O Mistério do desaparecimento da minissérie brasileira "O Marajá" (1993)

maraser1O Marajá é uma minissérie brasileira que estrearia pela Rede Manchete em 26 de julho de 1993 (no horário habitual das telenovelas, 21h30) em substituição a Amazônia - Parte II. Escrita por José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos e Alexandre Lydia, com direção de Marcos Schechtman. A trama mostra a vida de Fernando Collor de Mello enquanto presidente do Brasil, em uma sátira que mostra o protagonista, Elle, presidente de um país fictício.

A TV Manchete começou a divulgar a minissérie, em chamadas veiculadas em sua programação, quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello sentiu-se ofendido e entrou com um recurso na justiça para impedir a estreia da novela e após uma disputa de liminares, a justiça favoreceu o então presidente cassado por impeachment. Após a decisão final da justiça, a série não foi ao ar e em maio de 1999, o jornal Folha de S.Paulo veiculou uma matéria alegando que as fitas da minissérie foram escondidas de tal modo que nunca mais soube-se do seu paradeiro, principalmente após a morte de Adolpho Bloch.

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Elenco

Júlia Lemmertz - Mariana

Alexandre Borges - André

Hélcio Magalhães - Elle

Vânia Bellas - Ella

Wálter Francis - PC

Antônio Petrin - Dr. Paulo

Jussara Freire - Felícia

Antônio Pitanga - Tato

José Dumont - Egberto (Motorista)

Lúcia Alves - Gilda

Iracema Starling - Adriana

Rubens Corrêa - Carlos Alberto

Rogério Fróes - Osório

Ivan Setta - Lucio C. Vulgo

Ângela Leal - Fofoqueira

Lúcia Canário - "Certa Atriz De Coxas Grossas"

Luiz Armando Queiroz - Narrador

Francisco Miguel Bezerra - Cantador

 

Mistério: Fitas de minissérie sobre ex-presidente somem após censura !

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27/09/2015, por Thell de Castro - Um dos episódios mais engimáticos da história da televisão brasileira envolve a extinta Manchete e o ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Melo. Em 1993, o político conseguiu na justiça impedir a estréia da minissérie O Marajá, sobre sua trajetória. A produção acabou sendo liberada pelos tribunais, mas, misteriosamente, as fitas com os capítulos desapareceram. A situação da emissora era crítica naquele ano. Atolada em dívidas, havia acabado de ter seu controle retomado por Adolpho Bloch (1908-1995), após a fracassada venda para o grupo IBF. O Marajá era a esperança para conquistar audiência e receitas e, assim, aliviar a crise. Mas não deu certo.

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Na história, Hélcio Magalhães vivia Elle, presidente de um país fictício que queria ficar no poder durante 30 anos, até 2020. Claro que Elle era baseado em ninguém menos do que Collor. A narrativa seria conduzida por três narradores, um deles Luiz Armando Queiroz. A minissérie, escrita por José Louzeiro, Regina Braga, Elóy santos e Alexandre Lydia, com direção de Marcos Schechtman, foi gravada com uma única câmera e reaproveitando cenários e figurinos de outras produções da casa. O item mais precioso era uma Mercedes Bens, ano 1975, de propriedade de Adolpho Bloch, emprestada para ser o carro de um assessor do presidente. A Folha de São Paulo de 25/07/1993 classificou a obra como "produção digna de TV artesanal".

O Marajá foi gravada em tempo recorde. Tinha previsão de 80 capítulos, 15 estavam gravados e cinco editados para a estréia, qu eseria no dia 26/07/1993. No elenco, figuras carimbadas da casa, como Julia Lemmertz, Rubens Corrêa, Antônio Petrin e Ângela Leal, entre outros. Sósias, como o tesoureiro Paulo César Farias (1945-1996), também apareciam, mas sem falas.

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Collor, que deixou a Presidência da República um ano antes, entrouna justiça e conseguiu proibir a exibição da minissérie, alegando que "havia risco de danos irreparáveis". A decisão saiu sábado (24), mas a emissora só foi informada pelos oficiais de justiça as 18h do dia da estréia, uma segunda feira. Os advogados do canal tentaram cassar a liminar, na expectativa de exibir a atração, programada para as 21h30. O Jornal da Manchete foi prorrogado até 21h50, mas não funcionou. A solução foi antecipar a estréia de outra minissérie. A chave para Rebeca, que iria ao ar as 22h15.

