O Naufrágido do Navio Sobral Santos

naufrag1A maior tragédia náutica da região norte do Brasil: O naufrágio do navio Sobral Santos II. O número de vítimas é controverso, sendo que algumas fontes afirmam que foram 250 enquanto outras alegam que o número tenha chegado a 500 pessoas. A hidrovia Solimões-Amazonas, cuja abrangência vai de Tabatinga a Belém (PA), é a via para o ...

transporte de 5 milhões de passageiros mensalmente e de aproximadamente 7 mil toneladas de carga anual. Pelos rios dela, contudo, circulam verdadeiras arapucas fluviais que afundam a ciclos regulares e repetem uma história trágica que teve seu evento mais emblemático ocorrido no ano de 1981.

No dia 20-09-1981, o Barco Motor Sobral Santos 2 foi a pique no porto do município de Óbidos, quando cumpria a linha Santarém-Manaus. A tragédia aconteceu a mais de 30 anos, mas até hoje o episódio permanece envolto em mistério e impunidade. No acidente (segundo dados oficiais) morreram entre 250 e 300 passageiros, mas a tragédia não bastou para evitar os riscos que até hoje correm os que se aventuram por este meio de transporte na rota entre Manaus e Belém, a mais concorrida da hidrovia.

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A viagem mortal

A viagem final do Sobral Santos 2, um barco motor construído em 1957, começou por volta de 19 horas do dia 18 de setembro de 1981 no chamado caiszinho de Santarém, e a dois quilômetros do porto da cidade, de onde ele partira uma hora antes autorizado pela Delegacia Fluvial de Santarém.

Ao longo do dia ele recebeu aproximadamente 300 toneladas de carga, 200 limitadas pela sua capacidade e mais 100 que estavam no barco motor Emérson. O excesso, contudo, não era suficiente e, ao chegar no caiszinho, o Sobral Santos embarcou mais 100 toneladas do barco Miranda Dias, também em pane, e outros 100 passageiros, cujos nomes não constaram na relação dos 430 registrados inicialmente.

O Sobral era considerado o barco mais seguro da região, por ser de ferro; confortável, pelo total de passageiros que levava e ainda possuir uma área de lazer no terceiro passadiço; e veloz, tinha motor de 600 cavalos, partiu com excesso de passageiros e de cargas rumo a cidade de Santarém, cujo cemitério recebeu a sepultura de estimados 200 passageiros.

A carga do Sobral Santos era composta por hortifrutigranjeiros produzidos na região Oeste do Pará e aproximadamente seis mil garrafas de refrigerantes e cervejas, que seriam abastecidos em Manaus. O jornalista Celivaldo Carneiro lembra que a partida do Sobral Santos era um evento porque levava para Manaus a riqueza da região e trazia o que os municípios precisavam. “Hoje tem barco de Monte Alegre, para Manaus. Naquela época não, os produtores traziam feijão, farinha, arroz e embarcava tudo em Santarém para abastecer Manaus”, relata.

O Engenheiro Florestal Cristovam Senna, em cuja biblioteca Boanerges Senna estão guardados jornais que contam a história da tragédia, lembra que o naufrágio causou grande comoção na cidade, onde a maioria dos habitantes conhecia ou era parente de alguém que ia naquela viagem. “A navegação melhorou, até porque não podia piorar, mas naquela época houve excesso de passageiros e de carga e isso causou o naufrágio”, diz.

A versão mais aceita aponta o deslocamento da carga como causa principal do naufrágio. A carga estava mal acondicionada, grades de cerveja e refrigerantes não estavam amarradas e após a atracação no porto, com a movimentação de passageiros para a amurada, a carga fez movimento semelhante e causou o adernamento do Sobral Santos, que mergulhou nas águas barrentas do rio Amazonas em menos de cinco minutos. Estima-se que não levou 10 segundos para percorrer os 130 metros de profundidade e bater no solo do rio. “Quando ele sumiu houve um silêncio. Aquelas pessoas morreram sem poder pedir socorro, sem poder gritar”, emociona-se o comerciante Maurício Hamoy, 58, que estava no porto de Óbidos. “Só depois de uns dez minutos as vítimas começaram a emergir e gritar por socorro no meio do rio, muitas delas sobreviveram ao naufrágio, mas não resistiram a correnteza e foram arrastadas, morrendo da mesma forma”, conta, emocionado, Hamoy. Os primeiros corpos das vítimas começaram a ser resgatados na manhã mesma do naufrágio.

