Rinoceronte Cacareco e o Macaco Tião

rinoca5Cacareco foi um rinoceronte do Zoológico de São Paulo que, nas eleições de outubro de 1959 para vereador da cidade, ganhou cerca de 100 mil votos. À época, a eleição era realizada com cédulas de papel e os eleitores escreviam o nome de seu candidato de preferência. Cacareco foi um dos mais famosos casos de voto de protesto ou voto nulo em massa da história da política brasileira, uma vez que se tornou o "candidato" mais votado do pleito: o partido mais votado não chegou a 95.000 votos.

Após o resultado das eleições, Stanislaw Ponte Preta comentou no jornal Última Hora que "diversos membros da cúpula do PSP andaram rondando a jaula de Cacareco, para o colocarem no lugar de Adhemar de Barros". Já o então presidente Juscelino Kubitschek declarou: "Não sou intérprete de acontecimentos sociais e políticos. Aguardo as interpretações do próprio povo". A ideia de lançar o animal como candidato teria sido do jornalista Itaboraí Martins, em protesto contra o baixo nível dos outros 450 concorrentes. O fato se tornou notório e serviu como referência para várias análises de percentuais no Brasil de voto nulo e dos chamados votos de protesto.

O lançamento da candidatura de Cacareco

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2013, por Carlos Eduardo Entini - “Com o cartaz que está, Cacareco seria um forte candidato aos Campos Elíseos”. Foi com essa frase que Jânio Quadros, na época um político em ascensão, colocava um rinoceronte, cujo nome significa objeto velho, muito usado, no meio da política paulista, há 55 anos. O comentário, calculado ou não, foi feito pelo governador no dia da inauguração do zoológico da Água Funda, em 16 de março de 1958. Naquele dia, apesar da chuva ter estragado a festa, boa parte dos 200 participantes da inauguração não deixaram de visitar o rinoceronte. A frase não foi dita à toa. Em outubro daquele ano seriam realizadas eleições estaduais. Em São Paulo, o vencedor foi Carvalho Pinto que derrotou Ademar de Barros, e garantiu o janismo na capital paulista. Jânio e Ademar polarizavam a política paulista desde 1948, quando Jânio era vereador e Ademar, governador.

A previsão do governador paulista se realizou em parte. Cacareco realmente foi um forte candidato, mas não para o Campos Elísios - na época sede do governo paulista - mas para o Palácio Prates. A candidatura de Cacareco tomou corpo no ano seguinte quando foi realizada eleição para a Câmara Municipal. A ideia de lançá-lo candidato teria sido do jornalista Itaboraí Martins. Ele recebeu entre 90 e 100 mil votos para vereador de São Paulo. O número preciso nunca se saberá porque os votos que recebera foram computados juntos aos outros nulos.

O animal encarnou a frustração dos paulistanos com os políticos nas eleições para a Câmara Municipal de 1959. Ele teve mais votos do que qualquer outro candidato a vereador. Foi um recado claro dos paulistanos: um cacareco teve mais votos do que os 450 candidatos que concorriam a 45 cadeiras. Na maioria das cédulas o paulistano escreveu “Para vereador - Cacareco”, mas em outras a criatividade transbordou, “Cansados de teleco-teco, vamos votar em Cacareco”, ou “Queremos uma Câmara mais anima... da”. Apesar do sucesso, lançar um animal como protesto não foi original. Em Jaboatão (PE), o bode cheiroso já havia sido lançado como candidato a vereador.

Além do primeiro animal 'eleito', Cacareco, foi o primeiro rinoceronte nascido no Brasil, em 1954, e pertencia ao zoológico do Rio de janeiro. Apesar do nome no masculino, Cacareco era fêmea. Foi o próprio Jânio Quadros que solicitou o animal ao prefeito do Rio, Negrão de Lima. “Asseguro a v. Exa, que este governo dispensará a “Cacareco” todas as atenções e cuidados convenientes”, escreveu Jânio no ofício enviado ao prefeito e publicado pelo Estado em 31 de janeiro de 1958. Em 5 de fevereiro chega a confirmação do empréstimo, o animal foi cedido durante alguns meses para o novo zoo da capital paulista. Depois de pedir pessoalmente o animal, Jânio queria exibi-lo, assim que chegasse à cidade no Palácio Campos Elísios. Ele chegou exatamente um mês antes da inauguração, mas foi direto para o zoológico. Só não foi para o palácio do governo porque Jânio Quadros estava viajando.

