Crianças e telefones celulares: existe algum risco a saúde?

crianceluNo dia 03 de março de 2003, a US Environmental Protection Agency (Agência Americana de Proteção Ambiental) – EPA – propôs novas diretrizes para avaliação dos riscos de câncer em crianças, levando em consideração que as crianças podem ser 10 vezes mais vulneráveis do que os adultos quando expostas a uma ampla faixa de produtos químicos. Esta é a primeira vez que a EPA considera oficialmente a diferença entre adultos e crianças ao avaliar os riscos de câncer devido à ...

exposição a produtos químicos. A agência considera tão significativa a questão da exposição química que divulgou um artigo específico de orientação sobre os riscos de câncer em crianças, com a preocupação de que a exposição a produtos químicos mutagênicos pode ser significativamente mais perigosa para os jovens em geral. À primeira vista isto pode parecer irrelevante com relação à discussão do uso do telefone celular pelas crianças. No entanto tem-se constatado que existe um grande volume de evidências científicas, algumas das quais examinadas no presente artigo, indicando que elas são também muito mais vulneráveis que os adultos aos efeitos sobre a saúde da exposição à radiação de microondas oriundas dos telefones móveis. As novas diretrizes propostas pela EPA deveriam servir como um alerta geral. Elas salientam que se deve oferecer uma maior atenção à proteção dos jovens quando as evidências disponíveis apontarem para um maior risco à saúde de qualquer agente ambiental, seja ele químico, de microondas ou de qualquer outra natureza.

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A possibilidade de que as crianças possam incorrer em maior risco à saúde devido ao uso do telefone celular é preocupante se levarmos em conta que é exatamente esse universo que constitui o grupo de usuários do telefone móvel que mais cresce atualmente. Esse crescimento é fortemente estimulado pelas campanhas publicitárias profissionais da indústria de telefonia celular, porquanto elas enaltecem que os celulares são indispensáveis ao estilo de vida desses jovens. Parece até que na desesperada corrida para maximizar seus lucros corporativos as indústrias trocaram a prudência pelos lucros de curto prazo.

Há, entretanto, custos de longo prazo e esses constituem o foco deste artigo.

Na contínua campanha de publicidade do telefone móvel em escala planetária, produzida pelas mesmas corporações transnacionais que outrora nos brindaram com prazerosos personagens de desenhos animados, tais como o “Joe Camel” da indústria de cigarros, não se costuma ouvir nenhuma palavra de advertência. Entretanto dentro da comunidade científica há um número crescente de especialistas clamando por urgentes medidas de precaução, pois se existem efeitos adversos à saúde provocados pelo uso do telefone celular serão justamente as crianças – na linha de frente da campanha publicitária – que pagarão o preço mais elevado. Em prol da futura saúde de nossas crianças, precisamos seriamente ouvir esses apelos e limitar o uso dos celulares por elas.

Estudo de Caso: Walt Disney Co.

Um infeliz exemplo de como a juventude está sendo deliberadamente focalizada pela propaganda foi investigado pelo informativo Microwave News (Notícias das Microondas), de Nova York. Na sua edição de maio/junho de 2002, veiculou que, em novembro de 2000, ao mesmo tempo em que a ABC News difundia um programa de TV expressando preocupações com o uso de celulares por crianças, a Walt Disney Co. anunciava que não mais permitiria a utilização dos seus personagens de desenhos animados na comercialização daqueles aparelhos. É importante salientar que a ABC é uma subsidiária da Disney. Um porta-voz da Disney disse, naquela ocasião, que a nova política permaneceria efetiva “até que houvesse evidência confiável estabelecendo a ausência de quaisquer riscos [à saúde],” e que “O bem-estar de nossos consumidores é a nossa maior prioridade.” [2]

À primeira vista aquilo soava como uma postura responsável por parte da Disney, porém logo apareceu como uma atitude vergonhosa daquela corporação, conforme publicado na edição de julho/agosto da Microwave News:
“A Disney e a Motorola estão atuando em conjunto para explorar o mercado dos consumidores de produtos eletrônicos, com idades entre 6 e 12 anos. Eles lançarão os primeiros produtos no outono – um rádio bidirecional e um telefone sem fio de 2,45 GHz –, acompanhados de outros no próximo ano. A Motorola afirma que os walkie-talkies terão um alcance de até duas milhas. No último mês de julho a Disney anunciou que estaria lançando um serviço que possibilitaria aos seus clientes de Taiwan transferirem imagens de Mickey, Donald e Pateta para os visores de seus celulares. [Em 2000, a Disney prometera não licenciar seus personagens para uso em telefones celulares “até que houvesse evidência confiável estabelecendo a ausência de quaisquer riscos [à saúde].” A Disney chegou mesmo a reafirmar esse compromisso, recentemente, à Microwave News.] ” [3]

A única conclusão que podemos tirar é que, enquanto todos os cientistas que pesquisam os efeitos dos telefones celulares sobre a saúde não podem ainda anunciar boas novas sobre os riscos, a Disney de alguma forma já descobriu “evidência confiável estabelecendo a ausência de quaisquer riscos [à saúde].” Boas novas para a Disney, pois agora eles podem prosseguir com sua nova iniciativa no ramo das telecomunicações, em parceria com o paradigma da pesquisa realmente independente, ou seja, a MOTOROLA.

