O que é a 4ª revolução industrial - e como ela deve afetar nossas vidas

quarev topo22 outubro 2016, por Valeria Perasso - No final do século 17 foi a máquina a vapor. Desta vez, serão os robôs integrados em sistemas ciberfísicos os responsáveis por uma transformação radical. E os economistas têm um nome para isso: a quarta revolução industrial, ...

marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Eles antecipam que a revolução mudará o mundo como o conhecemos. Soa muito radical? É que, se cumpridas as previsões, assim será. E já está acontecendo, dizem, em larga escala e a toda velocidade.

"Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", diz Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial, publicado este ano.

Os "novos poderes" da transformação virão da engenharia genética e das neurotecnologias, duas áreas que parecem misteriosas e distantes para o cidadão comum. No entanto, as repercussões impactarão em como somos e como nos relacionamos até nos lugares mais distantes do planeta: a revolução afetará o mercado de trabalho, o futuro do trabalho e a desigualdade de renda. Suas consequências impactarão a segurança geopolítica e o que é considerado ético.

Então de que se trata essa mudança e por que há quem acredite que se trata de uma revolução? O importante, destacam os teóricos da ideia, é que não se trata de um desdobramento, mas do encontro desses desdobramentos. Nesse sentido, representa uma mudança de paradigma e não mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico.

"A quarta revolução industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital (anterior)", diz Schwab, diretor executivo do Fórum Econômico Mundial e um dos principais entusiastas da "revolução".

"Há três razões pelas quais as transformações atuais não representam uma extensão da terceira revolução industrial, mas a chegada de uma diferente: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e está interferindo quase todas as indústrias de todos os países", diz o Fórum. Também chamada de 4.0, a revolução acontece após três processos históricos transformadores. A primeira marcou o ritmo da produção manual à mecanizada, entre 1760 e 1830. A segunda, por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. E a terceira aconteceu em meados do século 20, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Agora, a quarta mudança traz consigo uma tendência à automatização total das fábricas - seu nome vem, na verdade, de um projeto de estratégia de alta tecnologia do governo da Alemanha, trabalhado desde 2013 para levar sua produção a uma total independência da obra humana. A automatização acontece através de sistemas ciberfísicos, que foram possíveis graças à internet das coisas e à computação na nuvem. Os sistemas ciberfísicos, que combinam máquinas com processos digitais, são capazes de tomar decisões descentralizadas e de cooperar - entre eles e com humanos - mediante a internet das coisas.

O que vem por aí, dizem os teóricos, é uma "fábrica inteligente". Verdadeiramente inteligente. O princípio básico é que as empresas poderão criar redes inteligentes que poderão controlar a si mesmas. Os números econômicos são impactantes: segundo calculou a consultora Accenture em 2015, uma versão em escala industrial dessa revolução poderia agregar 14,2 bilhões de dólares à economia mundial nos próximos 15 anos.

No Fórum Mundial de Davos, em janeiro deste ano, houve uma antecipação do que os acadêmicos mais entusiastas têm na cabeça quando falam de Revolução 4.0: nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. Mas esses também serão os causadores da parte mais controversa da quarta revolução: ela pode acabar com cinco milhões de vagas de trabalho nos 15 países mais industrializados do mundo.

Revolução para quem?

Os países mais desenvolvidos adotarão as mudanças com mais rapidez, mas os especialistas destacam que as economias emergentes são as que mais podem se beneficiar. A quarta revolução tem o potencial de elevar os níveis globais de rendimento e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras, diz Schwab. São as mesmas populações que se beneficiaram com a chegada do mundo digital - e a possibilidade de fazer pagamentos, escutar e pedir um táxi a partir de um celular antigo e barato. Obviamente, o processo de transformação só beneficiará quem for capaz de inovar e se adaptar.

"O futuro do emprego será feito por vagas que não existem, em indústrias que usam tecnologias novas, em condições planetárias que nenhum ser humano já experimentou", diz David Ritter, CEO do Greenpeace Austrália/Pacífico em uma coluna sobre a quarta revolução industrial para o jornal britânico The Guardian. E os empresários parecem entusiasmados - mais que intimidados - pela magnitude do desafio, uma pesquisa aponta que 70% têm expectativas positivas sobre a quarta revolução industrial.