O elenco, que estava reunido no prédio da Manchete para celebrar a estréia, ficou descpcionad com a censura, ja que a emissora afirmava que havia respaldo jurídico para a produção. Foi feito um protesto, inclusive com entradas ao vivo durante a programaçõa da emissora. O então diretor Fernando Barbosa Lima declarou: "Temos a obrigação ética de levar essa minissérie ao ar." A produção, se liberada, só poderia ser exibida após o julgamento da ação, o que demoraria mais de 60 dias.

Mistérios

No início de 1994,O Marajá teve sua exibição liberada pela justiça, mas com cortes. A Folha de São Paulo, de 27/02/1994 informou que "mesmo liberada com cortes pela justiça, o dono da emissora, Adolpho Bloch, proibiu a veiculação da série antes do veredito final do STF. Não quer mais dispuas com a família Collor. Em 02/05/1999, a mesma Folha fez uma reportagem informando que as fitas da minissérie continuavam desaparecidas. "Há, até aqui, somente uma pista do paradeiro das fitas. O ex-diretor geral da Manchete, Fernando Barboas Lima, afirma que o próprio Adolpho Bloch decidiu guardar as fitas, com medo de que fossem roubadas e a Manchete, prejudicada.

"Ele ficou assustado com o poder de Collor", conta Barbosa Lima, que era amigo de Bloch. Com a morte de Bloch, em 1995, a emissora passou para as máos de Pedro Jacques Kapeller, e as fitas entariam em seu poder. E o Mistério permanece até os dias de hoje. Ningém sabe do paradeiro das fias, e O Marajá, continua inédita.

 

Maldição do Impeachment - Fitas de "O Marjá" desaparecem

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02/05/1999, por Alexandre Maron - Depois das mortes de Leda e Pedro Collor e do misterioso assassinato de Paulo César Farias, a maldição do impeachment ataca outra vez. As fitas da minissérie "O Marajá" sumiram do arquivo da Rede Manchete, no Rio de Janeiro. "O Marajá" foi uma minissérie produzida pela Manchete, em 1993, que contava, em tom de sátira, como foi o impeachment do ex-presidente da República Fernando Collor, que acontecera um ano antes, em agosto de 1992. Prevendo que haveria processos por parte de Collor, Adolpho Bloch, o presidente da emissora, contratou uma advogada para auxiliar os autores José Louzeiro, Regina Braga e Alexandre Lydia na tarefa de escrever a história, evitando complicações com a Justiça.

Assim, Collor virou Elle. O personagem é o presidente de um país fictício que arma um esquema para se manter no poder por 30 anos, o projeto 2020. Elle foi interpretado pelo ator Helcio Magalhães, que encarnava Collor em comícios pró-impeachment (leia texto abaixo). A dona-de-casa Vânia Bellas tornou-se Ella, aludindo a Rosane Collor. "Era um conceito revolucionário. Uma mistura de jornalismo com dramaturgia. Apresentávamos uma cena inacreditável e depois provávamos a veracidade com um depoimento", diz Louzeiro.

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Mesmo com todo o cuidado e auxílio jurídico, a estréia, marcada para 26 de julho de 1993, não aconteceu. "O Marajá" foi proibida. O ex-presidente alegou que considerava sua honra arranhada pelas cenas da minissérie. Após meses e uma guerra de liminares, uma decisão judicial favorável a Collor selou o destino da obra. "A história toda nos mostrou que, mesmo depois do impeachment, Collor ainda tem poder, já que foi capaz de censurar uma obra antes de ela ser exibida", lamenta Lydia. Há, até aqui, somente uma pista do paradeiro das fitas. O ex-diretor-geral da Manchete, Fernando Barbosa Lima, afirma que o próprio Adolpho Bloch decidiu guardar as fitas, com medo que elas fossem roubadas, e a Manchete, prejudicada.

