Os custos insanos de manter um carro no Brasil...vale realmente a pena ter??? Parte 2

cuscar topo 2Quanto custa um carro? Acredite, você pode viver sem um! - Por André Fogaça, 23/04/2017 - Você se lembra daquela propaganda que afirmava que todo brasileiro é apaixonado por carro? Aliás, não me recordo o que ela anunciava. A questão é: você já parou para pensar quanto custa um carro na prática? Acredite, este pode ser o grande culpado por você não conseguir economizar mais! Pare para pensar: seríamos mesmo apaixonados por um meio de transporte? Não, porque, na verdade, o carro nunca foi um meio de transporte.

Quer dizer, talvez Karl Benz o considerasse como tal, lá nos tempos do Benz Patent-Motorwage, mas a primeira vez que tirou o triciclo estranho, com motor de menos de um cavalo de força da garagem em 1886 e deu uma voltinha, ele percebeu algo: as pessoas viravam as cabeças nas ruas. Pessoas a cavalo ficavam de queixo caído. Isso porque o que ele tinha nas mãos era mais do que um simples meio de transporte, era um símbolo de status.

Mas vamos por partes.

Em 1908 Henry Ford teve uma ideia. O carro não deveria separar quem tem muito de quem não tem. Deveria ser barato, acessível a um grande número de famílias. Assim, o famoso Modelo T, em qualquer cor desde que preto, ganhou as ruas das cidades. E as modificou para sempre. A partir de então, as cidades não precisavam limitar seu tamanho à boa vontade das linhas de bondes e ônibus. Os carros davam às aglomerações humanas a capacidade de se expandir quase indefinidamente.

Se você mora em uma grande metrópole, com infindáveis opções de lazer e cultura, agradeça ao vovô Ford. Se você leva mais de uma hora para ir e uma para voltar todo dia do trabalho, xingue o vovô Ford. Um carro, então, é um meio de transporte, um símbolo de status e uma forma de mudanças sociais. Estamos chegando lá. O Ford T saiu de linha em 1927. Em 1928, Washington Luís, que se elegeu presidente do Brasil com o lema “Governar é abrir estradas”, inaugurou a primeira rodovia asfaltada do país, ligando a cidade do Rio de Janeiro a Petrópolis.

Vamos parar um pouco para refletir sobre isso. A primeira rodovia asfaltada do Brasil surgiu em 1928. Há menos de 90 anos. Um carro, então, é um meio de transporte, um símbolo de status, uma forma de mudanças políticas e sociais. Bom. Mas ainda tem mais. A Alemanha destruída do pós-Segunda Guerra contava com o lado dos Estados Unidos e o lado Soviético dividindo os espólios. No primeiro lado, havia uma cidade com uma grande fábrica de automóvel, que ficou a cargo dos britânicos. Entre os modelos estava um carro pequeno, arredondado, desenhado por Ferdinand Porsche. Ao contrário do que muitos dizem, o carrinho não foi uma encomenda de Hitler. Já se buscava um carro popular na Alemanha antes da ascensão do partido nazista, e Ferdinand já tinha levado seu desenho a uma e outra fábrica que, devido ao caos econômico alemão no entre-guerras, não conseguiram levar o projeto adiante.

O modelo de Ferdinand ganhou a concorrência e passou a ser fabricado em uma nova empresa estatal. Enfim, o exército britânico assumiu a fábrica, no maior estilo “vamos fazer carros para nossos soldados e para a população local”. Logo em seguida, os ingleses chegaram à conclusão de que não era função das forças armadas fabricar automóveis. Acabaram vendendo a fábrica, a preço de banana, a alguns de seus antigos diretores dos tempos de estatal nazista. E não é que o Volkswagen vendeu bem, ganhou vários nomes, de Fusca a Beetle, virou o grande ícone automotivo do século XX e ajudou a Alemanha a se reerguer?

Então, um carro é um meio de transporte, um símbolo de status, uma forma de mudanças políticas e sociais e uma grande arma econômica. De outra forma, não haveria, no Brasil, as vantagens para se fabricar o carro popular e as recentes mudanças nas alíquotas de imposto. Se as vendas de carro vão bem, boa parte da economia vai bem.