Ao menos esse é o resultado do último Barômetro Global de Inovação, uma pesquisa que compila opiniões de mais de 4.000 líderes e pessoas interessadas nas transformações em 23 países. Ainda assim, a distribuição regional é desigual e os mercados emergentes da Ásia são os que estão adotando as transformações de uma forma mais intensa que os de economias mais desenvolvidas.

"Ser disruptivo é o padrão modelo para executivos e cidadãos, mas continua sendo um objetivo complicado de se colocar em prática", reconhece o estudo. Os perigos do cibermodelo Nem todos veem o futuro com otimismo: as pesquisas refletem as preocupações de empresários com o "darwinismo tecnológico", onde aqueles que não se adaptam não conseguirão sobreviver. E se isso acontece a toda velocidade, como dizem os entusiastas da quarta revolução, o efeito pode ser mais devastador que aquele gerado pela terceira revolução.

"No jogo do desenvolvimento tecnológico, sempre há perdedores. E uma das formas de desigualdade que mais me preocupa é a dos valores. Há um risco real de que a elite tecnocrática veja todos as mudanças que vêm como uma justificativa de seus valores", disse à BBC Elizabeth Garbee, pesquisadora da Escola para o Futuro da Inovação na Sociedade da Universidade Estatal do Arizona (ASU).

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"Esse tipo de ideologia limita muito as perspectivas que são trazidas à mesa na hora de tomar decisões (políticas), o que por sua vez aumenta a desigualdade que vemos no mundo hoje", diz.

"Considerando que manter o status quo não é uma opção, precisamos de um debate fundamental sobre a forma e os objetivos desta nova economia", diz Ritter, que considera que deve haver um "debate democrático" em relação às mudanças tecnológicas.

Por um lado, há quem desconfie de que se trata de uma quarta revolução: é certo que as mudanças são muitas e profundas, mas o conceito foi usado pela primeira vez em 1940 em um documento de uma revista de Harvard intitulado A Última Oportunidade dos Estados Unidos, que trazia um futuro sombrio para avanço da tecnologia e seu uso representa uma "preguiça intelectual", diz Garbee.

Outros, mais pragmáticos, alertam que a quarta revolução só aumentará a desigualdade na distribuição de renda e trará consigo todo tipo de dilemas de segurança geopolítica. O mesmo Fórum Econômico Mundial reconhece que "os benefícios da abertura estão em risco" por causa de medidas protecionistas, especialmente barreiras não tarifárias do comércio mundial que foram exacerbadas desde a crise financeira de 2007: um desafio que a quarta revolução deverá enfrentar se quiser entregar o que promete.

"O entusiasmo não é infundado, essas tecnologias representam avanços assombrosos. Mas o entusiasmo não é desculpa para a ingenuidade e a história está infestada de exemplos de como a tecnologia passa por cima dos marcos sociais, éticos e políticos que precisamos para fazer bom uso dela", diz Garbee.


Começou a 4ª revolução Industrial

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03/05/2017 - As inovações tecnológicas estão alimentando grandes mudanças em todo o mundo e trazendo para todos, em especial para as empresas, benefícios e desafios, em igual medida | por Klaus Schwab Ao longo da história, as revoluções têm ocorrido quando novas tecnologias e novas formas de ver o mundo disparam uma mudança profunda no sistema econômico e na estrutura social.

A primeira grande transformação – a transição da coleta para o cultivo de alimentos – aconteceu 10 mil anos atrás e foi possível graças à domesticação dos animais. A revolução agrária, mais tarde, combinou o esforço dos animais ao das pessoas para promover a produção, o transporte e a comunicação. Aos poucos, a produção de alimentos melhorou, estimulando o crescimento populacional e abrindo caminho para as concentrações humanas que levaram ao surgimento das cidades.

A revolução agrária foi seguida por uma série de revoluções industriais, que tiveram início na segunda metade do século 18, com movimentos entre 1760 e 1840. Impulsionadas pela construção das rodovias e pela invenção das máquinas a vapor, inauguraram a produção mecanizada. A segunda revolução industrial, que começou entre o fim do século 19 e o início do 20, tornou possível a produção em massa, graças aos adventos da eletricidade e da linha de produção.

