rei Uther e em consequência seu sucessor e, junto à Kay, ajoelhou-se e jurou ser seu leal vassalo.

Os senhores feudais tinham dúvidas. Alguns aceitaram, outros não. Arthur, confuso, pediu conselhos a Merlin, e este respondeu-lhe que já era um rei, mas para sê-lo realmente, deveria ganhar a confiança de seu povo por meio de suas próprias ações.
Com a ajuda do mago, Arthur conseguiu reunir todos os condados em um só reino, e durante uma das campanhas, conheceu a mulher que iria assumir um relevante papel no desenlace do relato: Guinevere.

A lâmina de metal que surgiu da Espada indica o material, enquanto a Espada indica o espiritual, atuando sobre a matéria. A matéria é o próprio indivíduo - Arthur - que recebe o Verbo como precioso dom, pois é puro (a pedra branca). A submissão de Sir Hector e de Kay representam a nobreza e o amor que acompanham toda a evolução espiritual. As posições antagônicas dos senhores indicam o conflito interno de Arthur: ser ou não ser. O conflito entre o ser pagão e o ser cristão. Por isso, Merlin o aconselhou colocar-se à prova; e já tinha sua arma: a Palavra de Deus, que de seu bom emprego dependeria seu sucesso, o exercício real do seu cargo.

As dúvidas de Arthur quanto a colocar-se à prova significa o conflito do homem consigo mesmo, tratando de sublimar os aspectos materiais, coisa que só fica estabelecida no momento da tomada de decisões. O homem só seria rei se conseguisse ultrapassar seu ego, seus instintos e paixões. Por isso, Arthur, como todo cavaleiro, iniciou uma peregrinação, tratando de alcançar suas metas.

Um reino sem rei é a representação do mundo sumido nas névoas e o caos por causa da ausência de um soberano que livre os homens das lutas fratricidas, próprias de uma humanidade sumida no dualismo. Mas é também a expressão da própria guerra interior do homem, governando, quase sempre, por forças desatadas, paixões e desejos do ego inferior da qual precisam de um guia para chegar a seu verdadeiro destino.

O Rei Pellinore e a Espada Excalibur

Arthur estabeleceu residência no castelo de Caerleon, perto de Tintagel. Um dia, foi comunicado que o rei Pellinore instalara uma tenda em suas terras, disputando-lhe assim a Soberania. O rei Arthur enviou sir Griflet, um jovem Cavaleiro que foi vencido e, por isso, partiu com Merlin para enfrentar seu oponente. Depois de uma árdua luta, o Cavaleiro oponente rompeu a Espada de Arthur, fazendo-o cair.

Quando se preparava para o golpe fatal, Merlin, com sua varinha mágica, fez cair seu rival em um sono profundo e levou Arthur a buscar outra espada. Depois de atravessar um bosque, chegaram a um Lago, de onde emergia um braço, cuja mão segurava uma reluzente Espada. De imediato, uma fada que apareceu caminhando sobre as águas indicou a Arthur que subisse em uma embarcação e retirasse a Espada.

Arthur obedeceu e quando chegou junto a ela a tomou suavemente com suas mãos, enquanto o braço que a segurava ia desaparecendo abaixo. Merlim explicou que a fada era Nimue, a Dama do Lago, e que a Espada que lhe foi entregue era Excalibur, fabricada em Avalon. O nome do castelo de Arthur, "Caerlon", significa "Leão Celta", de "Gaer", "celta escocês", e "Leon", "leão".

Sir Griflet seria "O grifo que voa", de "Griffin", "grifo", e "to flay", "voar". O Grifo é um animal mitológico, fabuloso, cuja versão tradicional mostra-o com sua parte dianteira de Águia e sua parte traseira de Leão, e ambos são animais solares que lhe outorgam um simbolismo espiritual benéfico. Nas tradições, aparece como guardião dos caminhos da salvação. Psicologicamente, marca a relação da psique com a energia cósmica. Sendo o Leão um símbolo solar e o Sol símbolo do Filho do Deus do Céu, Arthur, cujo castelo o individualiza como o "Leão Celta", representaria o Herói solar da tradição céltica. Sir Griflet, o "Grifo alado", "Guardião do caminho de salvação", é o Guardião do caminho que conduz a Cameliard, o "Leão Celta". Representa a parte solar de Arthur, seu Espírito, sua consciência que é vencida por seu aspecto negativo.

Mas mesmo assim segue lutando e quando sua Espada se rompe, quer dizer, quando suas convicções estão a ponto de desmoronar-se, surge Merlin com sua magia, surgem os elementos arquetípicos de seu inconsciente, que lhe fazem reagir e adormecem ou purificam seu aspecto negativo. Por isso, seu oponente chama-se Pellinore, nome que possivelmente se pode descompor em "Pellinore", de "Pelli", "pele", "No", "não" e "Re", "Rei", do latim antigo "Rex", que poderia significar "A pele do Não-Rei".

Os que se revestiam de peles de outros seres - magos, guerreiros, sacerdotes - faziam para apropriar-se dos poderes do ser cuja pele usavam ou também para representá-lo. Assim, Pellinore era aquele que se revestia da Pele do Não-Rei, ou seja, dos aspectos negativos deste. Esses pares de opostos nos levam à noção do bom e positivo e do mau e negativo, que de uma forma simples seria Pellinore o lado "mau", "negativo" de Arthur. Mas ao sobrepor-se ao seu lado "mau", Arthur é recompensado.

