É verdade que o Vaticano tem várias riquezas secretas?

riqueva1aPor Thaís Sant'Ana, 17/04/2017 - É difícil dizer, com precisão, o tamanho do patrimônio acumulado após séculos de catolicismo. A cidade-estado localizada em Roma goza de várias isenções fiscais e não precisa tornar sua contabilidade pública, ...

como uma empresa comum. Além disso, o Vaticano abriga dezenas de obras de arte de valor imensurável. Mas há indícios concretos (desde terrenos e investimentos até objetos pessoais) que permitem estimar ao menos parte da riqueza papal. 

 

Papa-tudo

Patrimônio inclui imóveis, ações e obras de arte

Um apê de responsa

Com piso de mármore do século 16 e cerca de dez salas grandes, o luxuoso apartamento que serve de moradia ao papa tem aproximadamente 230 m2, segundo estimativas. Não se sabe o valor do metro quadrado no Vaticano, mas, em Roma (onde a cidade-estado está localizada), ele pode chegar a até R$ 17 mil. Ou seja: o cafofo do pontífice valeria cerca de R$ 4 milhões

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Banco imobiliário

A Igreja tem milhares de terrenos no mundo – muitos deles para uso de paróquias, escolas e hospitais. Estima-se que cerca de 700 são alugados para fins comerciais. A maioria fica na Itália, no Reino Unido, na França e na Suíça. Um desses imóveis serve de instalação para a joalheria Bvlgari, na New Bond Street – rua chique de Londres cujo aluguel gira em torno de US$ 9 mil por m2!

Cofrinho? Cofrão!

O Banco do Vaticano foi criado em 1942 para administrar os gastos da cidade-estado e as doações vindas do mundo todo. Chamado oficialmente de Instituto per le Opere di Religione, ele é um banco de investimentos. Quem aplica nele ajuda a manter, por exemplo, mais de 100 mil hospitais católicos ao redor do mundo. Estima-se que o banco guarde cerca de US$ 3,2 bilhões

Ilustra de peso

Além de obras de arte, a cidade-estado também abriga um arquivo com mais de 150 mil documentos históricos, situado em dois bunkers 6 m abaixo do solo. Lá, há uma rara edição da Divina Comédia, clássico escrito por Dante Alighieri no século 14, ilustrada por Sandro Botticelli. Só para ter uma ideia, obras desse pintor renascentista já foram avaliadas em até 20 milhões de euros

Ações em alta

O Vaticano também é dono de uma carteira de investimentos na casa dos US$ 4 bilhões. Ela inclui ações de várias empresas italianas, como Fiat e Alfa Romeo. Foram doadas à instituição na época do Tratado de Latrão, um acordo de 1929 que formalizou a cidade do Vaticano como um Estado soberano, independente da Itália

Tesouros da humanidade

O Vaticano detém obras cujo valor é inestimável, porque sequer é cogitado vendê-las. É o caso do quadro São Jerônimo, de Leonardo da Vinci, na Basílica de São Pedro. Sabe-se que a Mona Lisa, também de Da Vinci, foi avaliada em cerca de US$ 100 milhões. Não é exagero imaginar que o afresco de Michelangelo no teto da Capela Sistina, por exemplo, também chegaria a esse valor (ou passar)

Que luxo de acessório!

Alguns objetos pessoais do papa, como o anel e o cajado, são produzidos com metais e pedras preciosas. Também já houve tiaras papais (um tipo de coroa, não mais usada hoje em dia). Muitas foram presentes de chefes de Estado. Três feitas de ouro são exibidas em museus do Vaticano. A maior leva 9 kg do material, o que a faria custar R$ 900 mil. E sem contar as pedras preciosas!

OUTRAS CURIOSIDADES

Por volta do século 7, a Igreja Católica já era a maior proprietária de terras do mundo
A Igreja recebe dízimos, laudêmios, pedágios e outros impostos sobre terras consideradas suas por todo o planeta
Há ainda outras 20 tiaras papais guardadas, a maioria feita de prata
O trono papal é um mistério. Alguns historiadores alegam que é de madeira coberta com bronze dourado; outros, que é de ouro puro
Consultoria Virgílio Caixeta Arraes, professor de história da Universidade de Brasília, e Ivan Manoel, professor de história da Unesp-Franca


Os tesouros do Vaticano

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13/09/2014 - Erguida na margem esquerda do rio Tibre em Roma, perto do Circo de Nero, onde segundo a tradição “são Pedro, o primeiro papa e apóstolo a quem Cristo confiou seu ministério, foi martirizado em 67 d.C. A sede da Santa Sé e local da principal residência do papa é o menor estado independente do mundo”. Mas é o mais rico?