A terceira remonta à década de 1960 e é geralmente chamada de revolução digital, por ter sido catalisada pelo desenvolvimento dos semicondutores, mainframes e computadores pessoais, assim como pela internet, aí já nos anos 1990. Atualmente, vivemos a quarta revolução industrial, que tem como marco a virada do milênio e se baseia na revolução digital, trazendo desafios e oportunidades para as empresas e seus líderes.

Diferente de tudo

A quarta revolução industrial não envolve apenas máquinas inteligentes e conectadas; seu escopo é muito mais amplo. Estamos observando simultaneamente ondas de avanços em diversas áreas, que vão do sequenciamento genético à nanotecnologia. É a fusão dessas tecnologias e a interação com as dimensões física, digital e biológica que tornam o fenômeno atual diferente de todos os anteriores. Tecnologias emergentes e inovação em ampla escala têm se difundido mais rapidamente e de maneira mais ampla do que em movimentos do passado.

Além disso, os ganhos de escala com a inovação são assombrosos e algumas tecnologias disruptivas parecem demandar muito pouco capital para prosperar. Negócios como o Instagram e o WhatsApp, por exemplo, não requerem um financiamento vultoso para iniciar suas operações, o que representa uma importante mudança no papel do capital.

INTEGRAÇÃO

Além da velocidade e da amplitude, a revolução em curso é única também pela crescente integração entre diversas áreas de conhecimento e pesquisa. Hoje, por exemplo, as tecnologias digitais de fabricação interagem com o mundo biológico. Alguns arquitetos e designers já estão juntando uma série de elementos, que incluem a engenharia de materiais e a biologia sintética, para desenvolver pioneiramente sistemas que possibilitam a interação entre micro-organismos, nosso corpo, os produtos que consumimos e até mesmo as casas em que moramos. Dessa maneira, chegam a objetos que são capazes de se modificar e se adaptar, reproduzindo características que são próprias de animais e plantas.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial está a nossa volta, de carros com direção autônoma e drones a assistentes virtuais e softwares de tradução. Esse é um campo em que os avanços são impressionantes, graças ao aumento exponencial da capacidade dos computadores e à oferta de uma vasta quantidade de dados.

O DESAFIO DA DESIGUALDADE

Uma preocupação inerente aos desafios e oportunidades que surgem com a quarta revolução industrial é a exacerbação da desigualdade. É difícil quantificar as consequências dessa desigualdade crescente, já que as pessoas, em sua grande maioria, são ao mesmo tempo consumidoras e produtoras, e a inovação e a disrupção devem afetar nosso padrão de vida e bem-estar tanto positiva como negativamente. Os consumidores parecem ser os principais beneficiados. A atual revolução possibilitou o surgimento de novos produtos e serviços que aumentaram, quase sem custo, nossa eficiência pessoal.

Os desafios criados por essa revolução parecem estar principalmente do outro lado, no mundo do trabalho e da produção. Nos últimos anos, a maior parte dos países desenvolvidos e algumas economias de crescimento rápido, como a China, têm registrado um declínio significativo da participação do trabalho no produto interno bruto (PIB). Parte dessa queda é explicada pelo avanço das inovações, que estimula as empresas a substituir trabalho por capital.

Dessa maneira, os grandes beneficiários desse movimento são aqueles capazes de fornecer capital – intelectual ou físico. Isso inclui inovadores, investidores e acionistas, o que explica a crescente diferença de renda entre os que dependem do trabalho e os que detêm o capital. Também está na raiz da desilusão de muitas pessoas, convencidas da falta de perspectiva de crescimento no futuro, para elas e para seus filhos.

A questão que se coloca para todos os setores de atividade e todas as empresas não diz respeito mais à possibilidade de sofrer uma ameaça de disrupção, quando ela vai acontecer e de que modo será. É nossa responsabilidade, como líderes, assegurar que se estabeleça um conjunto de valores que sirvam de diretrizes para as políticas públicas e para a aprovação de medidas que façam com que a quarta revolução industrial seja, de fato, uma oportunidade para todos.

