Padre Roberto Landell de Moura - Parte 1

landell1Roberto Landell de Moura (Porto Alegre, 21 de janeiro de 1861 — Porto Alegre, 30 de junho de 1928) foi um padre católico e inventor brasileiro. É considerado um dos vários "pais" do rádio, no caso o pai brasileiro do Rádio. Foi pioneiro na transmissão da voz humana sem fio (radioemissão e telefonia por radio) antes mesmo que outros inventores tivessem transmitido ...

sinais de telegrafia por rádio. Pelo seu pioneirismo o Padre Landell é o patrono dos radioamadores do Brasil.  A Fundação Educacional Padre Landell de Moura foi assim batizada em sua homenagem, assim como o CPqD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento) criado pela Telebrás em 1976, foi batizado de "Roberto Landell de Moura". O Padre Landell - O padre Landell de Moura nasceu na cidade de Porto Alegre (RS) em 1861. Realizou seus estudos iniciais em Porto Alegre e São Leopoldo, antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana.

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Completou sua formação eclesiástica em Roma, formado em Teologia e ordenado sacerdote em 1886. Quando voltou ao Brasil, substituindo freqüentemente o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio, manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II. Depois disso, serviu em uma série de cidades do interior de São Paulo. Em Roma iniciou seus estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, pois estava em um dos grandes centros de pesquisa do mundo à época: São Paulo. O Exército Brasileiro em homenagem ao insígne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de "Centro de Telemática Landell de Moura" ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre. Transmissão da voz - Pioneiro na transmissão da voz, utilizando equipamentos de rádio de sua construção patenteados no Brasil em 1901, e posteriormente nos Estados Unidos em 1904. Landell transmitiu a voz humana por meio de dois veículos, o primeiro, um transmissor de ondas que utilizava um microfone eletromecânico de sua invenção que recolhia as ondas sonoras através de uma câmara de ressonância onde um diafragma metálico abria e fechava o circuito do primário de uma bobina de Ruhmkorff, e induzia no secundário dessa bobina uma alta tensão que era irradiada ou através de uma antena ou de duas esferas centelhadoras. A detecção era feita por dispositivos que foram sendo melhorados ao longo do tempo.

O segundo meio utilizado pelo cientista era através do aparelho de telefone sem fio, que utilizava a luz como uma onda portadora da informação de áudio. Neste aparelho as variações das pressões acústicas da voz do locutor eram transformadas em variações de intensidade de luz, de acôrdo com a onda de voz, que eram captadas em seu destino por uma superfície parabólica espelhada em cujo foco havia um dispositivo cuja resistência ohmica variava segundo as variações da intensidade de luz. No circuito de detecção havia apenas o dispositivo fotossensível, uma chave, um par de fones de ouvido e uma bateria. Por utilizar a luz como meio de transporte de informação Landell é considerado um dos precursores das fibras ópticas.

O Padre Landell executou estudos e experiências a partir de 1892 em Mogi das Cruzes, e, em 1893, em Campinas e em São Paulo onde efetuou uma demonstração pública de seu invento no dia 3 de junho de 1900 sendo noticiada pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900:

"No domingo próximo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família".

Em 1903, Artur Dias, em seu livro "Brasil Actual" faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte:

"logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento de transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 km, sem necessidade de fios metálicos.
Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos. O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, e as diversas experiências por ele realizadas na presença do vice-cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr. Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas".

Incompreensão e descaso do Brasil

 

 

O êxito das experiências do Padre Landell não tiverem acolhida pela imprensa e autoridades brasileiras da época, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal La Voz de España, (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900 em que diz:
quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fez pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos.
Estava em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita a um doente, encontrou a porta da casa paroquial arrebentada e seu laboratório e instrumentos completamente destruídos.

Visto por uma população ignorante como "herege", "impostor", "feiticeiro perigoso", "louco", "bruxo" e "padre renegado" por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio dois dias antes em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico.

Em junho de 1900, por carta, Landell de Moura doou seus inventos ao governo britânico, como registrou em pesquisa para doutorado na USP, em 1999, o historiador da ciência Francisco Assis de Queiroz.

Em 1903, ao retornar ao Brasil após uma estadia de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar seus inventos que revolucionariam a comunicação (até mesmo para comunicação interplanetária, acertadamente sugeriu).

O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um "maluco" e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.

Landell só conseguiria realizar demonstrações públicas de seu invento com navios da Marinha em 1905 e mesmo assim não conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial.

 

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Patente brasileira e estadunidense - Landell de Moura, em 09 de março de 1901 obteve para seus inventos a patente brasileira número 3.279, meses depois seguiu para os Estados Unidos, e em 04 de outubro de 1901 deu entrada no The Patent Office of Washington, DC pedindo privilégio para suas invenções, tendo obtido, em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem fio. Seu trabalho foi notícia em 12 de outubro de 1902, no Jornal americano "The New York Herald", em reportagem sobre experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas americanos, alemães, ingleses dentre outros, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio. Ressalta o jornal: "Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles tem dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas. Mas antes de Brigton e Ruhmer, o Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone".  O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada "Padre Landell de Moura - inventor do telefone sem fio". Pioneiro das Telecomunicações - O italiano Guglielmo Marconi é considerado o pai da Radiodifusão e inventor do primeiro transmissor de ondas eletromagnéticas, em 1895. Segundo registros da imprensa da época, no entanto, o crédito desta invenção deveria ser dado ao padre brasileiro Roberto Landell de Moura que, um ano antes de Marconi, realizava a primeiras transmissões radiofônicas da História. Apresentado publicamente em 1894, o transmissor de ondas criado pelo padre cobria a distância de oito quilômetros, mais do que o dobro da distância alcançada pelo invento de Marconi, e trazia em seu sistema duas novidades: o microfone eletro-mecânico e o auto-falante-telegráfico, que não constavam do sistema italiano.Roberto Landell de Moura estudou com o pai as primeiras letras. Freqüentou a Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, no bairro da Azenha, a seguir entrou para o Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes.