“Em 320–327 d.C., o imperador Constantino construiu uma basílica de cinco naves”, sobre o que se acredita ser o local da sepultura de são Pedro, “com um santuário na abside da igreja para marcar a localização da tumba. No século XV, o edifício estava em mau estado e havia necessidade de mais espaço; foram feitos planos para reformar e ampliar a igreja.” No reinado do papa Júlio II (1503–1513), conhecido como o Papa Guerreiro por ter “vestido armadura para liderar tropas em defesa das terras papais”, o trabalho começou com um túmulo para Júlio, um enorme monumento independente criado por Michelangelo. Júlio decidiu então derrubar a basílica constantina e reconstruir a São Pedro inteiramente. “Ao mesmo tempo, Júlio encomendou afrescos para o interior do Palácio Vaticano. Ele pediu a Rafael que pintasse quatro salas para serem usadas como área de recepção e escritórios papais.” Enquanto Rafael trabalhava, Michelangelo estava pintando o teto da capela papal conhecida como Capela Sistina (1508–1512). “Michelangelo pintou a abóboda com cenas do livro do Gênesis: a criação do mundo e de Adão e Eva, a expulsão do Jardim do Éden e a destruição do mundo pelo dilúvio. (…)

“Em 1546, Michelangelo, então com setenta e um anos, foi nomeado arquiteto da São Pedro e desmanchou algumas construções”; também começou a trabalhar na “primeira grande cúpula a ser erguida em uma colunata. Projetada por Michelangelo, mas só terminada após sua morte, a abóboda coroa a igreja”.

Centro geográfico da Igreja Católica Romana, o Vaticano possui algumas das mais preciosas obras de arte do mundo, e muitos acreditam que seja a organização mais rica do planeta.

Em um livro sobre os tesouros do Vaticano, The Vatican Billions (Os bilhões do Vaticano), Avro Manhattan observou que “a Igreja Católica é o maior poder financeiro, maior acumuladora de riquezas e a maior proprietária de terras atualmente. Possui mais riquezas materiais do que qualquer outra instituição, corporação, banco, truste gigantesco, governo ou estado do mundo inteiro. O papa, como governante desse imenso acúmulo de riquezas, é, consequentemente, o indivíduo mais rico do século XX. Ninguém tem condições de dizer precisamente quanto ele vale em termos de bilhões de dólares”.

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Segundo o autor, a Santa Sé tinha grandes investimentos com os Rothschild na Inglaterra, França e Estados Unidos, e no Hambros Bank e Credit Suisse em Londres e Zurique. Nos Estados Unidos, tem holdings com o Morgan Bank, Chase-Manhattan Bank, First National Bank of New York, Bankers Trust Company e outros. Entre seus investimentos estão bilhões de ações das mais poderosas corporações internacionais, como Gulf Oil, Shell, General Motors, General Electric, IBM e outras. Segundo uma estimativa conservadora, a quantidade de investimentos é superior a 500 milhões de dólares só nos Estados Unidos.

Em um comunicado publicado recentemente, a arquidiocese de Boston declarou ativos no valor de US$ 635.891.004, o que representava 9,9 vezes o seu passivo. Com isso restava um patrimônio líquido de US$ 571.704.953. “Não é difícil descobrir a riqueza absolutamente impressionante da igreja”, disse Manhattan, “quando somamos as riquezas das vinte e oito arquidioceses e 122 dioceses nos Estados Unidos, algumas das quais são ainda mais ricas que a de Boston. Pode-se ter uma ideia das propriedades e outras formas de riqueza controladas pela Igreja Católica pela declaração de um membro da Conferência Católica de Nova Iorque, segundo a qual sua igreja ‘provavelmente só perde para o governo dos Estados Unidos no volume de compras anuais’.”