Só falta uma característica em nossa lista: o carro particular é algo que pode estar causando mais problemas do que benefícios. E está a caminho de se tornar ultrapassado. O carro hoje – mas vamos com calma. Vamos analisar o cenário hoje. O automóvel é onipresente. Pessoas moram de aluguel em casas modestas, mas estacionam um carro estalando de novo na porta. Ou se afogam em dívidas, mas não podem ser vistos com um carro velho. Afinal, o que os vizinhos iriam pensar?

Talvez por isso mesmo, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que o financiamento de carro é a terceira dívida mais frequente nas famílias brasileiras, perdendo apenas para o famigerado cartão de crédito e, ainda firme em segundo lugar, o carnê. O dado apareceu em sua Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada em setembro de 2016.

Então, viagens e cursos que podem nos desenvolver profissionalmente são deixados de lado. Muitos adiam até o “sonho da casa própria”, tudo em nome do carro. Um carro com seu Seguro Obrigatório, emplacamento, IPVA, pedágios e tudo o mais é um bem obrigatório, ali, junto com a televisão e a geladeira. Quem mora em apartamento provavelmente já presenciou guerras homéricas por vagas de garagem.

Pensando em quanto custa um carro, será que vale a pena ter um?

Se formos olhar esforços feitos pela maioria das cidades do mundo, a resposta parece ser simples. E é “não”. O que é mais comum no primeiro mundo são ruas bloqueadas para carros de passeio, faixas em que quem está rodando sem carona não entra, pedágios urbanos, facilidades para se andar de transporte público, a pé ou bicicleta. Onde se permite carros, exige-se que, se ele vai ocupar espaço de qualquer jeito, que pelo menos não polua.

O carro nem é mesmo o meio de transporte mais rápido! Em desafios intermodais, em Curitiba e São Paulo, os veículos particulares de quatro rodas frequentemente estão em desvantagem frente a ônibus e bicicletas. As magrelas, aliás, finalmente estão ganhando seu espaço nas cidades. Foram pegas, sem merecimento, na polarização esquerda/direita que assola o país, mas seu avanço não pode ser detido. E, se você quer mais facilidade, existem as elétricas, que diminuem seu esforço. Mas vamos olhar para a questão por um viés econômico.

Quanto custa rodar com seu carro durante um mês?

Como você já é um frequentador assíduo do GuiaInvest, não vai cair na armadilha de calcular apenas o combustível gasto em um mês. Também irá dividir o gasto do Seguro Obrigatório e do IPVA por doze, e acrescentar essas parcelas ao custo. Mas há mais. A vida útil média de um pneu, por exemplo, é de 60 mil quilômetros, e deve entrar na conta, assim como outras peças e fluidos do carro que se espera trocar. Óleo, bateria. Outras peças, como correias, chips etc., você não espera ter que trocar, então não entra nessa conta. Entra, sim, na depreciação.

Pois essa é outra conta cruel a qual os donos de carros devem prestar atenção. A partir do momento que sai da concessionária, seja novo ou usado, seu carro está perdendo valor. Uma hora você irá vendê-lo, e receberá bem menos do que pagou. A não ser que seu carro seja antigo, de colecionador, mas nesse caso ele perde a função de lhe ser útil no dia a dia. Carro de colecionador só sai da garagem para desfilar um domingo por mês, e olhe lá. Vamos voltar ao carro normal.

Vamos imaginar que carro popular XPTO custe hoje R$ 31.290. Conta rápida:

Desvalorização não é uma ciência exata, mas, para efeito de cálculo, pode colocar que, só de usar esse carro, você perde R$ 166 por mês. E esse é um cálculo generoso. Se você ficar três anos com esse carrinho, prepare-se para notícias piores: uma rápida pesquisa na internet não encontrou nenhum XPTO por mais do que 20 mil. E mais doze meses na poupança elevaria seu investimento para quase R$ 37.500.