"Ele ficou assustado com o poder de Collor", conta Barbosa Lima, que era amigo de Bloch. Com a morte de Bloch, em 1995, a emissora passou para as mãos de Pedro Jack Kapeller e as fitas estariam em seu poder. Procurado pela Folha, Kapeller não respondeu.

A história

A Folha teve acesso ao texto integral da minissérie (em 50 partes) e a um capítulo editado -uma cópia em VHS feita quando a obra ainda estava em produção, antes do desaparecimento das fitas. A história é contada por um narrador, um repentista e uma fofoqueira, na tentativa de se comunicar com públicos diferentes. O resultado é confuso. São idas e vindas entre depoimentos jornalísticos, dramaturgia e os narradores. Embora centrada em Elle, a protagonista de "O Marajá" é a jornalista Mariana (Julia Lemmertz). Ela namora André (Alexandre Borges), que seria o equivalente ao piloto de PC Farias, Jorge Bandeira.

Numa festa, ela ouve algo sobre o "plano 2020" e começa a investigá-lo, descobrindo que Elle pretende governar o país por 30 anos. O chefe de Mariana é então chantageado e a demite da TV Candango. Ela se junta ao fotógrafo Tato (Antonio Pitanga), que tem fotos comprometedoras, e ao motorista de Elle, Egberto -José Dumont, encarnando o motorista Eriberto- , que leva cheques fantasmas e decide desmascarar o chefe. Os três passam a ser perseguidos e ameaçados tentando provar a culpa de Elle. A trama, que começa tentando ser fiel aos acontecimentos, ganha tons de uma novela comum. "Senti que, após a proibição, os autores ficaram sem tesão. A história perdeu o rumo", afirma Jussara Freire, que encarnou Felícia, paródia de Denilma Bulhões, ex-mulher do ex-governador de Alagoas.

 

O Marajá - A novela proibida

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25/02/2006 por Miguel Rivera - Minissérie da Manchete que contava, em tom de sátira, como foi o impeachment do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, que acontecera um ano antes, em agosto de 1992. Proibida de ir ao ar pelo próprio presidente, que se sentiu ofendido pelo texto, as fitas "sumiram" da emissora. Cada personagem aludia a um personagem da vida real: André (Alexandre Borges) ao piloto de P.C. Farias, Jorge Bandeira; o motorista (José Dumont) ao motorista de Collor, Eriberto França; Felícia (Jussara Freire) à Denilma Bulhões, ex-mulher do ex-governador de Alagoas; a "certa atriz de coxas grossas" (Lúcia Canário) à atriz Cláudia Raia, que apoiou ostensivamente Collor em 1989.

O próprio "Plano 2020" era uma referência ao "Plano 2000" que pretendia manter Collor no poder por mais 5 anos (na minissérie são 30 anos). Prevendo que haveria processos por parte de Collor, Adolpho Bloch, o presidente da Manchete, contratou uma advogada para auxiliar os autores José Louzeiro, Regina Braga e Alexandre Lydia na tarefa de escrever a história, evitando complicações com a Justiça. Assim, Collor virou Elle. O personagem é o presidente de um país fictício que arma um esquema para se manter no poder por 30 anos. "Era um conceito revolucionário. Uma mistura de jornalismo com dramaturgia. Apresentávamos uma cena inacreditável e depois provávamos a veracidade com um depoimento", diz Louzeiro. Mesmo com todo o cuidado e auxílio jurídico, a estréia, marcada para 26 de julho de 1993, não aconteceu. O Marajá foi proibida. O ex-presidente alegou que considerava sua honra arranhada pelas cenas da minissérie. Após meses e uma guerra de liminares, uma decisão judicial favorável a Collor selou o destino da obra.