Essas estatísticas indicavam que a Igreja Católica Romana, uma vez calculados todos os ativos, era o corretor mais incrível do mundo. A Santa Sé, independentemente do papa que estivesse ocupando o cargo, foi se voltando cada vez mais para os Estados Unidos. Um artigo do Wall Street Journal disse que os negócios financeiros do Vaticano só nos Estados Unidos eram tão grandes, que frequentemente envolviam a compra ou venda de ouro em lotes de um milhão de dólares ou mais de cada vez.
Segundo a United Nations World Magazine, o tesouro do Vaticano chegava a vários bilhões de dólares em ouro. Boa parte dele estava armazenada em lingotes no Federal Reserve Bank dos Estados Unidos, e o restante em bancos da Suíça e Inglaterra. A riqueza do Vaticano apenas nos Estados Unidos era maior do que a das cinco corporações mais ricas do país.

Mas, em 1987, a revista Fortune noticiou que “Apesar de todo o seu esplendor, o Vaticano está praticamente falido”. O artigo dizia: “Depois de ter sobrevivido a invasões bárbaras, perseguições, inúmeras pragas e cismas ocasionais, o papado agora enfrenta um problema da era moderna: um profundo aperto financeiro. Os custos da burocracia crescente do Vaticano superam em muito seus recursos”.

No ano anterior, a Santa Sé captou 57,3 milhões de dólares de fontes tão diversas quanto taxas de cerimônias; receitas de publicações, anúncios em jornais e vendas de videocassetes; e modestos ganhos de investimento de 18 milhões de dólares. Com investimentos da ordem de 500 milhões de dólares, o Vaticano controlou menos recursos financeiros do que muitas universidades norte-americanas.

Na primavera de 2008, o Vaticano informou que seus contadores haviam registrado uma perda em suas contas anuais pela primeira vez em quatro anos. O relatório dizia que a Santa Sé perdera quase 10 milhões de euros depois de investir em dólares antes da queda acentuada da moeda norte-americana em relação ao euro. “E o buraco no orçamento teria sido ainda pior”, disse uma fonte, “se a Igreja não tivesse elevado os aluguéis de suas propriedades em Roma, sobre as quais não paga impostos ao estado italiano.” Os aumentos nos aluguéis teriam provocado grande polêmica em Roma, pois a Igreja teria ameaçado despejar os inquilinos que não pagassem. O prejuízo também foi atribuído ao péssimo desempenho dos veículos de comunicação do Vaticano, incluindo um jornal e uma estação de rádio, que haviam perdido aproximadamente 15 milhões de euros no ano anterior. Em 2007, o Vaticano reportou uma receita geral de 236,7 milhões de euros, enquanto as despesas totalizaram 245,8 milhões de euros.
Boa parte da receita do Vaticano vem de doações de membros da Igreja em todo o mundo. Os católicos norte-americanos contribuem com cerca de 80 milhões de dólares.
Especialistas avaliaram que a riqueza total do Vaticano em 2008 superava os 5 bilhões de euros.

O tamanho exato da riqueza do Vaticano em bancos e ações é assunto controverso, e a Santa Sé não revela. Mas dinheiro e investimentos não constituem toda a medida da riqueza da Cidade do Vaticano. A Santa Sé possui a maior coleção de tesouros artísticos do mundo. Em museus, locais de exibição pública, em câmaras privadas, corredores de mármore, igrejas, capelas, e na basílica de São Pedro podem ser encontradas pinturas, afrescos, desenhos, esculturas e vitrais criados pelos maiores artistas da história ao longo de séculos desde antes de Cristo até hoje.

“A primeira coleção de antiguidades do mundo foi criada pelos papas Júlio II, Leão X, Clemente VII, Paulo III e Pio V. Entre elas estavam o Torso de Hércules, o Apolo Belvedere e o Grupo de Laocoonte. Pio VI deu continuidade à atividade de Clemente XIV com tamanho sucesso, que suas coleções (…) foram reunidas em um grande museu (…) o Museu Pio-Clementino. Ele tem onze salas repletas de antiguidades celebradas.”

“A fundação dos Museus Vaticanos remonta a 1503, quando o recém-eleito papa Júlio II della Rovere colocou uma estátua de Apolo no pátio interno do Palácio Belvedere construído por Inocêncio VIII. (…) Dezenas de artefatos foram acrescentados ao longo dos séculos, e as coleções acabaram sendo reorganizadas sob Bento XIV (1740–1758) e Clemente XIII (1758–1769). Eles fundaram os Museus da Biblioteca Apostólica: o Sagrado (Museo Sacro, 1756) e o Profano (Museo Profano, 1767). O Museu Cristão, composto por artigos encontrados em catacumbas que não poderiam ser mantidos in situ, foi fundado por Pio IX em 1854 no Palácio Laterano e removido para os Museus do Vaticano pelo papa João XXIII. O papa Pio XI inaugurou em 1932 (…) a Galeria de Arte do Vaticano (a Pinacoteca).”