Resgate difícil

A profundidade e a correnteza atrapalharam o resgate, que precisava ser feito por mergulhadores profissionais. Uma equipe de mergulhadores da Marinha, baseada no 4º Distrito Naval, em Belém, entrou numa corveta e chegou a Óbidos quase dois dias depois e iniciou o resgate. Escafandristas retiraram um número indeterminado de mortos, mas a maioria ficou desaparecida.

Oficialmente há relatos de 178 sobreviventes. O inquérito que apurou o acidente foi feito por um oficial da Delegacia de Santarém, mas o documento não pode ser encontrado lá, no 4º DN ou no 9º Distrito Naval, em Manaus. No 4º DN, o oficial de comunicação informou que o prazo para guarda desse tipo de documento é de 10 anos e não havia nada referente ao naufrágio do Sobral Santos nos arquivos do órgão militar. Sem dados oficiais, resta a versão dos sobreviventes.

O Sobral Santos pertencia a Empresa de Navegação Onze de Maio (Onzenave), do empresário Calil Mourão, e tinha permissão para transportar 500 passageiros e 200 toneladas de carga. Doze dias após naufragar, ele voltou a flutuar graças ao içamento feito pelo guindaste João Pessoa e foi vendido para o empresário Isaac Hamoy que o rebatizou de Cisne Branco. Hoje ele pertence a Empresa de Navegação AR Transporte, do deputado Antonio Rocha e tem autorização para levar apenas 232 passageiros e 160 toneladas de carga.

Vala comum

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A maioria dos corpos foi enterrada numa vala comum do cemitério de Óbidos. A administração não tem um número certo de mortos sepultados no local, pois após alguns dias depois de iniciado o resgate apenas partes das vítimas chegavam para serem enterradas e não havia exames de DNA para conferir a identidade. Mesmo assim a estimativa é de que ao menos 200 corpos estão enterrados no local.

 

Sobral Santos a Tragédia

 

Maior Tragédia da Amazônia. Sobral Santos II: 35 anos do maior naufrágio da Amazônia na história deixou muitas marcas em Óbidos no Pará

OBIDOS - O Portal Obidense na sua edição desta segunda feira lembra uma das maiores tragédias fluvial da Amazônia em que o navio Sobral Santos II após atracar no porto de Óbidos por volta das 03:05h da manhã do sábado do dia 19 de setembro do ano de 1981 adernou e afundou matando mais de 340 passageiros. O navio saiu do porto da cidade de Santarém com 200 toneladas de cargas e 530 passageiros e com infiltrações de águas nos porões, a ignorância de sua tripulação e o fator irresponsabilidade e ganância pelo dinheiro, fez com que os proprietários da empresa Onzenave dona do navio na época, rumasse para uma viajem sem retorno. O fato marcou a história das tragédias fluviais na Amazônia e na cidade de Óbidos. O dia 19 de setembro do ano de 1981 ficou na história com uma das páginas triste e manchada pela ignorância do homem e pela ganância do dinheiro.

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Tudo parecia normal, porém o comandante do Sobral chegou a comentar que “passageiro para ele não interessava o que interessava era a carga, carga que dá dinheiro”. Isso ficou claro, pois em sua lista de passageiro somente tinha registro de 430 e excesso de carga, pois pegaria mais 100 passageiros de dois barcos que estavam em pane “Miranda Dias” e “Emerson”, além de mais 100 toneladas de cargas a maioria composta de sacos de farinhas, cereais, hortifruti granjeiros e gradeados de cervejas.