As potências celestiais o consideraram digno de ser seu representante e fazem a entrega de Excalibur, a Espada que surge das "águas superiores" ao mundo do manifestado, cujo nome parece significar "O poder dos lígures", habitantes primitivos do Ocidente, que se pensa descendiam dos atlantes e cujo Deus era "Lugh", a Luz e o Sol. O recebimento dessa segunda Espada concederia a Arthur o Poder da Luz ou Poder dos Deuses, e assim outra Iniciação. Desse momento em diante, seria o Rei e Sumo Sacerdote, e estaria em plenas condições de assumir o "Regnum". A Espada, assimilada ao Raio, a Coroa e ao Trono, e Merlin, assimilado por uma águia, fazem de Arthur um símil de Júpiter, o Deus romano da Justiça, da ordem construtiva e da vontade.

O tumulo de arthur

Avalon, chamada de Avilion por Malory, surgiu pela primeira vez na história de Arthur através de Godofredo de Monmouth. Godofredo juntou uma miscelânea de tradições com relação à sobrevivência de Arthur e ao lugar de refúgio: tanto para britânicos, bretões ou gauleses, o lugar é sempre um paraíso cercado de água, localizado na região costeira, que se chamava Avalon. E disse: "O renomado rei Arthur, gravemente ferido, foi levado para a ilha de Avalon, para a cura de suas feridas, onde entregou a coroa da Bretanha a seu parente Constantino, filho de Cador, duque da Cornualha, no ano de 542 do Nosso Senhor". Mais tarde, no livro Life of Merlyn, Godofredo descreve o lugar como uma ilha fantástica, habitado por nove damas, uma das quais a sua irmã, Morgana.

Grande é a associação de Glastonbury com Avalon. A grande abadia de Glastonbury foi fundada no século V. A seu lado havia uma pequena igreja, muito antiga, de paredes de taipa, que se dizia ser o primeiro santuário construído na Bretanha, e, assim, associado a José de Arimatéia, que teria trazido o Santo Graal para a Bretanha. Em 1184, um incêndio destruiu a pequena igreja, bem como a maioria dos prédios da abadia. Um programa de reconstrução foi então iniciado por Henrique II, mas, como demandava somas intensas, era necessária alguma coisa para atrair peregrinos com suas bolsas. Giraldus Cambrensis, um gaulês de ascendência parcialmente normanda, produziu então, entre 1193 e 1199, uma obra intitulada De Principis Instructione, na qual registra que Arthur teria sido um benfeitor da abadia e que teria sido na verdade enterrado nela, já que seu corpo fora encontrado em 1190.

Jazia entre duas pirâmides de pedra que marcavam os locais de outros túmulos, a 5 metros de profundidade, envolvido em um tronco de árvore oco. Do lado de baixo do tronco que servia de caixão, havia uma pedra e abaixo dela uma cruz de chumbo na qual estavam gravadas as seguintes palavras em latim: "Aqui jaz enterrado o renomado rei Arthur com Guinevere, sua segunda esposa, na ilha de Avalon". Dois terços do caixão eram ocupados por um homem de tamanho incomum e o restante por ossos de uma mulher, juntamente com uma trança de cabelos loiros que virou pó ao ser tocada por um monge... ,

Godofredo de Monmouth dissera que Arthur fora levado embora, mortalmente ferido, para a ilha de Avalon. A partir do momento que os ossos de Arthur teria sido encontrados em Glastonbury, junto com a cruz funerária que dizia que ele teria sido enterrado em Avalon, Glastonbury tornou-se então Avalon.

Guilherme de Malmesbury, em sua Gesta Regum Anglorum (Gesta do Rei dos Anglos), de 1125, apenas menciona o fato de os britânicos chamarem Glastonbury de Inis Witrin, a Ilha de Vidro. Caradoc de Lancafarn, em sua Life of Gildas, de 1136, repetiu que os britânicos a chamavam de Ynis Gutrin, Ilha de Vidro. Giraldus Cambrensis e Ralph, abade de Coggeshall, em sua Chronicon Anglicanum (Crônica Anglicana), foram os dois primeiros escritores a dizer que Glastonbury era Avalon.

A Transformação de Arthur


Em 1155, um clérigo anglo-normando conhecido como Wace traduziu a narrativa de Godofredo para o francês, fazendo dela um romance no qual Arthur lidera a sua corte no papel de herói da cavalaria. Pelo final do século, o monge anglo-saxão Layamon transformou o Arthur de Godofredo num guerreiro feroz e numa figura de pai ríspido. Estes dois escritores mencionam a Távola Redonda, mas foi provavelmente o poeta francês Chrétien de Troyes quem, entre 1160 e 1180, fez de Arthur um paradigma da galantaria e da etiqueta e um modelo do cavalheirismo e do amor cortês.