Com 11 anos, em 1872, estudou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo-RS, onde concluiu o curso de Humanidades. Após seguiu para o Rio de Janeiro, onde foi cursar a Escola Politécnica. Em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se ambos a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano, após cursou a Universidade Gregoriana onde, em 28 de outubro de 1886, foi ordenado Padre.

Apesar da invenção do Guglielmo Marconi ter sido tecnicamente inferior e posterior a do brasileiro Landell de Moura, foi ele o primeiro a patentear o transmissor de ondas, em 1896, nos Estados Unidos. Landell de Moura só fez o mesmo com seu invento em 1901, no Brasil, e em 1904, nos Estados Unidos. Mas aí, já era tarde, e a posição oficial de criador da Radiodifusão tinha sido ocupada pelo italiano.

No dia 30 de junho de 2002 transcorreu o septuagésimo quarto aniversário da morte do Padre-cientista ROBERTO LANDELL DE MOURA, gaúcho, nascido em Porto Alegre, numa casa de esquina da rua Bragança, hoje Marechal Floriano Peixoto, com a antiga Praça do Mercado, aos 21 de janeiro de 1861, tendo sido batizado, conjuntamente com sua irmã Rosa, a 19 de fevereiro de l863, na igreja do Rosário, que anos mais tarde viria a ser seu vigário. Landell de Moura era o quarto de quatorze irmãos, sendo seus pais o Sr. Ignácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos descendentes de tradicionais famílias rio-grandenses, com ascendência inglesa.

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Retornou ao Rio de Janeiro em 1886, residindo no Seminário São José e, neste mesmo ano, reza sua primeira missa na Igreja do Outeiro da Glória para Dom Pedro II e toda sua côrte. Em função disso, expôs suas idéias sobre transmissão do som e da imagem ao Imperador. Substituiu o coadjutor do capelão do Paço Imperial, mantendo, ainda, palestras de caráter científico com Dom Pedro II.

No dia 28 de fevereiro de 1887 foi nomeado capelão da Igreja do Bomfim e professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre. A 25 de março de 1891 foi conduzido a vigário, por um ano, na cidade de Uruguaiana-RS. Em 1892 é transferido para o Estado de São Paulo, onde foi vigário em Santos, Campinas e Santana e capelão do Colégio Santana. Em julho de 1901 partiu para os Estados Unidos da América do Norte. Retornou a São Paulo em 1905, dirigindo as Paróquias de Botucatu e Mogi das Cruzes. Em 1908 voltou ao Rio Grande do Sul onde dirigiu a Paróquia do Menino Deus e, em 1916, a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário.

Padre Landell foi um dos pioneiros na descoberta do telefone sem fio, ou rádio, como é hoje conhecido, o precursor da radiotelefonia, o bandeirante da própria televisão, o descobridor das Ondas Landellianas. Em 1893, muito antes da primeira experiência realizada por Guglielmo Marconi, o gaúcho padre Landell de Moura realizava, em São Paulo, do alto da Av. Paulista para o alto de Sant'Ana, as primeiras transmissões de telegrafia e telefonia sem fio, com aparelhos de sua invenção, numa distância aproximada de uns oito quilômetros em linha reta, entre aparelhos transmissor e receptor, presenciada pelo Cônsul Britânico em São Paulo, Sr. C. P. Lupton, autoridades brasileiras, povo e vários capitalistas paulistanos.

Tratava-se da primeira radiotransmissão da qual se tem notícias. Só um ano depois foi que Marconi iniciou as experiências com seu telégrafo sem fio. Em virtude de brilhante êxito de suas experiências inéditas, em nível mundial, Landell obteve uma patente brasileira para um "aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso", patente nº. 3.279. Era o dia 09 de março de 1901. O mérito do Padre Landell é ainda maior se considerarmos que desenvolveu tudo sozinho. Era dessas pessoas que além do seu lado místico, integrava em sua personalidade o gênio teórico e o lado prático para a construção de seus aparelhos.

Ele era o cientista, o engenheiro e o operário ao mesmo tempo. Consciente de que suas invenções tinham real valor, o padre Landell partiu com destino aos Estados Unidos da América, quatro meses depois, com o intuito de patentear os seus aparelhos.
Obtém três patentes em Washington, Estados Unidos: "Transmissor de Ondas" - precursor do rádio, em 11 de outubro de 1904, patente de nº. 771.917; "Telefone sem fio" e "Telégrafo sem fio", em 22 de novembro de 1904, patentes de nºs. 775.337 e 775.846. Nas patentes agrega vários avanços técnicos como transmissão por ondas contínuas, por meio da luz, princípio da fibra óptica e por ondas curtas; e a válvula de três eletrodos, peça fundamental no desenvolvimento da radiodifusão e para enviar mensagens.

Também em 1904 o Padre Landell começa a projetar, de forma precursora, a transmissão da imagem, ou seja televisão e de textos, teletipo, à distância.

As Ondas Landellianas, denominadas assim por um jornal de São Paulo, que em 1900 se ocupou das teorias científicas do Padre inventor, conquanto sejam, aparentemente, do mesmo número das Ondas Hertzianas, todavia diferem muito destas últimas, porque estas são ondas mais ou menos amortecíveis e produzidas por movimentos vibratórios elétricos sem Constância nem Uniformidade, que vão pouco a pouco, decrescendo, ao passo de que as Ondas Landellianas não estão sujeitas a tais transformações e são produzidas por movimentos vibratórios elétricos, cujos valores ondulatórios são CONTÍNUOS e permanecem sempre iguais. Como bem se verifica, as Ondas Landellianas desempenham, em seu sistema de telegrafia e telefonia-sem-fio, o papel de um condutor metálico.