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Em outubro de 1958, entre trezentos animais, o rinoceronte era o mais popular do novo zoológico. Diante de tanta popularidade, uma fábrica de brinquedo não perdeu a e lançou o boneco 'Cacareco'. Passado mais de um ano desde sua chegada, começam as pressões para que Cacareco fosse devolvido aos donos cariocas, e, por outro lado as pressões para que ele ficasse. Em março o zoológico paulistano conseguiu mais três meses de permanência. Mas o desejo dos paulistanos era que ele ficasse para sempre na cidade e a campanha “Cacareco é nosso” havia conquistado a opinião pública, como informou o Estado em 20 de setembro de 1959. Vereadores chegaram a reclamar de ligações de um comitê pró candidatura do rinoceronte.

Mas apesar dos clamores o rinoceronte voltou para o Rio em 1º de outubro, dois dias antes das eleições. Foi eleito à revelia. E Jânio eleito por outro Estado. Ainda governador, ele se candidatou a deputado federal pelo Paraná. Foi o mais votado do Estado, com 78.810 votos. Curiosamente menos do que sua criatura. Cacareco, morreu aos 8 anos de idade em dezembro de 1962, de nefrite aguda. Morreu jovem, rinocerontes costumam viver em média 45 anos. Morreu, mas não foi esquecido. Em 1984, seus restos mortais voltaram para São Paulo e estão exibidos até hoje no Museu de Anatomia Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária da USP.


Macaco Tião

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Anos depois, em 1988, o jornal "O Planeta Diário" e a revista "Casseta Popular" lançaram no Zoológico do Rio de Janeiro, na zona norte, a candidatura do chimpanzé Tião à Prefeitura da cidade. Os profissionais promoveram uma grande festa para libertar "o último preso político". Cantores da MPB, como Ed Motta, fizeram até um show de lançamento da candidatura do macaco como protesto já que o Brasil enfrentava um importante período de transição democrática pós-ditadura.

Antes mesmo da candidatura inusitada, Tião ganhou fama pelo seu temperamento ruim. Chamado de mal-humorado, ele foi parar nas páginas dos jornais após atirar fezes e lama nos visitantes do zoológico - até o ex-prefeito Marcello Alencar foi alvo do animal.

Estima-se que o Macaco Tião tenha recebido naquele pleito mais de 400 mil dos votos dos eleitores, alcançando o que seria equivalente ao terceiro lugar entre 12 candidatos. Com 1,52 de altura e 70 kg, ele virou uma celebridade no Brasil. E o feito foi parar no "Guinness World Records" como o chimpanzé a receber mais votos no mundo. Tião morreu de diabetes em 23 de dezembro de 1996, aos 34 anos. Foi decretado luto oficial de três dias no município do Rio de Janeiro.

Macaco Tião, o primata que quase ganhou uma eleição

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2015 - Hoje, votar é fácil. Com o número do candidato, o eleitor digita a sequência na urna eletrônica, aperta o confirma e seu voto está feito. A tecnologia acelerou o processo, inclusive de apuração, mas acabou com o voto de protesto, artimanha que foi muito usada no Brasil depois da abertura política, com o fim da Ditadura Militar. No Rio de Janeiro uma figura muito conhecida dos cariocas conseguiu a proeza de ser o terceiro mais votado nas eleições para prefeito de 1988, mesmo sem se candidatar. O problema foi apenas que o político em questão era um macaco. Macaco Tião era um chimpanzé que vivia no zoológico do Rio de Janeiro. O primata se tornou famoso pelo seu humor pouco convencional. Ele não gostava muito de receber visitas e fazia mal-criação com quem ia vê-lo na Quinta da Boavista. Ele simplesmente jogava fezes e lama nas pessoas. E assim, sua fama foi se construindo.

Antes das urnas eletrônicas as votações aconteciam em cédulas de papel, onde estavam escrito os nomes dos candidatos e o eleitor escolhia um. O voto de protesto servia justamente para não escolher nenhuma das opções de voto disponíveis. Antes das eleições municipais do Rio em 1988, os membros do jornal “O Planeta Diário” e da revista “Casseta Popular”, que depois montaram o programa “Casseta & Planeta”, decidiram lançar o Macaco Tião como candidato a alcaide do Rio de Janeiro. Houve até comício com show na porta do zoológico e o pedido de que soltassem o “último preso político”. Vale destacar que poucos anos antes a Brasil vivia ainda sob a Ditadura Militar.

Concluída a apuração dos votos, chegou a estimativa que o Macaco Tião foi o terceiro mais votado, com cerca de 400 mil votos, deixando outros nove candidatos para trás. Há na lista nomes de peso da política nacional, como Roberto Jefferson, delator do mensalão, e Paulo Ramos, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Tião entrou para o livro dos recordes, o Guinness World Records, como o macaco mais votado no mundo. O querido primata morreu em dezembro 1996, aos 36 anos, vítima de diabete. Apesar de não ter sido prefeito, a prefeitura do Rio decretou luto de três dias pela sua morte.

Fonte: https://pt.wikipedia.org
           http://ultimosegundo.ig.com.br/
           http://historiaempauta.com.br/
           http://acervo.estadao.com.br/

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