Mas existem outros cálculos mais a longo prazo. Para efeitos de exercício, vamos comprar um carrinho melhor que o XPTO básico. Ainda popular, mas com alguns acessórios, espaço, design, assistência técnica em todo lugar. Digamos que esse carro custe R$ 40 mil.

A seguir, vamos considerar a vida média de um motorista. Você compra o primeiro carro aos 20 anos, e dirige bem, sem problemas, pelo menos até os 60. Isso dá 40 anos, na pior das hipóteses. Vamos em frente. Pesquisa feita em 2016 pela Telefónica mundial mostrou que o brasileiro é o povo que mais troca de carro no mundo. Ficamos com um carro, em média, 1,7 anos. Alemães ficam com o mesmo carrinho por 2,8 anos, e norte-americanos e britânicos, três anos. Só isso já é um alerta para quanto dinheiro desperdiçamos em carros. Mas, para efeitos de cálculos, vamos arredondar para dois anos.

Um carro popular perde, aproximadamente, R$ 4 mil de valor em dois anos. Para trocar de carro, então, você tem que colocar mais quatro mil reais. Então, baseando-se nessa média, um brasileiro dirige, em sua vida de motorista, 13 carros. E, a cada troca de carro, deve colocar mais 4 mil para conseguir um de igual valor.

Acrescentemos o IPVA. Vamos usar nesse exemplo a alíquota base de 4%. Para um carro de R$ 40 mil, novo, o valor desse imposto é R$ 1.600. Com dois anos de uso, passa a ser R$ 1.440. Com um ano, uns R$ 1.500. Mais. Segundo levantamento do portal R7, um carro popular consome, por ano, aproximadamente R$ 5 mil em combustível e mais R$ 600 em manutenção. Com base nisso, vamos lá:

*A bolsa de valores é renda variável, e, como expliquei várias vezes, o grande objetivo desse investimento são os juros compostos. Mas em 2016, o índice Bovespa teve uma valorização de 38,9%. Calculamos apenas um ano, por ser muito difícil a extrapolação. Lembre-se, entretanto, que quanto mais tempo você permanecer com uma ação, maiores as possibilidades de lucrar.

Então, somando-se combustível, impostos e taxas, peças e fluidos novos, mais a desvalorização teremos o custo médio de um carro por mês. Sim, é mais do que a maioria das pessoas pensa. E não estamos levando em conta juros de financiamento e a tia distraída que arranha a nossa lataria com o carrinho de supermercado no estacionamento.

Mas existem alternativas para o carro?

Sim, e muitas:

1 – Táxis, Uber e similares: Ah, nada como a concorrência. Mesmo em cidades nas quais o Uber (ainda) não atua, aplicativos de táxis fizeram o cenário mudar. Ao pedir um carro pelo celular, dificilmente você não encontra ofertas, descontos e outras facilidades que podem deixar a corrida bem mais barata. Em 2015, o jornal Zero Hora fez os cálculos e chegou à conclusão de que, se você mora a até quatro ou cinco quilômetros do seu trabalho, o táxi vale mais a pena do que o carro. O uso de promoções – ou até ficar amigo de um taxista e acertar um pagamento semanal ou mensal – pode aumentar a quilometragem. Até porque, se o trajeto de rotina for inferior a quatro quilômetros, para boa parte das pessoas, é mais vantajoso.

2 – Ir a pé ou de bicicleta: Talvez a melhor opção se a preocupação for a relação custo/benefício. Primeiro, o custo é imbatível. Você se lembra do exemplo do carro popular que se deprecia a R$ 166 por mês? Um sapato ou tênis de R$ 200 ou R$ 300 vai durar no mínimo seis meses. Depois, existem benefícios óbvios para a saúde e disposição para enfrentar o dia. A magrela enfrenta algumas desvantagens: o ideal é que seu local de trabalho ofereça chuveiro e lugar para trocar a roupa de ciclista, mas esses são uma raridade. Mas, como disse, conforme o uso da bicicleta se torna mais comum, esse cenário tende a mudar – é preciso ter esperança, certo?