A idéia da criação desse campo ondulatório através do espaço, além de ser genial, é de grande alcance prático e científico, pois já tem sido aproveitado para vários fins. Nela baseava-se o Padre Landell na possibilidade de transmitir, também sem fio, a IMAGEM a grandes distâncias, ou seja, a TELEVISÃO que agora se pratica.

Como conseqüência das suas descobertas, a Marinha de Guerra do Brasil, logo no retorno de Landell de Moura dos Estados Unidos, em 1º de março de 1905 realizava experiências com a telegrafia por centelhamento, no encouraçado Aquidabã. Foram usados os aparelhos patenteados em 1901, no Brasil e 1904, nos Estados Unidos. A Marinha de Guerra é a pioneira no Brasil, da radiotelegrafia permanente.

Por seu pioneirismo nas telecomunicações, o Padre Roberto Landell de Moura é considerado o "Patrono dos Radioamadores Brasileiros". Na verdade foi o 1º radioamador brasileiro em telegrafia e fonia.

Em 1907, o Padre Landell de Moura, sob a designação de "O Perianto", descrevia minuciosamente os efeitos eletro-luminescentes da aura humana e sua gravação em filme fotográfico. Mas, somente em 1939 esse efeito foi conhecido, na Rússia, sob a denominação de efeito Kirlian e sua técnica fotográfica.

Igualmente, o Padre Landell de Moura deixou minuciosos relatos dos efeitos da acumulação da eletricidade no comportamento do corpo humano, denominando-os "estenicidade", e suas formas de controlá-los.

Em 1984 a Fundação de Ciência e Tecnologia - CIENTEC, em Porto Alegre, construiu uma réplica daquele que pode ser considerado o primeiro aparelho de rádio do mundo: o Transmissor de Ondas (Wave Transmitter, patente nº. 771.917, de 11 de outubro de 1904). Esta réplica encontra-se em exposição no saguão da Fundação Educacional e Cultural Padre Landell de Moura, na Av. Ipiranga, 3501, em Porto Alegre - RS.

Além das ciências físicas, Roberto Landell de Moura se interessou pela química, biologia, psicologia, parapsicologia e medicina, sendo o primeiro cientista brasileiro com registro internacional de invenção pioneira. Suas descobertas estão servindo à humanidade até hoje.

Roberto Landell de Moura foi Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre. Em 17 de setembro de 1927 foi elevado, pelo Vaticano, a Monsenhor, e seis meses antes de falecer nomeado Arcediago, promoções que lhe foram feitas merecidamente. A Igreja Católica, reconhecento e apoiando o seu trabalho como cientista, concedeu-lhe permissão especial para viajar aos Estados Unidos da América, onde permaneceu por quatro anos para patentear seus inventos. Aos 67 anos, no dia 30 de junho de 1928, sábado, às 17:45 horas, morreu, abatido pela tuberculose, num modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e meia dúzia de amigos fiéis e devotados.

 

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O Monsenhor João Emílio Berwanger, pró-vigário geral, celebrou, no domingo, dia 1º de julho, pela manhã, na Capela da Beneficência, missa de corpo presente. Em caráter solene, na Catedral Metropolitana, às 15:00 horas, foi celebrada a encomendação, tendo presidido as cerimônias o arcebispo Dom João Becker, secundadas pelos monsenhores João Emílio Berwanger, João Maria Balém, José Barea e Nicolau Marx, e assistidas por todos os cônegos do Cabido Metropolitano. O "Libera-me Domine" foi cantado com o acompanhamento de todo o clero secular e regular da arquidiocese. O templo estava repleto de fiéis e lá fora, uma chuva torrencial.  No Estado de São Paulo, em 16 de julho de 1992, pela Lei nº.7.957, assinada pelo Governador Luiz Antônio Fleury Filho, foi instituída oficialmente a "Semana Padre Roberto Landell de Moura", a ser comemorada todos os anos, de 05 a 11 de novembro. Nas comemorações do 1º Centenário da bem sucedida experiência pública do Padre Roberto Landell de Moura, acontecida em 1893, foi inaugurado, em 07 de junho de 1993, às 16:30 horas, na cidade de Santa Maria-RS, em frente ao Santuário de Nossa Senhora Medianeira, um monumento em sua homenagem. O Prefeito Municipal de Porto Alegre-RS, Sr. Raul Pont, em 11 de outubro de 1999, sancionou a Lei nº. 8.355, autorizando o Executivo Municipal a erigir um busto em homenagem ao Padre-cientista Roberto Landell de Moura, no Belvedere Deputado Rui Ramos, no bairro Santa Tereza.

Em 03 de novembro de 1999, o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Ilustríssimo Sr. Olivio Dutra, sancionou a Lei nº. 11.384, instituindo a "SEMANA PADRE LANDELL DE MOURA", a ser comemorada de 24 a 30 de setembro de cada ano. A Semana terá como motivo reverenciar a memória do Padre-cientista Roberto Landell de Moura.

A Lei nº. 8355 e a Lei nº. 11384 foram elaboradas atendendo a solicitação do pesquisador e radioamador Ivan Dorneles Rodrigues - PY3IDR.

Algumas informações sobre a vida do inventor e cientista Padre Landell de Moura:

• Roberto Landell de Moura nasceu na cidade de Porto Alegre, R.G.do Sul, em 21 de Janeiro de 1861.