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A inovação é um processo social complexo e, por isso mesmo, não devemos partir do pressuposto de que está garantida. Para estimular a pesquisa que quebre paradigmas, tanto nas universidades como nas empresas, os governos devem destinar financiamentos significativos para programas ambiciosos. Da mesma forma, o trabalho colaborativo entre os setores público e privado, em relação a essas pesquisas, deve cada vez mais ser estruturado com o objetivo de desenvolver conhecimentos e capital humano capazes de beneficiar a sociedade como um todo.

TRÊS CATEGORIAS DE MEGATENDÊNCIAS

A seleção a seguir se baseia em levantamento realizado pelo Fórum Econômico Mundial e por vários de seus Conselhos da Agenda Global. Nesse trabalho, foram identificadas três categorias de megatendências da quarta revolução, todas inter-relacionadas.

1. Megatendências físicas

Veículos com direção autônoma. Além dos carros, que vêm tendo grande destaque na mídia, há caminhões, drones, aviões e barcos. À medida que tecnologias como sensores e inteligência artificial avança­rem, a capacidade dessas máquinas aumentará a passos largos, com custos mais baixos e maior viabilidade comercial.
Impressão 3D. Já é usada em uma ampla gama de aplicações, das maiores (como turbinas de vento) às menores (caso dos implantes médicos). Por enquanto, está concentrada nos setores automobilístico, aeroespacial e médico.

Há pesquisas na direção de desenvolver a impressão 4D, processo que permitiria criar produtos capazes de responder a mudanças do meio ambiente, como calor e umidade, e que poderiam ser utilizados em roupas e calçados esportivos e em implantes que precisam se adaptar ao corpo humano. Robótica avançada. Os robôs são usados cada vez mais para diversas tarefas, da agricultura à enfermagem. O progresso da robótica fará com que a colaboração entre humanos e máquinas seja uma realidade cotidiana. Além dis­so, os robôs tendem a se tornar mais adaptáveis e flexíveis, com estrutura e funcionamento inspirados na biologia.

Novos materiais. Já existem aplicações para “materiais inteligentes”, como os que se aquecem e se limpam sozinhos, os metais com memória, que conseguem voltar ao formato original, e cerâmicas e cristais que transformam pressão em energia.

2. Megatendências digitais

Uma das principais pontes entre as aplicações físicas e digitais possibilitadas pela quarta revolução industrial é a internet das coisas, ou seja, a relação entre “coisas” (produtos, serviços, locais etc.) e pessoas viabilizada por tecnologias conectadas e diversas plataformas. Sensores e vários outros meios de conectar as coisas do mundo físico a redes virtuais estão se proliferando rapidamente. Sensores menores, mais baratos e mais inteligentes têm sido instalados em residências, roupas e acessórios, meios de transporte e estruturas de energia elétrica. Isso permitirá monitorar e otimizar ativos e atividades, com impacto transformador em vários setores. A revolução industrial também está criando formas radicalmente novas de os indivíduos e as instituições se envolverem e trabalharem colaborativamente.

3. Megatendências biológicas

Levou mais de dez anos, a um custo de US$ 2,7 bilhões, para concluir o Projeto Genoma Humano. Atualmente, porém, um genoma pode ser sequenciado em apenas algumas horas, por menos de US$ 1 mil. Com o avanço do poder dos computadores, os cientistas não dependerão mais do processo de tentativa e erro; poderão realizar testes para verificar como variações genéticas específicas são capazes de levar a traços físicos e doenças.

A biologia sintética é o próximo passo. Será possível customizar organismos escrevendo seus DNAs. Independentemente das questões éticas envolvidas, esse tipo de avanço terá uma profunda e imediata consequência não apenas para a medicina, mas também para a agricultura e a produção de biocombustíveis.

FATORES LIMITANTES

Alguns fatores podem limitar o potencial da quarta revolução industrial, contudo. Entre eles destaca-se o baixo nível de liderança e de compreensão das mudanças em curso, em todos os setores. Esse cenário contrasta com a necessidade de repensar os sistemas econômico, social e político para responder à atual revolução. E mais: tanto no nível nacional como no global, as estruturas institucionais para conduzir a difusão da inovação e reduzir seu impacto disruptivo são, na melhor das hipóteses, inadequadas ou – o que pode ser pior – totalmente ausentes.