A Tragédia

Na hora do desembarque no porto de Óbidos uma das cordas arrebentou. Foi quando uma pessoa gritou que o barco estava inclinando. O fato causou correria seguido de pânico, centenas de pessoas ficaram alarmadas, temerosas e partiram correndo em direção a saída, desestabilizando o peso do barco que tombou para o lado, desprendendo a carga que rolou em direção a multidão imprensando muita gente na murada da embarcação o que apressou o inclinamento indo o Sobral Santos II a pique em menos de 10 minutos.

Grito de socorro e de desespero ouvia-se de todos os lados, pessoas se jogando na água e as que estavam dormindo não tiveram tempo de se situar sendo que a força da água que entrava no barco motor sugava dezenas de pessoas para o porão, desorientados, feridos e machucados passageiros se jogavam nas águas barrentas do Amazonas para nunca mais voltar. Cerca de 200 corpos ou parte deles foram enterrados no cemitério de Óbidos em valas improvisada pela prefeitura.

Lendas e mitos

Lendas e mitos surgiam em torno dos acontecimentos, segundo contam que naquela região apareceu uma fera que devorava os cadáveres, mas foi descoberto que mergulhadores perfuravam os náufragos para que os mesmos não boiassem mais. Este episódio é lembrado pelo artista Sérgio D´Andrade em um dos trechos do cordeu “O Último Adeus”. Óbidos pelo triste episódio foi parar nas páginas do livro dos Record´s (Guinness Book) edição de 1982, como sendo a parte do rio amazonas com maiores números de piranhas atribuindo ao peixe o sumiço dos corpos. Também pela fadiga e oportunismo dos mergulhadores os mesmo com alto teor de estresse só traziam os corpos por encomenda então os homens rãs, soltavam os corpos que não lhes trouxessem recursos financeiros.

Por ser a maior tragédia da Amazônia, muitos profissionais da impressa do mundo todo inclusive a rede BBC de Londres chegaram em Óbidos, mas o registro e a matéria mais completa pelas pesquisas de nosso site atribuímos a revista Manchete, que instalou uma base em Òbidos. Vale citar várias rádios: Alvorada de Parintins, Rádio Nacional, Voz da America, Rádio rural de Santarém, Rádio Clube de Belém, Rádio Difusora e Rio Mar de Manaus.

Nos dias de hoje...

Após 30 anos da tragédia os maiores jornais de Manaus, Acrítica e o Em Tempo relembraram o episódio que manchou e marcou o porto e o nome de nossa cidade. O jornal Acrítica foi até Óbidos e entrevistou Sergio D´Andrade e Maurício Hamoy. O site obidense.com.br também fez suas pesquisas e deixa aqui mais um registro do grande desastre marítimo em Óbidos. Fomos ao porto de Manaus para fotografar o navio Cisne Branco que antes era Barco Motor Sobral Santos 2, sem sucesso pois descobrimos que o mesmo esta viajando em direção a Belém e que as 03:05hs do dia 19 de setembro de 2011, estará passando em frente a cidade de Santarém completando 30 anos da tragédia. Então descobrimos que a Cábrea João Pessoas, a única que conseguiu erguer o Sobral Santos após 12 dias no fundo do rio, estava ancorada no porto reservado de Manaus, porém nossa tentativa de fotografá-la foi em vão, não conseguimos permissão nem acesso, pois o porto de Manaus esta privatizado, foi então que encontramos um barqueiro seu Severino que me deu a sua palavra que tinha um jeito de chegar onde estava a balsa do grande guindaste, somente por fora, pelas águas do rio Negro, então não pensei duas vezes paguei o valor que me cobrara e entramos no porto de forma rápida e conseguimos a foto dela que trouxe o Barco Motor debaixo do rio Amazonas.

 

Nesta reportagem colhemos depoimentos de pessoas, incluindo o de nosso correspondente em Óbidos Edsergio Moraes sobre a tragédia, muitos foram os que testemunharam este fato lamentável. E a primeira frase que houve era “Eu me lembro” e baixavam a cabeça por alguns instantes pensavam e relatavam.

Eu me Lembro...

