Dica de Cinema

A Rocha: Bastidores, segredos e o motivo de ser inesquecível

A Rocha: Bastidores, segredos e o motivo de ser inesquecível

A Rocha: Por que o filme de 1996 ainda é a aula magna da testosterona cinematográfica? Esqueça o CGI de hoje em dia, que parece um videogame mal acabado, e volte comigo para 1996. Foi o ano em que Michael Bay ainda não tinha se perdido na própria megalomania de Transformers e entregou uma pérola do cinema de ação: A Rocha. Sabe aquele filme que você encontra passando na TV em uma tarde de domingo e, por mais que já tenha visto dez vezes, não consegue trocar de canal? É exatamente esse.

O General que tinha razão (mas escolheu o jeito errado)

Vamos ser sinceros: o grande trunfo de A Rocha não é a explosão – embora elas sejam gloriosas. O coração pulsante desse filme é o General Francis X. Hummel, vivido por um Ed Harris em estado de graça. O cara não é um vilão de desenho animado que quer dominar o mundo porque é "mau". Ele é um militar condecorado que viu seus homens serem descartados pelo governo como se fossem lixo tóxico em missões secretas que nunca existiram nos arquivos oficiais. Quando ele sequestra Alcatraz e aponta mísseis cheios de gás VX para São Francisco, a gente quase, veja bem, quase torce por ele. É aquela moral cinzenta que deixa o filme muito mais suculento do que o esperado. Ele quer justiça, mas a justiça dele mata civis. E aí que entra o caos.

A dupla dinâmica que ninguém pediu, mas todo mundo amou

Se você colocar o Sean Connery – o ápice da elegância britânica mesmo preso em uma cela – ao lado de um Nicolas Cage tentando ser um nerd de laboratório do FBI, você tem um desastre ou uma obra-prima. Aqui, foi a segunda opção. John Mason (Connery) é aquele personagem que a gente sabe que tem um passado que daria uma trilogia de espionagem. Ex-agente do MI6, o único homem a fugir de Alcatraz. Ele é cínico, perigoso e tem as melhores frases do filme. Já o Stanley Goodspeed (Cage) é o alívio cômico acidental, o cara que prefere discos de vinil e música clássica, mas que se vê no meio de uma guerra urbana que ele definitivamente não pediu. A química entre os dois? É aquela coisa de "tapa e beijo" profissional. O Mason ensinando o Goodspeed a não morrer é, basicamente, o resumo de toda a dinâmica de mentoria no cinema de ação dos anos 90.

O efeito Michael Bay antes da exaustão

Sim, o filme tem aquele estilo frenético: cortes rápidos, luz dourada, ângulos baixos que fazem todo mundo parecer um deus grego e explosões que desafiam as leis da física. Mas, em 1996, isso ainda parecia fresco. O filme é um espetáculo visual que não te deixa respirar. A cena da perseguição de Ferrari e Humvee nas ruas de São Francisco é, até hoje, uma das melhores coisas já filmadas na história do gênero. É visceral, barulhento e, admito, totalmente exagerado.

O segredo que o governo queria enterrado

O que dá um charme extra à trama é essa camada de "história real". O fato de Mason carregar um microfilm com segredos podres do governo dos EUA – coisas que iriam de JFK ao caso Roswell – transforma o filme em um thriller político disfarçado de filme de porradaria. É aquela velha máxima do cinema: se o governo quer esconder algo, com certeza é algo que a gente ia adorar saber. E no filme, esse segredo é a moeda de troca que salva a pele do nosso protagonista no final.

Por que ainda assistimos?

A Rocha é um lembrete de uma era em que a ação dependia mais de dublês reais, sets práticos e diálogos afiados do que de computadores processando pixels. É um filme honesto. Ele não tenta ser profundo como uma ópera, mas entrega exatamente o que promete: uma montanha-russa de testosterona, o carisma magnético de Sean Connery e a habilidade única de Nicolas Cage de parecer um maníaco e um herói ao mesmo tempo. No fim das contas, a gente sai com aquela sensação de que, mesmo com as falhas, as conveniências do roteiro e a trilha sonora épica (que fica grudada na cabeça por dias), A Rocha é um marco. É o tipo de filme que definiu uma geração e que, mesmo trinta anos depois, continua funcionando como um relógio suíço. Sem maquiagem, sem tentativa de ser "cabeça". Só ação pura, direta e, convenhamos, infinitamente melhor do que muita coisa que sai por aí hoje em dia. E agora, me conta: se você tivesse que escolher entre o carisma indomável do John Mason ou a obsessão por justiça do Hummel, de que lado você ficaria?

 

zzx64

zzx65

zzx66

zzx67