• Fez seus estudos religiosos no Colégio Pio Americano e cursou a Universidade Gregoriana como aluno de Física e Química.

• Foi ordenado sacerdote em 28 de Novembro de 1886, em Roma.

• Gostava de ser chamado simplesmente de Padre Landell.

• Pesquisou e descobriu que todos os corpos animados ou inanimados são circundados por halos de energia luminosa, invisíveis a olho nu, segundo documentos de 1907. Ele chegou inclusive a fotografar o efeito. Tratava-se do "Efeito Kirlian", batizado com esse nome em 1939, por causa dos estudos do casal soviético Semyon e Valentina Kirlian.

• O "Transmissor de Ondas", um dos aparelhos desenvolvidos e patenteados pelo Padre Landell de Moura foi reconstruído por técnicos da CIENTEC e está exposto na Fundação Educacional Padre Landell de Moura – em Porto Alegre. Os técnicos constataram que o transmissor atinge uma larga faixa de espectro de rádio-freqüências e é captado, inclusive na faixa de FM.

• O principal feito do sacerdote cientista foi conseguir a primeira transmissão da voz humana, sem auxilio de fios. Isso aconteceu em 03 de junho de 1900. A distância entre o aparelho emissor e o detetor foi de aproximadamente de 8 quilômetros, entre o Bairro de Santana e os altos da Av. Paulista, na cidade de São Paulo. A demonstração foi presenciada por autoridades e pela imprensa. Nesta época o que se tinha em termos de comunicação por meios elétricos era o telégrafo por fios (Samuel Morse - 1837), o telefone com fio (Graham Bell -1876) e a radiotelegrafia (Guglielmo Marconi - 1895).

• Ele é o patrono dos radioamadores brasileiros.

• Landell é considerado também o precursor das fibras óticas, pois o aparelho inventado por ele era  multifunções e contemplava as funções de telegrafia e também a transmissão do som via Onda Portadora de Luz.

• A patente brasileira para um "aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso" foi obtida em 09 de Março de 1901.

• Nos estados Unidos Pe. Landell de Moura conseguiu três cartas patentes: a do "Transmissor de Ondas", que é o precursor do rádio, " Telefone Sem Fio" e "Telégrafo Sem Fios".

• Landell de Moura faleceu em Porto Alegre / RS em 30 de Junho de 1928.


Radiodifusão

O cientista e inventor brasileiro Padre Roberto Landell de Moura, (1861-1928) é o pioneiro mundial na transmissão da palavra humana utilizando o rádio, ou seja, ele é o verdadeiro precursor da radiodifusão, (transmissão e recepção radiofônicas).  É bom lembrar que o rádio que Marconi inventou, só transmitia e recebia sinais de telegrafia (CW), sendo portanto o pioneiro na radiotelegrafia - telégrafo sem fio - não tendo na época, se interessado ou conseguido transmitir em fonia.

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Segundo o Eng. Eletrônico e Eletricista Nicolas Dachin, em artigo publicado na revista Antenna em jan/1969, o registro da segunda transmissão da palavra humana deu-se em 25 de Dezembro de 1900, feito consignado ao Canadense-norte-americano Reginald Aubrey Fessenden.

Gaúcho, Padre Landell desenvolveu seus estudos e experiências a partir de 1893, especialmente em Campinas e São Paulo (capital).

Vale ressaltar que diversos autores fazem referências a experiências públicas realizadas a partir de 1893/4, mas que ainda não foram comprovadas. Comprovadamente, Pd Landell efetuou uma demonstração pública de seu invento, na cidade de S. Paulo, no dia 03 de junho de 1900.

A sua vitoriosa experiência em 1900 foi assim noticiada pelo Jornal do Comércio de 10 de junho de 1900:

"No domingo próximo passado, no alto de Santana, cidade de São Paulo, o Padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção, no intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço (...), as quais foram coroadas de brilhante êxito. (...) Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, o Sr P.C.P. Lupton, representante do Govêrno britânico, e sua família".

Certamente já desiludido de ter seus inventos reconhecidos e aproveitados pelas autoridades brasileiras, Padre Landell, dias após enviou carta ao Cônsul inglês, Mr. P.C.P. Lupton, oferecendo seus inventos.

Injustiçado e incompreendido, o êxito das experiências do padre Landell não tiverem a merecida acolhida pela imprensa e autoridades brasileiras da época, o que causou uma grande decepção ao ilustre cientista, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal "La Voz de Espanã" (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900 em que diz: "(...)quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fizeram pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos(...)".
Em 1903, Arthur Dias, em seu livro "Brazil Actual" faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte: "...logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento - transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 kilometros, sem necessidade de fios metálicos. Após alguns mezes de penosos trabalhos, obteve excellentes resultados com um dos apparelhos construidos(....)O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, (...)e as diversas experiências por ele realizadas na presença do cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas (...)".

Observem que o livro foi escrito apenas 10 anos após o início das experiências de Landell de Moura em 1893, e 03 anos depois da vitoriosa demonstração pública de 1900. Na época da publicação do livros, Pd Landell estava nos USA patenteando seus inventos.

O Jornal "O Estado de São Paulo" em sua edição de 16 de julho de 1899 noticiou que o Pd Landell estaria às 09:00hs no Colégio das Irmãs São José, em Santana, para realizar uma experiência de telefonia sem fios, na presença de autoridades, homens da ciência e imprensa.

Infelizmente ainda não foi encontrado nenhuma notícia informando do resultado da experiência. Entretanto é bom ressaltar, se o Pd Landell naquela época já realizava demonstrações públicas de seus inventos, é certo de que já tinha obtido exito nas experiências efetuadas em Laboratório.