Isso constitui um sério conflito interesses, pois a Motorola, que está fornecendo ‘evidência de segurança’, é quem ao mesmo tempo entra em uma importante parceria comercial com a Disney.

Para sermos compreensivos com a Disney, seus executivos, na melhor das hipóteses, teriam tomado conhecimento apenas da opinião da Motorola sobre a segurança do uso de telefones celulares pelas crianças e se constituiriam de felizes desinformados de que a ciência não é assim tão preto e branco como lhes levaram a acreditar.
Levando em consideração a grande influência da Disney sobre muitos milhões de crianças no mundo, a possibilidade de que seus produtos sem fio lhes causem danos deve ser considerada com seriedade.

Opiniões de preocupação da comunidade científica

Em 1999, como resultado das preocupações do público sobre possíveis riscos à saúde, provenientes da tecnologia de telefonia móvel, o governo britânico constituiu o Independent Expert Group on Mobile Phones (Grupo Independente de Especialistas em Telefonia Móvel) – IEGPM – para examinar os possíveis efeitos dos telefones móveis e estações transmissoras de rádio base. Este grupo foi conduzido por Sir William Stewart, famoso bioquímico britânico e presidente da British Association for the Advancement of Science (Associação Britânica para o Avanço da Ciência). O que fez da Investigação Stewart um questionamento singular foi o fato de que a comissão era composta, quase que totalmente, de especialistas da área biomédica – e, assim, capaz de enfocar muitos anos de conhecimento especializado sobre o problema.

Seu relatório, Mobile Phones and Health (Telefones Móveis e Saúde), foi liberado em abril de 2000. Com relação ao uso de telefones móveis pelas crianças o IEGPM afirmou:

- “Se há atualmente efeitos adversos desconhecidos sobre a saúde, provenientes do uso de telefones móveis, as crianças devem ser mais vulneráveis, devido ao seu sistema nervoso ainda em desenvolvimento, à maior absorção de energia nos tecidos da cabeça e a uma exposição mais prolongada durante a sua vida inteira. De acordo com nosso enfoque de precaução, acreditamos que o uso de telefones móveis por crianças, para ligações não essenciais, deve ser desencorajado. Recomendamos também que a indústria de telefones móveis deve abster-se de promover o uso de telefones móveis por crianças.”

Sir William afirmou numa conferência científica na Universidade de Glasgow, em setembro de 2001, que os fabricantes de telefones móveis freqüentemente anunciavam seus produtos como itens “de volta às aulas” essenciais para as crianças. Tais anúncios são irresponsáveis, disse Sir William. Ele acrescentou:
- “Eles são irresponsáveis porque os crânios das crianças não estão ainda totalmente desenvolvidos. Eles estarão usando telefones móveis por mais tempo e seus efeitos não serão conhecidos, senão em longo prazo. A tecnologia da telefonia móvel foi liderada pelas ciências físicas. Minha própria opinião é que devemos fazer mais investigações sobre os possíveis efeitos biológicos.”

Em janeiro de 2003, o Professor Lawrie Challis, que substituiu Sir William Stewart como presidente da equipe Mobile Telecommunications Health Research (Pesquisa sobre as Telecomunicações Móveis e a Saúde) – The Stewart Committee – (A Comissão Stewart) –, reiterou a visão da comissão sobre crianças e o uso de telefones celulares. Em uma entrevista a um jornal britânico, Prof. Challis declarou-se horrorizado com o nível de uso do telefone móvel entre as crianças. Ele disse que muito mais deveria ser feito no sentido de educar os jovens a limitar o tempo que eles despendem ao celular.