A Quarta Revolução Industrial chegou, e você não passará imune a ela

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26 de Janeiro de 2016, por Cezar Taurion - Agora, em janeiro de 2016, durante o Fórum Mundial de Davos, seu chairman Klaus Schwab disse que uma mudança estrutural está em andamento na economia mundial, no que seria o início da Quarta Revolução Industrial. Segundo ele, esta revolução aprofundaria elementos da Terceira Revolução, a da computação e faria uma “fusão de tecnologias, borrando as linhas divisórias entre as esferas físicas, digitais e biológicas”.

Na opinião de Schwab, esta nova revolução, unindo mudanças socioeconômicas e demográficas, terá impactos nos modelos e formas de fazer negócios e no mercado de trabalho. Afetará exponencialmente todos os setores da economia e todas as regiões do mundo. Mas não do mesmo modo. Haverá ganhadores e perdedores. “As mudanças são tão profundas que, da perspectiva da história humana, nunca houve um tempo de maior promessa ou potencial perigo”. O mercado de trabalho será afetado dramaticamente, inclusive com trabalhos intelectuais mais repetitivos substituídos pela robotização. As mudanças são reais. Já estão aí.

Os impactos no mercado de trabalho já vem sendo debatido, com algumas previsões apocalípticas estimando que em 10 a 15 anos cerca de metade das vagas de funções como operadores de telemarketing, corretores, carteiros, jornalistas, desenvolvedores de software e outras terão desaparecido, pelo uso de softwares e robótica encharcados de algoritmos inteligentes. As vendas de robôs, segundo a International Federation of Robotics tem crescido continuamente. Em 2015 foram vendidos, no mundo todo, 255 mil, e estima-se que em 2018 serão 400 mil.

Mas a grande ameaça aos empregos não está mais na indústria. Os software inteligentes estão chegando ao setor de serviços. Hoje são capazes de dirigir veículos, atender clientes em serviços de telemarketing, preencher formulários de Imposto de renda, etc. Por exemplo, alguns bancos como o DBS, de Singapura, o Royal Bank of Canada e aqui no Brasil, o Bradesco, começam a experimentar o Watson da IBM nesta função de atendimento aos clientes. Nos EUA, os gastos com call center somam 112 bilhões de dólares e estima-se que cerca de 270 bilhões de chamadas de clientes não sejam atendidas adequadamente. Uma das causas principais são os problemas de acesso às informações e o cruzamento de inúmeros dados em tempo real, tarefa impossível para um ser humano apoiado por sistemas tradicionais, que disponibilizam scripts pré-programados. A ideia é colocar sistemas como o Watson, capazes de cruzar milhões de informações diferentes, como catálogos de produtos, manuais de treinamento, termos e condições contratuais, e-mails e chamadas anteriores dos clientes com problema similares, fóruns de debate sobe o tema, histórico de atendimento do call center, etc, para eliminar ou diminuir sensivelmente a taxa de solicitações não atendidas.

Ainda são os primeiros passos, mas com a evolução exponencial da tecnologia, estes passos se acelerarão muito rapidamente. Embora o discurso dos fornecedores de tecnologia e das empresas envolvidas seja sempre o de que o produto vai aprimorar o trabalho das pessoas e não substituí-las, é inevitável que a cada habilidade aprendida pelos computadores, milhões de empregos tenderão a desaparecer. A tecnologia, ao longo do tempo, vai reduzir a demanda pelos postos de trabalho que demandam menos habilidades, como exatamente são os operadores de telemarketing. Foi assim nas linhas de produção robotizadas, nas funções de datilografia, nos ascensoristas e hoje, na redução significativa das vagas de secretariado.

Mas não é só. Na Suíça, drones estão sendo testados para entregar documentos em vilarejos distantes, substituindo os carteiros humanos nestas atividades. A Amazon também está experimentando drones para entregas rápidas nos EUA. Um artigo na Fortune “5 white-collar jobs robots already have taken” aponta algumas outras experiências. O editor da Robot Report diz que empresas como FedEx estudam a possibilidade de, no futuro, dispor de um centro de pilotagem com poucos pilotos voando a sua imensa frota de aviões cargueiros. Estes aviões operarão como drones, uma vez que não deverão levar passageiros. Cita também o CEO da empresa de tecnologia russa Mail.Ru explicando que que está investindo em uma startup que usará robôs para ensino de matemática nas escolas.