Os fatos não desanimaram Landell de Moura, que em 09 de março de 1901 obteve para seus inventos a patente brasileira nº 3.279.

Meses depois seguiu para os USA, e em 04 de outubro de 1901 deu entrada de requerimentos no The Patent Office of Washington pedindo privilégio para suas invenções, tendo obtido, após muito sacrifício pessoal, em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem fio.

Seu trabalho foi notícia em 12.10.1902, no Jornal americano "The New York Herald", em reportagem sobre experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas nos USA, Alemanha e Inglaterra, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio.

Ressalta o jornal: ..."Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles tem dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas...Mas antes de Brigton e Ruhmer, Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone...".

O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada: "Padre Landell de Moura - Inventor do telefone sem fio".

É importante ressaltar que a reportagem acima foi escrita em um jornal americano, por jornalistas que conviveram com Landell de Moura, e reconhecem que os seus feitos foram pioneiros.

Em 07 de setembro de 1984, em Porto Alegre, após um magnífico trabalho de reconstrução coordenados pelo Prof Otto Albuquerque, pela CIENTEC (Fundação de Ciência e Tecnologia do RS) e a FEPLAN (Fundação Educacional Padre Landell de Moura), foi feita uma demonstração pública utilizando-se um rádio montado com os mesmos materias usados à época por Landell de Moura, tendo sido transmitidas algumas palavras pronunciadas pelo então Governador Jair Soares.

 

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A réplica do rádio encontra-se na FEPLAM em Porto Alegre. Mas não paramos por aqui...Diversos artigos já foram publicados em dezenas de revistas e jornais brasileiros e no exterior, narrando as experiências pioneiras de Landell de Moura. O Prof. Otto Albuquerque em seu livro "No Ar a Luz que Fala", e o Eng. Iwan Halasz, no livro "Handbook do Radioamador", fazem minucioso estudo técnico dos aparelhos inventados por Landell de Moura, não deixando margens à dúvidas do seu pioneirismo e funcionalidade. O escritor Ernani Fornari, e o jornalista e estudioso B. Hamilton Almeida, (entre outros) publicaramlivros baseados em extensa pesquisa nos documentos doados por herdeiros do Pd. Landell, bem como em pesquisas nas cidades em que ele viveu, demonstrando, o pioneirismo de suas invenções.

No decorrer dos anos, dezenas de artigos foram publicados ressaltando os feitos de Landell de Moura, em jornais e revistas no Brasil, (como p. exemplo, A Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Veja, Superinteressante, Rev. das Invenções) bem como em Portugal, USA, Alemanha, Argentina, Uruguai e Áustria.

As anotações deixadas por Landell de Moura foram alvo de minucioso estudo realizado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da antiga TELEBRÁS, situado em Campinas/SP,  (que diga-se de passagem leva o nome do Padre Landell de Moura), tendo se concluído pela validade de suas teorias.

Os originais das anotações estão em Porto Alegre, no Museu Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES:

Nascido em Porto Alegre em janeiro de 1861, Landell de Moura teve formação eclesiástica em Roma. Ordenado sacerdote em 1886, voltou para o Brasil e desempenhou atividades religiosas até sua morte, também em Porto Alegre, já no importante cargo de Monsenhor.

Em Roma iniciou seus estudos de física e eletricidade, nos quais aperfeiçoou-se como auto-didata no Brasil. É bom lembrar que aqui, Landell de Moura estava isolado dos grandes centros de pesquisas da época, especialmente França, Inglaterra e USA, só tomando conhecimento dos avanços tecnológicos que ali ocorriam meses depois, pelas poucas publicações que chegavam ao nosso país.

CONCLUSÃO:

Landell de Moura, um inventor e cientista que desenvolveu suas experiências em nosso País, com parcos recursos técnicos e financeiros, estranhamente, até hoje, é um ilustre desconhecido da maioria absoluta do povo, governo e comunidade científica, inclusive no Brasil.

Num país ainda tão carente em apoiar e desenvolver sua produção técnica e científica, deixar de prestigiar a obra de Landell de Moura, é desperdiçar a oportunidade de reconhecer para a posteridade os feitos e a glória de um dos grandes gênios brasileiros.

AFINAL , QUEM INVENTOU O RÁDIO ?

Ocimar  , Radioamador  zz 2 wkm  Serra Negra SP


Se você procurar em qualquer enciclopédia  com certeza achará escrito Guglielmo Marconi ,ITALIA .
E se alguém lhe disse-se que não , como você reagiria ?
E ainda ,que foi no BRASIL ?
E para completar , em São Paulo .
Mais precisamente? Na AVENIDA PAULISTA  .
Louco , pirado ,”DOIDAO” , dentre outros adjetivos com certeza surgirão como primeiro impulso ,acompanhado daquele “ meio-sorriso-de-descrédito” .
Mas seu amigo persiste em exaltar as experiências de um tal  Padre Landell de Moura .

- Landell de que ? –
- Landell de Moura , a mais de cem anos .
- Mais de cem anos ? Ah , nessa eu não acredito .-

Pois acho melhor começar a creditar . A 21 de janeiro de 1861 ,veio ao mundo em Porto Alegre SC, Roberto Landell de Moura . Antes de ingressar na escola básica , Landell , como era chamado , já havia sido alfabetizado pelo pai . Aos 11 anos , ingressa no Seminário Nossa Senhora da Conceição  em São Leopoldo aonde encontra seu verdadeiro objetivo de vida , o sacerdócio .

Faz estudo secundário na Escola Politécnica do Rio de Janeiro . Estudando Física  , inicia-se no mundo da ciência escrevendo estudos sobre “ As Forças Físicas e a Harmonia  do Universo” . Prosseguindo estudo em Roma , onde estudou Direito Canônico , usando de seu intelecto invejável , formou-se também em Física e Química .