No princípio do século seguinte, apareceram duas narrativas épicas germânicas baseadas na lenda de Arthur: o Parcifal, de Wolfram von Eschenbach, e o Tristão, de Gottfried von Strassburg. Foi uma obra póstuma do século XV, de Sir Thomas Malory, a responsável pela transformação final de Arthur numa figura literária duradoura. Malory condensou, adaptou e reorganizou as versões anteriores numa narrativa mais ou menos coerente em que introduziu todas as principais figuras e acontecimentos determinantes associados à história da Arthur.

Desde a sua publicação em 1485, La Mort d'Arthur, de Malory, tem sido muito lido e servido de fonte para outras obras de poetas como Edmund Spenser em The Faerie Queene (1590-96) ou Alfred, Lord Tennyson, em Idylls of the King (1859-85). Uma versão do século XX, The Once and Future King, de T. H. White, serviu de base à peça musical Camelot, produzida no teatro e no cinema.

A tavola redonda

Mesa Redonda e o Reinado em Camelot

Arthur fixou residência em Camelot e ali esperou Guinevere, que veio acompanhada por 100 Cavaleiros da Irmandade da qual trouxeram consigo a Mesa Redonda. O rei casou-se com Guinevere, e ela também recebeu o juramento dos Cavaleiros. Enquanto Merlin narrava a história de cada um, nos respaldes das cadeiras apareciam os nomes correspondentes em letras de ouro. Mas as cadeiras situadas à direita e à esquerda do rei ficaram vazias. Merlin informou que a cadeira da esquerda seria preenchida em breve, enquanto a da direita, não seria ocupada por anos.

Em Camelot, os 250 integrantes da Irmandade ficaram reduzidos a 100. Este número significa o quadrado da medida sagrada terrestre e é o que corresponde a uma Cavalaria Terrenal, que abarca toda a Terra, conceito que faz de Arthur o rei do Mundo. Esse critério confirma as cifras do número 100 (l + 0 + 0 = 1), e a couraça dourada do rei, que o identificava com a Luz e com a suprema iluminação.

Outras versões dizem que o número de Cavaleiros era 25 ou 13, dentre os quais estaria o próprio Arthur. O antecedente que se conhece é uma Mesa circular de carvalho, de 19 pés (5,8 metros) de diâmetro por 60 pés (18,3 metros) de circunferência, que se encontra no Grande Salão de Manchester, cidade ao Sul de Gales, próxima à Camelot.
No centro, existe uma Rosa branca de cinco pétalas, rodeada de outra Rosa similar de cor vermelha, e na volta existe uma inscrição em letra gótica, que diz: "Esta é a Mesa Redonda do rei Arthur e de seus XXIV valentes Cavaleiros". Da parte superior da Rosa, levanta-se um trono baixo, em cujo dossel está sentado um rei que segura em suas mãos os símbolos de seu poder: uma Espada na direita e um globo do Mundo coroado por uma Cruz de Malta na esquerda. Nos lados existe uma inscrição: "Rei Arthur". Ao redor do trono, partindo do centro, têm 24 divisões, 24 setores, cada um dos quais leva o nome de um Cavaleiro.

A Mesa - ou a Távola - existia em 1522, quando por ordem do rei Henrique VIII suas divisões foram pintadas com as cores da Casa Real Tudor: branco e celeste. Se temos em conta o espaço ocupado pelo trono, a Távola fica dividida em 26 partes, número cabalístico que corresponde ao nome de Deus: "IHVH". Corresponde também ao arcanjo do "Prodígio", que pode representar a ação do tempo como justiça e poder de manifestação. Indicaria, assim, um Reinado de Justiça conforme a ordem universal, cujo rei, Arthur, seria assistido por 24 Cavaleiros.

Mas como a seqüência das cores brancas e celestes significam aspectos ativos e passivos que se alternam, ficam definidas perfeitamente as 12 características universais do Homem Zodiacal e o perfeito equilíbrio cósmico representado pelas horas do dia e da noite, transformando os 24 Cavaleiros nas 12 características do Homem Zodiacal ou Homem Universal. ,

O número 12 no Tarô corresponde ao apostolado que implica abnegação, sacrifício, altruísmo, desejo de servir, devoção. Geometricamente, corresponde ao polígono que se identificava com a circunferência, representativa do Todo e da Eternidade.
Arthur, o número 13, representaria Jesus, cujos Cavaleiros eram os 12 Apóstolos. O valor cabalístico de seu nome - Arthur - o confirma: é o número 13.

Se considerarmos ainda que 12 multiplicado por 5, número que representa o homem perfeito, dá 60, que é a longitude da circunferência da Távola, e que este número representa a Evolução, "como o despertar sucessivo da consciência", e que 190, o número que indica o diâmetro da Távola, é o que corresponde ao Sol, podemos assim concluir que a Távola Redonda do Castelo de Winchester estabelece perfeitamente as características do Reinado de Arthur, concordando com as tradições celtas e cristãs.

O Reino Terrenal de Arthur e seus Cavaleiros da Mesa Redonda, inspirado no Reino Celestial da Harmonia Cósmica, seria o Modelo oferecido aos homens para que, inspirados nele, acedessem ao caminho de sua própria perfeição.