Preocupações a respeito do uso de telefones móveis por crianças foram especificamente mencionadas em um recente relatório (julho de 2002) da Science and Public Policy Institute (Instituto de Política e Ciência), com sede em Arlington, Virgínia, nos Estados Unidos. O instituto foi fundado pelo Dr. George Carlo, que anteriormente conduziu o programa de pesquisa de 28 milhões de dólares da indústria americana dos sem fio sobre os possíveis riscos do uso do telefone móvel sobre a saúde.
O relatório “Proposals for Supplementary Funding” (Propostas para Financiamento Suplementar) afirma na sua página 4:
“Uma especial preocupação com as crianças emergiu da pesquisa. Os estudos revelaram que a radiação penetrava mais profundamente nas cabeças dos adolescentes e crianças, resultando em uma maior exposição a ondas de rádio potencialmente mais nocivas do que em adultos; o tipo de dano genético que foi encontrado – presença de micronúcleos no sangue humano – é mais provável de ocorrer em tecidos em desenvolvimento na fase de mitose, tais como o tecido cerebral das crianças; a indústria dos sem fio dirigiu o crescimento do mercado para as crianças e tem sido bem sucedida em aumentar o uso do telefone celular entre elas e os adolescentes.”

O relatório também recomenda o “desenvolvimento de material informativo para crianças e seus pais, considerando a ciência e possíveis soluções que podem ser adotadas nas escolas.”

Em 8 de dezembro de 2000, a Deutsche Akademie Für Kinderheilkunde und
Jugendmedizin(Academia Alemã de Pediatria e Medicina de Adolescentes) emitiu um aviso aos pais para que restringissem o uso de telefones celulares pelas suas crianças. Eles aconselharam que todos os usuários de telefones móveis mantivessem conversações as mais breves possíveis, porém que precauções adicionais fossem adotadas com relação às crianças, em razão dos “riscos especiais à saúde” associados com seus corpos ainda em desenvolvimento. [8]
 

No dia 31 de julho de 2001, Wolfram Koenig, o novo chefe do Bundesamt fur Strahlenschutz, a agência federal de proteção contra a radiação na Alemanha, afirmou em entrevista concedida ao “Berliner Morgenpost” que “Os pais deveriam manter seus filhos afastados daquela tecnologia [telefones móveis]”. O Sr. Koenig, também um membro do Partido Verde alemão, disse que “Algumas pessoas são muito sensíveis à radiação.” E encorajou as companhias a não dirigirem suas campanhas publicitárias às crianças.

Comunicado feito perante uma reunião de um Inquérito do Senado Australiano em 2000: Gerry Haddad, chefe da CSIRO Telecommunications and Industrial Physics (CSIRO Telecomunicações e Física Industrial) alertou que os novos padrões de exposição das telecomunicações que estavam sendo propostos não se preocuparam em prover um nível de proteção suficientemente elevado, particularmente com relação às crianças. O Dr. Haddad afirmou “Restringir o uso do telefone celular às crianças para propósitos essenciais... O Princípio da Precaução parece ser uma boa idéia.” O Dr. Haddad queixou-se de que a opinião da CSIRO teria sido rejeitada na formulação dos novos padrões de emissão, os quais se omitiam de aconselhar que se restringisse o uso dos telefones celulares pelas crianças.
 

Um dia depois da liberação de um estudo dinamarquês sobre telefonia celular, intitulado “Cellular Telephones and Cancer – a Nationwide Cohort Study in Denmark” (Telefones Celulares e Câncer – um Estudo de Coorte em toda a Dinamarca), uma equipe de cientistas dinamarqueses analisou as descobertas e questionou a validade das conclusões do estudo. O Prof. Albert Gjedde, presidente da equipe e especialista em cérebro, também manifestou preocupações de que as crianças seriam mais vulneráveis, pois as suas células cerebrais estão ainda em crescimento e, por conseguinte, o campo eletromagnético pode acarretar danos mais sérios aos seus cérebros do que aos dos adultos. Além de aconselhar extrema cautela quanto a acatar as promessas de segurança, ele sugeriu aos dinamarqueses que reduzissem a exposição das crianças às emissões de telefones celulares ao mínimo possível.

Opinião de Olle Johansson, Professor Associado da Unidade de Dermatologia Experimental, Departamento de Neurociências do Instituto Karolinska, na Suécia (setembro de 2001).

“... Já em 1996, eu alertava publicamente sobre os efeitos das radiações de microondas sobre as crianças devido ao seu uso de telefones celulares. O debate também enfocava fortemente a responsabilidade a respeito de anúncios e produtos voltados diretamente para as crianças e aqui na Suécia houve uma grande reação com relação às propostas de até mesmo desenvolver e vender telefones celulares para idades até 5 anos.¨

Opinião de Sianette Kwee, professora do Departamento de Bioquímica Médica da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. (Membro do Comitê Editorial da revista especializada Bioelectrochemistry, representante dinamarquesa no grupo de Pesquisa Básica do projeto COST 281 da União Européia, intitulado “Potenciais Efeitos dos Sistemas de Comunicação Sem Fio sobre a Saúde”).
 
