O Fim dos Dias: Quando o Diabo Invadiu Nova York e Arnold Schwarzenegger Virou o Herói Improvável.
Imagina isso: Nova York na véspera do ano 2000, com fogos estourando no céu, multidões enlouquecidas na Times Square, e o diabo em pessoa passeando pelas ruas como se fosse dono do pedaço. É nessa loucura que Arnold Schwarzenegger, no papel de um ex-policial todo quebrado por dentro, tem que salvar o mundo de um apocalipse bíblico.
"O Fim dos Dias", ou "End of Days" no original, não é só mais um filme de ação daqueles que a gente via nos anos 90 – é uma mistura explosiva de suspense, horror sobrenatural e redenção pessoal que te gruda na cadeira do começo ao fim. Dirigido por Peter Hyams, o longa de 1999 joga com medos reais da época, como o bug do milênio, e transforma tudo numa perseguição frenética contra o mal encarnado. Se você curte Arnold chutando bundas demoníacas, esse é o seu filme.
O Enredo que Mistura Fé, Caos e Explosões
Vamos direto ao ponto: a trama começa com um bebê sendo deixado na porta da Catedral de São Patrício, em Nova York, bem na virada para o ano 2000. Mas não é qualquer bebê – é Christine York, interpretada por Robin Tunney, que cresce pra ser a peça-chave num plano satânico. O diabo, vivido por Gabriel Byrne com um charme assustador, precisa engravidá-la exatamente na hora da meia-noite pra trazer o Anticristo à Terra. Por quê? Porque, segundo a profecia do filme, o "999" de 1999 virado de cabeça pra baixo vira "666", o número da besta. Genial, né? Ou pelo menos, criativo o suficiente pra justificar uma bagunça infernal.
Entra Jericho Cane, o personagem de Schwarzenegger: um cara que era policial, mas perdeu a família num assassinato brutal e agora afoga as mágoas no álcool enquanto trabalha como segurança particular. Ele é contratado pra proteger Christine, sem nem imaginar que tá no meio de uma guerra entre o céu e o inferno. Os dois fogem por becos escuros, metrôs lotados e prédios em chamas, perseguidos por cultistas fanáticos que querem sacrificar a moça. Tem cenas de ação que parecem saídas de um videogame: Arnold balançando num helicóptero, tiroteios em igrejas, e o diabo regenerando de balas como se fosse nada. O clímax? Uma batalha épica na igreja, com fogo, cruzes e um sacrifício que te faz questionar tudo sobre fé e redenção. Ah, e o final? Surpreendente, com um twist que envolve possessão e uma escolha heroica que Arnold faz como ninguém.
O roteiro de Andrew W. Marlowe não perde tempo com enrolações – ele joga você no meio do caos, explorando como eventos "estranhos" na cidade, tipo assassinatos ritualísticos e visões apocalípticas, vão se conectando. É como se o filme dissesse: "Ei, e se o Y2K não fosse só um bug de computador, mas o fim do mundo de verdade?" Essa pegada millennial dá um ar nostálgico hoje, em 2026, quando a gente olha pra trás e ri dos medos da época.
Personagens que Vão Além dos Clichês: Do Herói Quebrado ao Diabo Sedutor
Arnold Schwarzenegger não é só músculos aqui – ele entrega um Jericho Cane vulnerável, depressivo, questionando Deus depois de perder tudo. É um dos papéis mais dramáticos dele, mostrando que o astro de "O Exterminador do Futuro" podia sim atuar pra valer. Lembra daqueles one-liners clássicos? Tem alguns, tipo quando ele enfrenta o diabo e solta algo como "Você acha que pode me derrotar? Eu sou só um homem, mas você é eterno... e eu vou te mandar de volta pro inferno anyway". Ironia leve, mas que cai como uma luva no estilo Arnie.
Gabriel Byrne, como o homem misterioso que é na verdade Satanás, rouba as cenas com um vilão calmo, manipulador, que seduz em vez de gritar. Ele diz coisas como "Como você espera me derrotar quando você é só um homem, e eu sou pra sempre?", e você sente o arrepio. Robin Tunney, como Christine, é a donzela em perigo, mas com camadas: ela tem visões desde criança, criada por freiras, e luta contra um destino que não pediu. Kevin Pollak, como o parceiro cômico de Jericho, adiciona alívio com piadas secas, tipo questionando se o diabo paga impostos.
O filme explora todos os ângulos dos personagens: a perda de fé de Jericho, a inocência forçada de Christine, e o diabo como um empresário moderno, possessando corpos e causando estragos. Não é superficial – tem diálogos sobre religião que fazem você pensar, tipo se o mal é inevitável ou se a redenção é possível mesmo pros piores.