A Távola Redonda - A Imagem do Mundo

A primeira vez em que se reuniu a Irmandade da Távola Redonda foi no dia do matrimônio de Arthur e Guinevere, e assim começou o maior ideal da cavalaria.
As lendas contam que numa primavera, enquanto todos estavam sentados, entrou um cervo branco perseguido por um cachorro branco e, junto, cinqüenta casais de cachorros de caça negros.Enquanto corriam em torno da mesa, o cachorro branco mordeu o cervo, que, dando um salto, derrubou um Cavaleiro que estava sentado a seu lado. Esse homem pegou o cachorro e saiu correndo, e nesse instante entrou uma dama cavalgando pela sala, e exigiu que o trouxessem de volta, pois aquele cachorro era de sua propriedade. Antes que alguém pudesse responder, um Cavaleiro com suas armas entrou a cavalo e expulsou a dama com violência.

Esses acontecimentos foram presenciados com um misto de prazer e medo. Mas Merlin, nesse momento, aproximou-se e declarou que a Irmandade "não podia abandonar com tanta rapidez suas aventuras". Desse modo, Arthur enviou seus dois novos Cavaleiros, Sir Gauvaim e Sir Thor, na perseguição do cervo branco e do cachorro, respectivamente, e Sir Pellinore em perseguição da dama que havia sido raptada.Esse incidente provocou várias aventuras que foram narradas sempre de maneira similar, ou seja, com a entrada de um Cavaleiro ou de uma dama na corte, solicitando auxílio ou algum favor do rei Arthur e da Irmandade.

Eles não podiam negar, desde que a petição fosse justa. Mas a partir desse episódio a Irmandade pronunciou um juramento: "Nunca cometer Ultraje ou assassinato; fugir sempre das traições; não ser de forma alguma cruel, mas conceder clemência àquele que a solicite; estar sempre ao lado do seu rei Arthur; auxiliar sempre as damas e senhoras. Que nenhum homem inicie uma batalha por motivos injustos ou por bens terrenos".
Todos os Cavaleiros da Távola Redonda prestaram esse juramento, e a cada ano era renovado na festividade de Pentecostes.

As regras, apesar de serem simples, dependiam dos ideais da cavalaria que muitas vezes acreditava não ser necessário colocá-los em palavras. Nem todos os Cavaleiros cumpriram essas exigências impostas por seu rei, mas sempre souberam manter a honra à Távola Redonda e à sua existência.

O rei Arthur criou um costume de que seus Cavaleiros sempre contassem alguma aventura no início de algum banquete, e dessa forma, criou-se uma pauta de comportamento. Todos os Cavaleiros "andantes" marchavam em busca de aventuras. A maior parte das aventuras da Irmandade da Távola Redonda ocorreu nas densas florestas.

Os bosques simbolizavam um mundo não civilizado, mas também representavam um estado mental, um lugar que se procuraria alcançar. Os bosques também formavam parte do "outro mundo", uma vasta extensão inexplorada situada nas fronteiras entre o mundo da Terra Média e os domínios do País das Fadas. Eram lugares impregnados de encantamentos e somente àqueles que fossem resolutos era permitido encontrar aquilo que se haviam dispostos a buscar. De suas profundezas surgiam fadas encantadoras que seduziam os Cavaleiros errantes, mesclando, dessa forma, a linhagem do "outro mundo" com a da Irmandade.Nem todas essas mulheres encontradas nos bosques eram gentis de aparência e de palavra.

Ragnall, um dos muitos arquétipos da Deusa da Terra que lhe outorga a soberania, tomou a forma de uma dama de aparência monstruosa, que com suas artimanhas conseguiu que o próprio rei Arthur prometesse lhe dar Sir Gauwain como marido. Posteriormente, ela recobrou sua verdadeira beleza graças ao amor e à compreensão de Gauwain. Todas essas aventuras eram relatadas ao rei Arthur por sua Ordem de Cavalaria, mas a Távola Redonda representava muito mais que um lugar de reunião para a Irmandade.

A Távola Redonda do rei Arthur estava feita à imagem das duas mesas anteriores. A primeira, em que utilizaram Jesus Cristo e seus apóstolos para celebrar a Última Ceia, que foi copiada pelos reis do Graal por considerá-la um lugar adequado para que nela fosse repousado o Santo Cálice, da qual eram guardiões. Por último, Merlin construiu a terceira, na qual se reuniria a Irmandade até que aparecesse o Graal.

Segundo algumas lendas, nos reinos celestiais se reunia um conselho de poderosos seres encarregados da execução dos desígnios divinos para a Criação. Eles também se sentavam em uma mesa redonda, e quando Merlin "trouxe" Stonehenge da Irlanda, traçou este círculo conforme a imagem da Távola Estrelada.

Dessa forma, Merlin construiu esse templo circular sobre a Távola da Terra, criando uma relação entre os domínios estelares, a monarquia terrenal de Arthur, a qualidade sagrada da Terra com as mensagens e mistérios do Graal e a Irmandade da Távola Redonda que estava destinada a ir em busca do vaso sagrado

 

Os cavaleiros

O Código de Honra da Cavalaria

Reprodução em português do pergaminho original contendo as sete colunas da conduta e do proceder dos Cavaleiros da Távola Redonda:
1 - Buscar a perfeição humana
2 - Retidão nas ações
3 - Respeito aos semelhantes
4 - Amor pelos familiares
5 - Piedade com os enfermos
6 - Doçura com as crianças e mulheres
7 - Ser justo e valente na guerra e leal na paz
No juramento solene, o Sagrado Cavaleiro declarava-se fiel cumpridor do Código de Honra da Cavalaria. Abençoados sejam!