Campos de pesquisa

Bioeletroquímica: eletroporação – eletroquímica dos sistemas biológicos;

Bioeletromagnetismo: efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos ambientais (de freqüências extremamente baixas e microondas) sobre o crescimento das células da placenta humana.
“Nossos estudos mostraram que havia uma mudança significativa no crescimento dessas células depois de expostas a campos eletromagnéticos, tanto de linhas de transmissão (ELF) quanto de telefones celulares (MW). Esses efeitos eram mais pronunciados nas células jovens, que possuem crescimento mais vigoroso, e muito menos nas células idosas. Esses resultados nos dizem, por exemplo, que o campo de microondas dos telefones celulares deve afetar mais as crianças do que os adultos.”

Opinião do Dr. Gerard Hyland, da Universidade de Warwick, Coventry, Inglaterra e do Instituto Internacional de Biofísica, Neuss-Holzheim, na Alemanha. Resumo (tratando especificamente de crianças e o uso dos telefones celulares) de seu Relatório dirigido ao Comitê STOA da Comunidade Européia.

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“A maior vulnerabilidade das crianças pré-adolescentes:

Espera-se um risco (potencialmente) mais elevado das crianças pré-adolescentes do que dos adultos – fato esse reconhecido no Relatório Stewart – pelas seguintes razões:

a absorção de microondas na freqüência de microondas usada em telefonia celular é maior (particularmente em 900 MHz) em um objeto do tamanho da cabeça de uma criança – denominado efeito de ressonância da cabeça – do que na cabeça dos adultos e, além disso, a penetração da radiação no cérebro de uma criança é maior devido à menor espessura da sua caixa craniana, quando comparada à de um adulto;

o sistema nervoso ainda em desenvolvimento e o grau de atividade das ondas cerebrais de uma criança (particularmente uma criança epiléptica) são mais vulneráveis à agressão dos pulsos de microondas usados no sistema GSM do que nos adultos já maduros. Isto se dá em virtude das freqüências de repetição dos trens de pulsos, de 8,34 MHz, e de pulsação, de 2 Hz, que caracterizam o sinal de um telefone equipado com o modo DTX (transmissão descontínua para economizar energia), caírem na faixa de freqüências das ondas alfa e delta, respectivamente, que caracterizam a atividade cerebral. O fato de que essas duas atividades elétricas particulares estão em constante mudança em crianças até a idade de 12 anos, quando as ondas delta desaparecem e o ritmo alfa finalmente se estabiliza, significa que o cérebro de uma criança deve ser duplamente mais vulnerável a interferências dos pulsos de GSM;
 
a maior atividade mitótica das células de uma criança em desenvolvimento torna-as mais susceptível a danos genéticos;

o sistema imunológico de uma criança, cuja eficiência em todo caso é degradada pela radiação do tipo usado em telefonia celular, é geralmente menos robusto do que o de um adulto, fazendo com que a criança tenha menos capacidade de superar qualquer efeito adverso à sua saúde provocado pela exposição (crônica) a tais radiações.”

Dr. Hyland foi também um consultor em um pequeno estudo espanhol, ainda não publicado, que examinou modificações na atividade cerebral após uma criança ter usado um telefone móvel. O referido estudo, conduzido pelo Dr. Michael Klieeisen, do Instituto de Pesquisa Neurodiagnóstica, em Marbella, Espanha, constatou que uma única chamada, durando apenas dois minutos, pode alterar a atividade elétrica natural do cérebro de uma criança, perdurando até uma hora após a exposição. Constatou-se também uma grande penetração das microondas no cérebro e não apenas em torno da orelha.

Os expostos eram um garoto de 11 anos e uma garota de 13. Usando um analisador CATEEN, conectado a uma máquina que monitorava a atividade cerebral, os pesquisadores foram capazes de registrar imagens das mudanças de atividade elétrica do cérebro.

Durante uma entrevista, o Dr. Hyland comentou que os resultados eram “extremamente perturbadores.” “Deve-se perguntar se as crianças, cujos cérebros estão ainda em desenvolvimento, deveriam estar usando telefones celulares”, acrescentou. “Os resultados revelam que os cérebros das crianças são afetados por longos períodos, mesmo após ligações de curta duração... Seus padrões de ondas cerebrais são anormais e assim permanecem por um longo período.” “Isso poderia afetar o seu temperamento e sua capacidade de aprendizagem se eles, por exemplo, estivessem usando um telefone durante o recreio.” “Nós não temos ainda todas as respostas, mas as alterações das ondas cerebrais podem acarretar problemas como falta de concentração, perda de memória, incapacidade de aprendizado e comportamento agressivo.”