Boa parte da coleção de tesouros do Vaticano está aberta ao público em seus inúmeros museus e dentro do Vaticano na forma de arte e esculturas. O mais famoso e popular é composto pelo teto da Capela Sistina, pintado por Michelangelo, e a escultura Pietà, mostrando a Virgem Maria segurando o corpo crucificado, na Capela da Pietà, no interior da basílica de São Pedro. Descrita pelo Vaticano como “talvez a escultura mais famosa do mundo com tema religioso”, foi esculpida quando Michelangelo tinha vinte e quatro anos de idade e é a única que ele assinou.

“Com essa magnífica estátua, Michelangelo nos deu uma visão cristã e altamente espiritualizada do sofrimento humano”, observou uma publicação do Vaticano. “Artistas anteriores e posteriores a Michelangelo sempre retrataram a Virgem com o Cristo morto nos braços como enlutada, quase à beira do desespero. Michelangelo, por outro lado, criou uma aura altamente tranquila. Enquanto segura no colo o corpo sem vida de Jesus, o rosto da Virgem emana doçura, serenidade e uma aceitação majestosa dessa imensa dor, combinada com sua fé no Redentor. É quase como se Jesus estivesse prestes a acordar de um sono brando, como se depois de todo sofrimento e espinhos, a rosa da ressurreição estivesse prestes a desabrochar.”

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Depois do Túmulo de São Pedro, a Capela da Pietà é o local mais visitado e silencioso de toda a basílica. A escultura é protegida por um vidro à prova de balas para evitar a repetição de um ataque perpetrado por um homem transtornado. Em 1972, o geólogo de trinta e três anos Laszlo Toth, húngaro de nascimento e de nacionalidade australiana, atacou a estátua com um martelo aos gritos de “Eu sou Jesus Cristo ressuscitado!” O braço esquerdo da Virgem ficou danificado, assim como o nariz, o olho esquerdo e o véu. O ataque foi o primeiro grande dano sofrido por uma obra de arte na basílica de São Pedro desde que um alemão quebrou dois dedos da estátua do papa Pio VI ajoelhado, em 1970.

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Os Museus do Vaticano estão repletos de obras de Giotto, Caravaggio, Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rafael, entre muitos outros. As bibliotecas do Vaticano guardam antigos manuscritos da Bíblia e de outras obras, em alguns casos o único exemplar de determinada obra. Os edifícios do Vaticano, especialmente a basílica de São Pedro, são adornados com ouro, prata, pedras preciosas e o mais fino mármore.

“Para entender por que o papa tem essas coleções”, explicou Maurizio de Luca, especialista do Vaticano encarregado de sua manutenção, “é preciso pensar no significado do papa e da Igreja ao longo dos séculos. Os papas e sua corte eram os maiores patronos da cultura em seu tempo. Este é o lugar onde os papas colocaram alguns dos maiores artistas para trabalhar, e isso se transformou em coleções.”

Em 2001, “dois ex-funcionários do Vaticano foram acusados de envolvimento em fraudes de obras de arte. O monsenhor Michele Basso, ex-administrador do Capitólio de São Pedro, e o monsenhor Mario Giordana, ex-conselheiro da embaixada italiana no Vaticano, foram acusados de tentar vender obras de arte falsamente atribuídas a artistas como Michelangelo, Guercino e Giambologna a instituições como o Metropolitan Museum, em Nova Iorque, e a National Gallery, em Washington. (…) Os trabalhos mais notáveis eram um busto de mármore, o Jovem São João Batista, atribuído a Michelangelo, e um vaso grego antigo, atribuído a Eufrônio. Os funcionários teriam usado papéis impressos do Vaticano para autenticar as obras e aumentar seu valor.

Como o Vaticano é ao mesmo tempo uma cidade e um Estado (ambos na cidade de Roma), é administrado da mesma forma que os países, com uma prestação de contas de toda a sua riqueza; porém, também funciona como uma empresa multinacional. O escritor Karl Keating observou que o orçamento anual do Vaticano era mais ou menos igual ao da arquidiocese de Chicago. Uma parte dos fundos era usada para manter o próprio Vaticano e a outra parte destinava-se ao trabalho missionário da Igreja e outras obras ao redor do mundo.

