Henrietta Lacks - A Mulher com Células Imortais

celuimor topoSeu nome de batismo era Loretta Pleasant, e ninguém sabe como se tornou Henrietta. Ela era descendente de escravos e nasceu em 1920, numa fazenda de tabaco no interior da Virgínia. Aos 21 anos, emigrou com o marido, David, seu primo em primeiro grau, para os subúrbios da região de Baltimore. Nascida em Roanoke em 1 de agosto de 1920, ...

faleceu em Baltimore em 4 de outubro de 1951, Henrietta Lacks foi a doadora involuntária de células cancerosas, mantidas em cultura pelo cientista George Otto Gey para criar a primeira linhagem celular imortal da história. Aos trinta anos, mãe de cinco filhos, Henrietta descobriu que tinha câncer. Em poucos meses, um pequeno tumor no colo do útero se espalhou por seu corpo. Ela perdeu rapidamente o vigor, convertendo-se num “espécime miserável”, nas palavras impiedosas do prontuário médico do Hospital Johns Hopkins, onde se tratava e onde veio a falecer, em 1951. No Johns Hopkins, uma amostra do colo do útero de Henrietta havia sido extraída sem o seu conhecimento, e fornecida à equipe de George Gey, chefe de pesquisa de cultura de tecidos naquela instituição. Gey demonstrou que as células cancerígenas desse tecido possuíam uma característica até então inédita: mesmo fora do corpo de Henrietta, multiplicavam-se num curto intervalo, tornando-se virtualmente imortais num meio de cultura adequado. Por causa disso, as células HeLa, batizadas com as iniciais da involuntária doadora, logo começaram a ser utilizadas nas mais variadas pesquisas em universidades e centros de tecnologia, nos Estados Unidos e no exterior.

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Esta linhagem de células, utilizada em pesquisas médicas, atualmente é conhecida como HeLa, e torna Henrietta Lacks famosa no meio científico. Henrietta Lacks, uma ex-lavradora de tabaco no sul dos EUA, era descendente de escravos. Aos 30 anos, mãe de cinco filhos, passou a sentir um caroço na altura do útero, embora escondesse as dores da família. Lacks foi diagnosticada com um tumor cervical e enviou células a um pesquisador do Johns Hopkins Hospital. Seu câncer produzia metástases (nova geração de células malignas feita por um tumor) anormalmente (na verdade o "anormal" apenas aconteceu neste caso) rápidas, mais que qualquer outro tipo de câncer conhecido pelos médicos.

Após a morte de Henriette Lacks - com vários tumores, mesmo após os médicos alegarem controle da doença - ou ao menos grande parte dela, as células retiradas pelos cientistas que deveriam morrer dias depois, mas não morreram. Contiuaram se reproduzindo como se ainda estivessem no corpo de Lacks! Suas células continuaram sendo cultivadas para estudo de sua impressionante longevidade, sendo, por isso, distribuídas para vários laboratórios de todo o mundo.

Até hoje as células continuam vivas e se reproduzindo. Elas são cultivadas em vários laboratórios em frascos de plástico contendo soro bovino. Foram enviadas ao espaço para experiências sob gravidade zero. Nesse meio século desde sua morte, já foram formados tecidos vivos com elas, foram continuamente usadas em experimentos e pesquisas contra o câncer, AIDS, efeitos da radiação, mapeamento genético e muito mais. Jonas Salk as utilizou para produzir uma vacina contra a poliomielite. Calcula-se que a quantidade de células existentes nos laboratórios de todo o mundo supere o número de células da senhora Lacks em vida.

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Células HeLa coloridas artificialmente em laboratório

As células HeLa (Henrietta Lacks) são chamadas de imortais por se dividirem num número ilimitado de vezes, desde que mantidas em condições ideais de laboratório. Atribui-se isso ao fato dessas células terem uma versão modificada da enzima Telomerase, implicada no processo de morte das células e no número de vezes que uma célula pode se dividir. Talvez algumas linhagens tenham sido contaminadas por outras células, mas todas provêm da amostra retirada do tumor da senhora Lacks.

Indústria Milionária

O surgimento de uma bilionária indústria de medicamentos sintéticos e as fabulosas cifras atualmente envolvidas em pesquisa genética devem-se em grande medida à comercialização das células de Henrietta. A vacina contra a poliomielite e contra o vírus HPV, vários medicamentos para o tratamento de câncer, de aids e do mal de Parkinson, por exemplo, foram obtidos com a linhagem HeLa. Apesar disso, os responsáveis jamais deram informações adequadas à família da doadora e tampouco ofereceram qualquer compensação moral ou financeira pela massiva utilização das células.

Rebecca Skloot tenta reverter esse quadro, compondo um comovente relato da vida e da morte da mulher negra e humilde cujo trágico e precoce desaparecimento mudou a história da medicina. Por meio do estreito contato mantido com filhos, netos e o viúvo de Henrietta durante a pesquisa para o livro, a autora discute com muita lucidez as delicadas e complexas questões éticas e raciais envolvidas na história. A autora criou uma fundação para onde parte dos proventos deste livro está sendo encaminhada.

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“Um dos mais comoventes e encantadores livros de não ficção dos últimos anos.” - The New York Times

“Skloot faz uma estreia notável com esta história complexa sobre fé, ciência, jornalismo e graça.” - Publishers Weekly

“Um exemplo assombroso de como raça, sexo e doença se cruzam para produzir uma forma singular de vulnerabilidade social. Trata-se de um livro pungente, necessário e brilhante.” - Aloandra Nelson, Universidade de Colúmbia

“A vida imortal de Henrietta Lacks pode ser lido como um romance.” - The Washington Post

“A vida imortal de Henrietta Lacks é um relato cuidadoso e bem escrito da saga da medicina, da bioética e da questão racial nos Estados Unidos. É também a história de redenção de uma família.”- The Boston Globe

Fonte: http://www.lendasnainternet.com/
http://www.companhiadasletras.com.br/

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