Caso Watergate - Parte 2

gate1O dia em que o destino de Nixon foi selado - A história não é feita apenas de lances mirabolantes, de tramas urdidas ao longo de meses, como a invasão aliada da Normandia, em junho de 1944, ou o ataque simultâneo a Nova York e Washington, minuciosamente planejado pela rede do terrorista Osama bin Laden. Ela é produzida também pelo acaso, no que por vezes se aproxima da estrutura de composição das tragédias clássicas.

 

Foi por acaso que um jovem “courier” –aqui para nós, um office boy de luxo– da Marinha dos Estados Unidos conheceu um já experiente e graduado oficial do FBI, a polícia federal americana, em 1970. O local desse encontro fortuito não poderia ser mais irônico, ou, em outra leitura, densamente carregado do espírito da tragédia: a Casa Branca.

Tendo seu curso de graduação na conservadora Universidade Yale sido financiado pela Marinha, Robert Upshur Woodward teve de cumprir quatro anos de serviço naquela Arma após concluir seu curso. Não fosse o estouro da Guerra do Vietnã, não teria sido obrigado a estender seu estágio por mais um ano e não estaria na ala oeste da Casa Branca naquela fatídica noite. Tampouco teria tido tempo de conversar com seu interlocutor e lançar as bases de uma incipiente amizade se os office boys americanos tivessem melhor fado que os brasileiros e não fossem obrigados a esperar horas sentados numa sala por um carimbo e uma assinatura de um burocrata atestando ter recebido a encomenda.

Foi assim que um desorientado Bob Woodward, aos 27 anos, conheceu um solícito W. Mark Felt, com mais que o dobro de sua idade. Felt era o chefe da seção de inspeção do FBI, sob a batuta do mítico J. Edgar Hoover, que dirigiu a agência de 1924 até morrer, em 1972. Ambos, Bob e Mark, numa sala de espera, fazendo o que se espera numa sala de espera, esperando, começaram a bater papo. Woodward, como todo jovem desorientado a pouco tempo de ter de transitar de anos de tutela acadêmica e militar para um desconhecido mercado de trabalho, procurava contatos com pessoas que o pudessem ajudar na escolha de uma direção para a carreira.

Da conversa inicial surgiram coincidências entre os dois. Bob cursava um par de disciplinas na Universidade George Washington, na capital, a instituição que Mark freqüentara nos anos 30. Bob prestava assessoria voluntária ao republicano John Erlenborn, deputado federal pelo distrito em que o primeiro fora criado, em Illinois. Mark também havia trabalhado de assessor de um representante, este no Senado, de seu Estado natal (Idaho) enquanto estudava direito na George Washington.

Num indício precoce de faro para o jornalismo, carreira que apenas começaria a abraçar mais tarde naquele ano, além de conselhos sobre como encontrar um bom posto de trabalho, Woodward pediu um número de telefone a Felt. Em sinal de apreço pelo seu jovem interlocutor, o agente federal lhe deu o número que chamava diretamente o seu escritório no FBI.

A seqüência dessa história é mais conhecida. Bob tornou-se repórter do “Washington Post”; Felt tornou-se o principal dirigente do FBI abaixo do diretor da agência. E aquele número de telefone ajudou bastante a carreira daquele jovem desorientado. Bob, com seu colega Carl Bernstein, desvelou o escândalo Watergate, que irrompeu cerca de dois anos depois daquele encontro na Casa Branca. E W. Mark Felt tornou-se “Garganta Profunda” por 33 anos, até que um artigo da revista de variedades “Vanity Fair” da semana passada revelasse a sua identidade.

E tudo foi costurado pelo acaso em plena Casa Branca, nas barbas de Richard Nixon, quando o republicano nem completara a metade de seu primeiro mandato. Naquela noite de 1970 foi selado o destino do presidente: seria reeleito em 1972, numa vitória acachapante (60% dos votos; 49 de 50 Estados conquistados), mas obrigado a um humilhante ato de renúncia, em 9 de agosto de 1974. Um ciclo trágico perfeito. Para Nixon, é claro.


Katharine Grahan – A Mulher por Trás do W. Post

 

gategrahamNa realidade, o seu poder na media começou lentamente, a partir de 1963, na sequência da morte súbita do marido, ao decidir substituí-lo na direção do jornal Washington Post. Com determinação e bom senso, conseguiu transformar um jornal modesto numa empresa que, em 1991, apresentava um lucro de 1,4 biliões de dólares. Kay não ficou na memória de todos apenas por saber gerir uma empresa, mas por ter tido a coragem de denunciar, em 1969, nas páginas do seu jornal, fatos políticos extremamente delicados que colidiam com a segurança do país, em virtude de serem informações muito comprometedoras sobre o envolvimento dos Estados Unidos da América na Guerra do Vietnam (os chamados Pentagono Papers) e por, em Junho de 1972, quando, contra tudo e contra todos, incluindo os advogadas da empresa que lhe diziam para esperar mais uns dias, apoiou os jornalistas do seu jornal, Carl Bernstein e Bob Woodward que tinham investigado o envolvimento do presidente Nixon naquele que ficou conhecido como «o caso Watergate». Este foi o período mais penoso da vida de Kay e do seu jornal, porque Nixon, recém-reeleito, desferiu, por interpostas pessoas, toda a sua ira contra os jornalistas e a diretora do Washington Post, boicotando as estações de rádio e televisão do Grupo, não lhe concedendo novas licenças e tentando que o jornal ou desaparecesse ou fosse comprado por alguém da sua confiança.

