Partos por cesárea mudaram a evolução humana

parser121 dez 2016, por Fabio Marton - As pessoas costumam erroneamente achar que a evolução parou para a gente, porque não somos mais perseguidos por predadores. Mas ninguém segura a evolução: uma pesquisa da Universidade de Viena (Áustria), revelou que, desde os anos 1960, o número de “partos obstruídos” subiu em até 20%. Um parto obstruído ocorre quando o bebê é grande demais para sair. Há duas razões para isso: ou o bebê é realmente grande, ou a pélvis da mãe é estreita demais. Por toda a história da humanidade, isso era uma sentença de morte tanto para a mãe quanto para o bebê.

E quem manja de evolução já percebeu o que isso significa: genes para quadris muito estreitos ou bebês muito grandes estavam sendo filtrados, porque quem os tinha morria sem poder passá-los. Exatamente como um gene que tirasse as listras de uma zebra, tornando ela mais fácil de ser caçada pelos leões, seria também filtrado.

A medicina moderna, que tornou o parto por cesárea muito mais seguro, apagou essa pressão evolutiva. Os genes para bebês grandes ou quadris estreitos, que reaparecem por mutação, deixaram de ser filtrados. “Sem intervenção, esses problemas eram frequentemente letais e, de um ponto de vista evolutivo, isso é seleção natural”, afirma o biólogo Philipp Mitteroecker, da Universidade de Viena, em entrevista à BBC. “Mulheres com uma pélvis muito estreita não sobreviveriam 100 anos atrás. Agora eles sobrevivem e passam seus genes codificando uma pélvis estreita para as filhas. A tendência de selecionar bebês nascidos menores simplesmente desapareceu.”

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No caso de bebês grandões, há ainda uma vantagem evolutiva: eles têm menos chances de morrer que os pequenos. Assim, há uma pressão para que essa mutação se propague. Mas os cientistas acreditam que não é forte o suficiente para que um dia os partos naturais se tornem impossíveis: “Eu prevejo que essa tendência continuará, mas talvez apenas suave e vagarosamente”, diz Mitteroecker. “Existem limites para isso. Então não espero que um dia a maioria das crianças terão que nascer por cesáreas.”

 

Uso de cesáreas afeta evolução, tornando parto normal mais difícil

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06/12/2016 - O uso regular de cesáreas tem um impacto significativo na evolução humana, afirmam cientistas. Se, nos anos 1960, uma média de 30 em cada mil mulheres precisavam passar por cirurgia para dar à luz porque tinham pelve estreita demais, hoje esse número subiu para 36 em cada mil. E isso acontece, explicam os cientistas, porque, à medida que partos por cesárea passaram a ser realizados com frequência, os genes que condicionam o tamanho estreito da pelve foram passados de mães para filhas, produzindo novas gerações de mulheres com essa tendência. Esses dados são revelados por pesquisadores da Áustria, que realizaram o estudo utilizando um modelo matemático com base em informações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros estudos de larga escala sobre nascimento. Segundo eles, historicamente, esses genes não teriam sido passado de mãe para filha, pois ambas teriam morrido durante o parto.

O pesquisador Philipp Mitteroecker, do departamento de Biologia Teórica da Universidade de Viena, disse que esta tem sido uma questão de longa data na compreensão da evolução humana.

— Por que é tão alta a taxa de problemas de nascimento, em particular o que chamamos de desproporção fetopélvica, que é basicamente o fato de o bebê não se encaixar no canal de parto materno? — questionou ele. — O que constatamos é que, sem a intervenção médica moderna, tais problemas eram frequentemente letais e isto é, de uma perspectiva evolucionária, uma seleção.

E é esta seleção natural que estaria comprometida, dizem os cientistas, com a disponibilidade de cesarianas.

— As mulheres com uma pelve muito estreita não teriam sobrevivido ao nascimento há 100 anos, e agora passam seus genes às futuras gerações, codificando uma pelve estreita para suas filhas. Nossa intenção não é criticar a intervenção médica. Mas isso teve um efeito evolutivo — diz ele. A pesquisa foi publicada nesta terça-feira na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Forças Opostas

A cabeça de um bebê humano é grande em comparação com a dos outros primatas, o que significa que animais como chimpanzés podem dar à luz com relativa facilidade. Mas, hoje, bebês humanos nascem com a cabeça ainda maior do que costumavam nascer, enquanto as mães têm, cada vez mais, uma pelve mais estreita. Foram essas forças evolutivas opostas que os pesquisadores austríacos encontraram ao desenvolver o estudo.

A primeira tendência, que deve continuar, é que os bebês estão nascendo mais saudáveis, portanto maiores. E isso inclui o diâmetro de suas cabeças. No entanto, se eles crescem muito, ficam presos durante o trabalho de parto, o que historicamente tem provado ser desastroso para a mãe e para o bebê, e, se não fossem as cesarianas, seus genes não seriam passado.

— Um lado dessa força seletiva, que era a tendência para bebês menores, desapareceu devido às cesáreas — destacou Mitteroecker.

Tendências para o Futuro

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Os pesquisadores estimam que a taxa global de casos em que o bebê não pode se encaixar no canal de parto materno passou, nos últimos 50 ou 60 anos, de 3% — ou 30 em cada mil nascimentos — para cerca de 3,6%, ou 36 em cada mil nascimentos. Isso representa um aumento de 20% da taxa original, devido ao efeito evolutivo.

— A questão premente é: o que vai acontecer no futuro? — sublinhou Mitteroecker. — Eu espero que esta tendência evolucionária continue, mas talvez apenas de forma mais lenta. Há limites, por isso não espero que um dia a maioria das crianças tenha que nascer por cesáreas. A pesquisa foi publicada nesta terça-feira na revista, "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS).

 

Fonte: https://super.abril.com.br
           https://oglobo.globo.com

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