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-Idonaldo Conrado Pontes – (Empresário Artístico - Alenquer) - Naquela manha de setembro eu estava em um hotel de nome Pallace em Santarém, foi quando alguém disse desça e venha ouvir o rádio houve uma tragédia em Óbidos, o navio Sobral Santos afundou e morreu muitos passageiros. E aí refleti que eu tinha me livrado da morte, eu não estava acreditando, desci e foi ouvir o rádio e realmente era verdade. Eu estava no hotel muito aborrecido por que tinha perdido a oportunidade de viajar à Manaus no navio Sobral Santos II, eu tinha vindo de Belterra e o meu carro pregou na estrada por uma hora quando cheguei em Santarém o navio já tinha saído do porto, tentei fretar uma voadeira para alcançar o navio, foi em vão não consegui. E quando acordei foi com a noticia que o navio afundou em Óbidos... agradeci a Deus, com certeza se eu estivesse abordo eu morreria porque só viajava de camarote.

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Dr. Francisco Grijalva – (Óbidos). Aquela madrugada de setembro foi de terror, uma surpresa muito desagradável, eu estava acostumado ir ao trapiche que era um local de encontrar as pessoas e nesse local tínhamos essa diversão de ver os navios chegarem e partirem e esse dia foi ao contrario triste e melancólico o navio tinha afundado. Eu não estava presente no momento exato do acidente mais minutos depois pelo fato de morarmos próximo do cais e vimos o quanto foi horrível a tragédia, vi crianças chorando correndo sem direção, pessoas feridas com golpes de vidros das garrafas de coca cola. Chegaram a vir pessoas especializadas em resgate mais aproximadamente 40% dos desaparecidos não foram encontrados. Os feridos foram socorrido no hospital santa casa. Assistir o desespero dos sobreviventes, chegaram muitos repórteres importantes de televisões e jornais de todo o país, olha o que mais faz a gente lembrar dessa tragédia é que o navio continua hoje na linha Santarém Manaus com outro nome e de outra empresa. Mais o tempo faz a gente esquecer, foi muito triste foi horrível, depois de uma semana em que o navio saiu do fundo do rio era uma imagem de um cenário macabro.

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Maury Barros – (Empresário) – Eu me lembro da seguinte maneira: nesse dia eu tinha que viajar para a cidade Juruti onde eu tinha um clube de festa e íamos fazer uma festa no sábado, e aí pedi que um taxista que este fosse a minha casa apanhar-me para a vigem na hora que navio Sobral Santos chegasse no porto. Foi quando por voltas das 03:50h da madrugada o motorista chegou em minha residência assustado e disse que tinha havido uma tragédia no porto.

- O navio que o senhor ia viajar afundou e matou mais ou menos umas 300 pessoas, retrucou o motorista. Fiquei muito abalado mexeu muito com a cidade, perdi um conhecido de nome Cezar que era repórter do jornal de Santarém ele foi dado como desaparecido por que ia viajar no Sobral Santos e até hoje não voltou para sua residência.

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Hugo Antonio Ferrari – (O Sr. Hugo além de nos dar seu depoimento, contribuiu a muito tempo com história sobre a cidade de Óbidos, seu povoamento, além de muitas crônicas escrita para o Portal Obidense)

– Olha, foi a maior tragédia dos naufrágios na Amazônia, em função das perdas de tantas vidas, este acontecimento trágico ficou marcado na nossa cidade até porque a tragédia aconteceu no porto de Óbidos. Eu me lembro que a comoção foi muito grande, a cidade chorou a morte de muitos passageiros. O aeroporto da cidade teve um movimento muito acima de qualquer situação, muitos vieram buscar os corpos de seus familiares para levar para a cidade de origem. Foi um fato que marcou a vida da cidade.