3 – Use o transporte público: O mesmo estudo do Zero Hora apontou que, em média, se o trajeto for a partir de 11 quilômetros, a passagem de um ônibus passa a ser mais barata do que a gasolina que um carro particular gasta no mesmo percurso. Lembre que o constante parar e arrancar nos semáforos aumenta o consumo. Dependendo do trajeto, você pode ter uma grata surpresa: encontrar ônibus e trens mais vazios, com lugar para sentar, apreciar a paisagem, ler um pouco.

Um estudo da Universidade de York, no Reino Unido, revelou que pessoas que trocam o carro pelo transporte público sentem benefícios parecidos com quem usa bicicleta: ficam mais alegres, animadas. Um dos pesquisadores envolvidos declarou: “Você poderia pensar que problemas no transporte público ou multidões causam bastante estresse. Mas ônibus e trens também proporcionam oportunidades de conversa, leitura e normalmente as pessoas caminham para o ponto de ônibus ou estação de trem.” Faça a experiência um dia. Encontre o ônibus, metrô ou trem que o leve para perto de seu trabalho. Pode ser que esteja cheio demais, ou pode ser que os horários não lhe convenham, mas também pode ser que você encontre uma boa alternativa para deslocamentos.

4 – Peça carona: Esta é a melhor solução para quem tem família grande. É muito provável que os filhos de seus vizinhos estudem na mesma escola que os seus filhos, que você e os moradores do seu prédio façam compras no mesmo supermercado, e, como as regiões comerciais e industriais de uma cidade tendem a se concentrar, há uma boa chance de que alguém na sua quadra faça um trajeto muito similar ao seu todo dia, para ir trabalhar. Então, qual a lógica de se colocar dois carros na rua, ocupando espaço, gastando gasolina, cada um com uma ou duas pessoas dentro? Fale com seus vizinhos, combinem um rodízio, uma parceria.

O mais difícil é vencer o “ah, não posso ficar sem carro”, e em algumas situações, não pode mesmo. Mas o que eu quero aqui, como sempre gosto de fazer, é provocar uma reflexão. Faça um balanço de sua vida e coloque tudo na ponta do lápis. Quem sabe você acabe percebendo que, de repente, ficar sem carro pode fazer um bem danado para seu bolso e para as suas finanças. O que acha da ideia? Vai tentar? Se por acaso você não usa carro justamente porque prefere investir o dinheiro, deixe seu comentário. Você pode (e vai) inspirar outras pessoas. Agora que você sabe quanto custa um carro, pegue este dinheiro e faça ele trabalhar para você.

 

Comprar um carro: necessidade de vida ou de STATUS?

 

16/03/2017 - Responda de uma maneira bem sincera: por que você tem ou quer comprar um carro? É realmente uma questão de necessidade básica, de transporte para você e sua família? Poucos bens de consumo são tão desejados como o carro próprio. Também são raros os bens de valor tão elevado, sobretudo no Brasil, em que podemos aportar o nosso suado dinheiro. Um carro próprio traz inúmeros benefícios para seu proprietário. Comodidade, conforto e praticidade são alguns deles. Sem contar o tal “status”, buscado por muitas pessoas que adquirem um carro novo.

Não há nada de errado nisso, a princípio. Embora em intensidades diferentes, todos temos necessidade de pertencermos a um grupo, de nos sentirmos e sermos reconhecidos como profissionalmente bem-sucedidos. Estes sentimentos e percepções estão ligados a ter um carro próprio. O problema reside quando o desejo de status não é compatível e proporcional à situação financeira do proprietário do automóvel. Nesta situação, comprar um carro deixa de ser uma escolha razoável, podendo passar a comprometer a renda e o patrimônio familiar.

Comprar um carro não é, nem de longe, uma escolha cem por cento racional. Mas isso não quer dizer que devemos cometer irracionalidades, colocando o “status” acima de nossas possibilidades financeiras. Pondere todos os fatores na decisão de comprar um carro. Caso contrário, o status proporcionado pelo novo carro será devastado pela infelicidade de um bolso vazio.