“Imagino que poderíamos perguntar por que o Vaticano tem dificuldades para equilibrar um orçamento anual relativamente pequeno”, escreveu Keating. “A riqueza da Igreja é composta quase que inteiramente de igrejas, hospitais, escolas e missões, mais as obras de arte. Você poderia vender as obras de arte, mas o produto da venda não alimentaria os pobres do mundo por um dia sequer.

“Se o Vaticano vendesse todas as suas obras de arte, receberia centenas de milhões de dólares — mas uma única vez. Elas desapareceriam, e o dinheiro não iria durar muito. (…) Os papas são guardiões, não donos. Eles têm a responsabilidade de preservar seus tesouros artísticos para a posteridade, não vendê-los para coleções particulares.”

Calculou-se que “custa cerca de 250 milhões de dólares anuais para administrar o Vaticano. O dinheiro vem de (…) contribuições das conferências dos bispos, dioceses, ordens religiosas, doadores leigos e ‘outras entidades’. Em 2004, esse total chegou a 89 milhões de dólares. Desse valor, cerca de 27,2 milhões vieram de dioceses individuais nos termos do Cânone 1.271 do Código da Lei Canônica, que obrigava as dioceses a contribuir financeiramente para manter a Santa Sé. Isso significa que 2.883 jurisdições eclesiásticas de todo o mundo deram uma média de 10 mil dólares cada uma em 2004. (…) As arquidioceses ricas deram muito mais, muitas dioceses menores deram pouco ou nada”.

O Vaticano também acumula “ganhos com bens imóveis, cerca de trinta edifícios e 1,7 mil apartamentos de propriedade da Santa Sé que geraram uma renda de 64,5 milhões de dólares em 2004. Os ganhos também são provenientes de investimentos e outras atividades financeiras, com 80% da carteira do Vaticano em títulos e 20% em ações. Em 2004, o demonstrativo financeiro do Vaticano não forneceu um total geral”, mas especialistas disseram que “os ganhos devem ter sido da ordem de 100 milhões de dólares. O demonstrativo sublinhou que isso representava um ganho de 21,5 milhões de dólares, atribuído à melhoria da situação dos mercados financeiros mundiais em 2004”.
“Um relatório [de 2004] do Vaticano indicou que as contribuições para o óbolo de são Pedro, fundo de apoio às ações de caridade papais que não fazem parte do orçamento regular do Vaticano, totalizaram 52 milhões de dólares (…) uma queda de 7,4%.”

O famoso escritor e sacerdote de Chicago padre Andrew Greeley escreveu: “Houve um tempo em que a Igreja foi realmente muito rica (e essa é outra história), mas a Reforma e a Revolução Francesa acabaram com isso. O catolicismo é pobre em propriedades. Qual é, por exemplo, o valor de reposição da basílica de São Pedro no Vaticano? Quem a compraria? Quanto rende anualmente? Na verdade, as velas votivas — sua única fonte de receita — mal pagam a manutenção. E o que alguém faria com ela se a comprasse, principalmente depois que descobrissem que era um chamariz de vendas? Construiriam condomínios? O que alguém faria com o museu do Vaticano? Talvez o governo italiano pudesse comprá-lo para fazer a última estação da linha de metrô de Roma. A dotação do Vaticano é inferior à de uma universidade católica norteamericana média. Sua existência financeira é precária. Exibe seu esplendor e suas cerimônias, mas a riqueza que pagava seu esplendor desapareceu há muito tempo e mal pode pagar pelas cerimônias”.

“Os ativos do Vaticano sempre foram um segredo bem guardado, mas sempre um objeto de muita especulação. As estimativas vão de 1,5 bilhão a 15 bilhões de dólares e mais. Inclui as obras de arte e edifícios, que em sua maioria não podem ser vendidos. Grande parte dos ativos do Vaticano está em títulos e reservas de ouro. Ativos adicionais são formados por receita de aluguéis, venda de moedas, selos e suvenires.”