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Edsérgio Moraes (obidense.com) – Eu tinha 14 anos, lembro que a cidade parou naquela manhã de setembro, após o meio dia mergulhadores chegaram em um avião da FAB, e pouco se viu o resgate acontecer. Ainda não tinha cais de arrimo e as pessoas ficavam no barranco olhando a tragédia, de vez em quando, um corpo boiava e aquela cena assustava. No outro dia, lembro que 3 tratores da prefeitura tentaram puxar o navio através de cabo de aço em frente a casa do senhor João Florenzano, até que saiu a parte da proa mais os cabos romperam e o navio voltou ao fundo do rio. Lembro das equipes das TVs e rádios fazendo a noticias. Na manhã do naufrágio tentei enviar noticias para a rádio Alvorada de Parintins havia passageiros da cidade, os sinais de telefone estavam congestionados devido ser poucas linhas na cidade e eram muitas ligações querendo informações sobre o caso, telefone público só existiam nas cabines no prédio da Telepará. Depois de dias do naufrágio chegou de Manaus uma Cábrea (balsa com guincho) e retirou o navio do fundo, o mau cheiro era muito grande e parte do comercio teve que fechar as portas. Foi horrível, vi os carros da prefeitura levando os corpos para o cemitério, eram muitos. Foi um fato que marcou as grandes tragédias fluviais na Amazônia. Muito lamentável.

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Waldir Ferreira (Obidense, comerciário mora atualmente me Manaus) eu presenciei tudo... na época eu tinha 15 anos e morava na cidade de Óbidos, foi uma madrugada de pânico, eu lembro que uma vizinha tinha um comércio no porto da cidade e ela informou pro meus pais por volta das 05:00hs da manhã e na mesma hora eu fui e presenciei as vitimas que estavam em desespero, ah se eu for relatar o que eu vi...na época eu não fazia nada eu passava o dia inteiro vendo as pessoas boiarem os bombeiros tirarem as vitimas do porão do navio, eu vi tanta coisa que até hoje eu tenho na memória.

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Lembro também que muitos pescadores foram ajudar no resgate das vítimas...Eles pegavam umas varas de ferro e penduravam vários anzóis, jogavam no rio, deixavam afundar e depois saiam arrastando quando engatava eles paravam e puxavam para cima e vinha pessoas engatadas nos anzóis coisa chocante, triste, muito triste.

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Donis Bentes (Obidense, empresário, mora atualmente em Manaus), lembro de muita coisa, nessa época vivíamos da pesca, após 3 dias do acontecido o porto de Óbidos ficou insuportável, um fedor, uma podridão, o peixe piraca foi proibido de ser pescado pois diziam na época que esse peixe se alimentava de gente, como não sabia se isso era verdade ou não, então ninguém mais foi pescar. Lembro também dos corpos... (pensou...e continuou), Walmir, cara, os corpos ficaram inchados e acho que estavam cheios de ar dentro, pois eles vinham do fundo do rio com uma pressão e boiavam ao ponto de saltarem em uma altura de mais ou menos um metro fora da água, e ao cair faziam um barulho forte só vendo.

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Juvenal Junior Eliziário (Obidense, Administrador, mora atualmente me Manaus), Olha cara, foi feio o negócio, coisa horrível mesmo, fizeram na frente da cidade tipo umas arquibancadas, pois era muita gente pra olhar...Então lembro que quando barco já estava na beira do rio os bombeiros entraram e foram arrastando os pés, quando tocava no corpo das vítimas eles paravam e metiam as mão...Cara teve uma hora que o cara meteu a mão no porão e puxou...Meus Deus veio só a cabeça já sem o corpo...quase eu não agüenta aquela sena.

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Dobrinha (Obidense, pintor, mora atualmente em Manaus) Eu lembro de muita coisa, só vivia por lá pela beira, me aproximei bem dos mergulhadores fui até lá embaixo, eu era moleque e ninguém me notou, estava um sol quente, quando o “cara” (mergulhador) bóia com um corpos! Era um homem forte grande e bem moreno, não sei se era pelo fato da decomposição ou algo assim... Não tinha nada para colocar ele, então pegaram um papelão e colocaram o cadáver em cima, depois chegou outras pessoas e levau o defunto, eu moleque e sem cuidado algum pequei o papelão coloquei em minha cabeça para me proteger do Sol, foi então que me toquei...poxa vida...me expulsaram de lá fiquei tão fedorento tão fedorento que por onde eu passava as pessoas iam se afastando...Fiquei podre.

 

Fonte: TCN News
           A crítica
           Noite Sinistra
           https://obidense.com.br

 

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