Os Cavaleiros e suas Lendas
Dentre os inúmeros cavaleiros do rei Arthur, ou relacionados a ele, os que tiveram um destaque significativo nos mitos arturianos são:

Yvain

"Yvain" é um conto de Chrétien de Troyes, baseado no conto galês "The Lady of the Fountain" (A Dama da Fonte). Yvain sai da corte de Arthur para uma aventura na floresta de Brocelinde, onde quem entrasse em certa clareira e quebrasse com um golpe um bloco de esmeralda ali pendurado criaria uma tempestade, quando então viria um cavaleiro para desafiá-lo. Yvain mata o cavaleiro e conquista a sua viúva. Quando estão para se casar, Arthur chega para saber como a aventura havia transcorrido.

Bedivere e Lucan

Sir Lucan e Sir Bedivere foram uns dos poucos cavaleiros de Arthur que sobreviveram à Batalha de Camelann. Quando caiu a noite no campo de batalha, Lucan diz que é melhor levar o rei para alguma cidade. "Eu gostaria que fosse assim, disse o rei, mas não posso ficar de pé, e minha cabeça não pode se mover".

Então eles começam a carregar o rei, mas na tentativa, Sir Lucan cai morto. Arthur, sozinho com Bedivere, encarrega-o de levar a sua espada, Excalibur, para além da margem do rio e, assim ao voltar, contasse o que tinha visto. Bedivere toma a espada e dirige-se para a água, mas no caminho observa aquela nobre espada e vê que o botão do punho e o cabo eram de pedras preciosas, e sente que não pode sacrificá-la.

Por duas vezes tenta atirá-la, mas não consegue, e Arthur percebe a desobediência de Bedivere quando ele conta que viu apenas ondas inquietas e águas tristes. Ordenado de novo a jogar a espada no rio, Bedivere atende às ordens, lançando a espada o mais longe possível, veio um braço e por cima da água uma mão alcançou a espada e a pegou.
Assim, sacudiu a espada por três vezes, brandiu-a e então mão e espada desapareceram. Depois de ter cumprido a tarefa, Bedivere leva o rei nas costas até a beira da água, lá uma barca aporta com muitas senhoras, dentre elas a rainha, Morgana, o rei é colocado na barca e parte para Avalon.

Sir Lancelot do Lago - O Herói Armagurado
O personagem Lancelot, como membro especial da confraria de Arthur, já era bem conhecido no século XII, Loomis constatou que havia vestígios de sua origem no guerreiro galês Lluch Llauynnauc e na divindade irlandesa Lugh Lamhfada. No entanto é atribuída ao escritor suíço Ulrich Von Zatzikhoven, na última década do século XII, a origem do nome Lancelot do Lago, retirado da tradução de um romance anglo-saxão extraviado.

Lancelot era filho do rei Ban de Benoic, distrito da Britânia. Com a morte do pai, Lancelot foi levado pela Dama do Lago para seu palácio. Quando Lancelot completa quinze anos, sua mãe adotiva o equipa e manda-o para a corte de Arthur. Ele luta em favor de Guinevere, mas não há nenhum adultério entre eles.

Lancelot tem namoros casuais e por fim, casa-se com uma esposa amável e fiel. O primeiro a escrever sobre Lancelot ser amante de Guinevere foi Chrétien de Troyes, que dizia que a história estava sendo ditada pela condessa de Champanhe. No início da história, Meleagant, um cavaleiro infiel, prende muito dos súditos de Arthur em Goirre, terra rodeada de água. Por fim, Meleagant captura Guinevere.

Lancelot luta por sua rainha e no final, em um combate solitário, consegue a libertação dela e de todos os outros reféns. A história se parece com a que é contada por Caradoc de Lancafarn em "Life of Saint Gildas", trabalho escrito antes de 1130, que relata que Guinevere teria sido capturada por Melvas e levada para a Ilha de Vidro. Arthur com um grande exército recrutado em Devon e na Cornualha sitia Melvas e salva Guinevere.

Na versão de Chrétien, ele trocou Arthur por Lancelot. Arthur é apresentado como um homem de boa índole, benevolente, mas ineficaz, o que reduz drasticamente o seu poder. Isto se deve ao fato que a corte de Champanhe, onde Chrétien escreveu sua história, não estava interessada em atos heróicos contra bárbaros na Inglaterra, mas sim na vida que estava na moda, na qual o rei Arthur necessariamente fazia o papel de marido traído.

A traição de Lancelot e Guinevere é permissível, sem arrependimento entre os dois, é somente em "Lancelot", do Ciclo Popular ou Ciclo Bretão, que Guinevere exclama: "Teria sido melhor para mim se eu nunca tivesse nascido". Foi aí, com Malory, que Lancelot foi chamado de o primeiro herói do romance moderno.