Benefícios de comprar um carro

Deixemos a questão do status de lado, por enquanto. É evidente que existem fatores mais racionais envolvidos em comprar um carro. Embora haja opções de transporte público, quase nunca oferecem a conveniência de ligar o carro na garagem e sair. Esta situação se torna ainda mais evidente caso você tenha pessoas que inspiram maiores cuidados dentro de casa, como doentes, bebês ou idosos. Consideremos também que, salvo raras exceções, as condições de transporte urbano no Brasil são sofríveis: inconvenientes como o horário de funcionamento, superlotação, sujeira, riscos de segurança e calor são frequentes.

Existem também as opções de transporte privado, como os taxis e Uber (que não opera em todas as cidades). Embora mais convenientes que o transporte público, são mais caros. E perdem em comodidade para o carro próprio: além do tempo de chegada do veículo, você tende a andar sempre com um desconhecido. Quando o carro é seu, você pode escolher as características do veículo. Somado ao controle de manutenção do veículo por conta própria, pode permitir um maior controle sobre a sua segurança. Por estes motivos, o carro próprio permite conforto, liberdade e segurança, sendo provavelmente a melhor opção para você fazer a viagem de férias com a sua família.

O Status de comprar um carro

Deixamos, então, os fatores racionais de lado. Esquecendo do problema de segurança, uma charrete poderia nos levar de um lado para o outro – que é a função básica de um veículo, afinal de contas. Mas você não tem uma charrete. Talvez nem tenha ou esteja pensando em comprar um carro muito velho também. Nem você e nem eu. Admitindo ou não, queremos comprar um carro como uma forma de recompensa pessoal pelos esforços de nosso trabalho. Literalmente, é um “auto-presente”. O problema é que não basta que nós próprios, proprietários dos automóveis, reconheçamos o esforço desprendido na compra do automóvel. É preciso que as pessoas também reconheçam isso, para que a satisfação do nosso ego esteja completa.

Se morássemos em uma ilha deserta, provavelmente não compraríamos um carrão para sair desfilando pelas estradas por aí. Estranho, mas faz sentido, não é? O carro é um bem posicional: é um cartão de visitas da pessoa que o detém, podendo ser visto mesmo a distância ou em movimento, pelas ruas e estacionamentos da cidade. É uma tentativa de autoafirmação da pessoa que possui o carro. Claro que esta experiência de julgar o sucesso de si próprio ou de outros motoristas, baseando-se apenas no carro que possuem, é extremamente superficial.

Precisamos de um carrão para nos considerarmos como bem-sucedidos? O dono da “máquina” de correr é realmente financeiramente bem-sucedido – ou será que se endividou para comprar o carro? Será que ele comprou com dinheiro lícito? Enfim, nada disso deveria ser usado (como fator isolado), para julgar as pessoas ou mesmo como fator decisivo para comprar um carro.

Como as pessoas ganham dinheiro e o que fazem com ele são circunstâncias que não nos dizem respeito. E reconheçamos: não seremos bem-sucedidos apenas por ter comprado um carro novo. É uma maneira de enganarmos a nós próprios. E os fabricantes de veículos sabem desta relação fortíssima entre carro e status, sobretudo na mente (e no coração) do consumidor brasileiro. Você já deve ter reparado na temática da propaganda das montadoras de veículos. Em várias delas, existe um homem de terno, com uma mulher linda ao seu lado. A ideia é associar o casal, feliz e bem-sucedido, à compra do carro em questão.

Alguns bordões destas propagandas que comprovam isso: “O carro para quem chegou lá”, “Você merece…”, “você pode…”, “retome o que é seu por direito”… O mais grave desta associação carro-status, é o preço dos carros no Brasil. Sim, os impostos tupiniquins estão entre os maiores do mundo. Mas será que os altos preços são justificados unicamente pelos impostos? Tudo indica que não. Como carros são bens que refletem status e luxo, justificam-se os preços altos dos veículos no Brasil, já que isto os tornam ainda mais exclusivos e inacessíveis a grande parte da população.