“Se eu fosse um pai, seria extremamente cauteloso quanto a permitir que meus filhos usassem um telefone celular, mesmo que por um período muito curto. Meu conselho seria para que evitassem o uso dos celulares.”
O Dr. Michael Klieeisen, coordenador do estudo, afirmou: “Nós fomos capazes de ver com detalhes o que estava acontecendo no cérebro... Jamais esperávamos ver essa atividade continua no cérebro... Preocupa-nos que os delicados equilíbrios que existem – tais como imunidade a infecções e doenças – possam ser alterados pela interferência com equilíbrios químicos existentes no cérebro.”

Professor Leif Salford e colaboradores, autores de um estudo sobre possíveis danos neurológicos provocados pela radiação do telefone móvel, advertem sobre as possíveis implicações para os adolescentes.

O Professor Salford e seus colaboradores na Universidade de Lund, na Suécia, expuseram ratos de 12 e 26 semanas de idade, durante duas horas, a radiações de microondas comparáveis às de um telefone celular do padrão GSM. Foram escolhidos ratos com essas idades porque seu desenvolvimento corresponde ao de humanos adolescentes. “A situação do cérebro em crescimento deve merecer preocupação especial,” escreveram os autores, “uma vez que os processos biológicos e de amadurecimento são particularmente vulneráveis.”

Após cinqüenta dias de exposição, os cérebros dos ratos foram examinados e descobriu-se que a exposição a microondas estava associada à perda de albumina através da barreira hemato-encefálica e que o dano neurológico crescia em proporção à duração da exposição. Embora o número de ratos do estudo fosse pequeno, os autores afirmaram que “Os resultados combinados são altamente significativos e exibem uma clara relação dose-resposta.” Eles alertaram: “Não podemos excluir a possibilidade de que após algumas décadas de uso diário, toda uma geração de usuários possa vir a sofrer efeitos negativos logo na meia-idade.”

Numa entrevista à BBC News, o Professor Salford disse que “O cérebro de um rato é muito parecido com o de um homem. Eles têm a mesma barreira hemato-encefálica e o mesmo tipo de neurônios. Temos bastantes razões para crer que o que acontece no cérebro dos ratos também acontece no dos seres humanos.”

“Se extrapolássemos esses efeitos para os jovens usuários de celulares, os resultados seriam assustadores. Podemos antever uma redução na capacidade de proteção do cérebro, significando que aqueles que normalmente só viessem a apresentar a demência de Alzheimer em idade avançada passassem a tê-la mais cedo.”
 
O Professor Salford então alertou que os usuários de telefone móvel não ficassem alarmados com as descobertas, já que resultaram de uma observação em laboratório, com um pequeno número de animais e que havia a necessidade de repeti-la.

“No entanto, esse resultado é suficientemente robusto para merecer mais pesquisa nesta área.” Ele, então, acrescentou: “Talvez, colocar um telefone celular repetidamente junto à cabeça é algo que não seja benéfico no longo prazo... Quem sabe, deveríamos pensar em restringir o nosso uso dos telefones móveis.”

O Prof. Salford disse, no programa da Rádio BBC britânica “You and Yours”, no dia 05 de fevereiro de 2003, que não permitiria que suas crianças usassem um telefone móvel, a não ser em uma emergência e que ele mesmo tomou a decisão de não usá-lo, a não ser se absolutamente necessário. Ele disse ainda que considerava a realidade de um dano cerebral como uma “probabilidade e não uma mera possibilidade.”

Opinião da Diretora Geral da OMS sobre o uso de celulares por crianças:
            (Citado por Microwave News)

“A Dra. Gro Harlem Brundtland, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), defende um enfoque de precaução com relação ao uso dos telefones móveis,” segundo reportagens da Escandinávia.

Em uma entrevista concedida ao “Dagbladet Norge” (9 de março de 2002), um dos principais jornais da Noruega, Brundtland desencorajou o uso de telefones móveis pelas crianças. Médica pós-graduada em Saúde Pública, Brundtland já foi primeira-ministra da Noruega.

Jon Liden, um assessor de imprensa do escritório de Brundtland, em Genebra, confirmou a precisão do artigo norueguês no informativo Microwave News.

O ponto-de-vista de Brundtland parece estar em conflito com o Projeto Internacional de Campos Eletromagnéticos da OMS. “Políticas de precaução não se aplicam aos campos eletromagnéticos,” disse, recentemente (vide MWN, S/O 01), o Dr. Michael Repacholi, administrador do projeto. Na ocasião, ele não pode ser localizado para comentar o assunto.
            Brundtland adverte cada um a limitar a duração de uma chamada a um celular, embora ache que não existe suficiente evidência científica que justifique editar um aviso formal. Ela diz que tem dor-de-cabeça toda vez que usa um telefone celular. “No início, eu sentia um calor moderado ao redor da orelha. Porém, o desconforto aumentava até transformar-se em uma dor-de-cabeça, todas as vezes que eu usava um telefone móvel,” disse Brundtland durante a entrevista. Ela acrescentou que diminuir a duração das chamadas não ajuda. A entrevista foi destaque de primeira página do “Dagbladet Norge” e foi posteriormente veiculada pela imprensa sueca.