Bastidores: Drama, Cirurgia e Mudanças Radicais
Produzir "O Fim dos Dias" não foi moleza. Arnold vinha de uma cirurgia cardíaca em 1997, depois de "Batman & Robin", e os estúdios tavam nervosos pra caramba em segurá-lo. Executivos visitavam o set pra ver se ele aguentava as cenas de ação – e ele aguentou, voltando ao topo como herói de ação. Peter Hyams, que dirigiu e fotografou o filme, optou por uma iluminação escura que Arnold achou sombria demais, mas que dá aquele clima de pesadelo urbano. O orçamento? Cem milhões de dólares, uma fortuna na época, gasto em efeitos especiais como explosões reais e cenas de possessão que misturam CGI primitivo com maquiagem prática.
Teve trocas de diretor, elenco e até reshoot do final – originalmente, o diabo citava escrituras numa sequência de trem, e Jericho se empalava numa estátua de anjo pra se curar milagrosamente. Curioso: esse é o único filme na carreira de Arnold onde o personagem dele morre de verdade (excluindo os Terminators, claro). Seu amigo de longa data, o bodybuilder Franco Columbu, aparece como dublê, creditado como "Dr. Franco-Columbo". E o som? Tem chants gregorianos como "Agnus Dei" que deixam tudo mais sinistro.
Ah, e uma fofoca: Sylvester Stallone leu o roteiro, achou horrível, mas fingiu interesse pra pegar o papel antes de Arnold. No fim, Stallone pulou fora e Arnold pegou – sorte nossa, porque imagina Sly contra o diabo? Não ia ter a mesma graça.
Recepção, Bilheteria e o Legado em 2026
Lançado em novembro de 1999, "O Fim dos Dias" abriu com mais de 20 milhões de dólares só nos EUA, mas o total doméstico ficou em 66 milhões – um semi-flop pro orçamento. Mundialmente, faturou 212 milhões, o que salvou as aparências. Críticos da época foram mistos: uns amaram a ação eletrizante e o tom sombrio, comparando a "O Dia da Besta" ou "Estranhos Prazeres"; outros criticaram o tom inconsistente, entre horror e piadas, e a edição rápida que confunde. No IMDb, tá com 5.8/10 de 122 mil avaliações, e no Rotten Tomatoes, o consenso é que é "divertido pra fãs de Arnie, mas não assusta de verdade".
Em 2026, o legado cresceu. Com o revival dos anos 90, fãs no X (antigo Twitter) chamam de "clássico subestimado" – posts recentes elogiam como "over the top e entretenimento puro", perfeito pra maratonas de Ano Novo. Um usuário disse: "É o último da era dourada de Arnold, bombástico e rewatchable". Outros notam a vibe pós-11 de setembro profética, com Nova York em caos. Não é top tier como "Exterminador 2" ou "O Predador", mas é único: Arnold em horror sobrenatural, misturando fé e violência. Hoje, com streamings, tá sendo redescoberto como guilty pleasure, especialmente por explorar medos milenares que ainda ecoam.
Curiosidades que Vão Te Fazer Querer Rever Agora
Sabia que o diabo no filme protege o corpo possessado apesar de poder trocar? Um goof clássico, mas que adiciona tensão. Ou que a trilha sonora tem tuvan throat singing em "Little Yurt on the Prairie", pra dar um ar exótico? Tem erros de continuidade, como balas que somem e reaparecem, mas quem liga quando Arnold tá explodindo demônios? Outra: esse é um dos poucos horrores de Arnold, junto com "O Predador" (1987) e "Maggie" (2015). E em 2024, pro 25º aniversário, fãs listaram 25 facts, como o filme ser uma rewatch anual de Ano Novo pra muita gente.
O filme também cutuca a Igreja: cultistas incluem padres corruptos, mostrando como o mal se infiltra em instituições. Ironia: lançado numa era de pânico Y2K, hoje parece profético com crises globais. Ah, e o visual? Nova York chuvosa, decadente, com overhead shots que fazem a cidade parecer amaldiçoada.
Temas que Vão Além da Ação: Fé, Redenção e o Mal Moderno
No fundo, "O Fim dos Dias" não é só pancadaria – ele mergulha em religião sem maquiagem. Jericho perde a fé depois da morte da família, mas reencontra no caos. O diabo é sedutor, prometendo prazeres mundanos, como num acordo faustiano moderno. Tem críticas à hipocrisia religiosa, com satanistas infiltrados na elite. E a violência? Intensa, com assassinatos brutais e cenas gore que chocam. Em 2026, com debates sobre extremismo e crises existenciais, o filme ganha camadas: e se o apocalipse for interno, na alma da gente? Enfim, se você começou lendo isso por curiosidade, aposto que chegou aqui sem piscar. "O Fim dos Dias" é daqueles filmes que envelhecem bem, misturando nostalgia 90's com temas eternos. Dá play e veja Arnold salvando o mundo – de novo. Quem sabe não vira sua tradição de virada de ano?