Lancelot é um homem de grandes virtudes pessoais e profissionais, sem forças para resistir a uma paixão que por um longo tempo acredita ser mais ou menos incorreta e que, por fim, aceita ser complemente errada. Ele tem inimigos, alguns têm ciúmes, outros ficam indignados com a sua ligação com a rainha e é isso que acabará levando à guerra civil. Mas muitos o amam, não somente Guinevere o ama, mas Arthur o ama também; não somente a donzela de Astolat, mas o irmão dela, Lavaine.

Os cavaleiros devotados a ele sentem uma admiração e uma forte afeição pessoal. Apesar de não poder ver o Graal por causa do adultério, Lancelot apresenta grande caráter moral tanto no episódio com Sir Urre quanto no da Donzela de Astolat. Lancelot vai competir em um torneio disfarçado, assim, para desviar as suspeitas, aceita uma prenda de Elaine. Vitorioso, mas ferido, é levado por Lavaine para um eremitério para ser curado. Gawain, sabendo da verdadeira identidade do cavaleiro, o revela para Elaine, que cuidava dia e noite dele.

Bors vai ao encontro de Lancelot, ansioso e constrangido por tê-lo ferido, e pergunta: "Mas é Elaine que está interessada em você?". "É ela. Não posso afastá-la de mim" - diz Lancelot. "E por que deveria afastá-la? É uma bela donzela, de boa aparência e bem instruída, e vejo, pelos cuidados dela para com você, que ela o ama muito". A resposta de Lancelot é agourenta: "Isso me deixa arrependido". Quando está curado e pronto para partir, Elaine o pede por marido e ele diz que prometera nunca se casar. Ela então pede para ser sua amante, ao que ele fica horrorizado e diz que nunca poderia fazer tal maldade com quem o tinha tratado tão bem. Ela diz então que nada resta senão morrer de amor.
Para evitar isso, Lancelot promete a ela um dote de mil libras por ano e qualquer cavaleiro, que ela escolha para se casar. Ele recusa todas as propostas, pois o que quer é ser somente sua esposa ou sua amante. "Bela donzela, por essas duas coisas tens de me perdoar" - respondeu Lancelot. Assim ela gritou e desmaiou.

Durante nove dias, Elaine não comeu, bebeu ou dormiu. No décimo dia ela morreu. A carta que pedira para escrever para Lancelot estava em suas mãos e ela foi colocada em uma barca recoberta de tecido negro que desce até Winchester. Na carta estava escrito: "Nobre cavaleiro, Sir Lancelot, agora é com morte que eu disputo o teu amor. Os homens me chamavam de Bela Donzela de Astolat, mas eu te amava, e por esta razão a todas as damas faço meu lamento. Rezem por minha alma e por fim me enterrem. Este é meu último pedido. E tomo Deus por testemunha de que como donzela casta morri. Sir Lancelot, reza por minha alma, pois tu és sem igual." ,

Mas o romance entre Lancelot e Guinevere não poderia ficar para sempre ignorado. Modred e seu irmão Agravaine passam a vigiá-lo e por fim encontram Lancelot desarmado na cama da rainha. Lancelot mata o primeiro do bando que o ataca e foge. A rainha é condenada à fogueira. É fora dos muros de Carlisle que Lancelot salva a rainha, já despida, só de camisola, prestes a ser levada para o poste. Corpo a corpo ele vai abrindo caminho e, sem saber, mata Sir Gaheris e Sir Gareth, irmãos do vingativo Sir Gawain. ,

Ele leva a rainha para seu castelo de Joyous Garde, para onde partem Arthur e Gawain em seu encalço. A disputa é resolvida por um combate entre Gawain e Lancelot, com vitória de Lancelot. Neste meio tempo, Modred havia raptado a rainha e planejava casar-se com ela e tornarse rei. Arthur parte então para lutar contra Modred, morrendo os dois no confronto. Guinevere, arrependida, entra para um convento e Lancelot também entra para uma ordem, onde, depois da morte de Guinevere, definha aos poucos até morrer.

Sir Gawain - O Cavaleiro Vingativo

Sir Gawain é muitas vezes descrito como sendo sobrinho de Arthur, filho de Morgause e irmão de Sir Gaheris e Sir Gareth. Possuia um comportamento muito irritadiço, como pode-se constatar em Layamon, que, quando Arthur descobre a traição de Modred e Guinevere, Gawain declara que vai enforcar Modred com suas próprias mãos e que Guinevere deve ser despedaçada por cavalos selvagens.

Outra passagem, descrita por Malory, onde se pode visualizar o caráter vingativo de Gawain é mostrado quando do cerco ao castelo de Lancelot. Lancelot, que durante a fuga com a rainha mata Gaheris e Gareth, afirma que a acusação de traição contra ele é falsa e que o julgamento por combate havia mostrado que ele estava certo. Arthur poderia até perdoá-lo, mas Gawain não deixa que isso ocorra. O clímax da história é a luta entre Gawain e Lancelot.

A luta é interessante, pois mostra vestígios de uma história muito antiga. Gawain tem uma peculiaridade que lhe permite ganhar força física no período que vai das nove da manhã até ao meio-dia. Malory diz que isso era um presente de um homem santo, mas é claro que, Gawain era um adorador do Deus-Sol.