Opinião do Professor Michael Kundi, do Instituto de Saúde Ambiental, da Universidade de Viena, Áustria (artigo na edição de julho/agosto de 2002 do Microwave News):

“Li com grande interesse o seu artigo na reunião de Roma sobre os possíveis riscos dos telefones móveis para as crianças (MWN, M/J 02). Minha instituição na Universidade de Viena e a ONG Médicos para um Ambiente Sadio produziu um folheto informativo sobre os Telefones Móveis e as Crianças, patrocinado pelo Partido Verde da Áustria. Ele desaconselha o uso dos celulares pelas crianças. Os argumentos são semelhantes aos anteriormente veiculados por outros. Além disso, entretanto, eles se baseiam em um fato não enfatizado antes e, para minha surpresa, aparentemente não discutido em Roma. Além de possuir um crânio mais fino e certamente um cérebro com diferentes propriedades dielétricas por ser mais vascularizado – a cabeça de uma criança também possui mais células-tronco que podem se transformar em células do sangue

Portanto, se as radiações de radiofreqüências e microondas têm uma influência no desenvolvimento de câncer, seus efeitos serão maiores por duas razões. Primeiro, as células mais vulneráveis estão apenas a alguns milímetros da antena. (Ao que eu saiba, ninguém ainda calculou a SAR no interior da medula óssea do crânio.) Em segundo lugar, quanto mais cedo na vida ocorrer uma transformação maligna, maior a probabilidade de ela se transformar em uma malignidade clínica.”

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Carta de Norbert Hankin, cientista ambiental da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, em resposta a George Carlo, coordenador do Projeto de Proteção contra a Radiação.

“Agradeço-lhe pela mensagem eletrônica comunicando sobre o novo projeto para investigar a possibilidade de uma relação entre o uso dos telefones sem fio e vários riscos à saúde... Sugiro que uma outra área de preocupação, que não deve ser negligenciada devido ao potencial impacto sobre a qualidade de vida de futuros adultos (hoje, crianças), é o possível impacto da tecnologia e dos produtos das telecomunicações sem fio sobre a capacidade de aprendizagem das crianças”.

O crescente uso das comunicações sem fio por crianças e nas escolas resultará em exposição prolongada (possivelmente de algumas horas por dia), de longo prazo (12 ou mais anos de exposição em salas de aula conectadas a redes de computadores por enlaces sem fio) de crianças ainda em desenvolvimento, às radiações de baixa intensidade de radiofreqüências (RF) moduladas por pulsos.

Estudos recentes envolvendo exposições de curta duração demonstram que alguns efeitos sutis sobre as funções cerebrais podem ser produzidos por baixas intensidades de radiação de RF moduladas por pulsos. Algumas pesquisas com roedores mostram os efeitos adversos sobre a memória recente e remota. A preocupação é que se tais efeitos podem ocorrer em crianças, então mesmo um pequeno déficit na capacidade de aprendizagem durante anos de educação, pode afetar negativamente a qualidade de vida desses indivíduos quando adultos. O potencial efeito da exposição [à radiação] dos dispositivos de telecomunicações usados pelas crianças sobre o seu aprendizado deveria ser contemplado pelo Projeto de Proteção contra a Radiação.

Norbert Hankin, Cientista Ambiental, Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unid, Serviço de Radiação e Ar Interno (6609J), 1200 Pensylvania Avenue, N.W., Washington, D.C. 20460”

O governo francês em 1 de março de 2002 reiterou um comunicado aos usuários de telefones celulares, lembrando-lhes que, como medidas de precaução, os pais deveriam informar aos filhos que limitassem o uso dos telefones sem fio, que as gestantes, se usassem um fone de ouvido, deviam manter o telefone afastado dos seus ventres e que as adolescentes o mantivessem afastados de seus órgãos genitais, ainda em desenvolvimento. [25]
 

Em 9 de outubro de 2002, vinte e dois médicos da Interdisziplinare Gesellschaft fur Umweltmedizin e.V. (Associação Interdisciplinar de Medicina Ambiental da Alemanha) – IGuMED – reuniram-se para discutir suas preocupações sobre o crescente volume dos problemas de saúde considerados como conseqüência dos níveis crescentes de radiação de altas freqüências (radiações de radiofreqüências e microondas associadas à  tecnologia de telecomunicações).

