Novo medicamento é capaz de anular uma overdose de heroína

medover topoPorErich Espinelo - Biólogo - É bastante comum vermos nos noticiários muitos casos de mortes por overdoses de drogas, sejam elas líticas (medicamentos para o tratamento de doenças) ou ilícitas, como a cocaína e a heroína. Os números de casos de mortes com overdose só cresce a cada dia e não há muito que pode ser feito nestes casos, muitas vezes porque o atendimento demora bastante ...

e os efeitos dessas drogas agem rapidamente no nosso organismo. Nos Estados Unidos cresce o número de mortes por overdose, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças atingiu o número de 43.982 mortes por overdose em 2013. Aqui no Brasil e na América Latina o número tende a aumentar por causa do volume de tráfico que existe nos países, mesmo assim ainda conta com cerca de 4.900 mortes em 2012.

No entanto, existe uma medicação que é pouco conhecida e que inverte os efeitos de overdose dos opiáceos, substâncias derivados da papoula, como a codeína e morfina que são derivados do ópio e que a partir delas se produz a heroína, uma das drogas ilícitas que mais mata em overdose. O medicamento que pode anular o efeito dessa droga é chamado de Naloxona que reverte os efeitos de uma superdosagem com opiáceos, sejam eles a morfina ou principalmente a heroína. O princípio ativo da Naloxona é ligar-se aos opiáceos receptores sem ativá-los, bloqueando e reduzindo assim os efeitos da overdose. No entanto, eles devem ser administrados rapidamente, pois uma superdosagem de drogas como a heroína pode matar uma pessoa em pouco tempo.

Por isso, leis globais que fazem a regulação do uso da Naloxona estudam a possibilidade de garantir facilidade de acesso a esse tipo de medicamento a certos usuários de drogas, como os que usam morfina diariamente. Por exemplo, no Reino Unido entrou em vigor uma lei no dia 1º de outubro de 2015 permitindo que qualquer pessoa que trabalhe com o tratamento com drogas opiáceas possa administrar a medicação sem receita médica. No entanto, um porta-voz de Saúde Pública da Inglaterra disse que como a medicação ainda continua sendo injetáveis várias empresas farmacêuticas trabalham para melhorar o acesso a esta medicação e estão desenvolvendo a Naloxona na forma de sprays ou na forma de comprimidos sublingual.

A Naloxona tem se mostrado um grande potencial na redução de mortes por overdose de opioides, dizem vários estudos, um dos quais mostrou que há super chances de recuperação após uma overdose. Isso mostra o peso que a medicação tem para que todos os usuários de drogas e seus familiares devem ter acesso rápido à Naloxona para que seja aplicado de forma emergencial. Todavia, enquanto os opiáceos não são os responsáveis por todas as overdoses de drogas do mundo, eles crescem rapidamente e principalmente nos Estados Unidos que só em 2013 mais de 16.000 mortes foram constatadas causadas por opioides de prescrição médica, enquanto mais de 8.000 foram resultados da heroína!

medover1


Naloxona: um guia prático para dúvidas frequentes


2015 - A naloxona é um antagonista específico dos receptores opióides no sistema nervoso central, apresentando maior afinidade com os receptores µ e menor com os ? e d. Seu principal objetivo visa restabelecer a ventilação espontânea em pacientes intoxicados por opióides. O fármaco também pode reverter o efeito analgésico e os efeitos tóxicos cardiovasculares, pode restabelecer o nível de consciência, normalizar o tamanho das pupilas e a atividade intestinal (1). O uso da medicação para a reversão de efeitos colaterais, como prurido e náusea, ainda é considerada off-label (2), apesar de já demostrada em alguns estudos (3-5).