A despeito desta vantagem, Lancelot simplesmente resiste nas horas de força de Gawain e, quando elas declinam, lança-o a terra. Por duas vezes essa luta sobrenatural acontece e a cada vez que Gawain é jogado no chão, chama Lancelot para continuar a luta. Lancelot responde que quer lutar com ele de novo, mas só quando estiver de pé.

O conto mais famoso de Sir Gawain, no entanto, é intitulado "Sir Gawain and the Green Knight", escrito por volta do ano 1400. No dia do Ano-Novo, quando o rei, a rainha e a corte estão reunidos para um jantar, um cavaleiro de tamanho incomum entra no casarão com seu cavalo. Pede que algum cavaleiro ali presente lhe dê um golpe no pescoço com o machado que ele carrega e que, no próximo Ano-Novo, o oponente esteja na Capela Verde para receber, por sua vez, o seu golpe.

O cavaleiro e suas roupas, assim como seu cavalo, os trajes e os arreios, tudo era verde. O ouro e o aço estavam manchados de verde, os arreios reluziam e cintilavam com pedras verdes e filetes de ouro estavam entrelaçados na crina verde do cavalo. Arthur imediatamente se oferece para o desafio do cavaleiro, mas Gawain se interpõe e o toma para si. Com um golpe de machado, decepa a cabeça do cavaleiro que rola pelo chão, espalhando sangue na carne verde.

O cavaleiro verde recolhe a cabeça. Levanta as pálpebras, olha vivamente e então encarrega Sir Gawain de encontrá-lo naquele dia, após um ano, na Capela Verde. Segurando a cabeça pelos cabelos verdes, monta em seu cavalo e deixa o casarão. Um ano depois, para manter a palavra, Gawain chega ao castelo de Sir Bertilak, anfitrião cordial e generoso que, por ter cor normal, não é reconhecido como sendo o cavaleiro verde. Gawain chega ao castelo em completo estado de exaustão. Recebido com hospitalidade, envolvido em um manto de arminhos enfileirados, é convidado a sentar ao lado de uma lareira com brasas de carvão.

Quando Sir Bertilak retorna ao seu castelo, depois da caça, recebe o hóspede com muita cortesia e combina com ele que daria o produto de sua caça a Gawain todo dia e, em troca, Gawain lhe daria algo que tivesse recebido no castelo. Durante a sua estada no castelo, Gawain recebe de manhã, antes de sair da cama, a visita da bela mulher de Bertilak, se vendo obrigado a resistir às suas investidas. Por dois dias assim o faz, aceitando somente beijos que, à noite, transmite a Sir Bertilak em troca da caça.
Na terceira manhã, porém, a senhora o oferece um cordão verde que o protegerá de qualquer ferimento, o medo de sua provação faz com que o aceite, mas esconde o fato de seu anfitrião. Quando chega o dia do Ano Novo, para honrar seu compromisso, ele sai em busca da Capela Verde. Achando o local, o Cavaleiro Verde aparece para devolver o golpe de Gawain. Se ele não tivesse aceitado o cordão verde, o machado teria caído sobre ele inofensivamente, mas, como isso não aconteceu, o machado esfola sua pele e seu sangue jorra. Gawain parte e retorna à corte de Arthur, a quem confessa sua pequenez por ter aceitado o tal cordão.

Persival e Galahad - A Demanda pelo Santo Graal

As histórias de Galahad e de Persival estão intimamente ligadas ao Santo Graal. Galahad era filho de Lancelot com Elaine e, por sua pureza, era o único cavaleiro que poderia se sentar na "cadeira perigosa", um assento que sempre ficava vazio na Távola Redonda e que se dizia que apenas um escolhido poderia se sentar nela. Galahad chega então despido de qualquer arma ou brasão, apenas com uma túnica branca, e, durante a história, ele vai se armando com armas mágicas, como uma espada que se encontrava encravada em uma pedra e que flutuava no meio do lago.

Durante a busca pelo Santo Graal, Lancelot apenas poderia vislumbrar o brilho do Graal, por ser o melhor cavaleiro do mundo, mas manchado pelo adultério. Já, Galahad, por ser puro de coração é permitido que ele não só veja o Graal como também o pegue, mas isso causa a sua morte. Percival também foi um cavaleiro altamente envolvido com a busca pelo Graal. Na obra inacabada "Perceval" ou "Le conte del Graal" de Chrétien de Troyes tem-se a primeira aparição de Persival.

A mãe de Percival, que tinha perdido os irmãos e o marido em torneios de cavalaria, tinha jurado levar seu filho, ainda criança, para um refúgio em uma floresta nos contrafortes de Snowdon, onde ele nunca ouviria a palavra: "cavaleiro". Em uma manhã de maio, o menino está no meio da floresta e, embora não possa ver nada por causa das folhas, ouve o ruído da aproximação de cinco cavaleiros, quando ele viu suas cotas brilhantes, seus capacetes, escudos e lanças reluzentes - coisas que nunca tinha visto antes -, e a luminosidade verde e rubro-escarlate brilhando ao sol, e ouro, azul-celeste e prata, gritou maravilhado:

- "São anjos!" Todas as preocupações de sua mãe se frustram em um único momento. Quando ele ouve que tais pessoas eram cavaleiros e que estavam ligados à corte de Arthur, declara que irá com eles ao rei que faz cavaleiros. Quando jovem cavaleiro, Percival é guiado a um rio onde vê um homem pescando. Este é o Rei Pescador. E, então, convidou-o para entrar em seu castelo, localizado acima da margem do rio. Quando chega, seu anfitrião está deitado, defronte a ele, em um leito do qual não pode mover-se sem ajuda. O rei fora ferido entre as pernas e, enquanto as feridas não sarassem, suas terras permaneceriam áridas e estéreis.