Evidentemente que, durante os 26 meses do Caso Watergate, as finanças do Post tiveram uma baixa considerável, mas o dia de glória para Kay chegou a 9 de Agosto de 1974, quando Nixon apresentou a sua demissão e, a partir daí, Katharine Graham passou não só a ser olhada com o maior respeito, como as empresas do grupo ganharam outra dimensão. Foram 26 meses, com muitas noites sem dormir, muitas angústias, mas Kay teve sempre do seu lado os filhos e o editor do Post, Ben Bradlee, que nunca a deixou esmorecer. Nixon foi o primeiro Presidente dos EUA obrigado a demitir-se e este fato alterou completamente o poder dos media não só nos EUA como em todo o mundo.

Depois de tudo serenado Katharine, Ben Bradlee e alguns jornalistas do Caso viajaram para um país onde se não ouvisse sequer a palavra Watergate e rumaram ao Brasil, embrenhando-se pelos mais recônditos locais, gozando a paz e as belezas naturais e esquecendo a «civilização».

Para lá de uma determinação sem limites, Kay possuía uma refinada educação e um charme que, a ao longo dos anos, lhe granjearam grandes amizades e muito respeito pelos seus colegas de profissão. Kay passou a ser regularmente vista, nas revistas e nas televisões, acompanhada das mais famosas pessoas do planeta.

O Newsweek de 20 de Julho de 2001 (que pertence ao grupo do Post), saiu com Kay na capa devido à notícia da sua morte. Podemos vê-la nas páginas centrais, fotografada ao longo da sua carreira, ao lado de sete presidentes dos Estados Unidos, desde Nixon a Clinton, passando por Lindon Johnson, Gerard Ford, James Carter, Ronald Reagan e Georges Bush. O atual presidente Georges W. Bush não descansou enquanto não foi convidado pela Sr. Graham para um dos seus célebres jantares na mansão em Georgetown, do outro lado do Potomac, rio que banha a capital dos EUA.

Ela foi, sem dúvida, durante décadas, a mais conhecida anfitriã dos media nos EUA, tendo recebido os mais famosos deste mundo, que se sentiam orgulhosos por conviver com ela. Era amiga pessoal de Diana de Gales, de Henry Kissinger, do historiador Artur Schlesinger Jr., de Júlio Eglesias, de Giscard D’Estaing, dos arquimilionários Bill Gates e Mike Nichols da Microsoft, de Waren Buffet, de Nelson Rockefeller, de Nancy Regan e de tantos outros e outras menos conhecidos na Europa, mas poderosíssimos nos EUA.


Artigo – Jornalismo em sua essência

Fabio Santos - Todos os dias e em todo o planeta, uma quantidade impressionante de informações são dispostas pelos mais diversos meios de comunicação, com um destaque especial para a mídia de internet, cuja velocidade de disseminação é incomparável até o presente momento. Mas este não é o ponto da questão, já que informação por informação, qualquer pedaço de papel pode ser um meio de distribuição. O fato em questão é a relevância que cada notícia exposta a quem quer que seja tenha um fundo de verdade e a devida serventia atribuída em sua origem. É neste contexto que surge a pergunta: Afinal de contas, qual é o verdadeiro papel do jornalista e dos meios de comunicação que o cercam?

Tenho como referência o caso Watergate para exemplificar o principal dever e função de um jornalista, definido pelo trabalho brilhante de Bob Woodward e Carl Bernstein em uma das mais impressionantes investigações jornalísticas da história, senão a maior delas. A queda do presidente Richard Nixon é atribuída à reportagem, mas em suma, este não foi o principal motivo. Sua queda ocorreu em função das diversas falcatruas que seu partido, com seu conhecimento e consentimento fazia. O que os repórteres do Washington Post fizeram foi apenas investigar e divulgar aos responsáveis pela eleição de Nixon: Seus próprios eleitores.

Jornalistas não estão aí para derrubar governos ou governantes, mas sim, de manter uma constante vigilância sobre tudo que interessa a sociedade, afinal de contas, este é o seu papel ético e principal. Quem controla o que acontece em um país é sua própria população, desde que tenha as devidas informações para fazê-lo, e a distribuição destas sim, é dever dos meios de comunicação. Qualquer meio que fuja deste princípio, ofendendo ou invadindo o que não é de interesse público, foge do papel dos meios de comunicação e deve ser tratado como pura e simples fofoca.

 

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Watergate
Folha On Line
http://noticiasdefato.wordpress.com/

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