Embora impliquemos com o preço das bolsas das mulheres, parece ser nós, os homens, os mais propensos a associar carros com status. Dizem que não crescemos, os nossos brinquedos é que ficam mais caros… Paradoxalmente, atuando contra a intuição do que pensam alguns homens, elas afirmam que o carro do pretendente não é pré-requisito no jogo da sedução. O problema de se buscar status em um automóvel nos leva à próxima questão:

Como é caro comprar um carro (e mantê-lo) no Brasil!

Me diga, por que a Louis Vuitton deveria baixar os preços das suas bolsas? Esta foi a resposta de um executivo da PSA/Citroen, quando perguntado sobre os altos preços dos carros no Brasil. O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado… Por que baixar o preço se o consumidor paga? Desta vez, a sinceridade veio de um executivo da Mercedes. Sim, sabemos: tudo custa mais caro no Brasil, desde um videogame até um automóvel. Nossa carga tributária é uma das maiores do mundo.

Mas os impostos que pagamos não justificam, na totalidade, o fato de termos os carros mais caros do mundo. E quanto mais enxergarmos os carros como objetos de status, mais contribuímos para a garantia de altas margens de lucro aos fabricantes. “Alguém pode imaginar que pagar US$ 80 mil por um Jeep Grand Cherokee significa que ele vem equipado com rodas folheadas a ouro e asas. Mas no Brasil esse é o preço de um básico”

Ironiza a revista Forbes, na matéria: “O ridículo Jeep Grand Cherokee brasileiro de 80 mil dólares”. Em valores de hoje, para ser mais preciso, este carro custa quase 90 mil dólares por aqui. Nos EUA, este carro sai por 30 mil dólares (menos que o preço do Jeep Compass no Brasil, de categoria inferior ao Cherokee).

Em reais: o Cherokee que pagamos R$280 mil aqui, custa R$93 mil para os americanos. Significa que, com o valor que você paga neste carro no Brasil, seu amigo de Miami compra três deles por lá.

Repare que nem estamos falando de quantas horas o trabalhador Brasileiro, com sua baixa remuneração, precisaria desprender para comprar um carro. Se comparássemos com a situação americana, a disparidade ficaria ainda maior: o valor absoluto do carro é muito menor, mesmo com as pessoas ganhando mais por hora de trabalho. E o que explica um carro fabricado no Brasil, ser vendido mais barato no México ou na Argentina que aqui, senão uma margem de lucro mais alta praticada em nosso país?

Quando comprar um carro NÃO vale a pena

Pensem na perda de produtividade das pessoas que estão travadas no trânsito. Elas poderiam brincar com o filho, estudar, trabalhar. Isso causa impacto muito grande na economia global É o que afirma o especialista Marcus Jeutner nesta matéria. Esta sentença é ainda mais verdadeira nas grandes cidades, onde as pessoas gastam preciosas horas de seus dias se locomovendo para o trabalho e de volta para casa. Você também não precisa de um automóvel próprio caso o transporte público o atenda a contento, seja pela praticidade, tempo de locomoção, etc.

Mas o principal problema em comprar um carro acontece com as pessoas que não estão financeiramente preparadas para os custos diretos e indiretos na compra e na manutenção do carro. Além do custo do veículo em si, as pessoas costumam minimizar os custos secundários, como: IPVA, seguro obrigatório, seguro do veículo (+ franquia, em caso de acidente), manutenção programada (revisão), combustível, pedágio, zona azul e estacionamentos, multas, lavagens, manutenções não programadas (avarias no veículo)…

São milhares de reais, todos os anos, apenas para se manter um carro próprio. Estes custos podem não estar previstos nos orçamentos das famílias, que inapelavelmente serão somados à prestação do carro. Aliás, este é um outro ponto: os financiamentos costumam embutir altos juros. Muitas vezes, no final do financiamento, você pode ter gasto o suficiente para comprar dois (ou muito mais) carros. Não acredite no tal “taxa zero” Não existe sem juros, aliás: você sempre deve buscar o desconto para o pagamento à vista, seja no carro ou em qualquer outra compra.