Alguns problemas de saúde que eles viram como conseqüência da tecnologia foram: distúrbios de aprendizagem, concentração e comportamentais (por exemplo distúrbio de déficit de atenção, ADD); flutuações extremas de pressão arterial (mais difíceis de controlar com medicamentos); distúrbios de ritmos cardíacos; ataques cardíacos e derrames em uma população cada vez mais jovem; doenças neurodegenerativas (por exemplo Alzheimer) e epilepsia; leucemia e tumores cerebrais.

Dentre outras recomendações eles exigiram a proibição do uso de telefones móveis pelas crianças e restrições de uso pelos adolescentes.


A Comissão de Ciência e Educação da Associação Médica Britânica emitiu um relatório temporário, intitulado “Os Telefones Móveis e a Saúde”, no dia 24 de maio de 2001. O relatório declara que os indivíduos deveriam limitar sua exposição à Radiação de Radiofreqüência (RRF) e adotar um enfoque de precaução que compreende, especificamente, limitar o uso dos telefones móveis pelas crianças.
 

Opinião da Comissão Nacional de Proteção contra a Radiação não Ionizante Russa a respeito da questão dos efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos associados à telefonia móvel.

Em uma reunião no dia 19 de setembro de 2001, a Comissão Nacional de Proteção contra a Radiação não Ionizante Russa (RNCNIRP) discutiu e aprovou as seguintes recomendações para a população em geral e para a indústria de comunicações celulares:

Apoiar o Princípio da Precaução da Organização Mundial da Saúde, com base em dados publicados por estudos estrangeiros, generalizações científicas, opiniões das organizações científicas internacionais e opiniões dos especialistas da RNCNIRP para divulgar, em nome desta última, a seguinte informação à população a respeito das seguintes regras centrais de segurança e higiene, considerando o uso dos telefones celulares:
Crianças abaixo dos 16 anos de idade não devem usar telefone celular.

 Mulheres gestantes não devem usar telefone celular.

 Não devem usar telefone celular pessoas sofrendo de problemas ou doenças neurológicos, inclusive distúrbios neurastênicos ou depressivos, distúrbios mentais, neuroses, deficiência intelectual ou de memória, distúrbios do sono, epilepsia e pré-disposição a ela.

Limitar a duração das chamadas telefônicas a um máximo de três minutos e permitir um período entre chamadas de, no mínimo, 15 minutos. Dar preferência ao uso de fones de ouvido ou sistemas hands-free.
Além das especificações técnicas, os fabricantes e revendedores de telefones celulares devem incluir as seguintes informações específicas:

Todas as recomendações supracitadas, quanto ao uso.
 
Dados e conclusões de relevantes testes epidemiológicos e de saúde sobre telefones celulares, medições de campos eletromagnéticos e a identificação do laboratório que os executou.

Extrato do artigo “Exposição à Radiação de Radiofreqüência e Microondas: uma Crise Crescente de Saúde Ambiental?”, de autoria de Cindy Sage, da Sage Consultants (Consultores Sage). Extraído da página web da Sociedade Médica de San Francisco.

“Estarão as crianças sob riscos maiores? Provavelmente, uma vez que elas estão em crescimento e suas células estão se reproduzindo com mais rapidez do que nos adultos. Diversos estudos associando linhas de potência ao câncer mostram que as crianças são particularmente sensíveis a exposições crônicas a campos eletromagnéticos de baixa intensidade e, como resposta, desenvolvem leucemia. O uso de “telefones celulares infantis”, com um botão para a mamãe e outro para o papai, são idéias terríveis neste ponto.”

Ministros dos governos da Tailândia e de Bangladesh expressaram suas preocupações acerca do uso de celulares pelas crianças.
Na Tailândia, Purachai Piemsomboon, cuja campanha contra o vício afastou as crianças dos bares e casas noturnas, citou um estudo japonês que, segundo ele, concluiu que os telefones celulares emitiam radiação prejudicial aos neurônios e demais células cerebrais, especialmente dos jovens. Ele salientou que se os adolescentes continuassem a ignorar essa advertência, seria necessário editar uma lei proibindo o seu uso.

Em Bangladesh, o Ministro do Meio Ambiente mencionou a possibilidade de aprovar leis proibindo o uso de celulares por menores de 16 anos, a fim de protegê-los de exposições à radiação, que poderia danificar seus cérebros. Ele descreveu o plano durante uma conferência de médicos e cientistas na capital, Daca. A legislação também prevê coibir as companhias de venderem telefones móveis para crianças. As famílias serão encorajadas a mantê-los fora do alcance das crianças. As operadoras de telefonia móvel de Bangladesh criticaram a proposta, alegando não haver base científica para a medida.