O risco potencial é bem real. Recomendo a leitura de um paper muito instigante, “The Future of Employment: How susceptible are Jobs to Computerisation, que aborda o tema “desemprego tecnológico”, com foco nos EUA. À medida que os avanços nas tecnologias de Machine Learning e robótica avançarem, será inevitável a substituição de funções ocupadas por humanos hoje. Ocupações que envolvam tarefas e procedimento bem definidos poderão ser substituídas por algoritmos sofisticados. Como o custo da computação cai consistentemente ano a ano, torna-se atrativo economicamente a substituição de pessoas por máquinas. O processo é acelerado pela reindustrialização nos países ricos, como os EUA, que após perderem suas fábricas para países de mão de obra barata como a China, começam a trazê-las de volta, mas de forma totalmente automatizadas. Os empregos da indústria americana, perdidos pela saída das fábricas, não estão voltando com elas. Quem está ocupando as funções são os robôs. Este processo também está ocorrendo na China e já existem diversas fábricas totalmente automatizadas e cada uma delas emprega pelo menos dez vezes menos pessoas que as fábricas tradicionais.

O paper estima que cerca de 47% dos empregos atuais, nos EUA, estão em risco. Entre estas funções estão motoristas de veículos como caminhões e táxis, estagiários de advocacia, jornalistas, desenvolvedores de software, administradores de sistemas de computação, etc. Esta é uma diferença significativa que a chamada Quarta Revolução Industrial está provocando. Os “colarinhos azuis” ou operários já estão diminuindo sensivelmente, mas os “colarinhos brancos”, empregos nas tarefas administrativas, também estão correndo o risco. Alguns artigos mostram que os sistemas cognitivos baseados em algoritmos inteligentes podem atuar em conjunto (as vezes substituindo) em várias ocupações antes exclusivas das pessoas. Na medicina, por exemplo, vale a pena ler o artigo “The Robot Will See You Now, que embora de 2013, discute ao assunto com clareza.

Tem também artigos bem polêmicos como “Do We Need Doctors or Algorithms?”, em que Vinod Khosla, co-fundador da Sun Microsystems e hoje investidor em startups de tecnologia, afirma que no futuro os sistemas inteligentes e robôs substituirão 80% dos médicos americanos. Claro, gerou e ainda gera uma tremenda polêmica!

Os advogados não ficam de fora. O artigo publicado no New York Times, “Armies of Expensive Lawyers, Replaced by Cheaper Software" estima que serão necessários bem menos advogados, pois muitas de suas funções, que são fazer buscas em documentos ou analisar casos similares poderão ser feitas por algoritmos. No jornalismo temos alguns exemplos de reportagens financeiras sendo feitas automaticamente por robôs, como descrito no artigo “AP´s “robot journalists” are writing their own stories now".

E em TI? Muitas funções feitas por desenvolvedores de código poderão ser automatizadas. Algumas experiências já têm sido feitas, como o conceito de Programming by Optimisation e de depuração automática de código.

A Quarta Revolução Industrial afetará de forma dramática o mercado de trabalho. Os primeiros estudos de seu impacto mostram que a classe média será a principal prejudicada, pois ocupam trabalhos em escritórios e são autores de trabalhos intelectuais, como advogados e desenvolvedores de software, que tenderão a desaparecer ou demandarão muito menos vagas que hoje. Claro, novos empregos serão criados, mas exigirão conhecimentos muito especializados e altos níveis de educação. Novas carreiras e funções, que ainda não conhecemos, serão criadas, mas a dúvida é se serão em número suficiente para recompor as vagas que desaparecerão.

Aqui no Brasil este fenômeno acontecerá mais lentamente, primeiro porque o nível de automatização de nossa indústria é baixo (temos 10 mil robôs enquanto a Coréia do Sul compra 30 mil novos robôs por ano e a China 20 mil) e temos abundância de mão de obra não qualificada, que ao lado de um empresariado conservador, que não investe intensamente em inovação tecnológica, vai segurar o “tranco” por algum tempo.

Mas é inevitável que a Quarta Revolução Industrial chegue aqui também. Vai demandar um novo currículo educacional, que abandone a memorização de fatos e fórmulas para focar mais em criatividade e comunicação, coisas que as universidades brasileiras, em sua grande maioria, não estimulam.

