O que ocorreu no Brasil na noite conhecida como “festival dos discos voadores”?

disnoi1Por Guilherme Athaide - Há 30 anos atrás a aeronáutica brasileira convocou uma coletiva de imprensa para avisar algo à população. O que foi dito ali naquela tarde de maio reverbera até hoje para quem acredita em discos voadores. Foi a primeira vez que, no Brasil, um órgão oficial do governo admitiu ter visto objetos voadores não identificados (Ovni). O que aconteceu na "noite oficial dos óvnis"? Sempre que algo é avistado no céu e não pode ser identificado ganha a categoria de Ovni (ou óvni, palavra já existente no português).

O uso popular acabou transformando a palavra em sinônimo de “disco voador” e “extraterrestre”, mas não necessariamente é assim: até ser desvendado por contato visual, sonoro ou instrumentos técnicos, um balão meteorológico no radar de um avião, por exemplo, é um óvni; uma aeronave que esta voando sem um plano de voo pré-aprovado, também.

A questão que aconteceu em 1986, no entanto, vai muito além de algo simples que possa ser confundido. O próprio ministro da aeronáutica na época, Brigadeiro Moreira Lima, afirmou que pilotos do Rio de Janeiro e de Goiás perseguiram 21 objetos nos céus da região de São José dos Campos, em São Paulo.

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O evento durou cerca de três horas e um avião caça chegou a armar um míssil, mas não teve tempo de disparar. Por conta do posicionamento da Força Aérea Brasileira e dos documentos que o órgão produziu após a investigação, o episódio ganhou o nome de “noite oficial dos óvnis”.

Documentos oficiais comprovam óvnis no Brasil

Nos anos 2000, depois de muito apelo das entidades ufológicas (associações que estudam e investigam aparições de óvnis), o governo finalmente liberou boa parte dos documentos oficiais sobre esse episódio. Portanto, existem relatórios que hoje estão disponíveis no Arquivo Nacional e foram divulgados pela Revista Ufo, como o Relatório de Ocorrência, que comprovam horários, dias e tudo o que rolou do ponto de vista da Força Aérea Brasileira.

Somente em 2016 a FAB disponibilizou pelo Sistema de Informação do Arquivo Nacional as gravações com diálogos entre a torre de controle de voo de São José dos Campos, São Paulo e de Brasília e da Defesa Aérea. Nos áudios, toda a conversa entre controladores de voo e pilotos registra o contato visual, perseguição e até um tipo de comunicação com os objetos voadores não identificados.

Acontecimentos da noite dos óvnis

Por volta das 20:30 do dia 19 de maio de 1986, a torre do aeroporto de São José dos Campos avistou um ponto luminoso no céu. Um avião que estava se preparando para aterrissar na cidade foi acionado pelo controlador e questionado se a luz estava sendo observada pela tripulação da aeronave. Todos confirmaram, inclusive o Coronel Ozíres Silva, que estava pilotando e voou na direção do objeto.

Em uma entrevista para o “Fantástico” em 2016, o controlador de voo que foi o primeiro a avistar as luzes no céu, Sergio Mota da Silva, declarou que um dos objetos era “extremamente cintilante e multicolorido”. Foi ele quem acionou o avião do Coronel Ozíres, que, segundo os áudios, afirmava estar vendo uma “estrela grande vermelha”. Sérgio Mota, então, avisou ao controle de São Paulo que o coronel estava “perseguindo o troço”.

Brasília foi avisada sobre festival de discos voadores

Nas horas que se passaram depois disso, tanto o controle de radar de São Paulo quanto o de Brasília registraram sinais sem identificação de objetos voadores. Foi o controlador Sergio Mota quem avisou ao Controle Aéreo da capital federal o que estava acontecendo. E ele não teve muita cerimônia para fazer isso. “Fala, Brasilia. Boa noite e bem-vindo ao festival dos discos voadores”.

Apesar das testemunhas oculares afirmarem que os objetos mudavam de cor, mesmo assim era possível que fossem aeronaves de exércitos estrangeiros sobrevoando o céu brasileiro sem permissão (sim, isso é mais provável do que discos voadores). Por isso, jatos carregados de armamento de guerra decolaram do Rio de Janeiro e de Goiás para investigar o que estava acontecendo.

Caças armados foram acionados

Os áudios divulgados ano passado destacam o exato momento em que os controladores de voo perceberam que as luzes se tratavam de algo muito estranho. Um dos pilotos da aeronáutica avistou no radar três luzes distintas e fez contato visual com elas. “Parecem estrelas, mas o radar não pega estrelas. O que é isso?”, questiona o piloto. “Eu olho assim, parece uma estrela, só que muda de cor. Ainda bem que vocês estão vendo também, senão iam pensar que eu estou ficando doido”.

Um dos pilotos do avião de guerra disse em 1986 ao “Fantástico” que seu objetivo era aproximação e identificação dos óvnis. “Não conseguimos nem nos aproximar, muito menos identificar”. Ao todo, cinco jatos da Força Aérea foram acionados. Nenhum conseguiu completar o objetivo. Registros do Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) afirmaram avistamento de 21 óvnis.

Brasil quase atacou óvni

Um dos pilotos confirmou contato, tanto visual quanto nos radares, com o objeto e passou a persegui-lo. A Defesa Aérea Brasileira permitiu que o avião caça deixasse seu míssil pronto para ser disparado. Quando o alvo ficou dentro do radar, bastava que os superiores permitissem o disparo. Mas foi aí que o objeto se distanciou em alta velocidade num “comportamento muito estranho”, como disse um dos controladores.

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Os instrumentos da Defesa Aérea registraram que o objeto saiu numa velocidade de 15 mil quilômetros por hora. Para se ter uma ideia, o Lockheed SR-71 Blackbird, o avião mais rápido do mundo, era capaz de atingir 4,3 mil quilômetros por hora.

Comunicação com ovni

Em 2016, Sergio Mota disse que fez uma espécie de contato com as luzes. Como ele controlava o aeroporto de São José dos Campos naquele momento, usou a iluminação da pista de pouso e decolagem para ver como o objeto reagia. Quando as luzes de baliza – aquelas lâmpadas nas laterais das pitas que auxiliam os pilotos – eram aumentadas, as luzes no céu se afastavam; se diminuía, os óvnis se aproximavam. “Pareciam responder de modo inteligente aos sinais que eu fazia”.

3 conclusões do relatório do governo

O Relatório final produzido após investigação do Comando Aéreo chegou a algumas conclusões, no mínimo, curiosas:

Os objetos produziam fenômenos com características constantes, como ecos nos radares “não só no Sistema de Defesa Aérea, como também nas aeronaves interceptadoras simultaneamente”. Ovnis avistados apresentaram três tipos de comportamento de voo: “variam suas velocidades da gama subsônica até supersônica, bem como mantem-se em voo pairado”.“Os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores como também voar em formação”.

Fonte: https://www.vix.com

Qualquer pessoa pode acessar os documentos disponibilizados por meio da Lei de Acesso à Informação. A Revista Ufo também disponibiliza uma série de relatórios que a publicação teve acesso pelo Arquivo Nacional e tem autorização oficial para divulgarem em seu site.

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