O que dizem as autoridades australianas:

A Australian Communications Authority (Autoridade Australiana de Comunicações) – ACA – distribuiu um panfleto, para cada escola do país, intitulado Telefones Celulares... sua saúde e a regulamentação da radiação eletromagnética de radiofreqüência. Com respeito aos possíveis efeitos sobre a saúde, o panfleto da ACA afirmava apenas que “A importância da opinião científica nacional e internacional é de que não existe evidência substanciosa de que o uso do telefone celular possa trazer efeitos perniciosos sobre a saúde.”

Esse panfleto é deveras enganoso porque apresenta uma versão bastante preconceituosa do que seja “ciência”. Quando se refere à “Importância da opinião científica nacional e internacional”, está, na verdade, se referindo à opinião e diretrizes de exposição a radiofreqüências, estabelecidas pela International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection (Comissão Internacional de Proteção contra a Radiação não Ionizante) – ICNIRP –recentemente incorporadas no padrão australiano de RF. Entretanto, o que o panfleto da ACA omite é a sua admissão da relevância limitada da ICNIRP, no tocante à exposição humana.

As diretrizes da ICNIRP são essencialmente baseadas em estudos com animais sob exposições elevadas e de curta duração, com o objetivo de determinar limites de exposição capazes de evitar riscos imediatos à saúde (tais como aquecimento do tecido corporal, conhecido como efeito térmico), como resultado de altos níveis de exposição. Citando a própria ICNIRP:

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“A maioria dos efeitos biológicos reconhecidos da exposição a campos de RF é consistente com respostas ao aquecimento induzido... A maioria deles examinou outros resultados que não o câncer, muitos examinaram respostas fisiológicas e termo-regulatórias, efeitos sobre o comportamento e sobre a indução de opacidades do cristalino (cataratas), bem como conseqüências adversas sobre a reprodução, resultantes de exposições agudas a níveis relativamente elevados de campos de RF. Muito poucos estudos são relevantes para avaliação da exposição de RF sobre o desenvolvimento de câncer em seres humanos.” [33] O panfleto da ACA poderia ser mais verdadeiro se ele adicionasse às suas conclusões: “... Não existe evidência substanciosa de que o uso de um telefone móvel pode causar efeitos nocivos sobre a saúde.” – porque a necessária pesquisa não foi ainda realizada.

É realmente uma boa ciência para a ACA confiar em estudos animais sob exposições agudas e de curta duração, para dar garantias de segurança quanto ao uso dos telefones celulares, especialmente quando se trata de crianças? Isto, com certeza, significa propaganda enganosa que só beneficia a indústria de telefones móveis.
Mais importante ainda, a ICNIRP não examina nem mesmo a possibilidade de outros efeitos não térmicos em conseqüência de exposições a campos de RF e microondas de baixas intensidades e longa duração, tais como as de usar um telefone celular durante anos a fio. Como tal, isso é cientificamente irrelevante para o caso em apreço. Entretanto, de um ponto de vista de relações públicas, declarações como “Importância da opinião científica nacional e internacional” soam impressionantes, à primeira vista.

Em 1995, Dr. Ross Adey, um dos mais respeitados e veteranos cientistas pesquisadores comentou a respeito da “Importância da opinião científica nacional e internacional”, declarando:

“A evidência de laboratório sobre os efeitos não térmicos de campos de freqüências extremamente baixas [linhas de potência], bem como de RF e microondas, constitui atualmente um importante volume de literatura científica em periódicos que passam por processos de revisão e aprovação pelos próprios pares cientistas (peer-reviewed). É minha opinião pessoal que continuar ignorando esses trabalhos, no processo de elaboração de padrões, é irresponsável ao ponto de tornar-se um escândalo público.”

Conclusão:

O que temos é uma batalha ideológica entre um número cada vez maior de especialistas qualificados, exigindo uma postura de precaução para salvaguardar a saúde das nossas crianças, versus o poder corporativo de uma indústria de bilhões de dólares, cujas preocupações se baseiam apenas em maximizar seus lucros, às possíveis expensas do futuro bem-estar de nossas crianças. O resultado deste conflito pode não ser conhecido durante muitos anos, até que os jovens usuários de telefones celulares de hoje já estejam em sua maioridade. Até então, se as advertências de perigos sobre a saúde forem comprovadas, um dano irreversível à saúde de muitos desses indivíduos já terá acontecido.

Cada pai, por ventura tentado a permitir o uso irrestrito do telefone celular pelos seus filhos, deve perguntar-se: Vale a pena correr este risco?

Quanto à Walt Disney Co., se o bem-estar de seus consumidores for realmente a sua principal prioridade, deve reconsiderar seriamente a sua mudança para o setor de telecomunicações. Caso contrário, eles ousariam correr o risco de enfrentar processos na justiça, caso se confirmem as advertências de perigos para a saúde?

Fonte: http://www.nossofuturoroubado.com.br

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