Como os palácios, residências reais, residências e propriedades históricas na Grã-Bretanha, o Vaticano tornou-se atração turística e arrecadador de dinheiro.
Especialistas financeiros observam que, apesar de sua riqueza, o orçamento do Vaticano tem mostrado um déficit de vários milhões de dólares desde 2001, mas seu débito é garantido pelos ativos. O maior deles inclui as propriedades do Vaticano, em Roma e suas cercanias, a residência de verão do papa em Castel Gandolfo, edifícios de escritórios, palácios e catedrais. A Cidade do Vaticano, com seus muros que remontam ao século XVI, conquistou sua independência em 1929, após a conclusão dos “Pactos Lateranenses” com a Itália. No dia 11 de fevereiro daquele ano, o papa Pio XI e Benito Mussolini criaram o Vaticano com suas dimensões atuais e garantiram edifícios e direitos de soberania adicionais.

Segundo Ivan Ruggiero, contador chefe da Santa Sé, o patrimônio imobiliário do Vaticano vale cerca de 1,21 bilhão de dólares, sem incluir seus tesouros de arte de valor inestimável. “O valor do patrimônio imobiliário foi calculado sem considerar seu real valor no mercado”, disse Ruggiero. “E é claro que o grande patrimônio artístico da Santa Sé não foi considerado, uma vez que seu valor é inestimável e não comercial. (Por ser ‘inestimável’, o valor dos tesouros de arte foram relacionados como ‘um euro’.)”

A basílica de São Pedro é considerada “para além dos valores do mercado”. Em julho de 2008, a Associated Press informou que o Vaticano apresentou um déficit em 2007, o que a Santa Sé atribuiu ao “dólar fraco nas generosas cestas de doação dos fiéis norte-americanos”, e custos elevados para o funcionamento dos órgãos de comunicação do Vaticano (um jornal e uma estação de rádio). “O Vaticano publicou valores financeiros mostrando um déficit de quase 13,5 milhões de dólares, citando a forte queda na cotação do dólar norte-americano. O Vaticano de Roma paga muitas das suas despesas em euros, moeda que subiu muito de valor em relação ao dólar norteamericano.

O demonstrativo financeiro, publicado pela assessoria de imprensa da Santa Sé, mostrava uma receita de 371,97 milhões de dólares contra uma despesa de 386,27 milhões.

“O Vaticano disse que seus investimentos financeiros foram prejudicados ‘principalmente pela inversão aguda nas taxas de câmbio, acima de tudo para o dólar norte-americano’, e que os aluguéis e outras receitas de seu grande patrimônio imobiliário ajudaram as finanças. Os Museus do Vaticano, que incluem a Capela Sistina, uma das principais atrações turísticas, também ajudaram as finanças da Santa Sé. “O óbolo de são Pedro, recolhido em todo o mundo anualmente, mostrou que os fiéis norte-americanos foram os mais generosos em termos absolutos da quantia doada, mais de 18,7 milhões de dólares.

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“Nenhuma nação de católicos doa mais do que os norte-americanos. Um comitê consultivo de cardeais publicou em 2008 um relatório mostrando que os Estados Unidos foram a nação que mais contribuiu (19 milhões de dólares, ou 29% do total) para os gastos com caridade da Santa Sé em 2007, e ficaram em segundo lugar (depois da Alemanha) em contribuições para a própria Santa Sé.”

Em 2007, o Vaticano decidiu “recompensar financeiramente os funcionários que estivessem fazendo um bom trabalho”. “Disse que levaria em consideração ‘dedicação, profissionalismo, produtividade e correção’ para dar um aumento de salário. (…) Mais de 4 mil pessoas, de cardeais a faxineiros” trabalhavam para a Santa Sé no Vaticano.

“O salário-base em uma vasta gama de funções ia de 1,1 mil euros (1.634 dólares) a 2,2 mil euros (3.268 dólares) mensais.” Um levantamento recente mostrou a existência de 2.659 empregados, dos quais 744 eram padres, 351 homens e mulheres de ordens religiosas, e 1.564 leigos.
Quando perguntaram ao papa João XIII quantas pessoas trabalhavam no Vaticano, ele brincou: “Mais ou menos a metade”.

(Jeffers, H. Paul - Mistérios sombrios do Vaticano)


Fontes: Levantamento de 2012 do Global Property Guide
             ranking global da consultoria Cushman & Wakefield
             The Guardian
             BBC
             Folha de S.Paulo
             https://mundoestranho.abril.com.br
             http://divagacoesligeiras.blogs.sapo.pt

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