Um mundo novo acabava de abrir-se em seu horizonte . Se o sacerdócio era seu objetivo de vida , a
Ciência tornou-se seu fascínio . Landell “enxergou” nos estudos de Faraday (Indução ,1831) , Maxwell (eletromagnética ,1875) e Hertz ( ondas eletronicas,1878)  não apenas informações cientificas ,mas sim , caminhos Interligados .

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Ordenado sacerdote em 1886 , volta ao Brasil aonde reza sua primeira missa no ano seguinte em
Sua cidade natal . Isolado das novidades da Europa e EUA , Padre Landell aprofunda-se nos estudos de eletrônica como auto - didata servindo-se única e exclusivamente da sua mente brilhante ,com parcos recursos Técnicos e principalmente financeiros . Em 1892 foi transferido para uma paróquia em Campinas , aonde redigiu seus princípios e leis , quando finalmente em 1893 , já em São Paulo , com um “telefone-sem-fio”  ,transmite da Av. Paulista  , a voz humana , musica e o Tic-tac de um relógio  ouvido com perfeita nitidez a 8 Km de distancia , no bairro de Santana por seu assistente . Estava criada por fótons a transmissão eletromagnética da palavra pelo ar , e iniciava-se uma nova era para a humanidade , a “ Era da Comunicação em Massa “, o mundo jamais  seria o mesmo . Antevendo as portas que abririam-se para a humanidade , Padre Landell emociona-se ,e ali mesmo faz orações agradecendo a Deus pela Inspiração Divina . A demonstração fui pública ,com a presença da imprensa e autoridades.

Em 1895 , um outro ser iluminado ,Guiglielmo Marconi , na Itália , patenteia um telégrafo sem fio , causando espanto na comunidade científica européia . Padre Landell continua seus estudos , aperfeiçoando seus aparelhos ,porem , sem incentivo algum , a não ser de poucos amigos que também enxergavam o futuro como Landell . Em 10 de junho de 1900 , o “Jornal do Commercio” do Rio de Janeiro, traz como matéria “uma incrível demonstração pública de um telefone sem fio , capas de transmitir a palavra articulada a longa distancia sem o uso de fios “.Entre a imprensa e autoridades presentes estava o cônsul britânico em São Paulo, Mr. Lupton , visivelmente impressionado com a demonstração . O aparelho recebe a
Patente Nacional n.º 3.279 com o nome de “Gouradphone”. Em 1901 ,com a ajuda financeira de amigos , Padre Landell viaja aos EUA a fim de procurar apoio para suas pesquisas . Patenteia três inventos , um telefone sem fio , um telégrafo sem fio especial e um transmissor de ondas , considerado hoje o pai do radio moderno , ( Patentes n.º 771.917 ,775.337 ,775.846 ,  Patent Officer of Washington ) tendo sido noticia no New Yourk Herald , jornal importante na época .

Em 1904 , sem mais recursos financeiros e sem interesse algum dos EUA ( a mediocridade não reinava só aqui ) retorna ao Brasil . Tomando coragem oferece ao Presidente Rodrigues Alves  o seu invento , pedindo   dois navios para fazer uma demonstração . Quando foi perguntado sobre a distancia desejada Disse “ A que quiserem , meus aparelhos transmitem e recebem comunicação de qualquer ponto do planeta . No futuro servirá para comunicação com outros planetas “. A resposta da Marinha veio logo “ ....... a Marinha de Guerra do Brasil tem mais o que fazer do que dar tratos a padres malucos . - (-.......Um pequeno passo para um homem ,um grande salto para a humanidade – Palavras ditas por Armistrong em 1969 na lua , transmitida para a terra por um “transmissor de ondas”.)

Poucos meses depois , em 1905 , Marconi “assombra” o mundo transmitindo a voz através do canal da Mancha .

Padre Landell porem estava obcecado por uma nova “inspiração” , como ele chamava suas idéias , assim como conseguira transmitir o som , queria agora transmitir .......... a imagem .

Foi seu ponto final ,era muita tecnologia para a época . Chamado por seus superiores , talvez tomados por resquícios final do ultimo suspiro da Inquisição , foi proibido de “......inventar essas maquinas elétricas absurdas e de tentar transmitir a voz pelo ar “. Padre Landell ,homem de fé inabalável obedeceu , destruiu seus aparelhos e introverteu-se nos afazeres do seu ofício até seu últimos dias neste mundo , a 30 de junho de 1928 , aos 87 anos como Monsenhor .

Os caminhos ilógico do destino , pelo menos aos nossos olhos , ainda é um mistério para o homem . Mesmo com patentes , testemunhas e tudo o mais , quis o Sr Destino que Marconi , outro gênio da humanidade fosse aclamado pelo mundo como inventor do radio , recebendo os louros da glória . Qual foi o azar de Landell ? Com certeza  enxergar no mínimo 100 anos a sua frente . Os professores  , Homero Simon e Nilo Ruschel do departamento de engenharia da PUC , estudando os poucos registros que restaram da obra de Landell , ficaram abismados com a visão futurista deste brasileiro:
- Há  projeto completo de um moderno microondas e uma perfeita central de telefonia sem fio por ondas hertzianas (basicamente a telefonia celular)

Também a válvula de três elementos , o tríodo , componente fundamental em eletrónica , somente patenteado em 1906 por Lee de Forest , já era usada por Landell em seus primeiros aparelhos e está
minuciosamente descrita em seus manuscritos ,onde também acharam estudos sobre a luz , ............Tudo quanto até aqui (1892) e no futuro puder ser transmitido por um fio condutor , poderá ser transmitido por um feixe luminoso ......... , hoje técnica largamente utilizada em aparelhos de CD .