O rei Pescador é um anfitrião cortês e generoso. Enquanto ele e seu hóspede estão jantando, um desfile ritual abre caminho pelo salão: uma donzela leva um prato, em seguida outra donzela carrega um prato entalhado acompanhada por um escudeiro que segura uma lança sangrando, e atrás deste passam criados carregando candelabros. Eles vão alimentar o pai do rei Pescador, que é invisível e mantido vivo com uma hóstia consagrada levada pela donzela em um dos pratos. O Graal ficava no castelo e era carregado por uma donzela e espalhava tamanha luminosidade pelo salão que ofuscava todas as luzes da sala. Durante o desfile, Percival deveria ter perguntado: "Quem é servido com este Graal?". O erro de Percival resultou não só na continuidade da doença do rei Pescador, mas também na deterioração geral da sociedade. Depois da batalha de Camelann, Percival torna-se um monge juntamente com Lancelot.

Sir Tristão de Lionesse - O Cavaleiro Poeta

O nome do pai de Isolda, Gormond, é escandinavo, e ela mesma aparece às vezes como "Isolt". Acrescente ao fato dela ser loura (la Blonde). Donde a idéia de que a história remonte ao tempo dos vikings na Irlanda. No entanto, segundo a maioria dos autores, a lenda é celta e tem por base a vida de um rei picto que viveu na Escócia, onde reinou de 780 a 785. Chamava-se Drest filius Talorgen. A popularidade da história de Tristão e Isolda foi conseguida graças a Maria da França, uma mulher de quem pouco se sabe, que escrevia "lais", versos sobre histórias de cavalaria jáma conhecidas ou que ainda corriam entre os contadores de história.

Seus versos intitulam-se "Chèvre Feuille" (A Madressilva). Esse conto, conhecido desde o ano 1000, é de origem puramente celta, sem conexão com Arthur. A história passa-se na Cornualha, onde Marco é rei, mas o magnetismo causado pelo nome de Arthur fez com que essa história se prendesse também ao corpo da lenda. Tristão não era famoso por sua habilidade como lutador, mas tinha grande agilidade física.

Era também um harpista. A história de Tristão é marcada por tragédias, dizia-se que ele nunca foi visto sorrindo, a começar por seu nascimento, onde seu pai é morto em batalha, perdendo o reino de Lionesse, e sua mãe morre no parto. Graças a estas tragédias, ele recebe o nome de Tristão. Criado por um cavaleiro como se fosse seu filho, Tristão desconhece sua origem e de seu parentesco com Marco, seu tio. Ainda criança, Tristão mata por acidente um outro menino durante uma rixa. Levado para Bretanha a fim de ter uma educação de cavaleiro e um dia recuperar seu trono, Tristão acaba preso em um navio muçulmano, onde seria vendido por escravos, se não tivesse conseguido fugir, indo parar nas costas da Cornualha. Durante muito tempo permanece na corte do rei Marco, sem revelar a este que era seu sobrinho, o que ocorre quando a Irlanda cobra um antigo tributo da Cornualha que, se não fosse pago, só poderia ser substituído pela luta entre dois campeões da família real da Irlanda e Cornualha.

Tristão se oferece e parte para lutar contra Morolt, matando-o quando este prende a espada no casco do barco. Ferido pela espada envenenada de Morolt, Tristão é colocado em um barco sem remos com sua harpa para ser curado pela rainha da Irlanda. Durante sua permanência disfarçada, com o nome de Tãotris, acaba se apaixonando pela princesa Isolda, que cuidava dele. Mas Isolda acaba prometida a Marco e Tristão retorna à Irlanda para buscá-la. Na viagem de volta, no entanto, eles bebem um filtro de amor que a criada de Isolda, Brangwen havia preparado para a noite de núpcias da princesa, com isso uma paixão cega toma conta deles, de tal forma que, quando chegam à Cornualha, já são amantes.

Começa então o mórbido, mas interessante relato do casamento de Isolda com o já desconfiado Marco e a continuação de sua aventura com Tristão. Segue-se então a descoberta e a fuga de Tristão para a Britânia, onde se casa com uma princesa só porque seu nome também era Isolda (Isolda das Mãos Brancas), não podendo consumar o casamento. Quando está prestes a morrer de uma infecção causada por uma seta envenenada, Tristão manda uma mensagem, implorando que Isolda da Irlanda viesse até ele, e ordena que, no retorno do barco, deveriam estender velas brancas se a trouxessem e negras se ela não viesse. Quando as velas brancas são vistas se aproximando, sua esposa Isolda diz que elas são negras. Angustiado, Tristão morre, e Isolda chega, para morrer ao lado dele.

Fontes: http://marged.vilabol.uol.com.br/lugares.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Avalon
http://www.templodeavalon.com/modules/mastop_publish/

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