"A história toda nos mostrou que, mesmo depois do impeachment, Collor ainda tem poder, já que foi capaz de censurar uma obra antes de ela ser exibida", lamentou Alexandre Lydia, um dos roteiristas. Há, até aqui, somente uma pista do paradeiro das fitas. O ex-diretor-geral da Manchete, Fernando Barbosa Lima, afirma que o próprio Adolpho Bloch decidiu guardar as fitas, com medo que elas fossem roubadas, e a Manchete, prejudicada. "Ele ficou assustado com o poder de Collor", conta Barbosa Lima, que era amigo de Bloch. A história é contada por um narrador, um repentista e uma fofoqueira, na tentativa de se comunicar com públicos diferentes. O resultado é confuso. São idas e vindas entre depoimentos jornalísticos, dramaturgia e os narradores. Embora centrada em Elle, a protagonista de O Marajá é a jornalista Mariana (Júlia Lemertz). No dia em que O Marajá estrearia, autores, diretores e atores se reuniram num jantar, no prédio da Manchete, no Rio, para esperar juntos, a hora em que o capítulo iria ao ar.

Ficaram surpresos com a proibição da exibição da obra. Júlia Lemertz disse que viveu na época das gravações de O Marajá uma situação kafkiana. "Nós fomos a sessões em que o direito de exibição da novela ia ser julgado e víamos aqueles homens de toga, debatendo, sem que pudéssemos dizer nada. Me senti em plena ditadura", conta. "Foi muito frustrante, porque a defesa da Manchete foi malfeita e, quando eu aceitei o papel, me disseram que a emissora estava calçada juridicamente". Outro adjetivo veio à mente de Regina Braga, que ajudou José Louzeiro a escrever os primeiros cinco capítulos. "Estou perplexa. A proibição da novela foi uma violência à liberdade de expressão, mas essa história do desaparecimento das fitas foi demais", disse, sem esconder a surpresa. Alexandre Lydia, outro dos autores, ficou decepcionado. "Esse desaparecimento combina com toda a história da proibição da minissérie, que foi muito estranha", afirma.

"É um trabalho enorme que fizemos com o maior empenho e nunca foi mostrado", completa. Marcos Schechtmann, o diretor da minissérie, envolveu-se muito com o projeto na época. "Fomos censurados sem que ninguém visse os capítulos gravados ou escritos", diz. "É óbvio que eu gostaria de ver a minissérie exibida um dia, mas agora é passado, já consegui aceitar". O ator Hélcio Magalhães, que fez Elle, a sátira de Collor, não escondeu a decepção. "Foi um trabalho de composição minucioso que eu fiz e que ninguém teve a oportunidade de ver". ESCÂNDALO TRÊS ANOS DEPOIS Após a morte de Pedro Collor, as fitas da novela desapareceram dos arquivos da Manchete. O escândalo foi denunciado pelo jornal "A Folha de São Paulo". Pedro Jack Kapeller, então presidente da Manchete, afirmou, na época, que Adolpho Bloch teria guardado as fitas em local seguro no momento que a novela foi censurada, em 1993. Atualmente Hélcio Magalhães trabalha como fotógrafo, pois diz que sua carreira de ator fora muito prejudicada com as comparações ao ex-presidente.

 

Sinopse

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A minissérie começa com a posse de Elle, como os figurões se referem ao presidente, em 1990. No dia seguinte, a jornalista Mariana sofre o primeiro golpe: suas economias são bloqueadas. A repórter arrisca um palpite: “Esse cara não vai dar certo…” Mariana namora André, que esconde dela sua profissão de piloto particular do doutor Paulo. A mentira dura até o dia que Mariana encontra André na festa do poderoso.

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André disfarça seguindo até ali porque sentia ciúmes dela. Ao ver as fotos da festa, Mariana flagra André num papo descontraído com Felícia, que ensina a primeira dama, Ella, a se comportar adequadamente no high society. Na mesma festa, Mariana, que trabalha para a TV Candango, ouve no banheiro conversas sobre o “Plano 2020” e começa a investigá-lo, descobrindo que Elle pretende governar o país por 30 anos.

O chefe de Mariana é então chantageado e a demite da emissora. Ela se junta ao fotógrafo Tato, que tem fotos comprometedoras, e ao motorista de Elle, que leva cheques fantasmas e decide desmascarar o chefe. Os três se metem no submundo da política, passando a ser perseguidos e ameaçados ao tentar provar a culpa de Elle e denunciar o esquema.

Fonte: https://pt.wikipedia.org
           http://noticiasdatv.uol.com.br
           http://www1.folha.uol.com.br
           http://redemanchete.net
           http://www.teledramaturgia.com.br

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