Quantas maravilhas não teria desenvolvido este homem se tive-se tido apoio por mínimo que fosse ? Em quanto não seria capaz de avançar a ciência ? Mas quis o destino , na sua sabedoria , que fosse legado a poucos o conhecimento de sua obra .

Mesmo hoje mistérios acontecem , como o busto de bronze doado pela Liga de Radioamadores de Portugal  , inaugurado em 1983 no Museu da Arte de São Paulo , MASP (que por coincidência fica na Av. Paulista) , ficou pouco tempo , sendo retirado para nunca mais voltar .

Padre Roberto Landell de Moura é nome de rua em São Paulo ,nome de praça em Porto Alegre , também é considerado Patrono do rádio-amadorismo brasileiro pela Labre (Liga de Amadores Brasileiro de Rádio Emissão ) , nomeia também o Centro de Pesquisa da extinta “Telebrás” de Campinas ,entre outros parcos reconhecimento de tempos em tempos .

Em 1912 , o governo brasileiro instalou 9 postos de rádio-telegrafia costeira do tipo Landell de Moura ,utilizadas por décadas . Até a Igreja adotou rapidamente os inventos patenteados por Landell , o” MICROFONE”  ,o “AUTO – FALANTE”, o “AMPLIFICADOR ELÉTRICO-MAGNÉTICO DA VOZ”, e em 12 de fevereiro de 1931 é inaugurada a Rádio do Vaticano.

Descanse em paz Monsenhor Landell , neste mundo de trevas , poucos tem o privilégio de portar a luz ,você cumpriu sua missão .


A Estada de Landell em Cuba - para tratamento de saúde

Luiz Netto (12/01/2001)

Quando ROBERTO LANDELL DE MOURA em 1901 partiu com destino aos Estados Unidos com o intuito de patentear seus aparelhos imaginava que sua estada no país do norte seria aproximadamente de uns seis meses. No entanto os técnicos da U.S.Patent Office em Washington exigiram que fosse construídos os protótipos de seus aparelhos e que fosse demonstrado que efetivamente funcionavam segundo as descrições contidas nos memoriais descritivos. LANDELL não levou os aparelhos que já tinha construido pois simplesmente segundo os registros dos livros eles teriam sido destruidos por uma leva de incultos fanáticos que o viam como alguém que tinha parte com o demonio...Isso acabou por tomar muito mais tempo,  pois sabemos que as patentes só foram conseguidas  em 1904.

BOB LOCHTE, (Department of Journalism and Mass Communications) professor universitário na Murray State University no Kentucky, que pesquisa os primeiros inventores interessados na transmissão sem fio, interessado em LANDELL DE MOURA,  e que teve acesso a todos os papeis envolvidos na obtenção das patentes de LANDELL, no U.S.Patent Office, em Washington, fala sobre a questão da demora dos 4 anos para a obtenção das patentes. Ele diz que à aquela época tomaria a um novo inventor como LANDELL que não estava familiarizado com a lei de patentes  norte americana, o tempo de um  ano.

 

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Ao redor de 1900 os examinadores de patentes estavam familiarizados com eletrônica básica, telégrafo e telefone, e circuitos de sem fio,  por que já tinham visto outros pedidos de patentes. Assim os examinadores questionaram detalhadamente LANDELL para que demonstrasse como seu sistema funcionava e mais do que isso demonstrasse que era ÚNICO, ou seja que não existia outro igual, que era diferente dos que possivelmente existisse.Tudo o que ele tinha  que fazer era demonstrar que seus aparelhos diferiam dos de TESLA, MARCONI... entre outros nomes importantes. Ele não pôde responder imediatamente a esse questionamento porque como dissemos já não dispunha mais dos aparelhos construidos. Outro detalhe interessante dessa história é que à epoca muitos inventores se lançaram ao trabalho de desenvolver outros sitemas com o mesmo propósito em todo o mundo, assim o  U.S.Patent Office foi exigente ao máximo. Ainda assim LANDELL persistiu por que sabia que  sua idéia era ÚNICA. Diz também o prof. Lochte que inicialmente ele perdeu dois anos por problemas de saúde. Ele contraiu pneumonia e bronquite e seu médico recomendou a ir para Cuba para tratamento. Com relação aos transmites dos papéis para a obtenção das patentes, conta que o primeiro advogado que foi contratado não teve um bom desempenho, pois sua primeira tentativa não foi aceita pelo Departamento de Patentes. Assim LANDELL contratou um segundo advogado, que aconselhou-o a dividir sua proposta em duas outras e mais tarde em tres,  com o objetivo de conseguir pelo menos uma. Sabemos que conseguiu as tres.  Há um ponto interessante sobre o arquivo do "Wireless Telegraph" patente (#775.846). O examinador de patente inicialmente negou seu pedido porque tres de suas reivindicações segundo sua  interpretação estavam em conflito com a patente de MARCONI - U.S.Pantent (#586.193).  Neste ponto em Março de 1902, LANDELL novamente contratou outro advogado e este recomendou  que reformulasse seu pedido com outra redação afim de que fosse eliminado os conflitos com a patente de MARCONI. Se LANDELL ainda tivesse seu original Transmissor e Receptor de Ondas, tivesse suas notas, ou declaração juramentada de testemunhas ele poderia ter tentado provar sua prioridade sobre a patente de MARCONI sobre a lei de patentes americana.

Isto teria tornado sua patente muito mais valiosa. Como LANDELL não pôde seguir este caminho, pelas razões já apontadas, os acontecimentos tiveram outro curso. E pensar que ele já tinha isto desde 1893...