Será que não vale a pena alguns anos de transporte público, para que você economize o suficiente para comprar o carro à vista – com um bom desconto? Será que vale a pena sacrificar o dinheiro da família, somente para comprar um carro novo e mostrá-lo para o vizinho ou colega de trabalho?

Critérios inteligentes para comprar um carro

A primeira questão é a econômica. É uma boa regra financeira que você não comprometa mais que 10% do seu patrimônio com a obtenção de um carro próprio. Lembre-se que carro não é investimento. Ao contrário dos investimentos (como o caso dos imóveis), ano após ano, o valor que tinha sido aportado no automóvel, será depreciado. Por este motivo, não vale a pena cometer loucuras para comprar um carro, pois você vai perder muito dinheiro neste bem. Esta depreciação do carro pode ser usada a seu favor, porém. É bem comum que os carros sofram a maior taxa de depreciação nos seus primeiros três anos. Comprar um carro semi-novo de boa procedência, com tão pouco tempo de uso, pode ser uma boa escolha.

Se você, porém, puder arcar com um carro novo e prefere não ter surpresas quanto ao antecedente do veículo, ainda assim existem alguns cuidados. Ao escolher um modelo de carro, tendemos a olhar os opcionais de conforto: câmeras, recursos multimídia, ar condicionado… Não esqueçamos, porém, que uma das coisas mais arriscadas que podemos fazer em nossas vidas é andar de carro. Somos o quarto país em número de mortes de trânsito na américa, na ordem de 40 mil mortes por ano.

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Uma comparação, para você mostrar pra quem tem medo de voar. Sabe quantas pessoas morreram na aviação comercial no mundo, em 2015? Apenas 560, incluindo devido a atentados terroristas. E olha que são 34 MILHÕES de voo por ano. E se andar de carro é tão perigoso assim, por que raios preocupamos mais com a aparência, motor, acessórios de conforto, no momento de comprar um carro novo? Não seria mais sensato priorizar os itens de segurança, como airbags, ABS, controle de tração e estabilidade?

Para aqueles que adoram um motorzão no carro, não custa lembrar que o limite máximo de velocidade nas estradas no Brasil é quase sempre entre 100 a 120 Km/hora. Em várias delas, trafegar nesta velocidade já é um verdadeiro risco em si: nossas vias costumam ser perigosas e esburacadas. Estudar todas as variáveis ao comprar um carro pode levar a uma economia substancial para o seu bolso e das dores de cabeça no futuro.

Conclusão

Status é comprar coisas que você não quer, com o dinheiro que você não tem, a fim de mostrar para gente que você não gosta, uma pessoa que você não é. A Educação Financeira não prega que as pessoas parem de comprar, seja o que for. Incluindo um carro zero quilômetro: se você tem condições de adquirir e manter este veículo, não há nada de errado nisso.

Definitivamente, porém, não vale a pena sacrificar a segurança financeira da família por status. A dignidade do seu futuro em nada será justificada pelo que o vizinho ou colega de trabalho pudesse ter pensado de você – sobretudo baseando-se apenas em seu carro. Comprar um carro envolve decisões sérias e arriscadas, que podem comprometer toda a receita da sua família. Existem diversos fatores, subjetivos e racionais, que vão guiar você na escolha mais adequada para as suas possibilidades – comprar um carro ou não.

Ponderados todos os fatores, se comprar um carro fizer sentido para você, seja feliz com o seu “auto-presente”, com todos os prazeres que um carro pode lhe proporcionar. Se não for o seu caso, racionalmente nada mudará na sua vida: existem muitas opções econômicas para se deslocar de um lugar para outro, exatamente o que se espera de um carro próprio.

 

Seu carro facilmente lhe custa R$ 2.500 por mês. Duvida?

