Liber Linteus: o enigmático livro etrusco

lietru1Por Talita Lopes Cavalcanti - Liber Linteus Zagrabiensis é um livro datado do século 3 a.C. que até hoje intriga historiadores e criptólogos. Ele ainda é o único livro de linho existente no mundo todo e também traz o texto etrusco mais longo que se tem conhecimento. Exatamente por isso, traduzir o que há de escrito nele é tarefa praticamente impossível, fazendo com que ele entre na lista dos livros enigmáticos existentes no mundo.

Sua história, portanto, também é desconhecida antes do século XIX. A única coisa que se sabe é que em 1848, um oficial de baixa patente húngaro, Mihajlo Baric (1791 — 1859), renunciou ao seu posto e embarcou em uma turnê pelo mundo. Quando passou pelo Egito, o oficial resolveu que levaria uma lembrança, adquirindo uma múmia que colocou em exibição em sua casa em Viena. Antes, porém, Baric retirou as ataduras de linho que revestiam o corpo e as exibiu em outra redoma.

Mesmo retirando o pano que envolvia o corpo mumificado, o oficial não percebeu que o linho em questão estava coberto por um texto antigo. Quando Mihajlo morreu, seu irmão doou a múmia e o linho para o Museu Arqueológico de Zagreb.

Assim que o artefato histórico chegou, o museu tratou de documentá-lo em um breve relato:

"Múmia de uma jovem mulher (as faixas foram removidas) em uma caixa de vidro, em posição vertical. Outro recipiente de vidro contém as ataduras da múmia e estão completamente cobertas com uma escrita em uma língua desconhecida e até então indecifrável, representando um tesouro inestimável para o Museu Nacional.”

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Múmia Zagrebacka. O texto etrusco foi utilizado como material de revestimento do corpo da múmia que pertencia a uma mulher egípcia.

No mesmo ano, o egiptólogo alemão Heinrich Brugsch examinou o texto e acreditou, inicialmente, que se tratasse de hieróglifos egípcios. Dessa forma, de 1859 até 1877 nenhum estudo mais aprofundado foi realizado sobre os artefatos, pois acreditava-se que não se tratavam de nada tão desconhecido assim. Porém, em 1877, Richard Burton, outro egiptólogo, analisou os escritos nas ataduras e percebeu que a língua não era egípcia, entretanto acabou chegando a uma conclusão errada, acreditando que se tratava de uma transliteração de parte do Livro dos Mortos na língua árabe.

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Somente em 1891, quando os invólucros foram enviados para Viena, que Jacob Krall — especialista em língua Copta — identificou o idioma como sendo etrusco. Após finalmente descobrir qual a proveniência do texto, buscou-se descobrir de onde a múmia era e qual era sua história para saber qual a relação dela com a língua escrita nas ataduras. Essa era a tarefa difícil, uma vez que o corpo embalsamado havia sido adiquirido de forma irregular, sendo quase impossível descobrir o local de sua escavação.

A explicação mais plausível para aquele livro antigo ter virado material para mumificação foi a de que após a queda dos etruscos pelos romanos, o livro de linho, material sem qualquer valor para os conquistadores, foi entregue aos egípcios que usavam o pano no processo de mumificação. Foi assim, então, que o Liber Linteus, visto como artefato inútil, acabou utilizado como embrulho funerário para o corpo mumificado de uma mulher egípcia.

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As poucas palavras que puderam ser decifradas sugerem que o livro se trata de um calendário ritualístico. Ainda assim, pelo fato de pouca coisa ter restado dos etruscos e por ser um objeto único no mundo, ele permanece boa parte indecifrado e um enigma para historiadores e criptólogos.

Fonte: http://www.museudeimagens.com.br/

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