Faz algum tempo fui procurado por um jovem que está fazendo uma pesquisa detalhada sobre inventores nacionais injustiçados - Rodrigo Moura - do Rio de Janeiro e que está sendo orientado pelo professor Joao B.G.Canalle da UERJ, com o propósito de  escrever um livro sobre este assunto. Para que ele pudesse se inteirar desta particularidade da estada de Landell em Cuba, para tratamento de saúde, por ocasião em que estava pleiteando suas patentes, dei-lhe o endereço eletrônico do Prof. Bob Lochte, com o qual trocamos muitos e-mails por ocasião da pesquisa deste sobre Landell.

ANTES DE MARCONI...

História triste de um inventor brasileiro: Padre LANDELL DE MOURA

Por Ernani Fornari
Nascimento de LANDELL DE MOURA e de suas Teorias

Nasceu o Monsenhor ROBERTO LANDELL DE MOURA no dia 21 de janeiro de 1861, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, à rua de Bragança, numa casa que faz esquina com antiga praça do Mercado, tendo sido batizado, conjuntamente com sua irmã Rosa, a 19 de fevereiro de 1863, na igreja do Rosário, de cuja freguesia, anos mais tarde, e até falecer, viria a ser o vigário. Era êle o quarto de doze irmãos, sendo seus pais o Sr.Inácio José Ferreira de Moura
dona Sara Mariana Landell de Moura, ambos descendentes tradicionais famílias riograndenses.

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Remediados e muito religiosos, colocaram-no seus pais Colégio dos Jesuitas, em São Leopoldo, localidade próxima de Porto Alegre, onde fez os primeiros estudos. Terminado que foi o curso de humanidades, tirado todo êle, aliás, com excepcional brilhantismo, por volta de 1879 transferiu-se o jovem Roberto para a Côrte, onde , segundo uns, se matriculou na Escola Politécnica, e, segundo outros, se empregou num armazém de secos e molhados, como caixeiro de cão.

Êsse pormenor, sem dúvida importantíssimo, foi-nos possível esclarecer. O que é certo, porém, é que êle já se encontrava, havia alguns meses, na Capital do Império, segundo seu irmão Guilherme, que ia seguir a carreira eclesiástica, passou pelo Rio de Janeiro, em trânsito para Roma.

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Essa visita de Guilherme foi decisiva na vida de Roberto. Por influência daquele, Roberto, que era também dotado de fervoroso espírito místico, decidiu, de repente, abandonar o comércio (ou a Escola Politécnica) e abraçar a sacerdócio- o que ia, de resto, ao encontro dos desejos de seus pais, que sonhavam em vê-lo Padre.

Homem de resoluções prontas e enérgicas,ROBERTO segue imediatamente para ROMA, em companhia do irmão. Ali ingressa no COLEGIO PIO AMERICANO, e passa a frequentar, concomitantemente, a UNIVERSIDADE GREGORIANA, na qualidade de aluno de física e química, para o estudo de cujas matérias manifestara, desde muito criança, a mais pronunciada inclinação.

Diante, porém, de tão brusca deliberação, não é ilógico supor-se que, embora fôsse êle sincero na escolha da nova carreira, e verdadeira a sua vocação ao sacerdócio, Roberto jamais teria ido para Roma, se, ao lado do Colégio Pio Americano, não funcionasse uma Universidade Gregoriana.

A CIÊNCIA e a RELIGIÃO, por intermédio da voz de Guilherme, teriam falado a Roberto a mesma linguagem sedutora.
Se é que a primeira não tenha falado eloquentemente.

NASCIMENTO da TEORIA sobre "UNIDADE DAS FORÇAS E HARMONIA NO UNIVERSO"

Foi em Roma que o jovem seminarista principiou a conceber as primeiras idéias em tôrno de sua teoria sôbre a "Unidade das fôrças e a harmonia do Universo". Ordenado sacerdote em 28 de novembro de 1886, e já de volta para o Brasil, quando viajava de Roma para Paris, um fenômeno muito comum que se observa naquelas regiões, durante o estio, veio confirmar-lhe ainda mais fundamente o ponto de vista que, pouco mais tarde, o levaria às suas prodigiosas descobertas. Êsse fenômeno é o mesmo que se observa muitas vezes em nosso país, especialmente em nossas cordilheiras, quando o ar, aquecido, parecE galopar no espaço-fenômeno êsse que também se verifica na combustão dos campos.

De retôrno ao Rio de Janeiro, foi residir em uma casa de Padres que então existia no antigo e hoje desaparecido môrro do Castelo, tendo ali permanecido cêrca de dois meses, até que, em 28 de fevereiro de 1887, foi nomeado capelão do Bomfim e lente de História Universal do vetusto Seminário Epicospal, de Porto Alegre, cargo êsse que desempenhou com invulgar capacidade e eficiência. Nomeado em 1891 vigário em Uruguaiana, demorou-se perto de um ano naquela cidade fronteiriça, sendo, em 1892, transferido para o Estado de São Paulo, onde, durante, sete anos, numa verdadeira vida de judeu errante, consequência talvez de seu gênio irriquieto e independente, foi sucessivamente vigário em Santos, Santa Cruz, Campinas e Sant'Ana.

A genialidade do pastor incomodava as ovelhas...



Foi em Campinas, essa época um burgo tranquilo e devoto, propício ao estudo e à meditação, que o Padre Roberto Landell de Moura positivou, ou melhor: deu forma definitiva às suas teorias, sôbre as quais, aliás, não deixara um único momento de refletir. Ali, pois, atirou-se afoitamente ao trabalho de investigação e apuro.

PARTE 2

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