Quando administrado por via intravenosa (IV) em pacientes sob efeitos de morfina, pode reverter completamente seus efeitos dentro de um a três minutos. Em indivíduos que fazem uso de opióides de forma abusiva a administração de naloxone pode rapidamente precipitar sinais de abstinência (1), como dor, hipertensão, sudorese, agitação e irritabilidade (6).
O fármaco é comercializado na apresentação de ampola de 1 ml com concentração de 0,4mg/1ml. A ampola poderá ser diluída em 9 ml de água destilada, gerando uma concentração de 0,04mg/ml (total 10 ml) (2) ou conforme o protocolo da instituição. A medicação é compatível com soro glicosado e fisiológico nos casos em que se optar por infusão contínua e se mantém estável na solução por 24 horas (dados contidos na bula).
As formas de administração são IV (preferida), intramuscular (IM), subcutânea (SC), inalatório (nebulização), intranasal, endotraqueal e intraósseo (1,2).
O início da ação é variável a depender da forma de administração (endotraqueal, IM e SC de 2 a 5 minutos; nebulização 5 minutos; inalatória de 8 a 13 minutos; IV 2 minutos) e apresenta curto tempo de duração, variando entre 30 e 120 minutos. Os profissionais de saúde devem ter especial atenção para esta informação, visto que pacientes com intoxicação grave podem recuperar a respiração espontânea e o nível de consciência após a dose inicial do antídoto e após retornar ao coma, gerando morbidade ao paciente (1).
A dose inicial parenteral (IV, IM, SC) varia de 0,4 a 3 mg e pode ser repetida a cada dois ou três minutos até reversão dos sintomas. Doses adicionais extras podem ser necessárias (após 20 a 30 min) a depender do tipo de opióide utilizado e de seu tempo de duração. Caso o paciente não apresente retorno a ventilação espontânea após 5-10 mg da droga o diagnóstico de intoxicação por opióide deverá ser revisto (2).
Para pacientes em uso de opióides com meia-vida prolongada, como a metadona, o uso da naloxona em infusão contínua é uma opção. Sempre administrar bolus da medicação 15 min antes de iniciar a infusão contínua. Geralmente a dose utilizada será a ½ da dose que foi necessária para a reversão inicial do quadro e após manter 2/3 da dose em infusão contínua por hora (tipicamente 0,25-6,25 mg/h) (2).

Exemplo:
Foi necessário 3 mg para restabelecer a ventilação espontânea:
· Opção 1 - Repetir 3 mg de forma intermitente a cada 30 a 60 minutos
· Opção 2 - Fazer ataque de 1,5 mg e manter 2 mg/h em infusão contínua.

Pacientes recebendo doses terapêuticas de opióides que evoluírem com depressão respiratória poderão receber doses menores de naloxona, com dose inicial IV, IM ou SC recomendada de 0,04 a 0,4 mg, repetindo conforme necessário. Se resposta não alcançada após 0,8 mg de dose total, pesquisar de outro diagnóstico. Indivíduos em pós-operatória poderão receber 0,1 a 0,2 mg IV a cada 2 a 3 min. Repetir dose a cada uma ou duas hora a depender da dose e do opióide utilizado (2).
Nos casos em que se deseja o controle do prurido orienta-se infusão contínua de 0,25 mcg/Kg/hora, objetivando reverter o efeito colateral e não a analgesia (2).
Outras formas alternativas de administração do fármaco e respectivas doses estão resumidas na tabela 1 (2).

medover tab1

A medicação é relativamente contra-indicada em gestantes nas quais a abstinência aos opióides pode precipitar o trabalho de parto prematuro. Porém o médico deverá pesar risco benefício nos casos com depressão respiratória grave. Não é necessário ajuste de dose em pacientes idosos, com insuficiência renal ou hepática (7).

Os efeitos colaterais estão disponíveis na tabela 2 (6).

medover tab2

Em resumo, a naloxona é uma medicação valiosa nos casos em que se objetiva o diagnóstico de intoxicação por opióides e a reversão de seus efeitos colaterais. Para o uso seguro da medicação algumas informações devem ser lembradas: 1. O objetivo primordial da naloxona é o restabelecimento da ventilação espontânea e não do status neurológico; 2. O fármaco deverá ser usado com cautela em pacientes cardiopatas pelo risco de estimulação simpática, principalmente em pacientes com risco de evoluir com síndrome de abstinência; e 3. A meia-vida dos opióides é maior que a da naloxona e que doses adicionais intermitentes poderão ser necessárias.

Referências:

Schumacher MA, Basnaum AI. Analgésicos opióides e antagonistas. In: Katzung BG, Masters SB, Trevor AJ, editors. Farmacologia básica e clínica. 12ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2014.543-64.
Naloxone: Drug information. Disponível em: www.uptodate.com.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21957831
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15781505
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21785031
Stolbach A, Hoffman RS. Acute opioid intoxication in adults. Última atualização em: Apr 03, 2014. Disponível em: www.uptodate.com
Dowsett RP, Yup L. Intoxicação por opióides. In: Irwin RS, Rippe JM, editors. Terapia intensiva. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. 1379-84.

Fontes: iflscience/injepijournal/
             unifesp
             http://diariodebiologia.com
             http://www.pacientegrave.com

Compartilhe

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Translate

Portuguese English French German Italian Russian Spanish

Curta nossa página

Mundo

Publicidade