Recomendo a leitura do livro “The Future of the Professions” que aborda discussões muito interessantes sobre o tema. Para os autores, profissionais como advogados, médicos e contadores acreditam na excepcionalidade humana. Muitos até admitem que seu conhecimento especifico, adquirido a duras penas, será igualado, em um futuro próximo, pelas máquinas. A verdade é que a maioria dos trabalhos profissionais pode ser desdobrada em conjuntos de tarefas distintas. Depois que são desmembrados, resta pouco o que não possa ser feito pelas máquinas.

Enfim, é uma discussão que está apenas começando. Mas a realidade vai vir rapido e ignorar a transformação que está ocorrendo no mundo não vai impedi-la de acontecer e chegar aqui. As maquinas são nossas ferramentas, mas pode chegar o momento em que não seremos mais capazes de controlá-las. Portanto, precisamos decidir como queremos viver com elas. Uma discussão que não pode ser adiada.


Quarta Revolução Industrial: o que significa para as empresas

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19-07-2016 - Estamos à beira de uma revolução tecnológica que vai alterar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Enquanto líder, tem de estar a par do que vem aí, e o que significa para o exercício da sua liderança e para o funcionamento da sua organização. O que é a Quarta Revolução Industrial? De modo sucinto: a Primeira Revolução Industrial usou a força da água e do vapor para mecanizar a produção; a Segunda utilizou a energia elétrica para criar a produção em massa; a Terceira recorreu à eletrónica e à tecnologia de informação para automatizar a produção. Agora, estamos perante uma Quarta Revolução Industrial, que está a erigir-se a partir da Terceira, e tem vindo a desenvolver-se desde meados do século passado; e que se caracteriza por uma fusão de tecnologias que está a esbater as linhas entre as esferas física, digital e biológica (como se pode ver pelo vídeo do Fórum Económico Mundial).

O impacto nos negócios

A aceleração da inovação e a velocidade da disrupção são difíceis de compreender ou de antecipar pelos líderes um pouco por todo o globo, e constituem uma constante fonte de surpresa, mesmo para os mais conectados e melhor informados. Já há, em todos os setores, provas de que as tecnologias que sustentam a Quarta Revolução Industrial estão a ter um grande impacto nas empresas.

Do lado da oferta, muitas indústrias estão a assistir à introdução de tecnologias que criam novas formas de suprir as necessidades existentes e perturbam de modo significativo as cadeias de valor. A disrupção também surge do lado da concorrência mais ágil e inovadora que, graças ao acesso a plataformas digitais globais de pesquisa, de desenvolvimento, marketing, de vendas e de distribuição, pode derrubar os operadores históricos já bem estabelecidos mais rápido do que nunca, enquanto melhora a qualidade, velocidade ou preço pelo qual o valor é entregue.

Também estão a ocorrer grandes mudanças no lado da procura, à medida que uma maior transparência, um maior envolvimento por parte do consumidor e novos padrões de comportamento deste (cada vez mais construídos sobre o acesso a redes móveis e de dados) obrigam as empresas a adaptarem o modo como projetam, vendem e entregam os seus produtos e serviços.

Uma tendência importante é o desenvolvimento de plataformas baseadas em tecnologia que combina a procura com a oferta para romper com as estruturas industriais existentes – é o caso das plataformas de “partilha” ou a economia “on demand”. Estas plataformas tecnológicas, facilitadas via smartphone, reúnem pessoas, ativos e dados – criando novas formas de consumir bens e serviços. Mais: diminuem as barreiras que empresas e indivíduos enfrentam para criar riqueza, alterando os ambientes pessoais e profissionais dos trabalhadores. Estas novas plataformas de negócios estão a multiplicar-se rapidamente em muitos novos serviços, que vão desde a forma como nos deslocamos ou fazemos compras, das tarefas do dia a dia ao estacionamento, passando pelas massagens, hospedagem ou as viagens.