 

09/04/2015, por João Sandrini - Cálculo correto das despesas geradas por um carro mostra como esse bem pesa no orçamento das famílias e escancara as vantagens de optar por outros meios de transporte. Poucas despesas são tão subestimadas pelos brasileiros quanto os custos de ter um carro na garagem. Em geral, as pessoas não percebem as diverdas despesas que só tem quem possui um automóvel e simplificam o cálculo de forma que os agastos não pareçam tão salgados. Mas vou detalhar nesse texto a formula que considero a mais correta para etimar os gastos gerados por um veículo par que você entende como os "custos ocultos" podem facilmente elevar a despesa mensal de um carro comprado por R$ 50.000 para mais de R$ 2.500 mensais. A fórmula é baseada na proposta apresentada pelo profissional CFP (certified financial planner) Valter Police no excelente livro "Meu Planejamento Financeiro", com algumas adaptações feitas por mim mesmo.

Inicalmente considere um veículo com as seguintes características:

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Um carro como esse vai gerar algumas despesas que independem do valor pago pelo automóvel e são mais perceptíveis. Considerando meu próprio caso, descrevo abaixo as despeas que itnha quando ainda possuia um veículo:

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A seguir é preciso considerar os gastos que dependem do valor do carro - muitos deles não são notados pela maioria das pessoas. Considerarei que o seguro custa 3% do preço de compra do veículo ao ano, o IPVA é de 4%, o dinheiro pago a vista renderia CDI se ficasse no banco aplicado, o valor do automóvel se deprecia a um rítmo de 10% ano ano e o custo das parecelas do financiamento inclui os juros mais a amortização:

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Pronto. Somando as duas contas, alguém que tenha comprado um carro de R$ 50.000 terá uma despesa total de R$ 2.547 por mês nesas condições. Está supreso? Acredito que as pessoas não percebam esse custo como tão elevado por três motivos:

1) Poucos brasileiros fazem um controle mensal dos próprios gastos;
2) Algumas despesas, como de manutenção, não são regulares e acabam não entrando na conta mesmo qundo a pessoa possui uma planilha de orçamento pessoal.
3) Quase ninguém incluiria nessa conta "gastos ocultos" como o custo de opotunidade por não alugar a garagem no prédio onde mora, o custo de oportunidade por não deixar o dinheiro no banco rendendo juros ou a depreciação do veículo. Mas saiba que o diretor financeiro de qualquer empresa levaria tudo isso em consideração nahora de fechar o balanço da companhia

Você pode estar pensando que esse post não erve para você por que o custo de compra do seu carro é bem diferente de R$ 50.000, você nunca toma multas, não há despesas com estacionamento no seu caso, seu carro não é financiado, etc. Eu ja contava com isso. Por isso desenvolvi uma planilha que calcula o custo mensal do seu veículo considerando seus gastos. A idéia é que você tenha uma ferramenta de decisão para avaliar se faz mesmo sentido te rum carro ou seria melhor usar o transporte público.

Não tenho apretenção de mudar os hábitos devidas das pessoas. Entendo que o carro é essencial para quem tem filhos pequenos, para pessoas de idade, para quem faz vários deslocamentos ao dia e para quem mora longe do trabalho, entre outros exemplos. Também sei que o transporte público deixa muito a desejar em quase todo o Brasil. Mas convido os leitores a baixar a planillha, gastar um ou dois minutos preenchendo os campos com suas proprias estimativas de gastos, deixar a planilha fazer os cálculos, observar a despesa total gerada por um carro ao mês e dpeois refletir se realmente faz sentido ter esse bem. Lembre-se qu eesse dinheiro poupado e bem aplicado poderia ser suficente para comprar uma casa - sim, um imóvel - ou antecpar em 10 anos a sua aposentadoria.

ACESSE ESSA MATÉRIA AQUI PARA BAIXAR A PLANILHA

http://www.infomoney.com.br/blogs/investimentos/infomoney-recomenda/post/3971197/seu-carro-facilmente-lhe-custa-500-por-mes-duvida

 

Fonte: http://carros.ig.com.br/
           https://exame.abril.com.br
           http://www.autoexpress.co.uk
           http://jornaldocarro.estadao.com.br
           https://spotniks.com
           https://professoresdosucesso.com.br
           http://blog.guiainvest.com.br
           http://minhavidanova.com.br/
           http://www.infomoney.com.br

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