Os efeitos

De um modo geral, são quatro os principais efeitos que a Quarta Revolução Industrial tem nos negócios: nas expectativas dos clientes, no aperfeiçoamento do produto, na inovação colaborativa, e nas formas organizacionais. Os clientes estão cada vez mais no epicentro da economia, que se concentra em melhorar a forma como estes são servidos. Os produtos e serviços físicos, por outro lado, podem agora ser melhorados e potenciados com capacidades digitais que aumentam o seu valor. As novas tecnologias tornam os ativos mais resilientes, enquanto a análise de dados está a transformar a maneira como são mantidos. Por sua vez, um mundo de experiências do cliente, serviços baseados em dados, e o desempenho de ativos através da análise de dados exigem novas formas de colaboração, sobretudo tendo em conta a velocidade a que a inovação e a disrupção estão a ocorrer. Por fim, com o emergir de plataformas globais e de novos modelos de negócios, o talento, a cultura e as formas de organização vão ter de ser repensados.

No geral, a mudança a partir da simples digitalização (a Terceira Revolução Industrial) para a inovação com base em combinações de tecnologias (a Quarta Revolução Industrial) está a forçar as empresas a reexaminarem a forma como fazem negócio. O bottom line é no entanto o mesmo: os líderes precisam de entender o seu ambiente em mudança, de desafiar os pressupostos das suas equipas, e inovar de forma implacável e contínua.

Portal da Liderança

Nota: Artigo realizado com base num texto publicado na Foreign Affairs da autoria do professor Klaus Schwab, fundador e chairman executive do Fórum Económico Mundial.


As 10 competências para vencer na Quarta Revolução Industrial

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18/08/2016 - Já ouviu falar em “smart systems”, economia da partilha, digitalização de processos industriais ou “cyber-physical”? É altura de se habituar a estes conceitos e, mais importante ainda, é altura de perceber como estes processos e tendências de inovação vão ter um impacto direto na sua vida. É que a quarta revolução industrial (ou Indústria 4.0, como quiser) já está em curso e, segundo o Fórum Económico Mundial, que reuniu em Janeiro deste ano, ela vai gerar grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho já nos próximos cinco anos.

MAS AFINAL O QUE É A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?

Há muitas e variadas respostas possíveis, mas, na sua essência, o termo descreve o processo em curso de transformação dos processos de produção industrial, englobando a automação, a troca de dados, a digitalização de procedimentos, os sistemas ciber-físicos, a “Internet of Things” e a “Cloud”.

De forma simplista e pouco cuidada, há quem considere que a quarta revolução industrial será a derradeira competição entre humanos e máquinas. Misticismos à parte, a verdade é que este será um processo de transformação que poderá ter um impacto determinante no mercado de trabalho num futuro mais ou menos próximo.

O Fórum Económico Mundial prevê que sejam extintos 5 milhões de postos de trabalho nos próximos anos. Há funções e trabalhos que rapidamente se tornarão irrelevantes e obsoletos em função de novos processos mais avançados de produção. Mas, de igual modo, há novas profissões a nascer de forma surpreendentemente rápida. A verdade é que não podemos encarar a quarta revolução industrial com as mesmas ferramentas, com as mesmas competências e com a mesma forma de pensar que nos trouxe até aqui. Pelo contrário, precisamos de aprender uma nova forma de pensar.

Se já está no mercado de trabalho, importa pensar em voltar a estudar e perceber de que forma se pode requalificar e reajustar. Se é estudante, está na altura de procurar novas competências transversais e não apenas as tradicionais competências técnicas. Elas são muito importantes, com toda a certeza, mas não vão ser suficientes.

O relatório “The Future of Jobs”, publicado pelo mesmo Fórum Económico Mundial, deixou já as pistas quanto às competências que serão decisivas no mercado de trabalho em 2020:

Capacidade de resolução de problemas complexos;
Pensamento crítico;
Criatividade;
Gestão de pessoas;
Coordenação e articulação;
Inteligência emocional;
Capacidade de julgamento e de tomada de decisão;
Orientação para o serviço;
Negociação;
Flexibilidade cognitiva.

Está na hora de pensar nestas questões a sério e perceber, o quanto antes, que o mercado de trabalho está a mudar rapidamente e está a exigir competências e capacidades que há poucos anos pareciam ridículas. Bem-vindo a este admirável mundo novo da quarta revolução industrial.


Fonte: http://www.bbc.com
           http://www.revistahsm.com.br
           http://computerworld.com.br
           http://www.portaldalideranca.pt
           http://www.e-konomista.pt

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